Respostas à “Dê adeus às bibliotecas

Porque publiquei essas respostas

Por que foram as mais sensatas que encontrei (opinião minha!) em meio a tanto burburinho. Meus cumprimentos à Dora e ao Luan Yannick pelas respostas à altura!

***

You say goodbye and I say hello!

Este texto é a minha resposta pessoal para a nota que li do Luís Antônio Girón, Dê adeus às bibliotecas, publicado em 15/05/2012 na revista Época Online.

O título é um pedido difícil de ser cumprido, até mesmo para o autor: “Dê adeus às bibliotecas”. É imperativo: dê adeus, despeça-se e logo! (Importante notar que, ao final do texto, ele diz que tem a intenção de dizer adeus, mas que, efetivamente, não consegue. E não diz. Sim, é difícil)

Recebi o link na terça mesmo, mas não achei o que o buzz em torno do texto seria tanto. Nessas circunstâncias, o diálogo com bibliotecários é quase sempre tão inviável devido à toda a balbúrdia, que muitos que têm uma opinião levemente distinta da maioria acabam desistindo dele. Mas eu ainda não desisti, mesmo lendo mais uma matéria que coloca do dedo na ferida da biblioteconomia brasileira. Enfim…

Esse texto terá duas partes. Na primeira, responderei o que mais me inquietou no texto do Luís. Na segunda, tentarei argumentar com as reclamações que li dos bibliotecários, referentes ao texto.

Leiam o que eu tenho a dizer por sua própria conta e risco.

É fácil recair no estereótipo, na ‘descortesia típica’, nutrida por anos a fio, advinda de um ensino formal tipicamente tecnicista (e ninguém pode negar isso), voltado mais para a organização e preservação de acervos do que para as pessoas. É isso o que somos, ainda, em nosso “núcleo duro”, de fato. Mas isso está mudando, a passos de formiga, mas está (sejamos otimistas, né?). Bibliotecários estão se vendo obrigados a ser cada vez menos técnicos e mais sociais e sociáveis. Quanto a qualquer adjetivo referente aos bibliotecários do passado, eu me abstenho: vivo o hoje e sou outro tipo de profissional. Ao menos isso não mexe mais com meus brios.

Confesso que fiquei bastante chocada quando a suposta bibliotecária te disse “Por que não consultou o catálogo pela internet?”. Você definitivamente teve um dia de azar ao se deparar com alguém tão pouco profissional em um ambiente que ainda lhe é tão caro.

Quanto aos volumes raros Luís, eles não são ocultados, mas preservados. E de fato é simplesmente uma norma: não realizarmos o empréstimo deste tipo de material tão especial. Sim, somos chatos e respeitamos as normas, na maioria das vezes, sempre que possível – isso ainda faz parte da nossa profissão. Quanto a políticas específicas de digitalização para este acervo mais que especial, qualquer movimento nesse sentido exige um budget um tanto quanto alto eu diria, ou seja, isso não é viabilizado com tanta facilidade (embora seja muito interessante). Sim, as coisas são um pouquinho mais lentas e mais difíceis de se conseguir do que imaginamos – ainda mais quando se trata de bibliotecas públicas brasileiras.

Luís: estantes secretas ou vetadas para visitações, embora te espante muito, ainda são bastante comuns sim. Inclusive a Biblioteca Nacional (BN), pelo que me parece, já é vetada à consulta “em carne e osso” (LOL!) sem acompanhamento de alguém do staff. Também acho que a BN deveria não só ser digital mas mais atrativa fisicamente, mas isso é apenas um sonho meio distante…

E você não é tão velho, nem tão antiquado, nem tão saudoso e nostálgico quanto imagina. Pelo contrário: é completamente normal que alguém com tanto acesso irrestrito à tudo através da internet e do uso constante de gadgets e etc. – ache esse tipo de preservação no mínimo estranha, pra não dizer completamente datada e desnecessária. É bastante compreensível mesmo. Só acho que há um certo exagero no seu tom quando você diz que “graças às bibliotecárias, você jamais chegará” às obras especiais, raras, mas suspeito que você faça isso só pra me provocar.. Tudo bem.

Eu entendo que é um tanto quanto difícil ouvir um sonoro não de um reles e mortal humano, quando tudo o que a tecnologia só sabe te dizer é sim o tempo todo hoje em dia, não é mesmo? Faço a compreensiva: Luís, eu te entendo. De verdade. Mas por favor, também compreenda: visitas frustradas acontecem, mesmo. Não encontrar o que se deseja, acontece também. Apenas lide com isso (no bom sentido).

No geral, achei seu texto triste Luís, porque a realidade é mesmo triste assim, como você descreveu. Toda nostalgia é um pouco perda e toda perda dói mesmo. Dóem mais ainda as perdas de coisas que jamais possuímos direito. Mas achei mais melancólico ainda quando li “As bibliotecas não servem mais para nada nem a ninguém. Nem mesmo a mim, que sempre as amei”. Essas frases me soaram quase que como um divórcio de alguém que se ama muito. E como todo divórcio, há também os mesmos sentimentos: a vontade, a intenção e a decisão de se dizer adeus definitivo e sem volta (não te quero mais, te dou um adeus) e a incapacidade e impossibilidade do adeus perene e sustentável (mas ainda preciso muito de ti). Achei super sensível. E fofo também.

Há um certo padrão na forma como enxergam o Luís: jornalista, editor, formador de opinião de veículo de comunicação de massa, mestre, dotô… Perceberam que quanto mais “pomposo” o cargo dele ou quanto mais títulos ele tiver, pior e/ou mais humildes nos sentimos? Pois é.

É claro que ele é tudo isso e tem seus interesses: escrever um texto obviamente provocativo pra gerar um puta buzz, pra gerar visitações e, só de quebra, gerar uma moção de retratação de bibliotecários muito do indignados, o que pode não deixar de ser um motivo de orgulho para um jornalista, assim como um guerreiro tem orgulho das suas cicatrizes e aquela história toda de “falem mal, mas falem de mim”, etc.

Os bibliotecários, por outro lado, parecem na verdade gostar de se sentir mal o tempo todo. Ficam loucos quando falam mal deles, mas, em contra-partida ignoram os trabalhos e avanços dos próprios colegas de profissão e qualquer comentário positivo acerca de coisas boas que tem sido feitas. E justamente por conta dessa baixa auto-estima, no geral preferem enxergar o que chamam de detratores da biblioteconomia (o que eu acho um exagero) por cima da carne seca. Por que será?

No caso desse texto, prefiro enxergar a pessoa que o escreveu nem mesmo como um usuário, mas como uma pessoa mesmo. Alguém que quer me dizer algo e conversar comigo. Nada além disso.

Bibliotecários são os ególatras com mais baixa auto-estima que eu conheço, o que é bizarramente contraditório, mas analisando o grupo no geral, é bem isso mesmo. No entanto, reluto em compartilhar desse recalque todo: faço parte da categoria mas não faço parte disso porque não acredito que este seja o caminho. Será possível conseguirmos, algum dia, termos algum tipo de diálogo minimamente civilizado e razoável? É sempre esse vociferar antes de pensar, o que me irrita profundamente.

Tentei ler os comentários do texto do Luís mas como eles eram muitos e se tornaram repetitivos, desisti. Peguei apenas as afirmações mais inquietantes e tentei elucidar um pouco mais por aqui. Só não continuei a ler os comentários pois, no final, todos só se limitavam a xingar o autor ou repetir mais do mesmo – não existiam opiniões muito divergentes.

Parece que não há espaço pra pluralidade de opiniões pois isso pode ferir de algum tipo de homogenia da classe, o que discordo. Sou bibliotecária, não me ofendi com o texto do Luís e não acho que ele está denegrindo nada nem a ninguém.

Vou tentar pontuar rapidamente alguns comentários que li e comentar na medida em que achar pertinente:

– O autor acha que as bibliotecas vão acabar. O autor acha que devem acabar com as bibliotecas.

(Não farei questão nenhuma de ser delicada nesta resposta ok?) Não. Ele não acha nada disso. Volte para a pré-escola e tenha mais aulas de leitura e interpretação de texto novamente.

– Ele não conhece nada sobre a nossa profissão, então nem deveria estar falando sobre isso.

Essa (anti)lógica é tão errada que é quase como dizer: “ele foi mal atendido, mas a culpa é dele se ele acha isso”. Juro que não entendo. A questão não é esta: o jornalista conhecer ou desconhecer o que a nossa profissão faz ou deixa de fazer. Ele não está escrevendo uma reportagem sobrebiblioteconomia, ele está relatando o que SENTIU ao visitar uma biblioteca pública. O que importa é que ele foi mal atendido e tem o direito de expressar sua opinião quanto a isto.

– Talvez não tenha sido uma bibliotecária que o atendeu, mas sim uma auxiliar.

E daí? E quem será que contrata estagiários? Não é a bibliotecária-chefe? Que se responsabilize mais por quem contrata então. Se eu visitar uma biblioteca e quiser ser atendida, pouco me interessa se for bibliotecária ou auxiliar. Eu quero é ser bem atendida, independente de quem for. Isso nem é passível de discussão. Desculpem.

– O autor ofendeu, desrespeitou e denegriu a classe bibliotecária.

Isso não ocorreu durante o texto. O tom pode ter sido irônico, mas isso não é ofensa e o autor fez isso proposital e estilísticamente talvez (valeu Guilherme Lourenço) com o propósito de gerar discussão. O autor não desrespeitou ninguém e nem denegriu classe nenhuma: apenas passou por um mau atendimento em uma biblioteca pública. Sejam mais maduros e aceitem este fato.Quer continuar mantendo seu prestígio como bibliotecário/a? Faça por merecê-lo. E principalmentenão contrate estagiários que odeiem a profissão. Fica a dica.

– O autor generalizou demais. Ele não pode tomar um caso isolado como perfil de toda uma profissão.

Em momento algum o autor falou sobre A CLASSE bibliotecária em si, mas sim da senhora que o atendeu. Quando ele fala “típico desta categoria”, o autor na verdade, sem saber, refere-se ao estereótipo e não à classe. E estereótipos mudam, categorias permanecem: por isso não me ofendi com o que ele disse, mesmo sendo também bibliotecária (valeu Marchelly). Ou seja, não houve generalização em momento algum. Foi a PRÓPRIA classe bibliotecária que,deliberadamente, resolveu, por conta própria, tomar as dores de uma MÁ profissional para si. E então eu lhes pergunto: por que?

– Generalização é errado.

Qualquer generalização é perfeitamente válida quando diz respeito a grupos. Aliás, é a única maneira de se levar em conta a avaliação de um grupo. O que não é válido é aplicar a generalização a um indivíduo. Porque cada indivíduo é avaliado como uma exceção ao grupo. Se estamos tratando de um grupo, temos que levar em conta o comportamento da maioria, da regra, do geral. Exceções são devem ser tratadas como um caso à parte. Generalização não é errado. Vocês é que são politicamente corretos demais pro meu gosto. (Obrigada Milena Mattos por me esclarecer de novo este ponto).

– O autor transgrediu o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros nos artigos 2º, 7º e 14º.

Acho que vocês não tem muita noção do quão grave é acusar alguém de falta de ética por motivo fútil. Mas em se tratando de primeiro-anistas do curso de biblioteconomia, podemos até relevar – mas não muito, tendo em vista que são influenciados diretamente pelos professores doutores que tanto admiram. E desta vez não foi diferente: bem como todas as outras, isso foi bastante precipitado. Achei de um exagero vergonhoso e desproporcional. O autor não agiu com falta de ética, ele apenas expôs sua opinião. É sério mesmo que vocês vão censurar um usuário, bibliotecários? Vão fazê-lo se retratar por ter sido mal atendido? Me desculpem, não enxergo a lógica aqui.

Ninguém gosta de ser mal atendido em nenhum lugar e matérias opinativas sobre bibliotecas com um atendimento pobre sempre serão notícia, acostumem-se. Algum bibliotecário, em algum momento, SEQUER pensou em perguntar ao jornalista que biblioteca é esta que ele foi? Alguém pensou em ir lá e repreender a pessoa que o atendeu mal, em algum momento? A questão é: o que NÓS faremos em relação a notícias assim? Pensaremos sobre as questões que uma materia dessas possa vir sucitar ou simplesmente censuraremos o usuário e ficaremos histéricos a respeito disso? 1969 mandou um beijo à todos.

 – Exigimos retratação.

Retratação de quem? Quem deveria se retratar é a pessoa que o atendeu mal.

– É um absurdo ele comparar uma biblioteca a uma lan-house.

Bom, provavelmente na época em que o autor fez mestrado e doutorado, a Internet não deveria ser tão popularizada quanto hoje em dia. Isso justifica em parte o saudosismo dele e o fato dele perceber o esvaziamento das bibliotecas (sem computadores) e a proliferação de Lan Houses, que não são exatamente lugares de pesquisa e estudo, mas na falta de uma biblioteca decente, certamente são melhores. Não acho que ele tenha comparado nada, só acho que nos mostrou uma possibilidade que deveria ser melhor explorada.

Enquanto a biblioteca se comportar apenas como uma biblioteca, ela não potencializará nem seu acervo e muito menos seus serviços tão em breve. E também perderá oportunidades de criar uma comunidade mais consistente, que a faça crescer. Se queremos ser profissionais melhores, temos que ter em mente que precisamos oferecer também o melhor para as pessoas e acho bastante tacanha essa mentalidade tecnófoba na biblioteconomia tendo em vista que inclusão digital é um dos assuntos que também constam na nossa agenda.

Enfim… Enquanto existem bibliotecários que preferem gastar seu tempo e energia se preocupando (talvez exagerada e desnecessariamente) com a imagem de outra pessoa com a qual nem mesmo se identificam, o prof. Francisco das Chagas de Souza (UFSC) tem promovido uma campanha política no Facebook de um abaixo-assinado em favor da abertura de um sistema de bibliotecas públicas em Florianópolis. Confesso que é mesmo bastante difícil ver bibliotecários, que se acham tão auto-importantes, tão vitais e tão necessários à comunidade se movimentando minimamente que seja em favor iniciativas como esta.

Disponível em: <http://indexadora.wordpress.com/2012/05/16/you-say-goodbye-and-i-say-hello/>. Acesso em: 18 maio 2012.

Adeus às bibliotecas?

carta-resposta ao artigo de Luís Antonio Giron, “Dê adeus às bibliotecas”, publicado em: <http://revistaepoca.globo.com/cultura/luis-antonio-giron/noticia/2012/05/de-adeus-bibliotecas.html>.

Olá, Luís Antonio! Vou dispensar as formalidades do “sr.”, ou qualquer coisa do gênero pois não seria eu mesmo se estivesse comentando um artigo de uma revista semanal com tanta formalidade.

Queria comentar sobre seu recente artigo, intitulado “Dê adeus às bibliotecas”, pois sou bibliotecário, atualmente da Universidade Federal Fluminense (UFF), e pelas repercussões nessa mesma rede social, imagino que você esteja sendo bombardeado por críticas dessa classe profissional, de alguma maneira, com razão. Mas por outro lado, também concordo com você: a biblioteca esqueceu de se renovar.

Primeiro registrarei aqui o mea culpa, não tão “mea” assim, já que não me identifico definitivamente com a descrição feita no trecho: “A bibliotecária me atendeu com aquela suave descortesia típica dessa categoria profissional, como se o visitante fosse um intruso a ser tolerado, mas não absolvido”. Creio até que a palavra que melhor se encaixa na frase é “absorvido”, já que não é crime optar pela consagrada maneira de se ler, e portanto, não há de se absolver o visitante de nada, apenas conseguir incorporá-lo como eixo principal biblioteca, como todas deveriam fazer.

Infelizmente existe esse estereótipo sim, e alguns profissionais ainda estão paralisados nele, sem dúvida, enquanto outros, a despeito de todas as dificuldades que a classe política nos impõe, tentam combater esse estereótipo, tanto conseguindo absorver seu usuário como efetivando ações para multiplicar esses usuários absorvidos. Antes de vir para a UFF, fui bibliotecário da prefeitura do Rio, mais precisamente da Biblioteca Popular Municipal do Dique, em Jardim América, Zona Norte da cidade, e te confesso que foi o trabalho que mais me encantou, pois eu estava em contato direto com crianças de 6 a 15 anos e sabia que ali eu poderia contribuir para a mudança de perspectiva de vida daquelas crianças, afinal, como já diria o bom e velho Monteiro Lobato, “um país se faz com homens e com livros”.

Para tentar desenvolver algo nesse lugar, matei aranhas que saíam entre livros que não correspondiam ao perfil daquela comunidade, limpei cantos de estante com álcool, para tirar aquelas pequenas ovas de inseto (ou outro bicho, sei lá!) que ficam horrosamente grudadas nos móveis e livros, mandei livros didáticos dos anos 80 e outros livros que tratavam de homoafetividade como doença pra reciclagem, conseguindo assim algum dinheiro para o desenvolvimento de oficinas realizadas por dois criativos professores que lá estavam alocados. Ignorando a ausência de materiais (inclusive um computador funcional), desenvolvemos um jornal para biblioteca, que eu diagramava em casa, imprimia e tirava fotocópia na sede da Prefeitura e levava o que foi impresso na mochila, de volta pra Jardim América. Além disso tudo, eu ainda tentava desenvolver o trabalho básico de um bibliotecário: classificar, catalogar, fazer com que a informação fosse minimamente recuperável. Fiquei menos de um ano lá e saí com a sensação de que pouco fiz. O motivo? Tentar manter a mim mesmo e a minha família com um salário de cerca de R$1.000,00 tornou-se uma missão fora das minhas capacidades. Cada problema em casa, cada goteira ou outras dessas pequenas intempéries que todos temos que enfrentar, passou a ser ignorado, já que não havia recursos financeiros para resolver. Imagine agora que outros bibliotecários, os que me substituíram, podem estar nessa situação, talvez até pior, se analisarmos a origem social do profissional dessa área.

Eu acredito que um dia, quem sabe, a gente possa discutir o fim das bibliotecas no formato que as conhecemos e até dar um “adeus”, definitivo, pra o prédio cheio de papel dentro. Todos aderindo as bibliotecas digitais em seus tablets, kindles, celulares e outros dispositivos que permitem que o indivíduo carregue sua própria coleção individual. Acontece que nós, Luís, somos a classe média desse país. Com o seu salário, e com o meu, podemos dispor de um tablet para ler confortavelmente em qualquer lugar. Eu mesmo acabei de ler “A insustentável leveza do ser”, do Kundera, enquanto no mesmo suporte, me aguardava um Vade Mecum desse ano, com quase (ou mais de, não lembro agora) 2.000 páginas, pois além de bibliotecário, hoje faço uma segunda graduação em Direito. Tudo isso num dispositivo de menos de meio quilo. E que nem é tão caro, hoje é possível adquirir um desses por menos de 300 reais.

Mas e aquelas crianças de Jardim América? O que vamos fazer com elas? Será que os pais delas tem esses “menos de 300 reais” disponíveis? Como eu posso cobrar o interesse pela leitura na internet, se a escola pública continua tendo um tom repressivo, que pouco estimula a leitura e a curiosidade acadêmica e a televisão, meio majoritário de contato com aquele mundo exterior, o mundo da classe média, prefere desfilar músicas e roupas da moda, ignorando a necessidade de se desenvolver o ser humanos com questionamentos um pouco menos superficiais do que “será que Astolfo vai terminar com Claudia na novela hoje?”. O resultado é esse: crianças com uma “biblioteca” de um milhão de páginas a sua frente, mas que preferem brincar de dar tiro enquanto tomam um refrigerante em frente a um computador. E a saída passa a ser a biblioteca, não o velho depósito de livros velhos e mofados que alguns insistem em defender, mas uma instituição nova, que trabalhe o lado lúdico da criança e, porque não, do adulto. Só que a instituição da qual estamos falando vai demandar não só gente qualificada, mas também recursos públicos, tanto para se criar essa instituição como para remunerar dignamente o profissional que nela estiver.

É isso Luís! Espero que você tenha sido demovido da idéia de dar “adeus” as bibliotecas e agora lute pela biblioteca que deve existir, por uma revolução política na cultura e na educação, e que agora sempre pense em que pode contribuir esse esquisito profissional que um dia foi uma velhinha de coque, mas que hoje pode assumir qualquer forma, tanto uma jovem e voluptuosa loira como um boêmio tatuado se aproximando dos seus 40 anos. Não importa, na biblioteconomia tem espaço para todos.

Caso queira pensar mais sobre um tema, entre em contato. Há bibliotecários atuando com deficientes auditivos, sendo editores de revistas virtuais, gerindo voluntariamente bibliotecas comunitárias em favelas, refletindo sobre a indexação e busca da informação na web 2.0… Tem de tudo, basta conhecer um pouco.

Abraço!

Disponível em: <http://www.facebook.com/luanyannick/posts/386559641395481>. Acesso em: 18 maio 2012.

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2 Comentários

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2 Respostas para “Respostas à “Dê adeus às bibliotecas

  1. Sandra Monteiro de Barros Santos

    É lamentável que uma publicação como esta esteja na coluna de título “Mente Aberta”. Sou bibliotecário e tenho orgulho da minha profissão, tenho consciência do meu papel perante à sociedade. A minha categoria contribui para a formação de profissionais nas mais diversas áreas do conhecimento. Sinto-me triste com relação ao nível educacional do nosso país, pois uma pessoa que se diz ter mestrado e doutoradp, usa um veículo de comunicação com uma atitude irresponsável denegrindo a imagem de 30 mil profissionais bibliotecários, baseando-se em um fato isolado, sem ao menos saber se foi atendido por um bibliotecário. No Brasil há 4.905 bibliotecas públicas e apenas 70 profissionais atuando. E isso não é culpa dos bibliotecários, muito menos problema de estrutura. O artigo chega a ser cômico quando o autor descreve alguma operações biblioteconômicas. É perceptível que escreveu o artigo sem nenhuma fundamentação, sem nenhum conhecimento de causa. Só temos a lamentar tudo isso, esperamos que ela tenha bom senso e peça pelo menos desculpas.

    • Olá, Sandra!

      Concordo com você. O autor foi bastante infeliz porque partiu de um caso isolado e generalizou, além de revelar que o nível educacional do autor é também incoerente, não acha? É fácil falar que tem mestrado e doutorado, mas parece que desconhece o básico da pesquisa, que é fundamentar com o mínimo de conhecimento. Enfim, não vale a pena ficar remoendo, sabemos que existem bons e maus profissionais em todas as áreas, mas usar de um veículo nacional para fazer essa colocação foi no mínimo uma infelicidade por parte do autor.

      Obrigado pela visita e por propiciar estas reflexões!
      Eduardo.

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