{"id":130,"date":"2008-10-19T12:21:55","date_gmt":"2008-10-19T15:21:55","guid":{"rendered":"http:\/\/mundobibliotecario.wordpress.com\/?p=130"},"modified":"2008-10-19T12:21:55","modified_gmt":"2008-10-19T15:21:55","slug":"um-pouco-sobre-paul-otlet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2008\/10\/19\/um-pouco-sobre-paul-otlet\/","title":{"rendered":"Um pouco sobre Paul Otlet"},"content":{"rendered":"<p><strong>Museu celebra o verdadeiro precursor da web<\/strong><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Em uma tarde enevoada de segunda-feira, a cidade medieval de Mons, na B\u00e9lgica, submersa na neblina, parece um lugar esquecido. Al\u00e9m da catedral g\u00f3tica obrigat\u00f3ria, n\u00e3o h\u00e1 muito mais que ver por aqui, se<br \/>\nexcluirmos um pequeno museu chamado Mundaneum, que fica em uma rua estreita no canto nordeste da cidade. Ele parece ser uma casa isolada o bastante para abrigar o legado de um dos pioneiros perdidos da<br \/>\ntecnologia: Paul Otlet.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Em 1934, Otlet delineou os planos iniciais para uma rede mundial de computadores (ou &#8220;telesc\u00f3pios el\u00e9tricos&#8221;, como os designava), cujo objetivo seria permitir que as pessoas vasculhassem milh\u00f5es de documentos, imagens e arquivos de som e v\u00eddeo interligados. Ele descreveu a maneira pela qual as pessoas usariam aparelhos para trocar mensagens, arquivos e at\u00e9 mesmo se unir em redes sociais online. Otlet designou a estrutura como &#8220;reseau&#8221;, literalmente rede, ou, concebivelmente, &#8220;web&#8221; teia.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Os historiadores costumam tra\u00e7ar as origens da world wide web seguindo uma linhagem de inventores anglo-americanos como Vannevar Bush, Doug Engelbart e Ted Nelson. Mas mais de meio s\u00e9culo antes que<br \/>\nTim Berners-Lee lan\u00e7asse o primeiro browser, em 1991, Otlet descreveu um mundo interconectado no qual &#8220;qualquer pessoa, de sua cadeira, poderia contemplar toda a cria\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Ainda que a proto-web de Otlet dependesse de uma colcha de retalhos de tecnologias anal\u00f3gicas como cart\u00f5es de indexa\u00e7\u00e3o e tel\u00e9grafos, ainda assim ela antecipou a estrutura baseada em hiperlinks da web<br \/>\ncontempor\u00e2nea.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">&#8220;Era como que uma vers\u00e3o steampunk do hipertexto&#8221;, disse Kevin Kelly, ex-editor da revista Wired, que est\u00e1 escrevendo um livro sobre o futuro da tecnologia.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">A vis\u00e3o de Otlet tinha por base a id\u00e9ia de uma m\u00e1quina operando em rede e integrando documentos por meio links simb\u00f3licos. Embora o conceito possa parecer evidente hoje, em 1934 representava uma grande<br \/>\ninova\u00e7\u00e3o intelectual. &#8220;O hiperlink \u00e9 uma das inven\u00e7\u00f5es mais subestimadas do s\u00e9culo passado&#8221;, disse Kelly. &#8220;Mas um dia estar\u00e1 em companhia do r\u00e1dio no pante\u00e3o das grandes inven\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Hoje, Otlet e seu trabalho est\u00e3o em larga medida esquecidos, mesmo em sua B\u00e9lgica natal. Ainda que Otlet tenha desfrutado de fama consider\u00e1vel durante a vida, seu legado caiu v\u00edtima de uma s\u00e9rie de infort\u00fanios hist\u00f3ricos &#8211; n\u00e3o o menor dos quais foi a invas\u00e3o da B\u00e9lgica pelos nazistas, que resultou na destrui\u00e7\u00e3o de grande parte daquilo em que ele trabalhou durante toda sua vida.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Mas nos \u00faltimos anos um pequeno grupo de pesquisadores come\u00e7ou a recuperar a reputa\u00e7\u00e3o de Otlet, publicando alguns de seus textos e arrecadando dinheiro para estabelecer seu museu e arquivo, em Mons.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Enquanto o museu Mundaneum se preparava para comemorar seu 10\u00b0 anivers\u00e1rio, na quinta-feira, os curadores planejavam colocar parte de sua cole\u00e7\u00e3o na web moderna. O evento ser\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 uma confirma\u00e7\u00e3o<br \/>\np\u00f3stuma das id\u00e9ias de Otlet mas representar\u00e1 uma oportunidade para que sua posi\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria da Internet seja reavaliada. O Mundaneum representa apenas uma curiosidade hist\u00f3rica, uma estrada que n\u00e3o foi percorrida? Ou a vis\u00e3o de seu criador pode ajudar a compreender a web tal qual a conhecemos hoje?<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Ainda que Otlet tenha passado toda sua vida de trabalho na era anterior aos computadores, ele tinha not\u00e1vel senso de antecipa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0s possibilidades da m\u00eddia eletr\u00f4nica. Paradoxalmente, a vis\u00e3o dele sobre um futuro sem papel nasceu de um fasc\u00ednio que durou toda sua vida pelos livros.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Otlet, nascido em 1868, s\u00f3 come\u00e7ou a freq\u00fcentar a escola aos 12 anos de idade. Sua m\u00e3e morreu quando ele tinha tr\u00eas anos; seu pai era um empres\u00e1rio de sucesso que fez fortuna vendendo bondes em todo o mundo. O pai preferiu n\u00e3o matricular Otlet na escola devido \u00e0 convic\u00e7\u00e3o de que o estudo poderia sufocar o talento natural da crian\u00e7a. Deixado em casa com seus tutores e poucos amigos, Otlet levava uma vida solit\u00e1ria e dedicada aos livros.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Quando ele por fim come\u00e7ou a estudar, sua primeira atitude foi procurar a biblioteca. &#8220;Eu me trancava na biblioteca e vasculhava o cat\u00e1logo, que para mim era miraculoso&#8221;, ele escreveu mais tarde.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Pouco depois de come\u00e7ar a estudar, ele se tornou bibliotec\u00e1rio da escola. Nos anos seguintes, Otlet jamais deixava a biblioteca. Ainda que seu pai o tenha pressionado a estudar Direito, ele logo deixou de<br \/>\nlado a advocacia e retornou ao seu amor primeiro, os livros.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Em 1895, Otlet conheceu um esp\u00edrito irm\u00e3o, Henri LaFontaine, futuro ganhador do pr\u00eamio Nobel, que se uniu a ele na cria\u00e7\u00e3o de uma bibliografia central contendo todo o conhecimento em forma de livro existente no mundo.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Mesmo em 1895, o projeto parecia indicar uma imensa arrog\u00e2ncia intelectual. Os dois homens decidiram que coligiriam dados sobre todos os livros que j\u00e1 tivessem sido publicados, bem como uma vasta cole\u00e7\u00e3o de artigos de jornal, fotografias, cartazes e todos os tipos de objetos ef\u00eameros &#8211; como panfletos &#8211; que as bibliotecas formais costumavam ignorar. Usando cart\u00f5es de \u00edndice (ent\u00e3o a mais avan\u00e7ada forma de armazenar informa\u00e7\u00f5es), eles criaram um imenso banco de dados em papel contendo mais de 12 milh\u00f5es de verbetes.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Otlet e LaFontaine conseguiram enfim convencer o governo belga a apoiar o projeto, propondo construir uma &#8220;cidade do conhecimento&#8221; que refor\u00e7aria a campanha do governo para fazer do pa\u00eds a sede da Liga das Na\u00e7\u00f5es. O governo lhes concedeu espa\u00e7o em um edif\u00edcio p\u00fablico, e Otlet expandiu suas opera\u00e7\u00f5es. Contratou mais funcion\u00e1rios, e estabeleceu um servi\u00e7o de pesquisa pago que permitia que qualquer pessoa do mundo fizesse uma pergunta por telegrama ou correio &#8211; uma esp\u00e9cie de servi\u00e7o de busca anal\u00f3gico. Surgiram perguntas vindas de todo o mundo, mais de 1,5 mil ao ano, sobre t\u00f3picos t\u00e3o diversos quanto os bumerangues e as finan\u00e7as da Bulg\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">\u00c0 medida que o Mundaneum evolu\u00eda, o volume de papel come\u00e7ou a se tornar grande demais. Otlet decidiu desenvolver id\u00e9ias para novas tecnologias que ajudassem a administrar a sobrecarga de informa\u00e7\u00f5es. Em determinado momento, ele prop\u00f4s uma esp\u00e9cie de computador de papel, com rodas e eixos, que moveria documentos pela superf\u00edcie de uma mesa. Mas ele acabou por decidir que a solu\u00e7\u00e3o definitiva tinha<br \/>\nde envolver o abandono completo do papel.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Porque n\u00e3o existiam aparelhos de armazenagem eletr\u00f4nica de dados nos anos 20, Otlet teve de invent\u00e1-los. Come\u00e7ou a escrever longamente sobre a possibilidade da armazenagem eletr\u00f4nica de dados, o que culminou em um livro lan\u00e7ado em 1934, Monde, no qual ele expunha sua vis\u00e3o sobre um &#8220;c\u00e9rebro mec\u00e2nico coletivo&#8221; que abrigaria todas as informa\u00e7\u00f5es do mundo, a qual estaria facilmente dispon\u00edvel por interm\u00e9dio de uma rede mundial de telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Tragicamente, no momento em que a vis\u00e3o de Otlet come\u00e7ava a se cristalizar, o Mundaneum come\u00e7ou a enfrentar dificuldades financeiras. Em 1934, o governo belga perdeu o interesse pelo projeto, quando a Liga das Na\u00e7\u00f5es escolheu a Su\u00ed\u00e7a como sede. Otlet transferiu sua empreitada a um espa\u00e7o menor, e devido \u00e0s dificuldades financeiras teve de fech\u00e1-la ao p\u00fablico.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Alguns funcion\u00e1rios continuaram trabalhando no projeto, mas o sonho acabou quando os nazistas invadiram a B\u00e9lgica, em 1940. Os alem\u00e3es removeram todo o conte\u00fado do local original do Mundaneum para abrir espa\u00e7o a uma exposi\u00e7\u00e3o sobre a arte do Terceiro Reich, e destru\u00edram milhares de caixas com os cart\u00f5es de \u00edndice. Otlet morreu em 1944, um homem derrotado e que n\u00e3o demoraria a ser esquecido.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Depois de sua morte, o que sobreviveu do Mundaneum original foi abandonado no velho edif\u00edcio do departamento de anatomia na Universidade Livre de Parc Leopold, at\u00e9 1968, quando um jovem estudante de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o chamado W. Boyd Rayward encontrou informa\u00e7\u00f5es sobre a vida de Otlet. Depois de ler alguns dos trabalhos do inventor, ele visitou o escrit\u00f3rio abandonado do projeto, em Bruxelas, onde descobriu uma sala com jeito de mausol\u00e9u, lotada de livros e montes de pap\u00e9is cobertos por teias de aranha.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Rayward ajudou a promover uma retomada do interesse pelo trabalho de Otlet, um momento que terminou por gerar interesse suficiente para resultar no museu Mundaneum, em Mons.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Hoje, o novo Mundaneum apresenta tra\u00e7os instigantes da web que poderia ter surgido. Longas fileiras de gavetas est\u00e3o ocupadas por milh\u00f5es dos cart\u00f5es de \u00edndice criados por Otlet, e mostram o caminho para um arquivo repleto de livros, cartazes, fotos, recortes de jornal e todo tipo de artefato. Uma equipe de arquivistas trabalhando em tempo integral conseguiu at\u00e9 o momento catalogar menos de 10% da cole\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">A imensid\u00e3o do arquivo revela tanto as possibilidades quanto as limita\u00e7\u00f5es da vis\u00e3o de Otlet tal qual ele a concebeu. O inventor imaginava uma s\u00e9rie de arquivistas profissionais analisando todas as informa\u00e7\u00f5es que chegassem e catalogando-as, uma filosofia que contraria a hierarquia da web moderna, onde tudo funciona de baixo para cima.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">&#8220;Creio que Otlet teria se sentido perdido diante da Internet&#8221;, diz Fran\u00e7ois L\u00e9vie, sua bi\u00f3grafa. Mesmo com um pequeno ex\u00e9rcito de bibliotec\u00e1rios profissionais, o Mundaneum original jamais teria acomodado o imenso volume de informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel hoje na web. &#8220;N\u00e3o creio que o projeto dele pudesse crescer&#8221;, diz Rayward. &#8220;Nem mesmo em escala suficiente para atender \u00e0 demanda do mundo de papel em que ele vivia&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Apesar dessas limita\u00e7\u00f5es, a vers\u00e3o do hipertexto proposta por Otlet tinha vantagens importante sobre a web atual. Enquanto os links atuais da web servem como uma esp\u00e9cie de conex\u00e3o muda entre documentos, Otlet imaginava conex\u00f5es que portariam significado, por exemplo na forma de anota\u00e7\u00f5es que informariam se determinados documentos concordavam ou discordavam. Essa facilidade falta notoriamente aos hiperlinks modernos.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Otlet tamb\u00e9m antecipou as possibilidades das redes sociais, de permitir que os usu\u00e1rios &#8220;participem, aplaudam, ovacionem, cantem em coro&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Embora ele muito provavelmente devesse terminar perplexo diante do ambiente do Facebook e do MySpace, Otlet anteviu alguns dos aspectos mais produtivos das redes sociais &#8211; a capacidade de trocar mensagens,<br \/>\nparticipar de discuss\u00f5es e trabalhar em un\u00edssono para a coleta e organiza\u00e7\u00e3o de documentos.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Alguns estudiosos acreditam que Otlet tenha antecipado algo como a web sem\u00e2ntica, a estrutura emergente de computa\u00e7\u00e3o baseada em assunto, que vem ganhando \u00edmpeto entre cientistas do ramo como Berners-Lee. Como a web sem\u00e2ntica, o Mundaneum aspirava n\u00e3o somente a criar links est\u00e1ticos entre documentos mas a mapear rela\u00e7\u00f5es conceituais entre fatos e id\u00e9ias. &#8220;A web sem\u00e2ntica tem algo de Otlet&#8221;, diz Michael Buckland, professor da Escola de Informa\u00e7\u00e3o na Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Os curadores do atual Mundaneum esperam que o museu evite o destino de seu predecessor. Ainda que ele venha conseguindo garantir verbas, n\u00e3o atrai tantos visitantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">&#8220;O problema \u00e9 que pouca gente conhece a gl\u00f3ria do Mundaneum, diz St\u00e9phanie Manfroid, a diretora de arquivos da institui\u00e7\u00e3o. &#8220;As pessoas n\u00e3o se entusiasmam ao ver um arquivo&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height:14.25pt;text-align:justify;\"><span style=\"font-size:10pt;color:#000000;font-family:'Lucida Sans Unicode',sans-serif;\">Tentando ampliar seu apelo, o museu organiza exposi\u00e7\u00f5es regulares de cartazes, fotografias e arte contempor\u00e2nea. Mas embora apenas alguns turistas aparecem para visitar o pequeno museu em Mons, a cidade pode em breve encontrar seu espa\u00e7o no mapa da hist\u00f3ria tecnol\u00f3gica. Este ano, um novo morador planeja abrir um centro de dados bem perto da cidade. Seu nome \u00e9 Google.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/tecnologia.terra.com.br\/interna\/0,,OI2961494-EI4802,00-Museu+celebra+o+verdadeiro+precusor+da+web.html\">http:\/\/tecnologia.terra.com.br\/interna\/0,,OI2961494-EI4802,00-Museu+celebra+o+verdadeiro+precusor+da+web.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Museu celebra o verdadeiro precursor da web Em uma tarde enevoada de segunda-feira, a cidade medieval de Mons, na B\u00e9lgica, submersa na neblina, parece um lugar esquecido. Al\u00e9m da catedral g\u00f3tica obrigat\u00f3ria, n\u00e3o h\u00e1 muito mais que ver por aqui, se excluirmos um pequeno museu chamado Mundaneum, que fica em uma rua estreita no canto &#8230; <a title=\"Um pouco sobre Paul Otlet\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2008\/10\/19\/um-pouco-sobre-paul-otlet\/\" aria-label=\"Read more about Um pouco sobre Paul Otlet\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_jetpack_newsletter_access":"","footnotes":""},"categories":[60],"tags":[83,84,86,87],"class_list":["post-130","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-mundaneum","tag-museu","tag-paul-otlet","tag-web"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":9600,"url":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2021\/11\/05\/museus-sem-sair-de-casa-veja-como-visitar-exposicoes-no-brasil-e-em-outros-paises\/","url_meta":{"origin":130,"position":0},"title":"Museus sem sair de casa: veja como &#8216;visitar&#8217; exposi\u00e7\u00f5es no Brasil e em outros pa\u00edses","author":"mundobibliotecario","date":"05\/11\/2021","format":false,"excerpt":"Visita\u00e7\u00e3o virtual a museus e galerias p\u00fabicas s\u00e3o op\u00e7\u00f5es para se divertir em casa. 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Av. 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Com nove itens e dez subitens, o texto elaborado pelos participantes do 1\u00ba Semin\u00e1rio Nacional de Museus e Centros de Mem\u00f3ria do Judici\u00e1rio ser\u00e1 apresentado \u00e0s Presid\u00eancias\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Not\u00edcias&quot;","block_context":{"text":"Not\u00edcias","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/category\/noticias\/"},"img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":4998,"url":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2018\/09\/02\/pais-sem-museu-e-pais-sem-memoria\/","url_meta":{"origin":130,"position":5},"title":"Pa\u00eds sem museu \u00e9 pa\u00eds sem mem\u00f3ria","author":"mundobibliotecario","date":"02\/09\/2018","format":false,"excerpt":"Lamentavelmente o Museu Nacional junta-se ao Museu da L\u00edngua Portuguesa em uma destrui\u00e7\u00e3o causada por inc\u00eandio na noite de 2 de setembro de 2018, cujas causas ainda n\u00e3o foram identificadas. \u00c9 tarde demais para apontar este ou aquele culpado. \u00c9 tarde demais para pensar nas causas. 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