SNBU 2014: dia 18/11/2014

“Políticas de informação e autonomia científica: questões para reflexão”. Esse foi o tema da manhã do 3º dia do SNBU 2014. Sob o eixo temático “Leis de Acesso Público à Informação e Gestão de Bibliotecas Universitárias”, Marie Pellen (CNRS) apresentou a conferência “OpenEdition: um portal para as ciências sociais e humanas em acesso aberto”. A conferencista iniciou apresentando que o OpenEdition trata-se de um ambiente digital criado em 1999, por 50 pessoas, que agrega 4 plataformas de publicação para as ciências humanas e sociais.

A primeira, revues.org, foi criada em 1999 e possui mais de 400 revistas. calenda.org é uma plataforma criada em 200 que possui mais de 26 000 eventos em humanidades, além de apresentar ofertas de bolsas, jornadas de estudos, etc. Já hypotheses.org, iniciada em 2008, apresenta mais de 800 blogues de pesquisa, nos quais é possível comentar. A quarta plataforma, OpenEdition Books, agrega mais de 1600 livros na maior parte das línguas acadêmicas e tem como objetivo ser um catálogo internacional. Em relação à visibilidade do OpenEdition, ela tem sido cada vez mais crescente, chegando a mais de 40 milhões de visitas em 2014, o que também é favorecido pelo acesso livre, que aumenta o número de citações e, consequentemente, a própria visibilidade.

No que se refere ao modelo econômico adotado, Pellen expôs que atualmente existem dois: o modelo da Internet, que adota basicamente a publicidade e o modelo do acesso aberto (green road, com subsídio e gold road, que é pago). Existe, também, um modelo chamado Premium, adotado por Skype, WordPress e New York Times, e que foi adotado para edição pelo OpendEdition com a disponibilização do texto em HTML para aumentar a visibilidade e também em PDF e Epub para vender, resultando no modelo Freemium. Em seguida, foram apresentados os serviços Premium para leitores, que são PDF e Epub, número ilimitado de alertas, número ilimitado de alertas personalizados e acesso a longo prazo, e também para bibliotecários: documentação, formação e assistência, estatísticas, webservices e branding. No que se refere aos canais de distribuição, Pellen apresentou, dentre outros, a própria assinatura dos serviços Freemium pela biblioteca universitária, buscadores especializados e agregadores especializados. Das receitas recebidas, 34% são destinadas para a melhoria da plataforma e 66% são distribuídas para os custos de editoração (revistas e editores). Em 2014, 110 revistas estão no Freemium e 68 bibliotecas possuem assinatura. Por fim, a conferencista concluiu expondo a importância dos governos apoiarem a criação de leis para o acesso aberto, já que há muito a ser feito.

Após o coffee break, foi realizada a mesa redonda “Acesso e gestão da informação em instituições superiores de ensino e pesquisa”, que contou com a participação da bibliotecária Rosaly Favero Krzyzanowski (Fapesp) e da Profª Drª Maria Aparecida Moura (UFMG). Também participaria o Profº Drº Hélio Kuramoto, mas que não infelizmente não pôde participar por motivos de saúde.

Rosaly apresentou a biblioteca virtual da Fapesp, mostrando suas funcionalidades e recursos de busca disponíveis, bem como a integração com outros sistemas de informação em ciência e tecnologia. Nesse contexto, iniciou expondo a criação da Política Nacional de Memória da Ciência e Tecnologia em 2003, que prevê o acesso à informação por universidades, instituições de fomento e órgãos congêneres. No que se refere à divulgação realizada pela Fapesp, ela utiliza os seguintes canais: Agência Fapesp, Fapesp na mídia, Linha do tempo, BV-CDI e Revista Pesquisa Fapesp. A biblioteca virtual da Fapesp é um sistema referencial de acesso aberto dos auxílios e bolsas para conhecimento da comunidade dos projetos de pesquisa financiados pela agência. É interessante ressaltar que os dados da biblioteca são importados dos sistemas administrativos da Fapesp e possui 196 mil registro desde 1992.

A biblioteca também possui páginas de valor agregado, como a página do pesquisador, página de assunto, mapas e gráficos, assim como interação/compartilhamento com outros sistemas: bibliotecas digitais, repositórios, Lattes, Web of Science, ResearcherID, Google e Google Acadêmico. Por fim, apontou que as expectativas são, dentre outras, estabelecer um modelo para outros Estados e ampliar a cooperação com as instituições de ensino superior de São Paulo. Encerrando sua fala, considerou que os repositórios, bibliotecas virtuais e demais ambientes de informação digitais atuam na divulgação e preservação dos documentos e apontou que os resultados positivos são o estímulo ao compartilhamento e cooperação entre instituições, bem como a oferta de grandes benefícios ao ensino e à pesquisa.

Em seguida, a Profª Drª Maria Aparecida Moura apresentou a palestra “Ética, autodeterminação informativa e direito ao esquecimento digital”, apresentando diversos conceitos e reflexões que levam à pensar sobre o comportamento frente à informação. A palestrante considera que a digitalização aumentou os estoque de informação e, com isso, as questões éticas relacionadas ao seu uso. Neste contexto, os sujeito são documentos no ambiente digital, já que deixam “pegadas” de sua vida pessoal e profissional espalhadas pela web. Além disso, a interoperabilidade semântica amplia e provê inteligibilidade para informações anteriormente tidas como triviais.

Três conceitos diferente apresentados foram o arquivo panóptico, a hiper-visibilidade dos sujeitos que, embora saibam que estão sendo vigiados, não sabem de onde vêm a vigilância, holoptismo, o usuário que interage e produz informação, e extimidade, que é a necessidade de exposição apresentada pelas pessoas. A autodeterminação informativa, por sua vez, trata do auto-controle pessoal na divulgação de informações pessoais e profissionais. O direito ao esquecimento digital foi exemplificado com o caso de um espanhol que conseguiu na Justiça a remoção de seu nome no Google e outras fontes após ter liquidado uma dívida com a previdência, pois mesmo após a liquidação, seu nome aparecia vinculado à ela, fato que leva à necessária avaliação do equilíbrio entre interesse privado e público.

Nesse contexto, foi levantada a questão de como ficará o acesso à memória e história da sociedade mediada pelos dispositivos digitais no futuro por arquivistas, historiadores, jornalistas, bibliotecários e demais profissionais que trabalham com a informação. No que tange à atividade científica e ética, Moura apresentou aluns princípios, como o de que o pesquisador deve obter conhecimento sobre as questões éticas, bem como sobre más condutas: fabricação de dados, falsificação de dados, plágio e autoplágio. Por fim, a professora apontou alguns desafios, como o de olhar não só a fonte de informação, mas enxergar os panorama geral sobre seu uso ético na pesquisa.

Ainda no período da manhã, foi possível visitar o estande da JoVE, uma empresa que publicou a primeira vídeo-revista científica revisada por pares do mundo, que está há 11 meses no Brasil e já fechou contrato com universidades brasileiras, assim como o da Elsevier, que está oferecendo treinamentos no módulo EEB do Aleph e uma apresentação dos novos recursos da versão 22 do software. A tarde, Marcos Luis Mori, da BVS, apresentou diferentes e possíveis perfis de atuação do bibliotecário (autoaprendizado, conhecimento de tecnologia, abordagem de analista de negócios, abordagem de arquiteto de informação e conhecimento de desenvolvimento de gestão de projetos de desenvolvimento web), além de metodologias de trabalho (metodologia ágil, PDCA), plataformas de MOOCs (Coursera, Veduca), recursos de finding answers (fóruns, listas de discussão, FAQ, manual, amigos, código fonte, dentre outros) e tecnologias (RFID).

A tarde, ao por a conversa em dia com vários colegas, não sobrou muito tempo para a apresentação de trabalhos, mas foi possível acompanhar os seguintes:

Criação de um formulário eletrônico para busca automática no Catálogo Coletivo Nacional (CCN) Fabiano Domingues Malheiro, Cláudia Denise Dias Zibetti, Alessandro Moreno Baladón – Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

O formulário apresentado importa registros do CCN e basta que o usuário digite o ISSN do periódico para carregar automaticamente o ano, volume e número do documento. Ao solicitar se quer ser atendido por Comut ou Ariel, ele apenas preenche com o título, autor e páginas. A ideia também foi apresentada hoje cedo por Fabiano Domingues Malheiro na reunião do IBICT e será discutida pelas comissões de trabalho do CCN, sendo que ele já faz parte de uma delas.

O planejamento em bibliotecas universitárias: revisando conceitos para mudar concepções e práticas Raimunda Ramos Marinho, Djalda Maracira Castelo Branco Muniz – Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

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