Biblioteconomia e Wikinomics

Recentemente terminei a leitura de Wikinomics, de Don Tapscott e Anthony D. Williams. Para ser mais exato, no dia 31 de janeiro. Ainda bem que li durante as férias, pois se fosse para ser lido em prova da faculdade ou coisa parecida, eu não conseguiria me libertar das minhas ideias e respondê-la a contento. É por isso que escrevo aqui breves considerações biblioteconômicas sobre a obra, a fim de não só me desprender dessas ideias, mas também compartilhá-las (façamos jus ao mote da obra: colaboração…).

“Bem vindo à web que cada vez mais se parece com uma biblioteca cheia de componentes que interagem e falam uns com os outros.” (p. 53)

Biblioteca cheia de componentes… componentes que interagem, componentes falam uns com os outros. Eu realmente não entendi o que o autor quis dizer. Não entendi a comparação com a biblioteca. Na verdade, eu já não me lembro mais porque selecionei essa frase. Caso lembre, retoma-lá-ei. Passemos à seguinte:

“Esses exemplos [Google, Amazon] mostram como as pessoas podem filtrar de modo colaborativo a enorme variedade de opções na web (e na vida em geral) sem a orientação de um especialista.” (p. 57)

Biblioteconomicamente falando, é um tanto preocupante não ter nenhum especialista para auxiliar o usuário na busca pela informação. Mais ainda na web, que é o próprio caos informacional. Não estou subestimando a capacidade de pesquisa de ninguém, mas a maioria de nós, usuários dos mecanismos de busca da Internet, achamo-nos experts em recuperar informações online. Mas isso após minutos, ou horas de pesquisa… quer dizer, quando de fato encontramos o que procurávamos.

Afinal, você sabe onde vende tiras de chinelo “Havaianas” na sua cidade? Já tentou procurar na Internet? Pode ser difícil… numa lista telefônica, talvez? Mais difícil ainda, dado que o universo informacional é muito menor, incomparavelmente muito menor. Caso estivesse doente, eu não arriscaria procurar informações na Internet, sequer numa rede colaborativa (informação duvidosa?), ainda que um especialista participasse, sequer na Medline (informação extremamente especializada, não posso esperar…).

Pulando desse drama orientação x desorientação na web, Tapscott e Williams também tecem em poucas linhas alguns dizeres sobre a organização da informação, com destaque para as folksonomias:

“[…] as folksonomias são um dos muitos exemplos de como as redes sociais gravitam naturalmente em direção a normas e convenções que intensificam a produtividades social e a conectividade.” (p. 58)

Como produtos do fenômeno tagging, apresentam as folksonomias no ambiente do Del.icio.us e do YouTube: o primeiro, um agregador de favoritos online; o segundo, um ambiente para se assistir vídeos. A novidade reside, no entanto, no fato de conteúdos conectarem pessoas: meras palavrinhas, as tags, que rapidamente levam o usuário de um site a outro, de um vídeo a outro que realmente lhe interessa. Ponto para os autores.

No mais, chamou-me a atenção o capítulo 6, “Os novos alexandrinos”, sobretudo o começo. Não é nenhuma apologia à famosa biblioteca nem uma lamentação do passado impresso, nada disso. Pelo contrário, os autores destacam a importância das bibliotecas digitais e iniciativas de compartilhamento científico, como o arXiv. Além disso, ilustram o capítulo com exemplos de grandes empresas nesse contexto colaborativo, bem como apontam a necessidade de se reavaliar a parceria universidade-empresa. Isso posto, agora espero que minha mente se aquiete um pouco.

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