{"id":1608,"date":"2010-12-08T08:10:27","date_gmt":"2010-12-08T11:10:27","guid":{"rendered":"http:\/\/mundobibliotecario.wordpress.com\/?p=1608"},"modified":"2010-12-08T08:10:27","modified_gmt":"2010-12-08T11:10:27","slug":"a-genese-do-significado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2010\/12\/08\/a-genese-do-significado\/","title":{"rendered":"A G\u00eanese do significado"},"content":{"rendered":"<p>A mente \u00e9 capaz de interpretar o significado de informa\u00e7\u00f5es que recebe, ao contr\u00e1rio da m\u00e1quina, que processa informa\u00e7\u00f5es segundo regras pr\u00e9-programadas. A Ci\u00eancia busca respostas sobre como se d\u00e1 o v\u00ednculo entre informa\u00e7\u00e3o e significado<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"745\">\n<tbody>\n<tr>\n<td height=\"30\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"3\" width=\"100\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/filosofiacienciaevida.uol.com.br\/ESFI\/Edicoes\/53\/imagens\/i239044.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"174\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Diego Zilio \u00e9 Mestre em Filosofia da Mente, Epistemologia e L\u00f3gica pela Unesp de Mar\u00edlia e Doutorando em Psicologia Experimental pela USP.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/filosofiacienciaevida.uol.com.br\/ESFI\/Edicoes\/53\/imagens\/i239046.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"163\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Maria Gonzalez \u00e9 professora do Departamento de Filosofia da Unesp de Mar\u00edlia, doutora em Filosofia da Mente e Ci\u00eancia Cognitiva pela Universidade de Essex, UK.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Ouvimos constantemente a express\u00e3o &#8220;vivemos na era da informa\u00e7\u00e3o&#8221;. A informa\u00e7\u00e3o se espalha por jornais, r\u00e1dio, televis\u00e3o, telefone, Internet, entre tantos outros meios de transmiss\u00e3o, invadindo nossas vidas, algumas vezes de modo sub-rept\u00edcio, por meio de c\u00e2meras, celulares, computadores e outras parafern\u00e1lias tecnol\u00f3gicas. Contudo, ainda n\u00e3o sabemos exatamente o que vem a ser a informa\u00e7\u00e3o &#8211; sentimos a sua influ\u00eancia imediata em nossas a\u00e7\u00f5es, mas quando tentamos compreender a sua natureza, ela parece escapar dos limites do nosso conhecimento sobre os objetos e seres naturais. J\u00e1 foi sugerido que vivemos como o homem da era do bronze que, apesar de utilizar esse material de maneira competente em seu cotidiano, n\u00e3o tinha conhecimento de suas propriedades qu\u00edmicas. Foi s\u00f3 com o advento da Qu\u00edmica e da F\u00edsica que tal conhecimento se revelou ao homem.<br \/>\nAinda que a informa\u00e7\u00e3o possua esse car\u00e1ter enigm\u00e1tico, ela foi eleita a\u00a0<em>pedra filosofal<\/em> da Ci\u00eancia Cognitiva e, em grande parte, da Filosofia da Mente, dando lugar ao que ficou conhecido como &#8220;A virada informacional na Filosofia&#8221; (Adams, 2003).<br \/>\nTal virada teria ocorrido a partir de 1950, quando cientistas e fil\u00f3sofos influenciados pelo famoso artigo de Turing (1950),\u00a0<em>Computing machinery and intelligence<\/em>, julgaram que a capacidade de processar informa\u00e7\u00e3o seria o principal elemento a se considerar no estudo da mente inteligente. Concebendo a intelig\u00eancia em termos da atividade de resolu\u00e7\u00e3o de problemas, eles escolheram o computador &#8211; o processador de informa\u00e7\u00e3o por excel\u00eancia &#8211; como ferramenta central para a elabora\u00e7\u00e3o de modelos explicativos da din\u00e2mica funcional da mente inteligente. Esse projeto ambicioso de explicar a natureza da mente pela pr\u00f3pria mente propiciou o surgimento da\u00a0<em>Intelig\u00eancia Artificial<\/em> (<strong>IA<\/strong>), do<em> Conexionismo ou Redes Neurais Artificiais<\/em> (<strong>NRA<\/strong>), e da\u00a0<em>Rob\u00f3tica Cognitiva<\/em> (<strong>RC<\/strong>) que vieram a constituir a Ci\u00eancia Cognitiva. Mas o que justificou esse projeto t\u00e3o ambicioso? E qual \u00e9 o papel da informa\u00e7\u00e3o no seu desenvolvimento?<\/p>\n<p>H\u00e1 principalmente duas raz\u00f5es hist\u00f3ricas que culminaram no desenvolvimento da Ci\u00eancia Cognitiva e na suposta virada informacional na Filosofia. A primeira foi a interpreta\u00e7\u00e3o cognitivista do movimento behaviorista, pela qual o behaviorismo era acusado ou de negar a exist\u00eancia da mente, sendo, assim, uma psicologia &#8220;sem cogni\u00e7\u00e3o&#8221;, ou de aceitar sua exist\u00eancia, mas, em contrapartida, de condenar a mente ao ostracismo cient\u00edfico, j\u00e1 que ela seria empiricamente inacess\u00edvel. Esta \u00faltima rendeu ao behaviorismo a alcunha de psicologia da &#8220;caixa-preta&#8221;.<br \/>\nA segunda raz\u00e3o, por sua vez, estava na pr\u00f3pria agenda de pesquisa cognitivista e nos m\u00e9todos escolhidos para cumpri-la.<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"3\" width=\"100\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Imagem: Shutterstock\" src=\"http:\/\/filosofiacienciaevida.uol.com.br\/ESFI\/Edicoes\/53\/imagens\/i239047.jpg\" alt=\"Imagem: Shutterstock\" width=\"250\" height=\"234\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Os cientistas cognitivos pretendiam abrir a &#8220;caixa-preta&#8221; e estudar objetiva e pormenorizadamente os processos envolvidos na atividade inteligente. Todavia, se por um lado a Ci\u00eancia Cognitiva buscava evitar os supostos erros do movimento behaviorista, por outro, seria preciso tomar cuidado para n\u00e3o incorrer em explica\u00e7\u00f5es pouco cient\u00edficas da mente, o que a colocaria no pante\u00e3o do temido dualismo cartesiano (segundo o qual mente e corpo possuem naturezas essencialmente distintas). Em meados da d\u00e9cada de 1950, no mesmo momento hist\u00f3rico em que o descontentamento dos cognitivistas para com o behaviorismo aumentava, tamb\u00e9m ocorriam avan\u00e7os significativos nas ci\u00eancias da computa\u00e7\u00e3o. Computadores capazes de realizar opera\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas e l\u00f3gicas estavam sendo desenvolvidos. No c\u00edrculo dos estudiosos da computa\u00e7\u00e3o se dizia que, para o desgosto futuro de Kasparov, a cria\u00e7\u00e3o de um programa capaz de jogar xadrez a ponto de ganhar partidas do ser humano era apenas uma quest\u00e3o de tempo. Os avan\u00e7os na computa\u00e7\u00e3o foram cruciais para a Ci\u00eancia Cognitiva; eles indicavam a chave para abrir a &#8220;caixa-preta&#8221; da mente, que agora parecia n\u00e3o ser mais uma propriedade exclusiva dos seres humanos. Afinal, essas m\u00e1quinas estavam simulando processos cognitivos complexos que n\u00e3o mais se limitavam \u00e0 cogni\u00e7\u00e3o humana; m\u00e1quinas supostamente poderiam simular ou mesmo reproduzir o comportamento inteligente.<\/p>\n<p>Nesse contexto, \u00e9 importante ressaltar que o paradigma computacional \u00e9 inerente \u00e0 Ci\u00eancia Cognitiva. O estudo da intelig\u00eancia j\u00e1 vinha ocorrendo na Neuroci\u00eancia, Psicologia, Antropologia e Lingu\u00edstica, que, em conjunto, englobam a grande \u00e1rea denominada Ci\u00eancias da Cogni\u00e7\u00e3o. Entretanto, o elo metodol\u00f3gico com a computa\u00e7\u00e3o \u00e9 caracter\u00edstica primordial da Ci\u00eancia Cognitiva e da Filosofia da Mente, em seu vi\u00e9s mecanicista, que desde o in\u00edcio propiciou suporte epistemol\u00f3gico a essa ci\u00eancia.<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"745\">\n<tbody>\n<tr>\n<td height=\"30\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"5\" width=\"745\" bgcolor=\"#EEF0D8\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Era da informa\u00e7\u00e3o e seus erros<\/strong><\/p>\n<p>Os seres humanos s\u00e3o interligados por uma esp\u00e9cie de teia de informa\u00e7\u00f5es que norteia suas vidas. H\u00e1 um substrato comum de valores, regras, leis e h\u00e1bitos que s\u00f3 existe porque os homens conseguem captar, manipular e transmitir informa\u00e7\u00f5es que cont\u00e9m significados partilhados. No mundo atual, em que o homem \u00e9 bombardeado por uma avalanche de informa\u00e7\u00f5es a todo instante, essa capacidade &#8211; a de lidar com informa\u00e7\u00e3o significativa &#8211; tende a ser potencializada, j\u00e1 que o acesso a informa\u00e7\u00f5es \u00e9 vasto e r\u00e1pido. Mas h\u00e1 falhas no sistema mental. Dentre as informa\u00e7\u00f5es que recebe, o ser humano nem sempre consegue inferir o que \u00e9 verdadeiro ou falso, o que pode provocar s\u00e9rios problemas. Um caso que envolve a r\u00e1pida dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e a interpreta\u00e7\u00e3o incorreta de seus verdadeiros significados foi o da Escola Base. Em 1994, seis pessoas foram acusadas de abusar sexualmente de alunos da Escola Base, em S\u00e3o Paulo. O delegado recebeu a den\u00fancia e, sem verificar a veracidade dela, divulgou as informa\u00e7\u00f5es \u00e0 imprensa. Jornais publicaram uma s\u00e9rie de reportagens revelando o ocorrido. A escola foi depredada e os acusados presos. Depois, descobriu-se que a den\u00fancia n\u00e3o tinha fundamento, mas a carreira e a vida dos envolvidos j\u00e1 haviam sido arruinadas.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/filosofiacienciaevida.uol.com.br\/ESFI\/Edicoes\/53\/imagens\/i239048.jpg\" alt=\"\" width=\"721\" height=\"280\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"3\" width=\"100\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Imagens: Shutterstock \/ Wikip\u00e9dia\" src=\"http:\/\/filosofiacienciaevida.uol.com.br\/ESFI\/Edicoes\/53\/imagens\/i239049.jpg\" alt=\"Imagens: Shutterstock \/ Wikip\u00e9dia\" width=\"250\" height=\"184\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Descartes (1596-1650), fil\u00f3sofo franc\u00eas, concebia mente e corpo como tendo naturezas distintas. A Ci\u00eancia Cognitiva procura estudar a mente sem cair nesse dualismo cartesiano<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>Intelig\u00eancia Artificial<\/strong><\/p>\n<p>Uma vez que os computadores processam informa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica por meio de algoritmos, cujo funcionamento pode ser explicado por regras mec\u00e2nicas, eles servem como instrumentos para um tipo de modelagem da mente. Essa caracter\u00edstica do computador propiciou a formula\u00e7\u00e3o de duas hip\u00f3teses centrais da Ci\u00eancia Cognitiva que seriam testadas nos modelos computacionais. A primeira \u00e9 que a capacidade de processar informa\u00e7\u00e3o, de modo a resolver problemas, seria a caracter\u00edstica fundamental da intelig\u00eancia. A segunda \u00e9 que a intelig\u00eancia poderia ser explicada por meio de regras aplic\u00e1veis \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos. Dessa forma, se fosse poss\u00edvel descobrir os algoritmos subjacentes \u00e0 atividade de resolu\u00e7\u00e3o de problemas, seria poss\u00edvel, tamb\u00e9m, desenvolver m\u00e1quinas que simulassem ou, at\u00e9 mesmo, para alguns, replicassem a mente inteligente. A cria\u00e7\u00e3o dessas m\u00e1quinas, por sua vez, indicaria que a Ci\u00eancia Cognitiva, na vertente da IA, teria conseguido explicar, com sucesso, o que \u00e9 e como funciona a mente inteligente em termos de seu processamento simb\u00f3lico de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"3\" width=\"100\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/filosofiacienciaevida.uol.com.br\/ESFI\/Edicoes\/53\/imagens\/i239051.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"190\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Um experimento, conhecido como &#8220;quarto chin\u00eas&#8221;, mostra que as m\u00e1quinas, diferentemente das mentes, n\u00e3o processam informa\u00e7\u00e3o significativa, apenas seguem certas regras<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Entretanto, uma quest\u00e3o essencial foi temporariamente ignorada: n\u00e3o se sabia ao certo qual seria a natureza ontol\u00f3gica da &#8220;informa\u00e7\u00e3o&#8221; e do seu poss\u00edvel significado. Seria ela um tipo de mat\u00e9ria, de energia ou nenhum destes? Tratava-se, na Ci\u00eancia Cognitiva, de um conceito pressuposto, mas essencial, j\u00e1 que a informa\u00e7\u00e3o significativa (aquela que denota algo para algu\u00e9m) era o que supostamente seria pr\u00f3prio tanto das m\u00e1quinas quanto dos seres inteligentes em geral.<br \/>\nNo caso dos seres humanos, n\u00e3o resta d\u00favida de que vivemos ligados por uma teia, n\u00e3o necessariamente simb\u00f3lica, de informa\u00e7\u00e3o. A cultura, caracterizada como um conjunto de regras, leis e h\u00e1bitos de a\u00e7\u00e3o compartilhados por um grupo de pessoas, talvez seja o resultado mais contundente desse fato. Mas nada disso seria poss\u00edvel se os seres humanos n\u00e3o fossem capazes de captar, manipular e transmitir informa\u00e7\u00e3o significativa. Consequentemente, uma das dificuldades centrais da Ci\u00eancia Cognitiva apontada pelos seus cr\u00edticos, tais como os fil\u00f3sofos Hubert Dreyfus e John Searle, residiria na compreens\u00e3o de duas quest\u00f5es: (1) o que \u00e9 informa\u00e7\u00e3o? e (2) como \u00e9 poss\u00edvel o surgimento do significado em redes informacionais? Para entender o que h\u00e1 por detr\u00e1s dessas quest\u00f5es \u00e9 oportuno lembrar um &#8220;experimento de pensamento&#8221; desenvolvido no in\u00edcio dos anos 1980 por John Searle, que foi amplamente discutido por mais de 20 anos.<\/p>\n<p>Conhecido como experimento do &#8220;Quarto Chin\u00eas&#8221; (Searle, 1980), sua principal fun\u00e7\u00e3o era sustentar que programas computacionais, embora pudessem ser uma boa ferramenta para o estudo da intelig\u00eancia, n\u00e3o explicavam adequadamente o modo de funcionamento da mente. Em poucas palavras, um computador propriamente programado para executar fun\u00e7\u00f5es complexas, tal como Hall 9000 do filme 2001:\u00a0<em>Uma odisseia no espa\u00e7o<\/em>, n\u00e3o possuiria mente, pois ele n\u00e3o seria capaz de trabalhar com informa\u00e7\u00e3o significativa. Voltemos-nos ao experimento.<br \/>\nImaginemos que Ant\u00f4nio \u00e9 um sujeito monoglota capaz de usar apenas a l\u00edngua portuguesa. Imaginemos tamb\u00e9m que ele esteja trancado num quarto que possui somente duas janelas pequenas por onde s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel passar cart\u00f5es de papel. Os \u00fanicos objetos que fazem companhia a ele s\u00e3o um punhado de cart\u00f5es com inscri\u00e7\u00f5es em chin\u00eas e um caderno onde est\u00e3o escritas algumas regras em portugu\u00eas.<br \/>\nEssas regras apresentam correla\u00e7\u00f5es que devem ser feitas entre os cart\u00f5es com inscri\u00e7\u00f5es em chin\u00eas. \u00c9 importante ressaltar que tais regras basicamente constituem, como boa parte dos programas computacionais, um conjunto de algoritmos l\u00f3gico-condicionais que denotam rela\u00e7\u00f5es do tipo &#8220;se&#8230; ent\u00e3o&#8230;&#8221;.<br \/>\nAnt\u00f4nio est\u00e1 esperando; ele n\u00e3o sabe exatamente o que fazer. Mas nesse momento, por uma das janelas &#8211; \u00e0 qual os cientistas d\u00e3o o nome de &#8220;<em>input<\/em>&#8221; ou &#8220;entrada&#8221; &#8211; ele recebe um cart\u00e3o com s\u00edmbolos escritos em chin\u00eas. Ao ver o cart\u00e3o, Ant\u00f4nio consegue correlacion\u00e1-lo, apenas por conta do formato das inscri\u00e7\u00f5es, com um dos cart\u00f5es que j\u00e1 estavam no quarto. Chamemos o cart\u00e3o recebido por Ant\u00f4nio de &#8220;cart\u00e3o 1&#8221; e o cart\u00e3o correlacionado de &#8220;cart\u00e3o 2&#8221;. A regra que ele seguiu foi a seguinte: &#8220;Se o &#8216;cart\u00e3o 1&#8217; aparecer na janela de entrada, ent\u00e3o colocar o &#8216;cart\u00e3o 2&#8217; na janela de sa\u00edda&#8221;. A janela de sa\u00edda \u00e9 a outra janela pequena do quarto, \u00e0 qual os cientistas d\u00e3o o nome de &#8220;<em>output<\/em>&#8220;.<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/filosofiacienciaevida.uol.com.br\/ESFI\/Edicoes\/53\/imagens\/i239050.jpg\" alt=\"\" width=\"721\" height=\"207\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"3\" width=\"100\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Imagens:Shutterstock\" src=\"http:\/\/filosofiacienciaevida.uol.com.br\/ESFI\/Edicoes\/53\/imagens\/i239054.jpg\" alt=\"Imagens:Shutterstock\" width=\"250\" height=\"182\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Os computadores usam algoritmos, que em geral denotam rela\u00e7\u00f5es l\u00f3gico-condicionais, para processar informa\u00e7\u00e3o. A chave para explicar a intelig\u00eancia pode vir da manipula\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Ant\u00f4nio continuou manipulando cart\u00f5es por um bom tempo. Enquanto isso, do lado de fora do quarto, se encontravam alguns cientistas respons\u00e1veis pela coloca\u00e7\u00e3o dos cart\u00f5es na janela de entrada do quarto e tamb\u00e9m pelo recolhimento dos cart\u00f5es que ele colocava na janela de sa\u00edda. Esses cientistas, ao contr\u00e1rio de Ant\u00f4nio, eram peritos em l\u00edngua chinesa, sendo que as inscri\u00e7\u00f5es dos cart\u00f5es que eles colocavam na janela expressavam perguntas sobre diversos assuntos. J\u00e1 as inscri\u00e7\u00f5es dos cart\u00f5es que estavam no quarto continham respostas a essas quest\u00f5es. Ant\u00f4nio, ao seguir as regras em portugu\u00eas, conseguia selecionar a resposta correta de acordo com os cart\u00f5es de entrada. Movidos pelo entusiasmo da pesquisa, esses cientistas logo acreditaram que Ant\u00f4nio entendia chin\u00eas. Todavia, a quest\u00e3o que se coloca \u00e9: ser\u00e1 que Ant\u00f4nio realmente entendia o significado das informa\u00e7\u00f5es inscritas em chin\u00eas nos cart\u00f5es?<br \/>\nSearle sustenta ainda hoje que Ant\u00f4nio n\u00e3o entendia nada de chin\u00eas e que, por isso, n\u00e3o poderia compreender o significado por detr\u00e1s daqueles s\u00edmbolos t\u00e3o estranhos. O suposto entendimento decorreria do fato de que, dentro do quarto, Ant\u00f4nio se comportava de acordo com regras que nada diziam a respeito do significado da informa\u00e7\u00e3o contida nos cart\u00f5es. Tais regras talvez apresentassem algum tra\u00e7o da sintaxe do chin\u00eas, mas n\u00e3o a sem\u00e2ntica das suas inscri\u00e7\u00f5es. Assim, embora manipulando corretamente os cart\u00f5es enviados pela janela de entrada, Ant\u00f4nio n\u00e3o entendia o conte\u00fado significativo dos cart\u00f5es.<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/filosofiacienciaevida.uol.com.br\/ESFI\/Edicoes\/53\/imagens\/i239055.jpg\" alt=\"\" width=\"242\" height=\"168\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Vivemos interligados por uma teia de informa\u00e7\u00f5es: h\u00e1 regras, leis e h\u00e1bitos compartilhados. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel devido \u00e0 capacidade de captar e transmitir informa\u00e7\u00f5es<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Dessa forma, voltamos ao ponto central levantado por Searle: as m\u00e1quinas funcionam tal como Ant\u00f4nio no quarto chin\u00eas. Esses artefatos possuem um conjunto de algoritmos, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 estabelecer correla\u00e7\u00f5es entre a informa\u00e7\u00e3o recebida pelas suas entradas para, assim, enviar as respostas pelas suas sa\u00eddas. O que Searle quis mostrar \u00e9 que a mente inteligente n\u00e3o funciona dessa forma. O fil\u00f3sofo at\u00e9 admite que somos m\u00e1quinas, mas m\u00e1quinas biol\u00f3gicas que processam informa\u00e7\u00e3o significativa, coisa que as m\u00e1quinas artificiais n\u00e3o s\u00e3o capazes de fazer.<br \/>\nO argumento do &#8220;quarto chin\u00eas&#8221; indica dificuldades cruciais, principalmente para a vertente simb\u00f3lica da IA, as quais t\u00eam sido objeto de estudos de outras vertentes da Ci\u00eancia Cognitiva, como as mencionadas RNA e RC. Nestas, o processo de emerg\u00eancia do significado \u00e9 investigado por redes neurais artificiais ou de rob\u00f4s que se auto-organizam, dispensando, em certa medida, a interven\u00e7\u00e3o direta do programador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma hip\u00f3tese que queremos defender aqui \u00e9 que informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mat\u00e9ria nem energia, mas um tipo de forma ou padr\u00e3o que adquire significado na pr\u00f3pria din\u00e2mica auto-organizadora de sistemas que atuam no seu meio ambiente. Nesse sentido, caso m\u00e1quinas artificiais pudessem lidar com informa\u00e7\u00e3o significativa, ela seria intr\u00ednseca ao sistema &#8220;m\u00e1quina\/meio&#8221;. Isto \u00e9, o significado seria uma propriedade emergente do funcionamento da pr\u00f3pria m\u00e1quina ao gerar, de modo auto-organizado, formas ou padr\u00f5es direcionadores de sua a\u00e7\u00e3o no ambiente. Como at\u00e9 o momento n\u00e3o dispomos de m\u00e1quinas que preencham satisfatoriamente esse requisito, n\u00e3o consideramos que elas processem informa\u00e7\u00e3o significativa, mas sim significados atribu\u00eddos, em maior ou menor grau, pelos seus controladores humanos. Ora, j\u00e1 sabemos que n\u00f3s, os controladores, somos capazes de manipular informa\u00e7\u00e3o significativa. A quest\u00e3o \u00e9 saber como isso \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Assim, um dos grandes desafios da Ci\u00eancia Cognitiva \u00e9 conceber m\u00e1quinas que n\u00e3o processem informa\u00e7\u00e3o significativa derivada de seus controladores, mas que, ao longo de seu funcionamento, gerem, por si mesmas, informa\u00e7\u00e3o desse tipo. Contudo, julgamos que uma dificuldade ainda mais fundamental reside na obten\u00e7\u00e3o de um consenso sobre a natureza ontol\u00f3gica da informa\u00e7\u00e3o. Tentativas de solucionar essa dificuldade s\u00e3o encontradas na Filosofia Ecol\u00f3gica, na Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o, na Lingu\u00edstica, na Teoria Matem\u00e1tica da Comunica\u00e7\u00e3o (MTC) e na Filosofia da Mente.<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"3\" width=\"100\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/filosofiacienciaevida.uol.com.br\/ESFI\/Edicoes\/53\/imagens\/i239060.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"271\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>Linhas de Investiga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a abordagem estritamente t\u00e9cnica da MTC, a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma\u00a0<em>commodity<\/em>, cuja exist\u00eancia\u00a0<em>objetiva<\/em> na natureza independe de qualquer ser consciente que possa interpret\u00e1-la. Nessa perspectiva, a informa\u00e7\u00e3o se constitui em uma rede de elementos interdependentes, sendo a rela\u00e7\u00e3o de interdepend\u00eancia fundamental para se compreender a sua natureza, j\u00e1 que, sem ela, a informa\u00e7\u00e3o desapareceria. O car\u00e1ter objetivo da informa\u00e7\u00e3o possibilita a sua medida, que \u00e9 de grande interesse para a recep\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o eficiente de informa\u00e7\u00e3o. Entretanto, a medida da informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o esclarece o seu aspecto significativo que, assim como o problema ontol\u00f3gico, n\u00e3o \u00e9 de interesse para a MTC.<br \/>\nTentativas de compreens\u00e3o da natureza ontol\u00f3gica da informa\u00e7\u00e3o foram inicialmente realizadas por Norbert Wiener, o pai da cibern\u00e9tica, que ficou c\u00e9lebre ao afirmar nos anos 1960 que &#8220;informa\u00e7\u00e3o \u00e9 informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 mat\u00e9ria nem energia&#8221;. Wiener tamb\u00e9m caracterizou a informa\u00e7\u00e3o como sendo &#8220;o conte\u00fado que trocamos com o mundo \u00e0 medida que nos ajustamos a ele&#8221;, mas ele n\u00e3o explicitou qual seria a natureza desse conte\u00fado. Vinte anos depois, apoiado na MTC, o fil\u00f3sofo da mente Fred Dretske prop\u00f5e uma<em> defini\u00e7\u00e3o nuclear<\/em> de informa\u00e7\u00e3o. Para o autor (1981), um sinal carrega informa\u00e7\u00e3o sobre o que ocorre em uma fonte se ele for capaz de indicar factualmente as rela\u00e7\u00f5es que se estabelecem na fonte, tornando-as acess\u00edveis para qualquer receptor que se encontre em condi\u00e7\u00f5es de receb\u00ea-las.<\/p>\n<p>Assim caracterizada, como um indicador objetivo de rela\u00e7\u00f5es, a informa\u00e7\u00e3o possibilita um estudo do seu significado que, segundo Dretske, requer o exerc\u00edcio de raz\u00f5es sist\u00eamicas e de aprendizagem: imersos em redes de informa\u00e7\u00e3o, organismos complexos aprendem a representar aquelas rela\u00e7\u00f5es sinalizadoras das condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 a\u00e7\u00e3o. Ocorre que esse processo representacional envolve erros. \u00c9 justamente a partir do reconhecimento e corre\u00e7\u00e3o de erros no processo de representa\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o que os organismos adquirem a capacidade de associar um significado a ela. Assim, o significado n\u00e3o estaria presente na informa\u00e7\u00e3o, dispon\u00edvel objetivamente no mundo, mas no processo de representa\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o (originalmente destitu\u00edda de significado) quando atrelado \u00e0 habilidade de aprendizagem, necess\u00e1ria \u00e0 corre\u00e7\u00e3o de erros presentes na informa\u00e7\u00e3o representada. O significado seria, desta forma, uma propriedade emergente da intera\u00e7\u00e3o representacional entre os organismos complexos e o mundo informacional (Dretske, 1981, 1992).<br \/>\nAo se apoiar no conceito de representa\u00e7\u00e3o mental, a concep\u00e7\u00e3o dretskeana de informa\u00e7\u00e3o significativa despertou grande interesse de cientistas cognitivos que buscavam elaborar modelos representacionais da intelig\u00eancia.<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"745\">\n<tbody>\n<tr>\n<td height=\"30\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"3\" width=\"100\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Imagens: Shutterstock\" src=\"http:\/\/filosofiacienciaevida.uol.com.br\/ESFI\/Edicoes\/53\/imagens\/i239058.jpg\" alt=\"Imagens: Shutterstock\" width=\"250\" height=\"170\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>H\u00e1 pesquisas sobre redes neurais artificiais capazes de se auto-organizar, dispensando programa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, o que as igualaria \u00e0 mente no processamento de informa\u00e7\u00e3o significativa<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>Significado Partilhado<\/strong><\/p>\n<p>Uma concep\u00e7\u00e3o distinta da informa\u00e7\u00e3o e do significado \u00e9 proposta na Filosofia Ecol\u00f3gica, que tem como precursores Gregory Bateson (1986, 2000) e James Gibson (1986). Esta \u00e1rea da Filosofia come\u00e7ou apenas recentemente a ser apreciada pelos cognitivistas, mesmo assim com ressalvas, uma vez que ela rejeita o pressuposto represencionalista da mente, al\u00e9m de n\u00e3o se apoiar no mecanicismo para explicar o car\u00e1ter significativo da informa\u00e7\u00e3o e da intelig\u00eancia.<br \/>\nExistem diferen\u00e7as fundamentais entre a concep\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e a concep\u00e7\u00e3o mecanicista do significado. A principal delas \u00e9 que, segundo a Filosofia Ecol\u00f3gica, o mundo n\u00e3o \u00e9 uma &#8220;terra de ningu\u00e9m&#8221; abarrotada de informa\u00e7\u00e3o destitu\u00edda de significado \u00e0 espera de uma mente que represente e atribua significado aos seus constituintes. Ao contr\u00e1rio, o mundo em que habitam seres inteligentes, incluindo organismos, plantas, entre outros, \u00e9 um imenso sistema coevolutivo, repleto de informa\u00e7\u00e3o significativa\u00a0<em>desde a sua origem:<\/em> na condi\u00e7\u00e3o de seres ativos, nascemos em um mundo que abriga e que possibilita a sobreviv\u00eancia de seus habitantes, justamente porque ele \u00e9 carregado de significado que unifica os seres por meio de padr\u00f5es informacionais comuns.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/filosofiacienciaevida.uol.com.br\/ESFI\/Edicoes\/53\/imagens\/i239062.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"159\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Se a intelig\u00eancia est\u00e1 ligada \u00e0 capacidade de processar informa\u00e7\u00f5es, m\u00e1quinas com essa propriedade podem ser consideradas inteligentes, com funcionamento semelhante ao da mente<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>O significado inerente \u00e0 informa\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, nesse contexto, \u00e9 caracterizado por um conjunto de invariantes ambientais e hist\u00f3ricos que possibilitam a sobreviv\u00eancia de seres ativos. Gibson (1986) desenvolve uma reflex\u00e3o sobre as<em> invariantes estruturais e de transforma\u00e7\u00e3o<\/em> que constituem as\u00a0<em>affordances<\/em>. Affordances s\u00e3o informa\u00e7\u00f5es significativas dispon\u00edveis no ambiente que possibilitam a a\u00e7\u00e3o dos organismos nele situados. Assim, por exemplo, a cadeira possibilita o ato de sentar para indiv\u00edduos situados em um ambiente no qual o sentar constitui um h\u00e1bito de a\u00e7\u00e3o. A discuss\u00e3o sobre a riqueza do conceito de affordance na Filosofia Ecol\u00f3gica escapa do escopo da presente an\u00e1lise, cuja finalidade \u00e9 apenas indicar algumas concep\u00e7\u00f5es sobre a natureza da informa\u00e7\u00e3o e a origem do significado.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, de acordo com a Filosofia Ecol\u00f3gica proposta por Gibson (1986), o significado n\u00e3o se descola da informa\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 parte constitutiva do fluxo cont\u00ednuo de eventos que envolvem a realidade ecol\u00f3gica. Tal realidade, por sua vez, sendo carregada de significado, diferencia-se do mundo concebido em termos estritamente f\u00edsicos. Como sugere Gibson, ainda que as leis f\u00edsicas organizem parte do cen\u00e1rio da realidade ecol\u00f3gica, o significado a ela inerente se origina na rela\u00e7\u00e3o de reciprocidade organismo-ambiente. A an\u00e1lise ecol\u00f3gico-informacional dessa rela\u00e7\u00e3o enfatiza o papel unificador das\u00a0<em>affordances<\/em> em v\u00e1rios planos da exist\u00eancia dos organismos que as percebem com significado relativamente<br \/>\ninvariante, seja como alimento, amea\u00e7a, abrigo, entre tantos outros.<br \/>\nNa mesma perspectiva, Bateson (1986, 2000) argumenta que somos subsistemas integrantes de um todo coevolutivo que possui uma unidade comunicativa elementar. Essa unidade, que conecta os organismos entre si e os demais componentes do meio, constitui a informa\u00e7\u00e3o significativa, que \u00e9 caracterizada como &#8220;a diferen\u00e7a que faz diferen\u00e7a&#8221;. Essa enigm\u00e1tica afirma\u00e7\u00e3o de Bateson carrega em si uma concep\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica sist\u00eamica, recentemente apreciada pelos cientistas cognitivos e fil\u00f3sofos da mente que defendem a perspectiva da Cogni\u00e7\u00e3o Situada e Incorporada. A inseparabilidade entre organismo, mente e ambiente \u00e9 defendida por Bateson em sua &#8220;ecologia da mente&#8221;, que prop\u00f5e o conceito de padr\u00e3o informacional significativo como a unidade unificadora da mente, do comportamento e dos fatos do mundo. O significado estaria, assim, muito pr\u00f3ximo de n\u00f3s e sua g\u00eanese poderia ser encontrada em nossa pr\u00f3pria origem.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/filosofiacienciaevida.uol.com.br\/ESFI\/Edicoes\/53\/artigo192366-1.asp\">http:\/\/filosofiacienciaevida.uol.com.br\/ESFI\/Edicoes\/53\/artigo192366-1.asp<\/a>&gt;. Acesso em: 8 dez. 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mente \u00e9 capaz de interpretar o significado de informa\u00e7\u00f5es que recebe, ao contr\u00e1rio da m\u00e1quina, que processa informa\u00e7\u00f5es segundo regras pr\u00e9-programadas. A Ci\u00eancia busca respostas sobre como se d\u00e1 o v\u00ednculo entre informa\u00e7\u00e3o e significado Diego Zilio \u00e9 Mestre em Filosofia da Mente, Epistemologia e L\u00f3gica pela Unesp de Mar\u00edlia e Doutorando em Psicologia &#8230; <a title=\"A G\u00eanese do significado\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2010\/12\/08\/a-genese-do-significado\/\" aria-label=\"Read more about A G\u00eanese do significado\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_jetpack_newsletter_access":"","footnotes":""},"categories":[60],"tags":[674,675,19],"class_list":["post-1608","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-artigo","tag-filosofia","tag-informacao"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":1119,"url":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2010\/02\/19\/processo-seletivo-para-o-mestrado-academico-e-doutorado-unesp\/","url_meta":{"origin":1608,"position":0},"title":"Processo Seletivo para o Mestrado Acad\u00eamico e Doutorado &#8211; UNESP","author":"mundobibliotecario","date":"19\/02\/2010","format":false,"excerpt":"O Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o (PPGCI) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Faculdade de Filosofia e Ci\u00eancias (FFC) - Campus de Mar\u00edlia, torna p\u00fablico que, de 01 de fevereiro a 01 de mar\u00e7o de 2010, estar\u00e3o abertas as inscri\u00e7\u00f5es para o Processo Seletivo para o Mestrado Acad\u00eamico e\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Curso de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o&quot;","block_context":{"text":"Curso de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/category\/curso-de-pos-graduacao\/"},"img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":283,"url":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2009\/01\/15\/pos-graducao-em-ciencia-da-informacao-unesp-de-marilia\/","url_meta":{"origin":1608,"position":1},"title":"P\u00f3s-Gradu\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o &#8211; UNESP de Mar\u00edlia","author":"mundobibliotecario","date":"15\/01\/2009","format":false,"excerpt":"A Universidade Estadual Paulista \u2013 UNESP \u2013 Campus de Mar\u00edlia comunica que durante o per\u00edodo de 19.01.2009 a 16.02.2009 estar\u00e3o abertas as inscri\u00e7\u00f5es para o processo seletivo do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o. 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