Biblioteca do STJ recebe acervo completo do jurista Caio Mário da Silva Pereira

11/05/2012- 14h34

EVENTOS

Biblioteca do STJ recebe acervo completo do jurista Caio Mário da Silva Pereira

“Um livro fechado é um coração que chora. Que os livros do professor Caio Mário estejam sempre abertos aqui na biblioteca do Superior Tribunal de Justiça. Esse é o meu desejo”, afirmou Ari Pargendler, presidente do Tribunal da Cidadania, na cerimônia de inauguração da coleção particular do jurista Caio Mário da Silva Pereira – que, por decisão da família do renomado advogado, agora passa a fazer parte do acervo da maior biblioteca jurídica do país.

A Biblioteca Ministro Oscar Saraiva contava, antes da doação da família de Caio Mário, com cerca de 170 mil obras jurídicas. Agora serão mais 4 mil livros, alguns deles bastante raros – dos séculos XVII e XVIII –, além de revistas e artigos deste grande autor mineiro, conhecido nacional e internacionalmente pelos estudos do direito civil. Sua obra mais conhecida, “Instituições do Direito Civil”, é um clássico dos manuais sobre o tema.

Desde 2004, quando o jurista faleceu, aos 90 anos, a família procurava honrar o pedido feito pelo próprio professor Caio Mário: doar a biblioteca pessoal para alguma instituição na qual ela fosse preservada e utilizada pelas futuras gerações. Após extensa pesquisa, os herdeiros decidiram doar todo o acervo à biblioteca do STJ, que, nas palavras do neto do advogado, Leonardo da Silva Pereira, abriga as melhores condições de manutenção e exposição para “os amados livros desse ledor impenitente por toda a vida.”

Em 2010, os termos de doação foram oficializados e, de lá para cá, todas as obras, que estavam guardadas em caixas de papelão, passaram por rigoroso processo de higienização. Os livros foram aspirados, restaurados, limpos e indexados para posterior disposição nas estantes da biblioteca. As obras raras e delicadas, no entanto, ficarão acondicionadas em uma sala especial, com acesso restrito.

Presenças

A cerimônia de entrega do acervo à população, que se realizou na manhã de sexta-feira (11), na nova casa dos livros do professor Caio Mário, contou com a presença de vários ministros ativos e aposentados do STJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), além dos desembargadores convocados para o Tribunal.

Entre eles estavam Laurita Vaz, Arnaldo Esteves Lima, Napoleão Nunes Maia Filho, Og Fernandes, Antonio Carlos Ferreira, Marco Aurélio Buzzi, Fernando Gonçalves, Paulo Távora, Cláudio Santos, Castro Filho, Vasco Della Giustina, Adilson Macabu, e Celso Limongi. O evento também trouxe ao STJ o advogado-geral da União, Luís Inácio Lucena Adams, e a responsável pela tradicional Editora Forense, Regina Bilac Pinto.

A solenidade foi acompanhada ainda pelos três filhos do professor, alguns netos e bisnetos. Caio Mário foi casado por mais de 60 anos com a prima Marina e teve quatro filhos, 13 netos e oito bisnetos. Na oportunidade, o presidente do STJ ofereceu uma placa em homenagem à família Silva Ferreira, pelo nobre gesto de doação.

Tesouro

“As minhas palavras são de agradecimento à família de Caio Mário. Esse ato generoso é uma contribuição para o futuro do país. As novas gerações de operadores do direito têm um tesouro ao alcance da consulta pública”, enfatizou Pargendler.

O ministro Carlos Mário Velloso, ex-presidente do STF, convidado pelo ministro Ari Pargendler para falar aos presentes sobre a convivência com Caio Mário – professor das Universidades Federais de Minas Gerais e do Rio de Janeiro –, comoveu a plateia com histórias do tempo em que foi aluno do civilista.

“Caio Mário foi um notável mestre. Que didática magnífica! Apreendíamos aquelas lições e não esquecíamos mais. Caio Mário era um exímio e sábio conversador. Depois da aula, saíamos conversando. Era um homem que gostava de vinhos finos e tinha paixão pela liberdade”, disse Velloso.

Ao final da cerimônia, um dos netos de Caio Mário, o também advogado Leonardo, agradeceu em nome da família pelo “belíssimo” trabalho de restauração e disposição dos livros do avô. Tânia, filha do jurista, ajudada por Ari Pargendler, fez o desenlace da fita que abriu simbolicamente o universo particular do professor Caio Mário ao conhecimento de todos os brasileiros.

Fotos:

Ministro Ari Pargendler, em pé, discursa em agradecimento à doação do acervo de Caio Mário; sentados, Leopoldo da Silva Pereira, Tânia da Silva Pereira e Sérgio da Silva Pereira, representando a família do jurista.

Amigos e familiares de Caio Mário da Silva Pereira participaram da inauguração da coleção de livros que pertenceram ao jurista na biblioteca do STJ. Na primeira fila, Alda Marina de Campos Melo, Leonardo de Campos Melo, Cristine da Silva Pereira Motta e Carolina de Campos Melo.

Tânia da Silva Pereira, filha de Caio Mário, e o ministro Ari Pargendler desatam a fita inaugural e colocam o acervo à disposição do público.

O presidente do STJ e os familiares do jurista.

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