Conheça dez livrarias de rua em um Brasil que lê cada vez menos

Durante a pandemia, lojas em SP atendem clientes pela janela e funcionam com horários agendados

SÃO PAULO

O Brasil lê cada vez menos. A redução no número de leitores foi apontada na última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, iniciativa do Instituto Pró-Livro e do Itaú Cultural. Segundo os dados divulgados, o número de leitores –pessoas que leram um livro inteiro ou em partes nos últimos três meses– caiu de 56% para 52% desde a última edição, publicada em 2015.

Na contramão das estatísticas, São Paulo tem uma série de livrarias de rua que já podem ser visitadas.

Com a reabertura dos espaços comerciais e retomada das atividades, selecionamos abaixo dez espaços na capital paulista que se adaptaram aos protocolos de segurança para voltarem a funcionar —seja atendendo clientes pela janela, seja com agendamento de horário. Antes de fazer uma visita, ligue para se certificar do horário de funcionamento.

E podem vir outras livrarias por aí. No Copan, a Megafauna teve a reabertura atrasada por causa da pandemia, mas deve abrir suas portas em novembro. O bairro de Santa Cecília, que já conta com a Banca Tatuí e a Sala Tatuí, também vai ganhar um novo espaço em breve: a Livraria Gráfica.

Travessa abre a primeira loja de rua da rede em São Paulo – Danilo Verpa/Folhapress

Livraria Martins Fontes Paulista
Localizada no interior de uma galeria comercial, já está aberta ao público e permite acesso à loja e ao café, que atende a um número limitado de mesas. Os protocolos incluem obrigatoriedade do uso de máscaras, pontos com álcool em gel no interior da loja e higienização frequente do espaço.
Av. Paulista, 509, Bela Vista, região central, tel. (11) 2167-9900.


Livraria Simples
A casinha colorida que abriga a livraria está com as portas fechadas, mas mantém uma janela aberta para atender ao público —que não pode acessar o interior do espaço ainda. Seguindo medidas preventivas e de higienização, o atendimento é individual, de segunda a sábado, das 10h às 18h.
R. Rocha, 259 – Bela Vista, região central, tel. (11) 3443-9992.


Livraria da Travessa
Reaberta com uma limitação de 15 clientes por vez, a loja na rua dos Pinheiros adota procedimentos como a obrigatoriedade do uso de máscaras, disponibilização de álcool em gel, higienização e recomendações de distanciamento físico.
R. dos Pinheiros, 513, Pinheiros, região oeste, tel. (11) 4550-9501.


Loplop
Desde o início da pandemia, a livraria funciona com as portas fechadas. Com a gradual reabertura, passou a receber clientes com horário marcado, por telefone ou Instagram @loploplivros, e a fazer entregas para a região oeste (consulte a disponibilidade).
Av. Professor Alfonso Bovero, 1.119, Perdizes, região oeste, tel. (11) 3862-7268.


Mandarina
A casa amarela recebe o público com uso obrigatório de máscaras e disponibiliza álcool em gel. O número de clientes é limitado a quatro por sala. A área do café, aberta e ventilada, também já voltou a funcionar.
R. Ferreira de Araújo, 373, Pinheiros, região oeste, tel. (11) 3819-5953.

Espaço da Livraria Mandarina, em Pinheiros – Folhapress

Novesete
Dedicada ao público infantil, a livraria abandonou o atendimento com agendamento de horário e passou a receber clientes das 11h às 17h. Atividades como contação de histórias e lançamento de livros, porém, continuam suspensos. O uso de máscara é obrigatório e há tótens de álcool em gel em pontos da loja. É possível fazer pedidos para entrega por aplicativos como o Rappi.
R. França Pinto, 97, Vila Mariana, região sul, tel. (11) 5573-7889.


PanaPaná
Também dedicada aos leitores mais novos, a loja está aberta e adota os protocolos definidos pela prefeitura. Para quem não quiser ir ao local, é possível fazer compras pelo WhatsApp (11) 94536-4921 e pelo site livrariapanapana.com.br, com entrega gratuita para um raio de até 10 km. Para as crianças, há uma mesa com materiais para recreação, frequentemente higienizados, e contação de histórias no instagram @panapana_livraria_infantil.
R. Leandro Dupret, 396, Vila Clementino, região sul, tel. (11) 94536-4921


Patuscada
Conhecida por sediar eventos e lançamento de livros, a livraria e espaço cultural está fechada ao público —mas passou a fazer os lançamentos online. Quem não resiste à visita presencial pode agendar um horário por telefone para ser recebido no local.
R. Luís Murat, 40, Vila Madalena, região oeste, tel. (11) 96548-0190


Banca Tatuí
Todo o acervo da minilivraria de rua, fechada desde março, migrou para o espaço irmão: a Sala Tatuí, no prédio em frente à Banca, que recebe clientes com horário marcado no site salatatui.com.br. A limitação é de três visitantes por vez e segue os protocolo de segurança. Além disso, todo o conteúdo da loja está disponível para entrega no site bancatatui.com.br.
Sala Tatuí. R. Barão de Tatuí, 302, Santa Cecília, região central, tel. (11) 2729-8952.

Sala Tatuí, livraria na região central
Sala Tatuí, livraria na região central – Divulgação

Zaccara
Com 38 anos de funcionamento, a livraria opera com uma mesa impedindo a entrada do público. Os clientes são atendidos na porta com respeito aos protocolos de segurança, como a higienização dos produtos e a obrigatoriedade de uso de máscaras. É possível combinar a retirada de pedidos por telefone.
R. Cardoso de Almeida, 1.356, Perdizes, região oeste, tel. (11) 3384-0908.

Disponível em: https://guia.folha.uol.com.br/passeios/2020/09/conheca-dez-livrarias-de-rua-em-um-brasil-que-le-cada-vez-menos.shtml. Acesso em: 16 set. 2020.

Atualização da extensão do navegador do botão do Google Acadêmico

O botão do Google Acadêmico, lançado em 2015, fornece acesso fácil ao Google Acadêmico de qualquer página da web. Você pode usá-lo para encontrar texto completo na web ou na biblioteca da sua universidade, formatar referências em estilos de citação amplamente usados, repetir uma pesquisa na web no Acadêmico ou simplesmente procurar uma referência de um artigo.

Estamos lançando uma atualização com vários novos recursos. A janela que se abre quando você clica no botão Acadêmico costumava ser assim:

Adicionamos uma estrela “Salvar”, movemos o botão “Citar” ao lado dela e adicionamos botões de navegação de histórico à barra de ferramentas inferior:

Agora você pode salvar o artigo para ler mais tarde – clique na pequena estrela azul embaixo do artigo para salvá-lo ou na grande estrela cinza na parte inferior para ver todos os artigos salvos em sua biblioteca do Acadêmico. O artigo é salvo em sua conta do Google Acadêmico acessada mais recentemente; para usar um diferente, clique na foto da conta no canto superior direito.

Também adicionamos um botão Voltar! Agora você pode desfazer facilmente refinamentos de consulta que não funcionaram e até mesmo recuperar a janela depois de fechá-la – basta abri-la novamente e clicar novamente. O histórico do botão Acadêmico é armazenado localmente no navegador por uma hora; clique na foto da conta no canto superior direito para apagá-la imediatamente.

Por fim, aprimoramos a forma como o botão Acadêmico identifica a página da web que você está lendo. Clicar no botão ao ler um artigo em PDF agora deve localizar o artigo no Google Acadêmico, para que você possa citá-lo, salvá-lo ou explorar artigos relacionados. Se o botão do Google Acadêmico não encontrar o artigo correto, selecione seu título na página da web.

O Botão Acadêmico está atualmente disponível para Chrome e Firefox .

Postado por Belinda Shi, Kyu Jin Hwang e Alex Verstak.

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Tradução livre do artigo Scholar Button browser extension update, publicado no Google Scholar Blog.

Disponível em: https://scholar.googleblog.com/2020/09/scholar-button-browser-extension-update.html. Acesso em: 15 set. 2020.

Inscreva-se no ciclo de debate da Retratos da Leitura no Brasil

A quinta edição da Retratos da Leitura no Brasil promove nos dias 22 e 29 de setembro e 6 e 13 de outubro, sempre às 17h, debates para aprofundar temas extraídos dos dados da pesquisa, que apresenta um panorama das práticas de leitura no país. As inscrições para este ciclo estarão abertas a partir das 20h30 desta segunda, 14 de setembro, após a apresentação ao vivo da pesquisa.

Os quatro painéis são: O comportamento leitor dos brasileirosBibliotecas – percepções e avaliaçãoO perfil, as leituras de literatura e os consumidores de livros; e Leituras em outros suportes e leitores mutantes. Na aba Programação, veja detalhes de cada mesa e os participantes – entre pesquisadores, professores e profissionais do livro.

Para se inscrever, clique nos links no parágrafo acima ou nos descritivos de cada mesa. 

Lançada na segunda 14 de setembro, a nova Retratos atualiza a série histórica e inova abordagens: o painel foi ampliado com enfoque por capitais, perfil do leitor de literatura e perspectivas sobre leitura digital. Acesse aqui o relatório da quinta edição.

Ciclo de Debates
terças 22 e 29 de setembro e 6 e 13 de outubro
às 17h

Disponível em: https://www.itaucultural.org.br/secoes/formacao/inscreva-ciclo-debate-retratos-leitura-brasil. Acesso em: 15 set. 2020.

Retratos da Leitura no Brasil: redução de leitores e aumento de tempo nas redes sociais

Maior queda na leitura foi entre pessoas com ensino superior, segundo pesquisa

As pessoas estão usando o seu tempo livre, não para a leitura de literatura, mas nas redes sociais. É o que constata a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. O país perdeu cerca de 4,6 milhões de leitores entre 2015 e 2019 e a redução foi maior entre leitores com ensino superior e na classe A.

Foram apontadas como causas da queda no índice de leitura no Brasil a internet e as redes sociais. Em 2015, 47% dos entrevistados disseram que usam a internet no tempo livre. Esse percentual aumentou para 66% em 2019. Já o uso do WhatsApp passou de 43% para 62%.

“A gente nota que a principal dificuldade apontada é tempo para leitura e o tempo que sobra está sendo usado nas redes sociais”, afirma a coordenadora da pesquisa, Zoara Failla.

Segundo a pesquisa, as maiores quedas no percentual de leitores foram observadas entre as pessoas com ensino superior, que passou de 82% em 2015 para 68% em 2019, e na classe A, que passou de 76% para 67%.

Também na pesquisa, 82% dos leitores gostariam de ter lido mais, 34% alegaram falta de tempo e 28% disseram que não leram porque não gostam.

O brasileiro lê, em média, cinco livros por ano, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Destes, a Bíblia é apontada como o tipo de livro mais lido pelos entrevistados e, também, como o mais marcante.

Ainda conforme a pesquisa, 5% dos leitores disseram que não leram mais porque acham os livros caros. Um dos fatores que influenciam a leitura, de acordo com o estudo, é o incentivo de outras pessoas. Um a cada três entrevistados, o equivalente a 34%, disse que alguém o estimulou a gostar de ler.

Esta é a 5ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró Livro em parceria com o Itaú Cultural.

Foram feitas 8.076 entrevistas em 208 municípios entre outubro de 2019 e janeiro de 2020. A coleta de dados foi encomendada ao Ibope Inteligência. A pesquisa foi feita antes da pandemia do novo coronavírus, não refletindo, portanto, os impactos da emergência sanitária na leitura no país.

*Com informações da Agência Brasil

Fonte: Agência Educa Mais Brasil

Disponível em: https://omunicipio.com.br/retratos-da-leitura-no-brasil-reducao-de-leitores-e-aumento-de-tempo-nas-redes-sociais/. Acesso em: 15 set. 2020.

Biblioteca Nacional da Espanha adota novo período de quarentena para materiais bibliográficos

A Biblioteca Nacional da Espanha (BNE) reduziu de 14 para 7 dias o período de quarentena de materiais bibliográficos.

Confira abaixo uma tradução livre da notícia Nuevos períodos de cuarentena para materiales bibliográficos, publicada no blog da BNE.

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Livro colocado em seu plástico protetor
Fonte: BNE

A BNE reduzirá o tempo de quarentena de seus fundos de duas semanas para uma depois de estudar os resultados dos últimos relatórios sobre a sobrevivência do SARS-CoV-2.

Em 18 de agosto, a Organização Cooperativa Mundial de Bibliotecas OCLC, juntamente com o Instituto de Serviços de Museus e Bibliotecas dos Estados Unidos e a Fundação Battelle, publicou parte dos resultados de um estudo que estão realizando sobre a sobrevivência do SARS-CoV-2, vírus causador do COVID-19, nos diversos tipos de materiais que abrigam acervos de arquivos, bibliotecas e museus. O objetivo deste projeto, denominado REALM (Reabertura de Arquivos, Bibliotecas e Museus) é oferecer informações de relevância científica a fim de reduzir os riscos de exposição ao vírus de trabalhadores e usuários de instituições de memória, bem como estabelecer diretrizes para o manuseio seguro de livros, documentos e materiais de arquivos, bibliotecas e museus. Suas investigações começaram há quatro meses e eles já publicaram vários conjuntos de resultados que nos permitem estabelecer de forma mais confiável novos períodos de quarentena para os materiais alojados em nossas coleções.

Os objetivos do estudo eram basicamente três. Em primeiro lugar, conhecer as formas como o vírus se espalha em ambientes de trabalho de arquivos, bibliotecas e museus. Em segundo lugar, determinar o tempo de sobrevivência da carga viral nas diferentes superfícies e materiais com que são elaborados os documentos e, por último, verificar a eficácia das medidas de prevenção e descontaminação disponíveis nas referidas instituições. Para isso, foram realizadas culturas com o vírus em livros encadernados e de bolso, livros cobertos com plástico e caixas e materiais magnéticos e digitais como CDs, DVDs, cassetes e caixas e contêineres de arquivo.

Os resultados obtidos até o momento mostram que, em linha com o que já era conhecido, a carga viral de materiais contaminados com SARS-CoV-2 é reduzida com a quarentena, embora varie de acordo com o tipo de material. Assim, o tempo de residência em materiais porosos como papel é menor do que em materiais plásticos e recipientes. Em qualquer caso, o vírus torna-se naturalmente indetectável em todos os materiais após cinco dias. Um lote final de resultados é esperado para a segunda quinzena de setembro em que o comportamento do SARS-CoV-2 será analisado em condições normais de instalação nos depósitos que abrigam esses materiais em arquivos, bibliotecas e museus.

Tendo em vista os resultados do estudo REALM, a BNE reduzirá o período de quarentena de 14 para 7 dias. As demais medidas preventivas nos trabalhos de consulta da BNE, como manutenção da distância interpessoal, uso de máscara, limpeza frequente das mãos com sabonete ou gel hidroalcoólico e a higienização constante dos espaços de trabalho serão mantidas como antes.

Todas as informações sobre o projeto REALM podem ser encontradas em https://www.webjunction.org/explore-topics/COVID-19-research-project.html. Sobre as medidas de prevenção adotadas por bibliotecas em todo o mundo, você pode encontrar informações atualizadas em https://www.ifla.org/covid-19-and-libraries.

Disponível em: http://www.bne.es/es/AreaPrensa/noticias2020/0828-Nuevos-periodos-cuarentena-materiales-bibliograficos.html. Acesso em: 6 set. 2020.

Bibliotecas em quarentena

Confira 40 ideias para enfrentar o confinamento de uma biblioteca e permanecer relevante para a comunidade

01 Aumentar o alcance do WiFi e empréstimo de modems.

02 Levar a biblioteca para a rua. Compartilhe espaços públicos com terraços, coloque tomadas e estantes na entrada com recursos no estilo de “bibliotecas confiáveis”.

03 Apoiar bancos de alimentos e oferecer empréstimo de livros ou outros materiais, bem como serviços para a comunidade em coordenação com o Serviço Social.

04 Pedagogia do livro digital. Realize oficinas para a comunidade, com ênfase nos idosos.

05 Fornecer audiolivros para enfermos e idosos. Aumente este recurso agora mais do que nunca.

Fonte: La Vanguardia

06 Oferta de papel e impressoras 3D. Contate universidades ou centros de pesquisa para colaborar. Ajuda com procedimentos burocráticos relacionados à Covid-19.

07 Restabeleça o empréstimo entre bibliotecas.

08 Converse com as escolas da região. Empreste espaços digitais. Também empreste PCs e laptops.

09 Crie e compartilhe tutoriais / cursos personalizados. Como fazer chamadas de vídeo, aplicativos, segurança digital, edição de vídeo.

10 Crie uma sala de estudo virtual. Por que não criar um para estudar, com fóruns, técnicas de estudo, uma forma de incentivar todas essas pessoas?

11 Canal no YouTube. Crie canais temáticos que sirvam de arquivo e para possível reutilização.

12 Reserve o serviço em casa. Crie um serviço de assinatura que envie a você alguns livros por mês, com mensagens da biblioteca incentivando ou oferecendo novos serviços.

13 Serviço telefônico. Aproveite para fazer ligações para idosos ou pessoas sem internet.

14 Serviço de SMS, Telegrama e / ou WhatsApp.

15 Invista em e-mail marketing. Em muitas ocasiões, geralmente é desperdiçado ou usado exclusivamente para dar más notícias, como um empréstimo atrasado.

16 Reveja o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) para comunicar em conformidade com a lei.

17 Campanha de correio. Envie cartas com notícias, folhetos ou coloque um marcador.

18 Apresente os funcionários às suas casas. Aproveitamos a oportunidade para mostrar uma imagem em close da biblioteca e nos conectar com as pessoas que precisam dela.

19 Contate empresas, freelancers e organizações do meio ambiente. Pense em campanhas que podem criar um fluxo de pessoas para as empresas locais.

20 Bibliotecários encarregados da rastreabilidade da pandemia. Nossos governos precisam de pessoal qualificado em sistemas de informação. Como documentaristas e servidores públicos, podemos oferecer nossos serviços: atentos às novas prioridades, com foco nas pessoas.

21 Revise os direitos de propriedade intelectual. Escreva um documento que sirva a outros grupos e bibliotecas para todos os tipos de presença digital.

22 Canal da Biblioteca Covid. Notícias confiáveis ​​sobre saúde e esclarecimento das dúvidas mais comuns.

23 Envolva as pessoas para criar conteúdo sobre o que está acontecendo. Crie quaranzines, podcasts e revistas relacionadas à vida durante a quarentena. Incentive a comunidade a escrever histórias sobre suas experiências.

24 Rede. Vamos criar um Canal de Bibliotecas: uma frente unida para informações práticas sobre bibliotecas.

25 Bibliotecário de autocuidado. Respeitar horários, fazer cafés terapêuticos, cuidar da saúde mental e conciliar em tempos de pandemia e teletrabalho.

Fonte: La Vanguardia

26 O momento ideal para o GLAM (Galerias, Bibliotecas, Arquivos e Museus). Lidere propostas comuns com centros de arte, arquivos e museus próximos.

27 Hora de edição da Wikipedia. Desafios para Bibliowikis ter a coleção local hospedada pela Wikipedia.

28 Horas mais longas. A ideia não é fechar o horário, mas estendê-lo e manter o mínimo de pessoal. Abra todas as caixas de correio nas bibliotecas.

29 Todos iguais, todos diferentes: bibliotecas unidas. Universidade, escola, pública, especializada? Sem a parte física da biblioteca, as oportunidades de colaboração são maiores do que nunca.

30 Apoiando o ecossistema do livro que não teve a Feira do Livro ou Sant Jordi. A biblioteca ajuda você a encontrar o livro que você gostaria de dar ou informa sobre a livraria mais próxima onde você pode encontrá-lo; auxiliar profissionais na leitura de animação; escritores: encontros virtuais, reativando a economia local e cultural.

31 Bibliotecas humanas. Um bom momento para fazer campanhas publicitárias para nossas associações, vizinhos que vêm de outros países, grupos, minorias e heróis do bairro.

32 Focalizando um leitor de biblio de outono. Devemos fazer uma super campanha de leitura para os mais pequenos. Este curso: Bibliotecas que lideram a mudança.

33 Um pouco de épico. De onde viemos? Faça uma declaração pública sobre nossa visão para a biblioteca e o que ela pode trazer para nossa comunidade.

34 Voluntariado, agora mais do que nunca. Os jovens foram os primeiros a se oferecer, vamos nos juntar a eles e não os deixemos escapar das bibliotecas.

35 A biblioteca não é um campo minado. Vamos definir um protocolo de segurança ideal para usuários e funcionários, sem regras desnecessárias. Vamos cuidar da sinalização e comunicação para não alarmar excessivamente.

Fonte: La Vanguardia

36 Presença local em motores de busca. Atualize o arquivo do Google Maps para possíveis alterações de programação. Relatar eventos na Eventbrite ou Meetup.

37 Teste o uso da Inteligência Artificial para conhecer o uso e capacidade dos espaços.

38 Fornecer à equipe habilidades e competências para o ambiente virtual.

39 Transformação digital de bibliotecas. Todas as ações devem ter lugar em um portal da web atualizado, ágil, acessível e recuperável em buscadores. Processos como o cadastramento de novos usuários deverão estar online o ano todo, bem como a reserva de cursos, salas, vagas de leitura, etc.

40 Bibliotecas não fecham serviços. Crie uma estratégia para alcançar os tomadores de decisão e transmitir o que é a biblioteca (o épico novamente) e quais são as nossas necessidades. Apresentar a biblioteca como garantia da democracia.

Epílogo. A situação vivida durante o confinamento foi muito difícil para todos e as bibliotecas trabalharam na sua adaptação às marchas forçadas. Nestes meses, muitos profissionais vinculados às bibliotecas têm reivindicado um papel de maior destaque na gestão e ação social na pandemia. Nossa motivação é reivindicar o papel central desses serviços, repensar as bibliotecas em situações extremas e oferecer –aberto– contribuições para agregar nosso grão de areia a um debate necessário para que as bibliotecas continuem cumprindo sua missão.

CARME FENOLL Bibliotecária e atual Chefe de Gabinete do Reitor da UPC

ANA ORDÁS Bibliotecária. Comunicação digital e desenvolvimento profissional de bibliotecários

IRENE BLANCO Bibliotecária e consultora de marketing digital

Tradução livre do texto Bibliotecas en cuarentena, publicado no La Vanguardia.

Disponível em: https://www.lavanguardia.com/cultura/culturas/20200905/483263752691/bibliotecas-cuarentena-covid.html. Acesso em: 6 set. 2020.

Hablatam: dinâmicas de consumo e compartilhamento de informações por jovens brasileiros

Tecnologias digitais permitem jovens participarem no consumo, disseminação e criação de conteúdo de formas inovadoras a partir da revolução das tecnologias de informação e comunicação. A fim de captar as dinâmicas do mal uso da informação dentro das plataformas digitais, é necessário ter uma postura proativa para verificar informações e desenvolver as habilidades correspondentes para isso. 

Neste contexto de desordem informacional, jovens e adolescentes têm um papel muito importante no combate à desinformação, mesmo não possuindo todas as habilidades necessárias para tanto ou não se sentindo empoderados para fazê-lo.

Partindo desse problema, o Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS) junto ao consórcio de pesquisadores Conectados al Sur desenvolveram o projeto Hablatam, cujo objetivo é entender quais as relações da juventude com o ecossistema informacional e como os jovens podem ter um papel ativo na construção de um ambiente online mais seguro e saudável. 

O projeto tem como objetivo compreender três questões centrais:

  1. quais as  perspectivas e as práticas cotidianas dos jovens com tecnologias digitais e que habilidades  possuem, carecem e gostariam de adquirir; 
  2. que conteúdo está faltando ou não é adequado para o desenvolvimento de suas habilidades digitais; 
  3. qual é a dinâmica usada para pesquisar, selecionar, verificar, consumir e compartilhar informações, bem como explorar como eles percebem e entendem a noção de qualidade da informação.

A metodologia da pesquisa Hablatam parte de uma abordagem não adulto-centrada, que inclui os jovens em todas as suas etapas de forma ativa. A mesma foi dividida em três fases: oficinas de cocriação, grupos focais e pesquisa quantitativa em diferentes regiões metropolitanas do país. Tenha uma ótima leitura e faça bom proveito deste conhecimento produzido! 

ACESSE O RELATÓRIO

Disponível em: https://itsrio.org/pt/publicacoes/hablatam-dinamicas-de-consumo-e-compartilhamento-de-informacoes-por-jovens-brasileiros/. Acesso em: 25 ago. 2020.

Bibliotecário midiático apoia professor a navegar por plataformas e fontes de informação

Seja em aulas remotas ou no dia a dia de uma biblioteca, atuação conjunta garante diversidade de olhares e amplia meios para acompanhar a aprendizagem. Novos cursos buscam trazer esse olhar

Se, para você, a palavra biblioteca é sinônimo de estantes enormes, carregadas com os mais diversos livros, e permeada por sinais de “não faça barulho”, está na hora de rever seus conceitos. Que tal pensar nesses lugares como centros de recursos, com mesas equipadas com computadores, laboratórios de pesquisa e espaços dedicados à construção conjunta do conhecimento? Parece impossível? Isso porque os espaços equipados são apenas parte da equação, que também é composta por profissionais formados e com o conhecimento necessário para guiar professores e alunos nessa nova experiência de biblioteca.

Os bibliotecários, profissionais especialistas em gerenciar informação e conhecimento, estão passando por uma verdadeira mudança do exercício da profissão. Agora, mais do que nunca, eles precisam ampliar essa curadoria que já realizam e incluir em seu trabalho a compreensão, entendimento e conhecimento de ferramentas digitais, para que sua atuação seja possível em um mundo onde o digital está sempre presente.

“Eu diria que muitos bibliotecários ainda estão ‘fossilizados’ em sua zona de conforto, no formato antigo de bibliotecas. É verdade que, no contexto brasileiro de bibliotecas públicas e escolares, há muita limitação ou, às vezes, até mesmo inexistência de recursos tecnológicos. Mas hoje, quando grande parte dos alunos têm um ‘smartphone’ na mão, a falta de recursos na biblioteca não pode mais ser usada como justificativa”, afirma Soraya Lacerda, facilitadora do EducaMídia e coordenadora do Makerspace na Casa Thomas Jefferson, em Brasília (DF).

Soraya Lacerda, da Biblioteca Thomas Jefferson
Soraya Lacerda: O bibliotecário é um facilitador, que dá ideias, leva soluções, ajuda o professor a desenhar suas atividades
Crédito: Arquivo Pessoal

Para Soraya, a mudança do modelo mental que precisa acontecer nesses profissionais é grande, mas encará-la como possibilidade de trazerem elementos diferentes, inovadores, inusitados e relevantes para professores, alunos e demais frequentadores desses espaços pode ser uma forma de tornar o processo mais suave. A especialista já coloca essa visão em prática na espaço educacional Casa Thomas Jefferson, juntamente com Wander Martins Filho, bibliotecário coordenador e educador maker na Casa e facilitador do EducaMídia.

Segundo ele, no contexto de sociedade da informação hiperconectada, um bibliotecário midiático precisa não apenas ter ciência sobre a quantidade e variedade de fontes e suportes de informação que existem, mas ter a fluência necessária para navegar por essas múltiplas plataformas, seja no meio tradicional, o livro, ou no ambiente digital. “O bibliotecário precisa estar alfabetizado em relação à informação, ou seja, ter esse letramento, senso crítico e fluência digital. Ele deve ser uma pessoa conectada, capaz de construir conteúdos, de participar do que está acontecendo no mundo e de entender como intervir para contribuir com a produção e com curadoria de informação.”

O conhecimento digital enquanto letramento
Mas, afinal, o que significa ter essa fluência no meio digital e esse letramento que Soraya e Wander mencionam? A compreensão fica mais fácil ao levar em consideração que bibliotecários podem atuar em um verdadeiro leque de posições: em escolas, bibliotecas públicas ou em instituições que demandam informações especializadas.

Wander Martins, da Biblioteca Thomas Jefferson
Crédito: Arquivo Pessoal
Wander Martins: Bibliotecário deve ter familiaridade para descobrir novas ferramentas digitais e se adaptar às novidades

“Na biblioteca escolar, ele pode fazer a curadoria para formação de professores ou contribuir para educação midiática e fluência digital dos alunos, entendendo e criando ambientes digitais seguros, mecanismos e técnicas de busca. Em uma biblioteca pública, há pessoas que precisam das informações mais diversas, então ele deve saber diferenciar dados relevantes sobre saúde para pessoas da terceira idade, por exemplo, ou de classificados para quem procura emprego, ou sobre direitos trabalhistas. Existe uma diversidade de serviços que esse bibliotecário pode oferecer, mas ele precisa ter fluência, repertório, flexibilidade e capacidade de navegar e fazer curadoria, para que consiga contribuir de forma significativa”, explica o coordenador.

Existe uma diversidade de serviços que esse bibliotecário pode oferecer, mas ele precisa ter fluência, repertório, flexibilidade e capacidade de navegar e fazer curadoria, para que consiga contribuir de forma significativa

Nesse conjunto de habilidades, além do conhecimento sobre diversos temas, o bibliotecário midiático também deve ter uma fluência digital, ou seja, familiaridade suficiente para descobrir novas ferramentas digitais e capacidade de se adaptar às novidades, considerando que a curva de inovação tecnológica está cada vez menor, com o lançamento de novos equipamentos e tecnologias a cada ano.

Bibliotecários e professores: trabalho conjunto
Soraya usa a experiência da Casa Thomas Jefferson para exemplificar a potência do trabalho conjunto entre esse “novo” bibliotecário e o corpo docente nas escolas. Na Casa, o Centro de Recursos, como é chamada a biblioteca, é visto como uma extensão da sala de aula, frequentado diariamente por professores que procuram ajuda dos bibliotecários para pensar em formas mais dinâmicas e ativas de ensinar conteúdos, seja usando os recursos disponíveis na biblioteca ou os próprios celulares dos estudantes. “Nessa relação, enxergamos o bibliotecário como um facilitador, que dá ideias, leva soluções, ajuda o professor a desenhar suas atividades e apresenta recursos”, comenta a coordenadora.

Essa parceria também pode ser ampliada para o momento posterior, de avaliação e registro da aprendizagem. “O bibliotecário pode apresentar ideias de como os resultados e produtos finais das atividades de sala de aula ficam melhor visíveis. Nós trabalhamos com o aprendizado centrado no fazer e temos muito forte a questão de tornar o aprendizado do aluno visível para o mundo real, que é uma possibilidade de o professor trabalhar melhor a motivação e significação daquele aprendizado para o próprio estudante, para os pais, para a comunidade e para outros colegas professores.”

Importância da formação adequada
Apesar de estarem muito familiarizados com esse conceito e atuação de bibliotecário contemporâneo e midiático, Soraya e Wander reconhecem que não se trata de algo intuitivo. Ela conta que, nas conversas em universidades para as quais são convidados, a dupla nota uma mistura de estranheza e encantamento dos estudantes universitários de cursos como biblioteconomia, por exemplo, diante de suas atuações profissionais, como se isso fosse algo muito distante da profissão para a qual estão sendo formados.

Inspirada nessas conversas, Soraya começou a montar um curso para melhorar a formação acadêmica desses profissionais e trazer um olhar mais aberto ao novo contexto. A ideia foi lapidada durante um curso na Universidade de Rhode Island, nos Estados Unidos, do qual Soraya participou.

A proposta divide-se em quatro blocos: promoção e defesa da equidade informacional, para preparar o bibliotecário a atuar em qualquer contexto com mais ou menos recursos; coleta e avaliação da informação nos novos ambientes, combinado ao trabalho já realizado no mundo físico; curadoria de conteúdo a partir de diversas ferramentas midiáticas e digitais e, por fim, o módulo criar para aprender reforça o uso prático das ferramentas e conhecimentos adquiridos anteriormente.

A ideia é que esses conteúdos formem uma disciplina optativa para o curso de biblioteconomia, da Faculdade de Ciência da Informação da UnB (Universidade de Brasília), em 2021.

O que pode ser feito agora?
Segundo Soraya, escolas que desejam mudar suas bibliotecas devem envolver toda a comunidade que utiliza o espaço (bibliotecários, professores, alunos e demais pessoas) para ouvir seus desejos, demandas e percepções. Para a coordenadora, o movimento facilita que as pessoas se reconheçam no espaço e façam melhor uso do mesmo.

No contexto da pandemia, é preciso considerar o que pode ser feito à distância. Confira algumas considerações e dicas para bibliotecários estarem ao lado de professores também durante aulas online:

– Montar painéis com recurso pedagógicos e culturais que professores podem utilizar;
– Mapear ferramentas digitais e gratuitas para facilitar o aprendizado online;
– Aprender a usar ferramentas para poder ensinar aos professores;
– Montar um serviço de disseminação para famílias e comunidade escolar;
– Direcionar a curadoria a nichos específicos: pesquisar, sugerir e indicar como famílias podem promover atividades às crianças fora das telas;
– Fazer curadoria de recursos digitais para que professores possam trabalhar uma camada de educação midiática em suas aulas e em qualquer tipo de disciplina.

Além disso, interessados no tema e, principalmente, bibliotecários e estudantes da área, podem participar do curso “Educação Midiática para Bibliotecários: conceitos e práticas”, que será realizado de forma online e gratuita nos dias 8, 15, 22 e 29 de setembro (inscreva-se até 31 de agosto). A iniciativa é do EducaMídia, em parceria com a Casa Thomas Jefferson e a Embaixada Americana, dentro do programa FuturED.

Para Mariana Ochs, coordenadora do programa EducaMídia, com o novo papel da biblioteca – que deixou de ser um repositório fechado de conteúdo para ser um portal de acesso ao conhecimento em diversas formas –, é importante reconhecer que o bibliotecário, enquanto profissional da informação, pode estar no centro das discussões sobre como identificar e encontrar uma fonte confiável, quais ambientes podem ser usados para fazer curadoria e como publicar as descobertas.

A reconfiguração do espaço da biblioteca para se transformar em um espaço de descoberta, investigação, exploração e criação, a questão da equidade da informação – que extrapola o acesso a equipamentos e a internet, mas envolve também possuir as habilidades necessárias para fazer uso adequado, construtivo e fortalecedor das ferramentas no mundo digital –, e a multiplicidade de papéis que o bibliotecário pode desempenhar são alguns temas que serão abordados na formação.

Saiba mais
Soraya, Wander e Mariana participaram de uma transmissão, realizada pelo EducaMídia, que debate o tema das bibliotecas e o novo papel dos profissionais que trabalham nesses espaços. Confira neste link.

Por Maria Victória Oliveira

Disponível em: https://porvir.org/bibliotecario-midiatico-apoia-professor-a-navegar-por-multiplas-plataformas-e-fontes-de-informacao/. Acesso em: 23 ago. 2020.

Viver em meio a livros

Biblioteca em casa deve combinar estética e funcionalidade, além de prever a possibilidade de sua expansão

A arquiteta Fernanda Marques na biblioteca da sua casa, em São Paulo
A arquiteta Fernanda Marques na biblioteca da sua casa, em São Paulo Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Existem aqueles que não abrem mão de um cômodo específico na casa para guardar seus livros. Outros preferem conjugar biblioteca e outros ambientes, e há ainda aqueles que, indiferentes a qualquer convenção, não abrem mão de nenhum espaço disponível para armazenar o acervo: de corredores a lavabos. Em plena era digital, para uma legião fiel de leitores, o essencial é tê-los por perto. “Eu e meu marido adoramos ler. Lemos em telas das mais variadas, mas gostamos de ter livros físicos”, afirma a arquiteta Fernanda Marques, que concentrou os volumes do casal em toda uma parede de seu home office. E, mais do que isso, se empenhou em dotar o ambiente de condições ideias de leitura.

Luminárias se espalham por estante em projeto de Lucilla Pessoa de Queiroz
Luminárias se espalham por estante em projeto de Lucilla Pessoa de Queiroz Foto: André Nazareth

A icônica poltrona Up, de 1969, clássico do italiano Gaetano Pesce, por exemplo, não está lá por acaso. “É um dos meus móveis favoritos, mas ela foi escolhida por ser, antes de mais nada, extremamente confortável”, conta ela, que,</CW><CW-6> (sic) além do móvel, compartilha com o marido as prateleiras da estante.

“À direita, ficam os livros dele. Os de economia, mais consultados, mas também os de história e de ficção científica. No outro lado, os meus: clássicos, romances históricos e, atualmente, muitos de neurociência, assunto que tem me interessado bastante”, descreve a arquiteta que, a partir desse esquema básico, procurou organizar os volumes primeiro por idioma, depois por frequência de leitura.

Bibioteca ocupa parte da sala de jantar da casa do arquiteto carioca Maurício Nóbrega
Bibioteca (sic) ocupa parte da sala de jantar da casa do arquiteto carioca Maurício Nóbrega Foto: FELIPE FITTIPALDI

Pensada para um casal de médicos que costuma trabalhar em casa, outra biblioteca, desta vez projetada pela arquiteta Patricia Mello, também conta com território específico dentro da geografia doméstica. Só que, no caso, partilhando o espaço da sala de estar. “Os ambientes ficam separados por portas de correr de vidro, mantendo a comunicação visual entre eles, mas preservando o conforto acústico”, explica ela. 

Com prateleiras de vidro e iluminação interna com lâmpadas LED, a estante acomoda livros de consulta e estudos, mas também de literatura em geral. Além de objetos como porta-retratos, lembranças de viagens e pequenos objetos. “É uma forma de deixar a composição mais leve”, relata Patricia que, para evitar nichos muito altos, procurou posicionar os volumes maiores na horizontal.

Estante com livros ocupa parte do lavabo da casa do arquiteto Maurício Nóbrega
Estante com livros ocupa parte do lavabo da casa do arquiteto Maurício Nóbrega Foto: Rodrigo Azevedo

“Ao finalizarmos o projeto, o próprio dono da casa organizou seus livros de acordo com a frequência de uso e a facilidade de acesso. Em geral, aconselho que os mais utilizados fiquem à altura dos olhos. No mais, gosto de deixar meus clientes mais livres na hora de organizar seus livros. Acredito que isso acaba trazendo um resultado mais orgânico e natural”, diz.

“Penso que a biblioteca particular deve contar um pouco a história do morador, criar uma memória afetiva, aumentar a sensação de pertencimento. Por isso, além de explorar as cores, formatos e espessuras dos livros na composição das estantes, procuro distribuir pequenos objetos pelas prateleiras”, afirma a arquiteta Adriana Esteves, que acaba de desenvolver um projeto para o home office de um promotor de Justiça, praticante de karatê.

Divisória de vidro separa biblioteca do living em projeto de Patricia Mello  
Divisória de vidro separa biblioteca do living em projeto de Patricia Mello   Foto: Luis Gomes

“Os interesses dele são bem variados: literatura, negócios, finanças, biografias e, claro, sua arte marcial favorita. Ele encara o ambiente como uma espécie de santuário, no qual estante funciona como o altar”, brinca ela, que dimensionou a metragem e o número de prateleiras com base na quantidade de livros indicada por seu cliente. 

Já para o arquiteto Maurício Nóbrega, um ambiente apenas não foi suficiente para abrigar toda sua coleção de livros, acumulada há anos. “Fato é que meu acervo foi crescendo tanto que o living acabou ficando pequeno. A ponto de eu ter de pensar na sala de jantar e até no lavabo”, conta ele, que, na disposição de seus volumes, procurou atingir um equilíbrio possível entre funcionalidade e estética.

Projeto de Adriana Esteves para jurista prevê estante com prateleiras regulares
Projeto de Adriana Esteves para jurista prevê estante com prateleiras regulares Foto: JULIANO COLODETI

“Na sala de estar, como a intenção era acomodar, principalmente, meus exemplares de arte, que são maiores, as prateleiras têm altura maior e maior espaçamento. No lavabo, por sua vez, resolvi concentrar os livros de tamanho padrão”, explica Nóbrega. 

Nos dois ambientes, segundo o arquiteto, os volumes foram organizados por assunto, mas sem muitas regras. No lavabo, o efeito visual é mais organizado; na sala de jantar, despojado, com livros, em meio a objetos, dispostos tanto na horizontal como na vertical. Nos dois casos, como manda a regra, os mais usados ocupando prateleiras ao alcance das mãos e, os demais, as mais altas. 

Em qualquer situação, porém, a recomendação do profissional é clara. “Na hora de planejar a biblioteca, é essencial observar não só o acervo atual, mas também prever sua expansão. Só assim é possível dimensionar estantes capazes de te acompanhar por toda a vida.”

Disponível em: https://emais.estadao.com.br/noticias/casa-e-decoracao,viver-em-meio-a-livros,70003409173. Acesso em: 23 ago. 2020.