O impacto da automação nas aposentadorias do serviço público

Fonte: Enap

A Escola Nacional de Administração Pública (Enap) publicou o primeiro estudo que aponta o impacto da transformação digital no serviço público brasileiro para os próximos 30 anos. Até 2030, 53,6 mil servidores públicos federais estarão aptos a se aposentar e as tecnologias podem ser aliadas na substituição do trabalho realizado atualmente pelos servidores.

Na seção Ocupações em risco da notícia que divulgou o estudo, destaca-se o seguinte trecho:

“Nessa faixa, há também algumas ocupações que já foram extintas ou terceirizadas em reformas de 2018 e 2019, como motorista, trabalhador agropecuário em geral, auxiliar de biblioteca.

O impacto da automação pode aumentar a desigualdade de gênero. Das 232 mil mulheres, 48,1 mil estão em ocupações de alta propensão à automação, ou seja, 20,7%. Para os homens, esse número é de 56,6 dos 290 mil, representando 19,5%. Ou seja, o efeito da automação é relativamente superior sobre as ocupações com maior presença feminina. Costureiras, auxiliares de escritório e de biblioteca são exemplos de ocupações com alta propensão à automação compostas por uma maioria de mulheres.” (grifo nosso)

Além disso, o  estudo também informa:

Em termos salariais, são 9,5% da massa salarial em ocupações em alta propensão. Dentre as ocupações do Ministério da Educação classificadas como em alta propensão à automação estão assistentes administrativos, auxiliares de escritório e bibliotecatrabalhadores agropecuários e motoristas de furgão ou veículos similares, além de outras 73 ocupações. (p. 14, grifo nosso)

Próximos à fronteira de automação estão os trabalhadores de escritório que considera escriturários em geral, agentes, assistentes e auxiliares administrativos, além de secretários e auxiliares de serviços de biblioteca, documentação e correios. Inclui ainda os técnicos dos serviços culturais, das comunicações e dos desportos. (p. 36, grifo nosso)

No total, 20% do total de servidores encontram-se em ocupações com elevado potencial a terem suas tarefas atribuídas à sistemas automatizados nas próximas décadas. Esse impacto é expressivo devido ao grande número de profissionais em ocupações de alta propensão à automação, como assistentes administrativos, auxiliares de escritório, de biblioteca e motoristas.  (p. 38, grifo nosso)

É incompreensível como a cultura pode ser relegada à propensa automação apresentada no estudo. Essa visão é mais uma demonstração da miopia do atual governo federal ao setor cultural e, consequentemente, às bibliotecas. Muito provavelmente o entendimento do estudo se limita à funções meramente administrativas do auxiliar de biblioteca, por isso apresenta essa profissão como uma “ocupação em risco”.

Uma consulta rápida na Classificação Brasileira de Ocupações, no entanto, mostra que o auxiliar de biblioteca desenvolve outras atividades:

Descrição Sumária

Atuam no tratamento, recuperação e disseminação da informação e executam atividades especializadas e administrativas relacionadas à rotina de unidades ou centros de documentação ou informação, quer no atendimento ao usuário, quer na administração do acervo, ou na manutenção de bancos de dados. Participam da gestão administrativa, elaboração e realização de projetos de extensão cultural. Colaboram no controle e na conservação de equipamentos. Participam de treinamentos e programas de atualização.

O Mundo Bibliotecário discorda sobre o risco de automação da profissão de auxiliar de biblioteca no serviço público federal e conclama os órgãos, associações e sindicatos de Biblioteconomia para que também se manifestem contrários ao presente estudo.

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