Quinze anos de parceria com os periódicos científicos

A Rede SciELO, criada há 15 anos com a meta de contribuir para o progresso da pesquisa científica melhorando a comunicação dos resultados em periódicos de qualidade, ao dar maior visibilidade, qualidade, uso e impacto das publicações indexadas na base de forma sustentável, ostenta boa performance em seu aniversário: aproximadamente mil títulos de periódicos de 16 países (15 ibero-americanos e a África do Sul), que publicam atualmente mais de 40 mil artigos ao ano e que, em 2012, alcançaram uma média diária de mais de 1,5 milhão de acessos e downloads. Seu coordenador, Abel Packer, destaca que as coleções SciELO, ocupam o primeiro lugar no ranking dos sites de acesso aberto da Webometrics, além de ser a primeira fonte de periódicos indexada no Directory of Open Access Journals (DOAJ).

Dentre suas funções, a SciELO (sigla para Biblioteca Científica Eletrônica Virtual) é responsável pela indexação de periódicos científicos com base em controles de qualidade (por meio de seu comitê científico; publicação online do texto completo em acesso aberto; medida de desempenho com base em downloads e citações; interoperabilidade na web com índices, produtos e serviços de indexação de conteúdos científicos, e pela assistência aos editores dos periódicos). Para Packer, os periódicos precisam operar com processos editoriais que requerem maior grau de profissionalismo, de inserção internacional e com modelos de financiamentos estáveis.

Ele destaca que os próximos desafios estão atrelados às formas como a pesquisa será comunicada no futuro. Mark Peterson, um dos fundadores da Open Access Scholarly Publishers Association (Oaspa), afirma que “o SciELO é responsável pela crescente visibilidade e qualidade dos artigos na América Latina, por isso o desafio agora é integrá-los ao mainstream internacional, de modo que os resultados das pesquisas sejam mais globais e interligados”.

DESAFIOS Peterson participou da Conferência SciELO 15 Anos no final de outubro passado, em São Paulo. O evento debateu aspectos da comunicação científica contemporânea, enfatizando a consolidação do acesso aberto, a ampliação das metodologias e métricas de avaliação e o papel das políticas e programas públicos de apoio e avaliação das pesquisas comunicadas pelos periódicos. Foi apresentada, ainda, a versão preliminar do documento “Linhas de ação para os anos de 2014 a 2016 para aumentar a visibilidade dos periódicos e coleções da Rede SciELO”. O texto trata de dois grandes desafios para o futuro: o primeiro sobre questões de gestão e operação das coleções, e o segundo com foco a melhorar o baixo desempenho dos periódicos da Rede já que, de acordo com Packer, 90% dos periódicos SciELO no JCR (Journal Citation Reports) e Scimago têm fator de impacto abaixo da média em suas respectivas áreas.

 

 

As linhas de ação do SciELO para os próximos três anos visam a melhoria de qualidade e impacto dos periódicos indexados de modo convergente com as políticas nacionais de pesquisa e comunicação científica. De modo a profissionalizar periódicos e coleções, está sendo lançado o SciELO Citation Index que será operado na Web of Knowledge em conjunto com a Web of Science (WoS) e outras bases internacionais pois, segundo o documento, a continuidade dos periódicos indexados no SciELO será determinada pela evolução do seu desempenho. A partir deste ano, o SciELO trabalhará mais fortemente no serviço de disseminação e marketing de seus periódicos e coleções, bem como na execução do programa de capacitação de editores e equipes. O objetivo, no longo prazo, é promover um programa de certificação de editores, a fim de auxiliar nas funções editoriais.

No quesito internacionalização, Rogério Meneghini, diretor científico da Rede, destacou que os países emergentes representam 6% do total da base WoS. Para ele, há duas formas de se avaliar a internacionalização: quantos desses artigos são citados internacionalmente e quanto os outros países publicam em periódicos de cada país emergente.

Margarita Barquera (Conicyt/ Chile) e Patricia Muñoz (Conicyt/ México), acreditam que é preciso descobrir qual o melhor balanço entre idiomas e aumentar a participação de colaboradores internacionais.

O terceiro desafio, apontado durante a conferência, se refere à sustentabilidade financeira, tanto dos periódicos quanto das coleções SciELO. O financiamento das coleções de periódicos científicos deve estar associado às políticas de apoio à pesquisa e comunicação científica de cada país. A ideia é minimizar os custos fixos mediante o uso de uma plataforma comum de indexação, publicação e disseminação dos periódicos científicos.

 

Mônica Frigeri

Disponível em: <http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252014000100006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt>. Acesso em: 18 jun. 2014.

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