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Retrospectiva da década 2010-2019 na Biblioteconomia

Todas as retrospectivas que acompanhei esses dias relatam a sensação de se ter vivido muito mais que dez anos no período 2010-2019. Sem dúvida, houve grandes eventos e acontecimentos em diversas áreas. E na Biblioteconomia não foi diferente.

Esta retrospectiva contou com a participação de Pedro Andretta, Ronaldo F. Araújo e Bruna Lessa, a quem agradeço pelos sugestões enviadas no Twitter.

Em 2010, tivemos no Brasil a promulgação da Lei da Universalização das Bibliotecas Escolares (Lei n. 12.244), mas infelizmente poucos avanços ocorreram. O prazo para todas as escolas terem uma biblioteca com acervo mínimo de um título para cada aluno matriculado e um bibliotecário por colégio foi até prorrogado para 2024.

Faleceram personalidades importantes para a área, como Carminda Nogueira de Castro Ferreira em 2010 e Aldo de Albuquerque Barreto em 2018.

A Editora Briquet de Lemos encerrou suas atividades depois de 24 anos de funcionamento.

Depois de longas discussões, o curso de Biblioteconomia à distância foi lançado pela CAPES em 2018. Até o momento apenas instituições privadas oferecem o curso, apesar de onze instituições públicas já terem sido aprovadas para oferecê-lo desde 2018.

As seguintes normas da ABNT foram atualizadas:

ABNT NBR 5892:2019
Informação e documentação — Representação e formatos de tempo — Datas e horas — Apresentação


ABNT NBR ISO 23081-1:2019
Informação e documentação – Processos de gestão de documentos de arquivo – Metadados para documentos de arquivo
Parte 1: Princípios

ABNT NBR 6023:2018
Informação e documentação – Referências – Elaboração

ABNT NBR ISO 18829:2018
Gerenciamento de documentos – Avaliação das implementações de GCC/GEDDA – Confiabilidade

ABNT NBR ISO 15489-1:2018
Informação e documentação – Gestão de documentos de arquivo
Parte 1: Conceitos e princípios

ABNT NBR 6022:2018
Informação e documentação – Artigo em publicação periódica técnica e/ou científica – Apresentação

ABNT NBR ISO 30302:2017
Informação e documentação – Sistema de gestão de documentos de arquivo – Diretrizes para implementação

ABNT NBR ISO 30300:2016
Informação e documentação — Sistema de gestão de documentos de arquivo — Fundamentos e vocabulário

ABNT NBR ISO 30301:2016
Informação e documentação – Sistemas de gestão de documentos de arquivo – Requisitos

ABNT NBR 6021:2015 Errata 1:2016
Informação e documentação — Publicação periódica técnica e/ou científica — Apresentação

ABNT NBR 6021:2015 Versão Corrigida:2016
Informação e documentação — Publicação periódica técnica e/ou científica — Apresentação

ABNT NBR 10719:2011 Emenda 1:2015
Informação e documentação – Relatório técnico e/ou científico – Apresentação

ABNT NBR 10719:2015
Informação e documentação – Relatório técnico e/ou científico – Apresentação

ABNT NBR 6027:2012
Informação e documentação — Sumário — Apresentação

ABNT NBR 6024:2012
Informação e documentação — Numeração progressiva das seções de um documento — Apresentação

ABNT NBR 14724:2011
Informação e documentação – Trabalhos acadêmicos – Apresentação

ABNT NBR 15287:2011
Informação e documentação — Projeto de pesquisa — Apresentação

A legislações do Marco Civil da Internet e da Lei de Proteção de Dados Pessoais, criadas nesta década, podem impactar diretamente as atividades de coleta, armazenamento e acesso de informação nas bibliotecas, haja vista que o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) é a principal forma de acesso à informação atualmente.

O acesso aberto se consolidou com o Plano S da União Europeia em 2018. Da mesma forma, os periódicos científicos abertos, repositórios institucionais e os dados de pesquisa também se destacaram com força nos últimos dez anos.

No início de 2019 o Ministério da Cultura foi transformado em Secretaria Especial da Cultura. Inicialmente foi alocada no Ministério da Cidadania e recentemente foi transferida para o Ministério do Turismo. Em dezembro de 2019, a presidência da Fundação Biblioteca Nacional foi assumida por Rafael Nogueira e o serviço do ISBN foi transferido para a Câmara Brasileira do Livro (CBL), que será a nova responsável pela sua emissão a partir de março de 2020.

Também enviaram contribuições Jorge do Prado e Ana:

20ª ed. do ENANCIB

28ª ed. do CBBD

1º Encontro sobre RDA no Brasil

Oodi Library eleita como melhor biblioteca pública do mundo

Discussões sobre as futuras alterações no Qualis

Lançamento do 1º podcast brasileiro de CI

Aprovação de PL sobre proteção de pessoas que trabalham em bibliotecas, museus, arquivos

1º Fórum de Bibliotecas Prisionais

60 anos da FEBAB

25 anos do Manifesto da IFLA sobre Bibliotecas Públicas

65 anos do CBBD

Lançamento da frente parlamentar mista do livro, da leitura e da escrita

Bibliotecas podem ajudar na implementação das metas de desenvolvimento sustentável na Europa (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU), incluindo o combate às fake news

Se você lembrar de mais algum fato, deixe um comentário aqui, no Facebook ou no Twitter!

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Grandes acontecimentos da década 2010-2019 na Biblioteconomia

Ao final da década, o Mundo Bibliotecário lança a enquete sobre os “Grandes acontecimentos da década 2010-2019 na Biblioteconomia”. São válidos tanto fatos nacionais como internacionais.

Participe deixando seu comentário neste post, no Facebook ou no Twitter!

As respostas serão recebidas até o dia 30 de dezembro e publicadas no dia 31.

Grandes acontecimentos Biblioteconomia

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Feliz Dia do Bibliotecário!

Dia do Bibliotecário

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12 março 2019 · 7:31 am

Reflexões sobre livros

Por João Cristofolini

Escrevi esse texto no grupo do ResumoCast recentemente e compartilho agora com todos vocês.

Algumas reflexões minhas sobre livros: (se preferir, pode ouvir o áudio desse texto aqui).

– O melhor livro que li pode não ser o melhor para você:
Cuidado em querer buscar sempre qual o melhor livro ou indicação de terceiros, isso é importante, mas não se limite a isso. Muitas vezes li algum livro por indicação que para a pessoa foi o melhor livro da vida dela e teve pouca ou nenhuma relevância para minha realidade. Assim como o contrário, o que me marcou pode não ser relevante para você.
Sabe por quê? Cada pessoa está em um momento, circunstâncias, realidade diferente. Cuidado com rótulos de terceiros.

– Não foque apenas nos best-sellers:
Best-seller significa que o livro já vendeu alguns milhares de exemplares, o que significa que algumas milhares de pessoas já o leram, o que significa que a informação contida virou commodity. Quando todo mundo le a mesma informação, essa informação já virou commodity e a sua função é sempre buscar o desvio.
Não estou dizendo que você não deva ler best-seller, eu também leio alguns deles, mas não se limite a isso. O que será o seu grande diferencial, o seu desvio, não está em um best-seller, está em um conteúdo que você foi capaz de encontrar.

– Não foque apenas em livros de negócios:
Sim, promovemos livros de negócios, eu leio livros de negócios, mas novamente, não se limite a isso. A vida não é só negócios, busque conhecimentos clássicos, filosofia, autoconhecimento, espiritualidade, saúde e qualquer outro gênero que goste, talvez um hobby seu. As grandes ideias e conexões surgem de conteúdos e áreas diferentes, lembre sempre disso.

– Não foque apenas em um único autor ou referência:
O mesmo vale para quem cria rótulo de guru ou passa a consumir apenas conteúdo de um único autor ou referência. Extraia o máximo de aprendizado de uma referência e alterne entre outras, todos tem algo a ensinar. É importante você mudar completamente a opinião e ponto de vista sobre um assunto com referências, fontes e autores completamente diferentes, de áreas e perfis.

– Cuidado com a sensação de sempre precisar consumir mais e mais informação:
Essa talvez seja uma das mais comuns nos dias de hoje. Parece que estão todos correndo contra o tempo em uma competição frenética de quem le (sic) mais livros, como se quantidade de informação que você adquire ou de livros que leu no ano fosse a única ou maior variável em sua vida. Informação que não é colocada em prática não tem valor nenhum.

– Priorize sempre que possível a fonte verdadeira:
Grandes obras e clássicos da literatura foram produzidos ha décadas ou séculos. Os maiores pensadores não surgiram nesse século. De novo, não se limite ao que está na moda, o clássico sempre terá seu valor.

– Não acredite em tudo o que le (sic):
Nem no que estou escrevendo, o seu objetivo deve ser aprender a questionar. A maior prova se um conteúdo de fato tem relevância é testando e colocando em prática. Questione tudo, teste, aplique e tire suas próprias conclusões.

– Reserve tempo para ler a sua mente, ficar em silêncio:
Os maiores ensinamentos estão dentro de você e não fora.
Tão importante quanto colocar informação é o tempo que você reserva para silenciar sua mente, para meditar, para refletir, para não pensar em nada, para ficar no ócio criativo. A verdadeira sabedoria está dentro e não fora. Muitas vezes procuramos fora o que está tão próximo de nós.

Disponível em: <http://joaocristofolini.com.br/blog/reflexoes-sobre-livros/>. Acesso em: 18 nov. 2016.

 

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O livro não nasce livro, torna-se livro

O título deste post é uma paráfrase da frase de Simone de Beauvoir que tornou-se popular no ano passado por ter sido objeto de uma questão do ENEM. A inspiração para o texto, no entanto, veio do artigo “The Philosophy of Language and Knowledge Organization in the 1930s: Pragmatics of Wittgenstein and Ranganathan”, de Gustavo Silva Saldanha, pesquisador do IBICT e professor da UNIRIO.

Especialmente o tópico “5.0 The books are not for use; the books are the use itself: Ranganathan and Wittgenstein, language
and knowledge in 1930s” chamou a atenção pelo fato de levantar um conceito interessante relacionado com a Segunda Lei de Ranganathan, que até então desconhecia: digvijaya. A Segunda Lei, “Para cada leitor seu livro” (ou qualquer outra variação similar que seja detectada em outros escritos), é apresentada por Ranganathan como uma espécie de advocacy proposta nos dias atuais. Ela também traz consigo a noção de uso. Sob o ponto de vista do bibliotecário indiano, essa noção está fortemente relacionada à Primeira Lei “Os livros são escritos para serem lidos”, pois considera que o conteúdo de um livro só pode ser explorado e seus significados são elaborados a partir do momento em que é usado.

Por isso, essa ideia do Ranganathan inspirou o título deste pequeno texto. É interessante pensar em dois aspectos:

1) a defesa pelas bibliotecas é muito mais antiga do que supõe o conceito de advocacy. Já vem desde os tempos de Ranganathan que revolucionou o pensamento biblioteconômico ao propor suas cinco leis:

  1. Os livros são escritos para serem lidos
  2. Todo leitor tem seu livro
  3. Todo livro tem seu leitor
  4. Poupe o tempo do leitor
  5. Uma biblioteca é um organismo em crescimento

2) o encontro da informação com seu leitor realmente é interessante, pois é quando há um (re)processamento, uma (re)significação do conteúdo pelo leitor, de forma que novas informações sejam criadas a partir das experiências prévias do leitor, alimentando, assim, o ciclo da informação.

 

REFERÊNCIAS
SALDANHA, G. S. The Philosophy of Language and Knowledge Organization in the 1930s: Pragmatics of Wittgenstein and Ranganathan. Knowledge Organization, v. 41, n. 4, p. 296-303, 2014.

RANGANATHAN, S. R. As Cinco leis da Biblioteconomia. Brasília: Briquet de Lemos, 2009.

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Os 10 mitos da informação (10)

10. People make easy, conflict-free connections between external information and their internal reality. We tend to assume an ordered universe, in which connections exist between the internal and external. In our research, we tend to ask “what” and “how” rather than “why”. We ask what people read or view, rather than why they do so. We lack understanding about how people inform themselves, how they make connections over time, the sense they make of their world between significant events. Dervin said that instead of studying what “information does… for people” we need to focus on “what people do to information” (p. 333).

O décimo e último mito apresenta uma abordagem muito interessante sobre a informação que é o “que” e “como” as pessoas a utilizam, ao invés de “por que”. Na realidade, como o próprio texto do mito diz, essa relação é muito mais complexa do que aparenta, já que as pessoas conectam as informações externas com sua realidade interna. Isso acontece pela tendência em se assumir uma ordem no universo a partir das conexões entre o externo e o interno.

Por isso, o foco recai sobre o “que” e como”, e não “por que” a informação é utilizada, a fim de entender como as pessoas se informam, como conectam as informações ao longo do tempo e o sentido que atribuem ao mundo entre eventos significativos. Isso melhorará a compreensão sobre o uso da informação em diferentes contextos e por diferentes pessoas, haja vista que algumas vezes até mesmo a própria pessoa que a procura não sabe exatamente o que quer, carecendo de elementos suficientes para estruturar uma questão que lhe traga a resposta desejada.

E esse mito é finalizado com a menção à Dervin de que ao invés de estudar o que “a informação faz… para as pessoas”, a atenção deve se voltar para “o que as pessoas fazem com a informação” (p. 333, tradução nossa), o que é válido, considerando-se que o significado de uma informação vai além daquele que lhe é inato, podendo ser atribuído outro significado segundo a realidade interna e externa da pessoa que a encontrou.

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Os 10 mitos da informação (9)

9. Time and space – individual situations – can be ignored in addressing information seeking and use. Yet often it is the individual’s definition of the situation that shapes his or her needs as much as the “real” situation itself. If individuals perceive a lack of predictability and control of an outcome, then they worry. The worry itself becomes a need.

O mito 9 se refere ao tempo e ao espaço. Essas variáveis devem ser lembradas no momento de busca de informação, pois são determinantes para saber se os resultados encontrados são compatíveis com a necessidade que motivou a busca. Como o texto apresenta, é a situação individual do usuário que molda suas necessidades e o faz com que busque respostas.

Qualquer que seja a motivação que desperte uma necessidade informacional, ela acontece num determinado tempo e espaço, lembrando que esses fatores também impõem limites às ferramentas disponíveis para a pesquisa de informação. Por exemplo, um motorista que teve um problema no carro e não possui seguro precisa entrar em contato com a concessionária da rodovia para resolvê-lo. Dependo do espaço, talvez não tenha uma cobertura 3G razoável para ele procurar pelo telefone da concessionária via Internet no seu smartphone, e se ele estiver no fim da tarde e não dirige a noite (tempo), seu problema toma outra dimensão e sua necessidade torna-se mais urgente.

Como o próprio texto também expõe, a falta de previsibilidade e controle de um resultado pode ser motivo de preocupação, conforme ilustrado pelo exemplo acima, e ela acaba tornando-se a própria necessidade, pois passa a ser a motivação que desperta a busca por informação.

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