Quantos IDs sou? E se sou, quantos sou?

O título deste post é um trocadilho com o título do livro de filosofia “Quem sou eu? E se sou, quantos sou?”, que estou lendo e indico. Os IDs são identificadores persistentes e únicos, que foi tema de um evento realizado hoje pelo Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo realizou (SIBi/USP): “Workshop ORCID USP: Autoridade e Integração de Dados” no período da manhã.

A primeira apresentação, intitulada Autoridade e Integração em Comunicação Digital: ORCID, foi proferida por Lilian Pessoa, Diretora Regional do ORCID, América Latina. Foi apresentado o ORCID e sua importância como forma de garantir o crédito do trabalho do pesquisador, pois só o nome hoje não é mais suficiente devido ao problema da ambiguidade. E é justamente esse o propósito do ORCID: fornecer um identificador único e permanente que distingue pesquisadores. Ele é composto de 16 dígitos, trabalha com integrações de sistemas (ResearcherID, Scopus Author Profile, Altmetrics, dentre outros) e funciona como um hub, conectando pesquisadores e instituições, que também podem ter seu próprio ORCID.

Atualmente, ele está sendo incorporado em artigos científicos, e alguns dos motores de busca aos quais está vinculado são o CrossRef, Scopus e ResearcherID. Além disso, conecta variações dos nomes dos pesquisadores e das instituições, outros IDs, filiações, trabalhos publicados e financiamentos, assim como disponibiliza links para obras existentes na Web of Science, Scopus e PubMed Central.

Na sequência, Danilo Collalto, Gerente de Contas – Intellectual Property & Science – Thomson Reuters, apresentou o ResearcherID, que é o identificador da referida empresa. Totalmente integrado ao Web of Science e de alimentação manual, permite trabalhar os dados provenientes dessa base de dados gerando os mesmos gráficos da base. Além disso, permite incluir os artigos indexados na Web of Science, armazenados no EndNote, o gerenciador de referências da Thomson Reuters, e arquivos no formato RIS. O ResearcherID possui uma ferramenta chamada Badge, que aumenta a interação com outros pesquisadores, e permite realizar a busca por palavras-chave, países/territórios e visualmente pelo World Map. Além disso, no momento do cadastro disponibiliza um link para sincronizar com o ORCID.

A apresentação seguinte foi de Ana Herédia, Gerente de Soluções em Pesquisa, Elsevier, sobre o Scopus ID. Ana esclareceu que atualmente o Scopus possui integração com o ORCID e outras ferramentas (Scopus Author ID), EES (Elsevier Editorial System) e Pure (organizações vinculam ORCID ao Pure). Além disso, por ser uma base de dados que permite diversas análises bibliométricas, o Scopus possui um perfil para autores, o Scopus Author Profiles. Esse perfil é criado automaticamente por algoritmos da base e podem ser atualizados e corrigidos manualmente, são de fácil integraçãao (RSS e APIs do Scopus) e interoperáveis (ORCID e Sistema CRIS). Caso o autor detecte algum documento que não aparece em seu perfil, ou verifique alguma informação incorreta, ele pode solicitar um ajuste de perfil via formulário disponível no próprio Scopus. Em relação à garantia de qualidade do perfil, o Scopus utiliza os conceitos de precisão e recall para isso.

A última apresentação de de Lilian Pessoa: Passo a passo da integração com sistemas de identificação. Ela fez uma demonstração prática de como integrar o ORCID com as ferramentas já citadas, apresentando mais detalhes do próprio ORCID. Ele contempla variações de nome, palavras-chave, sites, e-mails e outros IDs do pesquisador, da mesma forma que as informações do perfil apresentam a fonte de onde foram retiradas. Por exemplo, se um artigo for retirado do repositório institucional da organização à qual o autor é filiado, essa informação irá constar logo abaixo da referência. Vale destacar que o ORCID tem duas funcionalidades interessantes: “organizações confiáveis” e “indivíduos confiáveis”. Enquanto na primeira o pesquisador indica os nomes consolidados das organizações em seu perfil, para evitar ambiguidade, na segunda ele habilitar pessoas que possam alimentar seu perfil. O ORCID também possui configurações de privacidade tanto para o perfil como para as informações, possibilitando definir a visibilidade das mesmas, por exemplo, pública ou privada. Outro destaque é no momento de adicionar trabalhos no perfil. Como se trata de uma ferramenta integradora e interoperável, é possível recuperar os trabalhos de várias fontes citadas dentro do próprio ORCID. Questionada sobre a veracidade das informações fornecidas, Lilian comentou que não é feito nenhum controle sobre isso, pois foge do propósito do ORCID, e o que vale é a confiança e boa-fé do pesquisador no fornecimento das mesmas. Além disso, comentou que não há automatização do cadastro, pois o ORCID incentiva a participação da comunidade científica na alimentação de metadados descritivos para atualização dos registros individuais, já que não disponibiliza o texto completo, a não ser que tenha o link que remeta para o mesmo.

Esses são alguns dos identificadores para autores mais conhecidos, mas me pergunto: até que ponto eles são vantajosos? Não se pode negar que só o fato de resolver (ou, pelo menos, minimizar) o problema da ambiguidade do nome dos pesquisadores e das instituições facilita, e muito, para a recuperação da informação, mas por outro, no caso do ORCID, no momento da importação dos dados, é necessário que o autor tenha perfil no Scopus, ResearcherID… muito bem organizados! Porque se assim não for, a bola de neve de falta de despadronização pode só autmentar… ou, quiçá, piorar… De qualquer modo, as bibliotecas das instituições devem apoiar os pesquisadores a criarem seus perfis, oferecerem treinamento sobre essas ferramentas e, sobretudo, fornecer acompanhamento e receber feedback para que possam aprimorar cada vez mais as informações veiculadas nos perfis contribuindo, assim, para aumentar a visibilidade das publicações e da própria instituição.

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4 Comentários

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4 Respostas para “Quantos IDs sou? E se sou, quantos sou?

  1. Eduardo, excelente post e colaboração às comunidades acadêmicas e científicas. Após 2 anos trabalhando em uma universidade, constatei que muitos profissionais da informação sequer sabem o que são identificadores persistentes. Já os pesquisadores, acabam conhecendo um ou outro recurso por necessidade. Sobre a ORCID, é uma boa iniciativa que pode sim ser aprimorada enquanto aplicação, mas como você mesmo disse, possui duas funcionalidades importantes e extremamente necessárias no âmbito da produção intelectual e científica, que são, organizações e indivíduos confiáveis. Que este modelo traga outros tão bons quanto ou melhores e que mais informações como estas se disseminem. Abraços

    • Olá, Vania!

      Realmente esse assunto ainda é pouco discutido e merece mais discussões. Acredito que à medida que forem mais divulgados e solicitados por agências de fomento, periódicos e outros, tenderão a crescer e, para isso, as bibliotecas deverão se preparar para oferecer o suporte necessário para o uso dos identificadores.

      Obrigado pela visita!
      Eduardo.

  2. Milton Shintaku

    Ola Eduardo, O IBICT tem procurado apoiar e torna-se parceiro do ORCID, da mesma forma que faz com o DOI, Muito bom! Abraços

    • Olá, Milton!

      Que bom saber dessa notícia! A Lilian também comentou que há interesse da equipe gestora do Currículo Lattes em integrá-lo ao ORCID. Espero que essa parceria e a do IBICT se concretizem, o que irá beneficiar a comunidade científica brasileira.

      Obrigado pela visita!
      Eduardo.

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