Rede estadual: livro trancado 'a sete chaves'

Secretaria lança pacote para resolver problemas em salas de leitura de 1,3 mil escolas na Grande SP

Apesar de estudar em uma rede que tem como carro-chefe o programa pedagógico “Ler e Escrever”, os alunos de 1,3 mil escolas estaduais da Grande São Paulo nem sempre têm um local apropriado para ler. Nestas escolas, as salas de leitura ficam trancadas ou funcionam apenas em alguns períodos. É o que mostra um mapeamento das salas de leitura feito pela Secretaria Estadual de Educação em 2.180 colégios da Grande São Paulo.

Contratação de profissionais para salas divide opinião

Para especialistas, é positiva a iniciativa da secretaria em manter as salas de leitura abertas. No entanto, a contratação de professores ainda é um ponto polêmico.

Segundo Sonia Madi, coordenadora da Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa, é fundamental os alunos terem livre acesso aos livros. “Não importa se sejam bibliotecários ou professores. O importante é selecionar pessoas capacitadas para motivar o prazer em ler nos alunos.”

A presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Noronha, vai ficar de olho na forma de contratação de professores temporários. “É bom os readaptados na biblioteca em vez de ocuparem funções burocráticas, só temos de ver como vai funcionar na prática.”

Para o presidente da Associação de Leitura do Brasil (ALB), Ezequiel Theodoro da Silva, a contratação de professores readaptados deveria ser vista como medida provisória. “Ter alguém para manter o espaço aberto é melhor do que não ter, mas as escolas precisam de alguém da biblioteconomia.”

A mesma opinião tem a presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia da 8ª região, Regina Celi.

Jornal da Tarde (6 novembro)

Leia matéria na íntegra em http://www.crb8.org.br/portal_mis/index?item_id=535

Fonte: BOB NEWS, São Paulo, 14 de novembro de 2008 – Edição 49

Abaixo-assinado

São Paulo, 07 de novembro de 2008 – Edição Extra 48

BOB NEWS

BIBLIOTECÁRIOS E SIMPATIZANTES, ASSINEM A PETIÇÃO ONLINE

PARA CRIAÇÃO DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO PARA O ENSINO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Considerando a carência de políticas públicas para a área de bibliotecas escolares, que garantam a qualidade dos serviços oferecidos em todas as escolas da rede estadual de ensino e também a pertinência dos acervos disponibilizados, como condição básica ao processo de inclusão sócio-cultural da população estudantil, o Conselho Regional de Biblioteconomia está encabeçando abaixo-assinado para ser enviado ao governador José Serra solicitando a implantação de um Sistema de Informação para o Ensino Público do Estado de São Paulo, a criação de cargos de Bibliotecário e abertura de concurso público para preenchimento destes cargos.

Para fortalecer esta luta em prol da sociedade, assinem o abaixo-assinado eletrônico (de acordo com os passos a seguir) e divulguem aos seus familiares, amigos e todos os profissionais simpatizantes a esta causa.

Prazo: até 20.11.2008

O preenchimento é muito simples:

1) Clique no endereço:

2) Leia a mensagem. Clique em “sign the petition” (= assine a petição). Assim que aberto, complete os dois dados obrigatórios: nome (first name) sobrenome (last name).
Os demais dados são opcionais (e-mail, endereço, cidade etc)

Você pode fazer um breve comentário (“short comments”) para fortalecer a discussão.

3) Digite o código de segurança que aparece na página aberta (letras e números coloridos).

4) Clique em “sign” (= assinar).

Pronto, seu nome estará inscrito no abaixo-assinado.

5) Para enviar para outras pessoas:
clique em “tell a friend” e mande o e-mail que se abrirá, solicitando que assine e divulgue para outros.

Revista Digital CRB-8 aborda o tema Bibliotecas Escolares

Algumas apresentações realizadas nos eventos, organizados pelo CRB-8 e pela IASL – International Association of School Libratianship, estão disponíveis na Revista Digital CRB-8:

 

Fonte: Boletim Bob News, CRB-8, São Paulo, 30 out. 2008 – Edição 46.

Biblioteca mais avançada da América do Sul será inaugurada em novembro

A cidade de Porto Alegre (Rio Grande do Sul, Brasil) recebe em novembro um novo espaço cultural, para leitura, aprendizado e reflexão. A PUCRS inaugura a sua nova Biblioteca Central Irmão José Otão, com 21 mil metros quadrados distribuídos em 14 pavimentos, com tecnologia avançada de rastreamento e identificação de documentos, auto-devolução e auto-empréstimo de obras, sendo considerada a mais avançada biblioteca da América do Sul. “É um novo conceito de biblioteca. O usuário terá mais autonomia e acesso facilitado aos conteúdos”, explica o diretor, César Mazzillo.

Fonte: http://a-informacao.blogspot.com/2008/10/biblioteca-mais-avanada-da-amrica-do.html Acesso em: 1 nov. 2008

Um pouco sobre Paul Otlet

Museu celebra o verdadeiro precursor da web

Em uma tarde enevoada de segunda-feira, a cidade medieval de Mons, na Bélgica, submersa na neblina, parece um lugar esquecido. Além da catedral gótica obrigatória, não há muito mais que ver por aqui, se
excluirmos um pequeno museu chamado Mundaneum, que fica em uma rua estreita no canto nordeste da cidade. Ele parece ser uma casa isolada o bastante para abrigar o legado de um dos pioneiros perdidos da
tecnologia: Paul Otlet.

Em 1934, Otlet delineou os planos iniciais para uma rede mundial de computadores (ou “telescópios elétricos”, como os designava), cujo objetivo seria permitir que as pessoas vasculhassem milhões de documentos, imagens e arquivos de som e vídeo interligados. Ele descreveu a maneira pela qual as pessoas usariam aparelhos para trocar mensagens, arquivos e até mesmo se unir em redes sociais online. Otlet designou a estrutura como “reseau”, literalmente rede, ou, concebivelmente, “web” teia.

Os historiadores costumam traçar as origens da world wide web seguindo uma linhagem de inventores anglo-americanos como Vannevar Bush, Doug Engelbart e Ted Nelson. Mas mais de meio século antes que
Tim Berners-Lee lançasse o primeiro browser, em 1991, Otlet descreveu um mundo interconectado no qual “qualquer pessoa, de sua cadeira, poderia contemplar toda a criação”.

Ainda que a proto-web de Otlet dependesse de uma colcha de retalhos de tecnologias analógicas como cartões de indexação e telégrafos, ainda assim ela antecipou a estrutura baseada em hiperlinks da web
contemporânea.

“Era como que uma versão steampunk do hipertexto”, disse Kevin Kelly, ex-editor da revista Wired, que está escrevendo um livro sobre o futuro da tecnologia.

A visão de Otlet tinha por base a idéia de uma máquina operando em rede e integrando documentos por meio links simbólicos. Embora o conceito possa parecer evidente hoje, em 1934 representava uma grande
inovação intelectual. “O hiperlink é uma das invenções mais subestimadas do século passado”, disse Kelly. “Mas um dia estará em companhia do rádio no panteão das grandes invenções”.

Hoje, Otlet e seu trabalho estão em larga medida esquecidos, mesmo em sua Bélgica natal. Ainda que Otlet tenha desfrutado de fama considerável durante a vida, seu legado caiu vítima de uma série de infortúnios históricos – não o menor dos quais foi a invasão da Bélgica pelos nazistas, que resultou na destruição de grande parte daquilo em que ele trabalhou durante toda sua vida.

Mas nos últimos anos um pequeno grupo de pesquisadores começou a recuperar a reputação de Otlet, publicando alguns de seus textos e arrecadando dinheiro para estabelecer seu museu e arquivo, em Mons.

Enquanto o museu Mundaneum se preparava para comemorar seu 10° aniversário, na quinta-feira, os curadores planejavam colocar parte de sua coleção na web moderna. O evento será não só uma confirmação
póstuma das idéias de Otlet mas representará uma oportunidade para que sua posição na história da Internet seja reavaliada. O Mundaneum representa apenas uma curiosidade histórica, uma estrada que não foi percorrida? Ou a visão de seu criador pode ajudar a compreender a web tal qual a conhecemos hoje?

Ainda que Otlet tenha passado toda sua vida de trabalho na era anterior aos computadores, ele tinha notável senso de antecipação quanto às possibilidades da mídia eletrônica. Paradoxalmente, a visão dele sobre um futuro sem papel nasceu de um fascínio que durou toda sua vida pelos livros.

Otlet, nascido em 1868, só começou a freqüentar a escola aos 12 anos de idade. Sua mãe morreu quando ele tinha três anos; seu pai era um empresário de sucesso que fez fortuna vendendo bondes em todo o mundo. O pai preferiu não matricular Otlet na escola devido à convicção de que o estudo poderia sufocar o talento natural da criança. Deixado em casa com seus tutores e poucos amigos, Otlet levava uma vida solitária e dedicada aos livros.

Quando ele por fim começou a estudar, sua primeira atitude foi procurar a biblioteca. “Eu me trancava na biblioteca e vasculhava o catálogo, que para mim era miraculoso”, ele escreveu mais tarde.

Pouco depois de começar a estudar, ele se tornou bibliotecário da escola. Nos anos seguintes, Otlet jamais deixava a biblioteca. Ainda que seu pai o tenha pressionado a estudar Direito, ele logo deixou de
lado a advocacia e retornou ao seu amor primeiro, os livros.

Em 1895, Otlet conheceu um espírito irmão, Henri LaFontaine, futuro ganhador do prêmio Nobel, que se uniu a ele na criação de uma bibliografia central contendo todo o conhecimento em forma de livro existente no mundo.

Mesmo em 1895, o projeto parecia indicar uma imensa arrogância intelectual. Os dois homens decidiram que coligiriam dados sobre todos os livros que já tivessem sido publicados, bem como uma vasta coleção de artigos de jornal, fotografias, cartazes e todos os tipos de objetos efêmeros – como panfletos – que as bibliotecas formais costumavam ignorar. Usando cartões de índice (então a mais avançada forma de armazenar informações), eles criaram um imenso banco de dados em papel contendo mais de 12 milhões de verbetes.

Otlet e LaFontaine conseguiram enfim convencer o governo belga a apoiar o projeto, propondo construir uma “cidade do conhecimento” que reforçaria a campanha do governo para fazer do país a sede da Liga das Nações. O governo lhes concedeu espaço em um edifício público, e Otlet expandiu suas operações. Contratou mais funcionários, e estabeleceu um serviço de pesquisa pago que permitia que qualquer pessoa do mundo fizesse uma pergunta por telegrama ou correio – uma espécie de serviço de busca analógico. Surgiram perguntas vindas de todo o mundo, mais de 1,5 mil ao ano, sobre tópicos tão diversos quanto os bumerangues e as finanças da Bulgária.

À medida que o Mundaneum evoluía, o volume de papel começou a se tornar grande demais. Otlet decidiu desenvolver idéias para novas tecnologias que ajudassem a administrar a sobrecarga de informações. Em determinado momento, ele propôs uma espécie de computador de papel, com rodas e eixos, que moveria documentos pela superfície de uma mesa. Mas ele acabou por decidir que a solução definitiva tinha
de envolver o abandono completo do papel.

Porque não existiam aparelhos de armazenagem eletrônica de dados nos anos 20, Otlet teve de inventá-los. Começou a escrever longamente sobre a possibilidade da armazenagem eletrônica de dados, o que culminou em um livro lançado em 1934, Monde, no qual ele expunha sua visão sobre um “cérebro mecânico coletivo” que abrigaria todas as informações do mundo, a qual estaria facilmente disponível por intermédio de uma rede mundial de telecomunicações.

Tragicamente, no momento em que a visão de Otlet começava a se cristalizar, o Mundaneum começou a enfrentar dificuldades financeiras. Em 1934, o governo belga perdeu o interesse pelo projeto, quando a Liga das Nações escolheu a Suíça como sede. Otlet transferiu sua empreitada a um espaço menor, e devido às dificuldades financeiras teve de fechá-la ao público.

Alguns funcionários continuaram trabalhando no projeto, mas o sonho acabou quando os nazistas invadiram a Bélgica, em 1940. Os alemães removeram todo o conteúdo do local original do Mundaneum para abrir espaço a uma exposição sobre a arte do Terceiro Reich, e destruíram milhares de caixas com os cartões de índice. Otlet morreu em 1944, um homem derrotado e que não demoraria a ser esquecido.

Depois de sua morte, o que sobreviveu do Mundaneum original foi abandonado no velho edifício do departamento de anatomia na Universidade Livre de Parc Leopold, até 1968, quando um jovem estudante de pós-graduação chamado W. Boyd Rayward encontrou informações sobre a vida de Otlet. Depois de ler alguns dos trabalhos do inventor, ele visitou o escritório abandonado do projeto, em Bruxelas, onde descobriu uma sala com jeito de mausoléu, lotada de livros e montes de papéis cobertos por teias de aranha.

Rayward ajudou a promover uma retomada do interesse pelo trabalho de Otlet, um momento que terminou por gerar interesse suficiente para resultar no museu Mundaneum, em Mons.

Hoje, o novo Mundaneum apresenta traços instigantes da web que poderia ter surgido. Longas fileiras de gavetas estão ocupadas por milhões dos cartões de índice criados por Otlet, e mostram o caminho para um arquivo repleto de livros, cartazes, fotos, recortes de jornal e todo tipo de artefato. Uma equipe de arquivistas trabalhando em tempo integral conseguiu até o momento catalogar menos de 10% da coleção.

A imensidão do arquivo revela tanto as possibilidades quanto as limitações da visão de Otlet tal qual ele a concebeu. O inventor imaginava uma série de arquivistas profissionais analisando todas as informações que chegassem e catalogando-as, uma filosofia que contraria a hierarquia da web moderna, onde tudo funciona de baixo para cima.

“Creio que Otlet teria se sentido perdido diante da Internet”, diz François Lévie, sua biógrafa. Mesmo com um pequeno exército de bibliotecários profissionais, o Mundaneum original jamais teria acomodado o imenso volume de informação disponível hoje na web. “Não creio que o projeto dele pudesse crescer”, diz Rayward. “Nem mesmo em escala suficiente para atender à demanda do mundo de papel em que ele vivia”.

Apesar dessas limitações, a versão do hipertexto proposta por Otlet tinha vantagens importante sobre a web atual. Enquanto os links atuais da web servem como uma espécie de conexão muda entre documentos, Otlet imaginava conexões que portariam significado, por exemplo na forma de anotações que informariam se determinados documentos concordavam ou discordavam. Essa facilidade falta notoriamente aos hiperlinks modernos.

Otlet também antecipou as possibilidades das redes sociais, de permitir que os usuários “participem, aplaudam, ovacionem, cantem em coro”.

Embora ele muito provavelmente devesse terminar perplexo diante do ambiente do Facebook e do MySpace, Otlet anteviu alguns dos aspectos mais produtivos das redes sociais – a capacidade de trocar mensagens,
participar de discussões e trabalhar em uníssono para a coleta e organização de documentos.

Alguns estudiosos acreditam que Otlet tenha antecipado algo como a web semântica, a estrutura emergente de computação baseada em assunto, que vem ganhando ímpeto entre cientistas do ramo como Berners-Lee. Como a web semântica, o Mundaneum aspirava não somente a criar links estáticos entre documentos mas a mapear relações conceituais entre fatos e idéias. “A web semântica tem algo de Otlet”, diz Michael Buckland, professor da Escola de Informação na Universidade da Califórnia em Berkeley.

Os curadores do atual Mundaneum esperam que o museu evite o destino de seu predecessor. Ainda que ele venha conseguindo garantir verbas, não atrai tantos visitantes.

“O problema é que pouca gente conhece a glória do Mundaneum, diz Stéphanie Manfroid, a diretora de arquivos da instituição. “As pessoas não se entusiasmam ao ver um arquivo”.

Tentando ampliar seu apelo, o museu organiza exposições regulares de cartazes, fotografias e arte contemporânea. Mas embora apenas alguns turistas aparecem para visitar o pequeno museu em Mons, a cidade pode em breve encontrar seu espaço no mapa da história tecnológica. Este ano, um novo morador planeja abrir um centro de dados bem perto da cidade. Seu nome é Google.

 

Disponível em: http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI2961494-EI4802,00-Museu+celebra+o+verdadeiro+precusor+da+web.html

Conservação de livros

Títulos raros ou de valor afetivo pedem cuidados com a manutenção e encadernação. Trabalho para profissionais especializados

Yara Guerchenzon

Ao longo da história, os livros foram ganhando encadernações cada vez mais sofisticadas e resistentes. Se entre os séculos VIII e XI, elas eram feitas com pele de cervo, porco, ou ainda de tecido com capas de madeira, somente nos séculos XVII e XVIII ganharam as versões luxuosas, com capas de cartão rígido cobertas de couro, adornadas com florões e filetes a ouro. Para resgatar a vida desses exemplares que atravessaram os tempos, ou daqueles de algumas décadas atrás, mas que trazem consigo histórias carregadas de afeto, profissionais recriam a arte da encadernação, restaurando páginas amareladas e rasgadas e recuperando capas originais. Ou ainda: renovando-as, porém com ares de antigamente. E, para quem quer enriquecer um livro de capa simples ou padronizar a biblioteca, existem inúmeras opções, com variações entre o clássico e o moderno. Antes de contratar esses serviços, veja as dicas de nossos consultores.

QUALIDADE

Segundo a bibliotecária Regina Celi Sousa, presidente do CRB8ª – Conselho Regional de Biblioteconomia 8º Região de São Paulo, antes de tudo, deve-se observar a competência do restaurador e encadernador, após a avaliação dos trabalhos executados, levando em consideração detalhes do acabamento, como a capa e a costura bem feitas, se a guarda (página em papel neutro, para proteção, no início e no final do livro) inserida é de papel neutro ou, ainda, se há um espaço regular, de 0,3 mm, nas margens. Já a designer gráfica Beatriz Ejchel, da Ahhh! Design, que utiliza a encadernação para desenvolver caixas, livros em edição de luxo, portfolios e álbuns, lembra que esses profissionais precisam ter formação específica: “Devem ter estudado no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo ou na ABER, Associação Brasileira de Encadernação e Restauro, pois são entidades reconhecidas. É a técnica que determina a qualidade da peça, com atenção às margens de corte, controle da dobra e sangria, além do uso da de boa cola”, orienta. Nido Campolongo, designer de cenários e objetos de papel, assim como Beatriz Ejchel, recomenda a pesquisa de profissionais na ABER. Outra consultora é a arquiteta e professora dos cursos de encadernação da própria ABER, Elizabeth Csuraji, que classifica as encadernações como comercial e artesanal. “As comerciais são funcionais, para livros com fins específicos: fiscais, apostilas, publicações editoriais. Geralmente são feitas à máquina ou à mão, mas com materiais nem sempre adequados quando se pensa na durabilidade. As artesanais são feitas à mão, com cadernos costurados. Geralmente, utiliza-se um bastidor onde são fixados os suportes nos quais a costura é enlaçada e posteriormente presa às capas. São indicadas para conservar um livro atual, quando se quer maior durabilidade, ou para livros de época que necessitam de novo acondicionamento”, explica.

CUSTO

O valor de uma encadernação é diretamente proporcional ao material utilizado, à grossura e tamanho do livro. Regina explica: “A encadernação comercial usa material plastificado, enquanto a de livros clássicos ou raros requer o couro. Já o custo de uma restauração depende do estado do livro, afinal quanto mais danificado, mais trabalhoso o serviço”, lembra.
No caso de encadernações especiais, como as desenvolvidas nos projetos de Bea Ejchel, não há uma tabela: “O cálculo é sempre baseado no tempo da mão-de-obra e nos materiais usados”, afirma.

TEMPO DE EXECUÇÃO

Segundo Regina, o serviço de encadernação pode demorar de um a três dias, no caso de um título comum. Para Beatriz, essa etapa leva de 15 a 30 dias. “Trabalhos diferenciados demandam mais tempo”. No caso de restauros, Beth diz que o serviço pode levar meses, dependendo do grau de deterioração.

MATERIAIS DE PRIMEIRA

A bibliotecária Regina afirma que, na restauração, o papel japonês é o recomendado, desde que na gramatura correta. “O reforço das folhas inteiras de livros e documentos deve ser feito com papel japonês que, por sua transparência e textura, permite visibilidade do texto e resistência ao manuseio”. Nido alerta sobre o material usado nas capas: “Deve-se ficar atento ao papelão. Se não for bom, com o tempo enverga”, diz, sugerindo o Horle 20 pela espessura apropriada. A arquiteta Beth explica o passo-a-passo do serviço: “Os materiais devem ser livres de acidez e a cola, reversível, no caso de uma futura intervenção. Nos restauros, procura-se preservar a autenticidade da obra, mantendo capas originais e formato. O tipo de encadernação também é definido de acordo com o livro, estrutura, época, além da finalidade a que se destina: coleção particular, instituição, biblioteca. As etapas da encadernação basicamente são: higienização, numeração e mapeamento dos cadernos, desmonte do livro, banho se necessário, secagem, prensagem dos cadernos, costura, preparação da lombada e pastas, montagem, revestimento, fechamento com guardas e douração – feita com uma película à base de ouro”. Segundo Nido, é a guarda que prende o miolo do livro à capa, daí a sua importância, sendo que a melhor deve ser feita em papel de fibra longa, mais resistente.

PROBLEMAS COMUNS

Como bibliotecária, Regina conhece no seu dia-a-dia os problemas que podem danificar os livros, como umidade e fungos. “Podem sofrer infestação por insetos como traça, broca e cupins, decorrentes da própria cola utilizada. Já a infestação por fungos é proveniente de ambientes úmidos. E a iluminação inadequada amarela as páginas e desbota as capas, pois os raios ultravioletas aceleram o processo de envelhecimento. Os livros muito comprimidos nas prateleiras, por sua vez, ficam com as lombadas danificadas ao serem retirados e, em conseqüência, precisam de nova encadernação”, ensina.

VIDA ÚTIL

“A durabilidade de um livro depende da sua constituição e condições de armazenamento. Existem livros dos séculos XII e XIII, feitos de papel trapo (algodão) com encadernações de pergaminho, por exemplo, que foram bem armazenados e se apresentam em boas condições físicas. No entanto, livros bem mais recentes, das décadas de 1930 ou 1940, compostos com papel de qualidade ruim, com impurezas, tornam-se quebradiços de forma irreversível”, explica Beth.
Segundo Regina, os cuidados para garantir a durabilidade envolvem a climatização, com temperatura entre 21 a 23 graus centígrados; a umidade do ar, entre 55 a 60%; e a iluminação adequada, ou seja, indireta. “Também é importante manusear periodicamente o livro para oxigená-lo e impedir o acúmulo de microrganismos (fungos) que atacam o papel e colaboram na degradação”, lembra, e ainda recomenda: “Não se deve acondicionar livros em sacos plásticos, o que impede a oxigenação do papel. Também não é indicado o uso de marcadores de páginas de metal, que oxidam o papel”, orienta.

MANUTENÇÃO E HIGIENE

Os locais destinados ao armazenamento, como armários e estantes, devem ser arejados e periodicamente limpos. E a higiene deve ser feita com aspirador, pano macio ou pincéis tipo trincha. “A limpeza do miolo do volume deve ser feita com uma trincha macia, página por página, em local ventilado, utilizando máscara e luvas cirúrgicas, para evitar problemas de alergia ou contaminação por fungos. Já a limpeza dos cortes dos volumes é feita com flanela de cor branca e seca, ou com uma trincha estreita e macia, com o cuidado de manter o livro bem fechado. Se tiver marcas deixadas por insetos ou gorduras, a limpeza pode ser com uma lixa fina, adequada para papel japonês”, ensina a presidente do CRB8ª.

SERVIÇO DE ORGANIZAÇÃO

Para se pôr ordem a uma biblioteca, Regina sugere a contratação de uma empresa especializada ou de um bibliotecário autônomo, desde que registrado no Conselho Regional de Biblioteconomia. “A empresa ou o profissional verificam a necessidade do cliente e elaboram um projeto. O valor do trabalho, por sua vez, pode ser definido por um preço geral ou por livro. Se há urgência na execução do serviço, podem ser alocados vários bibliotecários, logicamente com variação nos valores”, explica.

ÁLBUNS CUSTOMIZADOS

O scrapbook é, ao pé da letra, um álbum de recortes. E a técnica do scrapbooking, importada dos Estados Unidos, consiste na personalização de um álbum, com riqueza de detalhes. A ‘moda’ chegou ao País há quase 10 anos e hoje existem diversas lojas especializadas em materiais (papéis, botões, letras, flores de tecido e inúmeras miudezas) e instrumentos utilizados nesse trabalho artesanal, sendo todos com nomes em inglês. “Existe até um dicionário de scrap”, conta Geórgia Cruz Lima, professora da técnica e que a aplica não só em álbuns de fotos, mas também na decoração de capas de agendas e diários de viagens.

O SEU PRÓPRIO LIVRO

O fotolivro é uma novidade. Permite a produção de livros de fotografias pessoais: trata-se de um álbum com jeito de livro, em offset digital. Para fazer um, basta ter (e saber usar!) um software específico. No caso, o mais facilmente encontrado é o D-Book, que é gratuito e pode ser baixado no site www.fotolivro.com.br. Mas é preciso paciência e habilidade. Quem se dedica a este trabalho são os scrapdesigners, como Daniela Zambelli, da Mania de Photo, que cria álbuns com figuras, fundos e textos coordenados com o tema. Preço médio: 350 reais, no formato A4.

“A durabilidade de um livro depende da sua constituição e condições de armazenamento. Existem livros dos séculos XII e XIII, feitos de papel trapo (algodão) com encadernações de pergaminho, por exemplo, que foram bem armazenados e se apresentam em boas condições físicas. No entanto, livros bem mais recentes, das décadas de 1930 ou 1940, compostos com papel de qualidade ruim, com impurezas, tornam-se quebradiços de forma irreversível”, explica Beth.
Segundo Regina, os cuidados para garantir a durabilidade envolvem a climatização, com temperatura entre 21 a 23 graus centígrados; a umidade do ar, entre 55 a 60%; e a iluminação adequada, ou seja, indireta. “Também é importante manusear periodicamente o livro para oxigená-lo e impedir o acúmulo de microrganismos (fungos) que atacam o papel e colaboram na degradação”, lembra, e ainda recomenda: “Não se deve acondicionar livros em sacos plásticos, o que impede a oxigenação do papel. Também não é indicado o uso de marcadores de páginas de metal, que oxidam o papel”, orienta.

MANUTENÇÃO E HIGIENE

Os locais destinados ao armazenamento, como armários e estantes, devem ser arejados e periodicamente limpos. E a higiene deve ser feita com aspirador, pano macio ou pincéis tipo trincha. “A limpeza do miolo do volume deve ser feita com uma trincha macia, página por página, em local ventilado, utilizando máscara e luvas cirúrgicas, para evitar problemas de alergia ou contaminação por fungos. Já a limpeza dos cortes dos volumes é feita com flanela de cor branca e seca, ou com uma trincha estreita e macia, com o cuidado de manter o livro bem fechado. Se tiver marcas deixadas por insetos ou gorduras, a limpeza pode ser com uma lixa fina, adequada para papel japonês”, ensina a presidente do CRB8ª.

SERVIÇO DE ORGANIZAÇÃO

Para se pôr ordem a uma biblioteca, Regina sugere a contratação de uma empresa especializada ou de um bibliotecário autônomo, desde que registrado no Conselho Regional de Biblioteconomia. “A empresa ou o profissional verificam a necessidade do cliente e elaboram um projeto. O valor do trabalho, por sua vez, pode ser definido por um preço geral ou por livro. Se há urgência na execução do serviço, podem ser alocados vários bibliotecários, logicamente com variação nos valores”, explica.

ENCADERNAÇÃO: ENDEREÇOS

Bibliodesign
www.bibliodesign.com.br
A bibliotecária e designer de interiores Claudia Tarpani, dona da Bibliodesign, desenvolve projetos de interiores para bibliotecas e salas de leitura, além de organizar coleções.

Atelier Luiz Fernando Machado
R. Natingui, 756, tel. (11) 3031-7895, Vila Madalena; www.aterliermachado.com.br
Executa encadernações artísticas e restaurações de obras raras. Na loja, oferece uma linha de papelaria fina, com cadernos, álbuns e caixas, além dos papéis marmorizados que Luiz Fernando utiliza em parte das encadernações. Prazo para encadernação: 10 dias, no mínimo. Preços: a partir de 90 reais.

Isaura Maria Araújo Shimomoto
Tel. (11) 4153-4586, Alphaville.
Faz restauração de livros e encadernações artísticas, como os projetos da designer Beatriz Ejchel, que incluem caixas e álbuns de fotografias. Formada pela ABER, cobra por um álbum simples a partir de 200 reais e faz o serviço em 20 a 30 dias.

Encadernadora Duarte
R. Augusta, 735, sl, tel. (11) 3256-9874. Sob a direção de José Paulo Aquino dos Santos, a empresa faz encadernações comerciais, com capas de percalux (papel plastificado), a partir de 15 reais; de couro sintético, 25 reais; e couro natural, 50 reais. O trabalho é feito em 2 ou 3 dias, por volume.

Encadernadora RS
R. Cipriano Barata, 1118, Ipiranga, tel. (11) 6215-4055; www.encadernadorars.com.br
A empresa funciona há 30 anos e o ofício passa de pai para filho. O proprietário Reginaldo Sposito faz encadernações comerciais em um dia. Com capa de percalux, cobra a partir de 12 reais; em couro sintético, 20 reais; e no natural, 60 reais.

Luccas & Tuenze
R. Safira, 259, Aclimação, tel. (11) 3341-1618
Lucy Aparecida Luccas faz higienização de bibliotecas e arquivos, além de restauração e encadernação de obras raras, como um livro francês de 1.600 que ela acaba de dar vida nova. Lucy estudou em Cuba, na Itália e no antigo Instituto Paulista de Restauro. Preços sob consulta.

Maria Isabel Garcia
Tel. (11) 5084-1056; www.restaurodelivros.com.br
Há 18 anos, Maria Isabel executa álbuns de fotografia, livros de ouro e caixas, além de encadernação artística e restauração de livros. Formada pelo antigo curso de encadernação e restauro do Liceu de Artes e Ofício de São Paulo, a profissional cria, por exemplo, capas de madeira com detalhes de marchetaria.

JM Encadernação
R. Imaculada Conceição, 160, Santa Cecília, tel. (11) 3666-1383
Há 40 anos no mesmo endereço, a empresa é comandada por Jovelino do Amaral, que começou como gráfico e se tornou dono, e seu sócio, o publicitário de formação Matias Máximo de Araújo. Especializados em encadernação comercial, cobram em média 25 reais pelo trabalho em percalux.

Norma Cassares
R. Groenlândia, 354, Jardim América, tel. (11) 3051-4020
A presidente da ABER – Associação Brasileira de Encadernação e Restauro atende em seu ateliê, onde executa encadernações e restaurações de obras raras e especiais, sempre com preço sob consulta.

Elizabeth Csuraji
Tel. (11) 4229-1315
A arquiteta ministra cursos na ABER e mantém seu ateliê onde realiza trabalhos de encadernação artística.

CONSULTORIA

ABER
Associação Brasileira de Encadernação e Restauro – R. Machado de Assis, 222, sl 02, Vila Mariana, tel. (11) 5579-6200; www.aber.org.br

CRB 8º
Conselho Regional de Biblioteconomia 8º Região – São Paulo – R. Maracaju, 58, Vila Mariana, tel. (11) 5082-1404

Regina Celi Sousa
Tel. (11) 5082-1404

Beatriz Ejchel – ahhh! design
Al. Santos, 1398, cj 97, tel. (11) 3253- 5161

Elizabeth Csuraji
Tel. (11) 4229-1315

Nido Campolongo
R. Tupi, 843, Pacaembu, tel. (11) 3826-7901; www.nidocampolongo.com.br

Daniela Zambelli – Mania de Photo
www.scrapaddicted.com.br

Matéria publicada na edição 175 (Abril/2008) da ViverBem

Relatório final do II Fórum do PNLL está disponível na Internet

O relatório final do II Fórum do Plano Nacional do Livro e Leitura e do I Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias está disponível na Internet. O documento destaca que o evento foi aprovado pelos 798 inscritos, que elogiaram a criação da teia de leitura, a oportunidade de integrar
ações e de conhecer as iniciativas de outros países. Fica evidenciado também, nas considerações finais do relato, que ainda há carência no país de espaços para a discussão e o compartilhamento de experiências nessa área, apesar “da grande receptividade da iniciativa pelos profissionais e pessoas envolvidas com projetos de incentivo e difusão da leitura no país”.

 

Fonte: Boletim PNLL – Edição nº 124– 06 a 12/10/2008.

E os livros foram parar na cadeia…

Sidnei Rosa tentou, em vão, “libertar” o acervo de São Francisco Xavier e acabou montando biblioteca na garagem de casa

Patrícia Villalba

 

As crianças viam os livros através das grades em São Francisco Xavier, pequena cidade da Serra da Mantiqueira, quando o bibliotecário Sidnei Rosa chegou à cidade, para passar férias na casa do pai. Ele, que já havia trabalhado na estruturação de diversas bibliotecas pelo Paraná e Mato Grosso, não imaginava que justamente ali, na sua terra natal, o acesso aos livros poderia ser restrito. Num arroubo digno do realismo fantástico, o poder público trancafiou o acervo da cidade numa cela da cadeia pública. “Trancaram e, pronto, ninguém mais tinha acesso, ninguém sabia onde estava a chave”, lembra ele.

Sidnei se deparou com a situação quando alunos foram bater à sua porta, em busca de livros para um trabalho sobre o Mercosul. Como eles, foi “de cá pra lá” atrás dos livros, também sem sucesso. “Ia à prefeitura, e me mandavam procurar a chave (da cela) na escola. Na escola, diziam que a chave estava na prefeitura. Não consegui abrir aquela cela de jeito nenhum”, lamenta. “Um dia eu saí de lá doido da vida e pensei: “Vou montar uma biblioteca aqui.”

E foi o que ele fez, na garagem da casa de seu pai – Rua 15 de Novembro, número 50. Antes, ele tentou convencer as autoridades locais a cederem um espaço para o projeto. “Fiz várias sugestões de imóveis que poderiam ser destinados à nova biblioteca, mas em vão. Foi quando meu pai me ofereceu a garagem de casa”, conta. “Eu disse que tudo bem, desde que ele deixasse de morar aqui.”

Sidnei, então, envolveu toda a cidade no projeto Biblioteca Solidária, que inaugurou sua primeira fase em 2004, ainda na garagem. Logo, entretanto, o acervo tomaria conta de toda a casa de Seu Getúlio, que passaria por grande reforma. “A (montadora) GM doou 5 mil reais, para colocar o forro, por exemplo, mas eu precisava trocar a parte elétrica. Fiz, então, duas listas de material, tipo lista de casamento, sabe? Deixei na loja de material de construção da cidade e cada um contribuiu como pôde”, detalha Sidnei, que recebe hoje o escritor gaúcho Marcelo Carneiro da Cunha para um bate-papo com leitores, dentro do projeto Viagem Literária.

Animação em pessoa, Sidnei trabalha como voluntário e usa a criatividade para fazer render o orçamento da biblioteca, basicamente gerado por doações dos 50 membros da Associação de Amigos e patrocínios esporádicos – neste ano, em boa fase, ele conta com a Petrobrás e a Faberweb. As doações dos amigos garantem o pagamento das despesas básicas, como água, telefone e energia elétrica. E os patrocínios especiais vão para a compra de equipamentos, como computadores e o ar-condicionado que garante a integridade do acervo. “Os amigos contribuem mensalmente com 20, 30 ou 50 reais. Se atrasa, não tem problema – não acho legal ficar cobrando. O pouco que a gente recebe parece que cresce, e isso é maravilhoso”, diz o quixotesco bibliotecário.

É um trabalho que aparece bastante, muito além do simples emprestar livros. Contação de histórias, cursos (inglês, inclusão digital, educação ambiental, culinária para crianças) e sessões de filmes são algumas das atividades que movimentam a Biblioteca Solidária. Sidnei só não sabe medir a quantidade de pessoas que retiram livros, pelo simples princípio de desburocratizar o empréstimo. “Não sei quantos são, mas tenho uma lista de A a Z imensa. As pessoas têm liberdade de pegar o livro sem depender de um comprovante de residência ou de uma foto 3×4”, diz. “Eles devolvem? Devolvem, pela confiança. Aqui é tudo do público. O meu interesse é que os livros circulem.”

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Projeto de capacitação de pesquisa com alunos receberá prêmio paulista de Biblioteconomia

O Projeto de Extensão da Biblioteca Comunitária da UFSCar intitulado “Caça ao tesouro: a prática dinâmica da pesquisa escolar” foi selecionado para receber, na categoria profissional, o VIII Prêmio de Biblioteconomia Paulista Laura Russo. A premiação é outorgada anualmente a personalidades e instituições que, por meio de suas ações e atuações políticas e administrativas, promovem e contribuem para a difusão do conhecimento à comunidade em geral. O tema deste ano é “Biblioteca escolar: singular no presente, plural no futuro”.

A cerimônia de entrega será realizada no dia 22 de outubro, às 19 horas, no Auditório do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), em São Paulo. O prêmio é em reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela BCo, em 2007, com os alunos da quarta série do Ensino Fundamental do Centro Educacional SESI 108, de São Carlos. O objetivo principal do projeto da UFSCar é capacitar o aluno a elaborar pesquisas escolares e despertar o prazer da atividade intelectual da leitura.

O projeto “Caça ao Tesouro” foi elaborado pelas bibliotecárias Deise Belisário (coordenadora) e Tereza Luzia Bessi Lopes (orientadora) a partir da identificação de um problema. Elas detectaram que os alunos realizavam atividades de pesquisa de forma desorganizada e, com um pequeno interesse pelo tema, faziam com que os trabalhos fossem realizados como somente cópias de trechos de livros, enciclopédias e trechos de sites da Internet.

Para corrigir esse problema, as bibliotecárias decidiram implementar um projeto de orientação à pesquisa. A essência da proposta é estimular os alunos à pesquisa e a um espírito de curiosidade, de aventura instigante pela informação por meio de consulta e seleção de fontes, da leitura e assimilação de conceitos.

O projeto teve início em 2004 com alunos da EMEB Antonio Stella Moruzzi. A segunda edição, em 2005, envolveu a Escola Dom Bosco. Há dois anos, em 2006 e 2007, o projeto é realizado em conjunto com o SESI. Para cada ano é definido um tema geral e subtemas relacionados, que são explorados por grupos de alunos. Cada grupo é responsável pela pesquisa de um tema. Em 2007, o tema escolhido foi reciclagem. Deise explica que o projeto possibilitou a inclusão social à medida que foram oferecidos instrumentos de acesso à informação e à pesquisa. Os textos produzidos pelos alunos constituíram os capítulos do livro com o título Reciclagem.

O Prêmio Laura Russo representa relevante homenagem prestada à pioneira no exercício da profissão de bibliotecário. Laura Garcia Moreno Russo lutou pela regulamentação da profissão e tornou-se a primeira presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia.

Fonte: PROJETO de capacitação de pesquisa com alunos receberá prêmio paulista de Biblioteconomia. Primeira Página, São Carlos, 14 set. 2008. Geral, p. 22.