{"id":1673,"date":"2011-01-11T17:30:38","date_gmt":"2011-01-11T20:30:38","guid":{"rendered":"http:\/\/mundobibliotecario.wordpress.com\/?p=1673"},"modified":"2020-07-21T23:55:34","modified_gmt":"2020-07-22T02:55:34","slug":"liberando-o-conhecimento-um-manifesto-bibliotecario-para-a-mudanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2011\/01\/11\/liberando-o-conhecimento-um-manifesto-bibliotecario-para-a-mudanca\/","title":{"rendered":"Liberando o Conhecimento: um manifesto bibliotec\u00e1rio para a mudan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Recebi hoje por e-mail e compartilho. Boa leitura!<\/p>\n<p>*************************<\/p>\n<p>Fonte: <\/p>\n<p><strong>Liberando o Conhecimento: um manifesto bibliotec\u00e1rio para a mudan\u00e7a<\/strong> &#8211; Dora Ex Libris \u00bb Liberando o Conhecimento: um manifesto bibliotec\u00e1rio para a mudan\u00e7a<\/p>\n<h3><em>por Barbara Fister<\/em><\/h3>\n<p>As bibliotecas s\u00e3o um exemplo interessante das transforma\u00e7\u00f5es radicais pelas quais o ensino superior est\u00e1 passando. A virada neoliberal que levou \u00e0 mercantiliza\u00e7\u00e3o do que os acad\u00eamicos fazem \u2013 ensinar e criar conhecimento \u2013 teve um efeito profundo na biblioteca universit\u00e1ria. Mas a pol\u00edtica econ\u00f4mica da biblioteca em transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 invis\u00edvel a muitos\u00a0 docentes, para n\u00e3o dizer a maioria. Os atuais problemas financeiros que as bibliotecas encaram \u2013 o aumento no custo de assinaturas de peri\u00f3dicos e bases de dados, encolhimento do or\u00e7amento, e cortes tanto horas de contrata\u00e7\u00e3o de pessoal e estagi\u00e1rios que nos levam a trancarmos as portas cedo (em pelo menos um caso, levando os estudantes a criarem seus pr\u00f3prios ambientes de estudo durante os exames finais em protesto, diante de uma biblioteca fechada) \u2013 s\u00e3o consequencias naturais do modelo de tratar estudantes como consumidores, a universidade como individuos contratados para ministrar cursos mas deixando a administra\u00e7\u00e3o da universidade para um quadro crescente de administradores, e conhecimento como propriedade intelectual a ser monetizado.<\/p>\n<p>Embora os estudantes migrem para as bibliotecas como lugares para socializar, estudar e trabalhar em pesquisa, os bibliotec\u00e1rios est\u00e3o fazendo o seu melhor para ir ao encontro de suas necessidades e as necessidades de acad\u00eamicos trabalhando em seus laborat\u00f3rios, escrit\u00f3rios e (quem sabe?) em seus carros uma vez que se movem de um trabalho onde n\u00e3o existe escrit\u00f3rio para outros lugares, a identidade da biblioteca como ambiente intelectual comum, uma esfera p\u00fablica esclarecida e moralmente descompromissada onde ideias se misturam e d\u00e3o origem a novos conhecimentos, est\u00e1 em perigo. De acordo com um estudo mais recente sobre comportamento acad\u00eamico conduzido por Ithaka, a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-lucrativa que traz fontes acad\u00eamicas digitais em rede tais como o JSTOR, a universidade cada vez mais valoriza a biblioteca primeiramente como um comprador das informa\u00e7\u00f5es que precisam [1]. Eles colocam menos \u00eanfase, em rela\u00e7\u00e3o a question\u00e1rios anuais realizados anteriormente, na biblioteca como um portal para o conhecimento ou uma institui\u00e7\u00e3o que o preservar\u00e1 para um bem maior.<\/p>\n<p>De v\u00e1rios modos, as bibliotecas trouxeram esta mudan\u00e7a de identidade para si mesmas. Bibliotec\u00e1rios s\u00e3o bons em achar modos para partilhar a informa\u00e7\u00e3o mesmo quando seus or\u00e7amentos est\u00e3o em queda livre, e eles s\u00e3o tecnologicamente mais experientes o bastante para fazer com que seja poss\u00edvel que sua comunidade acesse a maior parte das informa\u00e7\u00f5es pelas quais a biblioteca paga, sem precisarem por os p\u00e9s na biblioteca. Isto tudo \u00e9 para o bem. Infelizmente, bibliotec\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o nem de longe t\u00e3o adeptos em chamarem a aten\u00e7\u00e3o para os seus valores centrais: a defesa da liberdade intelectual, igualdade no acesso a informa\u00e7\u00e3o e privacidade que assegura inqu\u00e9rito irrestrito por medo de poss\u00edveis consequencias. Estes valores tem sido comprometidos uma vez que bibliotecas pagam tributo \u00e0 licen\u00e7a de informa\u00e7\u00e3o \u00e0 corpora\u00e7\u00f5es e de sociedades acad\u00eamicas que agem como corpora\u00e7\u00f5es \u2013 e por acad\u00eamicos que fazem parte do jogo sem considerarem as consequencias.<\/p>\n<p>Juntamente com esta identidade emergente para a biblioteca como agente comprador ao inv\u00e9s de institui\u00e7\u00e3o cultural, o question\u00e1rio mostrou que a universidade tem uma vis\u00e3o decididamente conservadora de como acad\u00eamicos devem compartilhar o conhecimento que produzem. \u00c9 muito mais importante publicar nos peri\u00f3dicos certos ou conseguir contratos de livros com as editoras certas do que se preocupar com que a informa\u00e7\u00e3o publicada seja amplamente dispon\u00edvel. Afinal, ser publicado \u00e9 a \u00fanica coisa que importa quando \u00e9 hora de obter alguma concess\u00e3o ou subir de cargo e acad\u00eamicos confiam na san\u00e7\u00e3o da autoridade conferida por uma publica\u00e7\u00e3o tradicional. Acesso ao conhecimento \u2013 esse \u00e9 problema de outras pessoas. Essa indiferen\u00e7a desinformada est\u00e1 preparando o terreno para uma nova trag\u00e9dia do commons: um mundo no qual conhecimento \u00e9 tornado em propriedade intelectual, monetizado e feito escasso artificialmente.<\/p>\n<p>Esses dias, uma grande porcentagem de qualquer or\u00e7amento de biblioteca universit\u00e1ria vai para o aluguel tempor\u00e1rio de informa\u00e7\u00e3o. Cada ano, bibliotecas acad\u00eamicas pagam \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es e sociedades acad\u00eamicas bilh\u00f5es de d\u00f3lares para acesso a base de dados e peri\u00f3dicos com textos completos. Se a biblioteca teve um ano ruim e n\u00e3o pode pagar uma assinatura, este material desaparece. Todo ele, instant\u00e2neamente. Existem algumas exce\u00e7\u00f5es a isto; os conte\u00fados da JSTOR s\u00e3o tecnicamente propriedade e n\u00e3o licenciados. Bem como s\u00e3o algumas cole\u00e7\u00f5es arquv\u00edsticas caras e imensas tais como as do Early English Books Online. Se uma biblioteca pudesse achar uma forma de hospedar este conte\u00fado em seus pr\u00f3prios servidores, ela poderia legalmente continuar a prover acesso \u00e0 eles. Mas uma grande por\u00e7\u00e3o das prateleiras virtuais da biblioteca poderiam ser esvaziadas num estalar de dedos, uma repentina reintegra\u00e7\u00e3o de posse de materiais culturais se o aluguel n\u00e3o for pago.<\/p>\n<blockquote>\n<h2>\u201cTodo ano, bibliotecas acad\u00eamicas pagam \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es e sociedades acad\u00eamicas bilh\u00f5es de d\u00f3lares para terem acesso a bases de dados e peri\u00f3dicos com textos completos\u201d<\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>Acesso a este material est\u00e1 apenas dispon\u00edvel para aqueles atualmente filiados com uma institui\u00e7\u00e3o que possa pagar. Uma vez que nossos estudantes se formam, a maioria do material de pesquisa aos quais eles tinham acesso \u00e9 fechado a eles. E acad\u00eamicos independentes tamb\u00e9m est\u00e3o sem sorte. Em um caso, um acad\u00eamico que conhe\u00e7o queria assinar uma vers\u00e3o digital de documentos antigos de igreja, uns que foram do dom\u00ednio p\u00fablico por s\u00e9culos e foram cuidadosamente indexados por acad\u00eamicos no s\u00e9culo XIX. A companhia que criou esse \u00fatil arquivo digital n\u00e3o o deixar\u00e1 dispon\u00edvel para as pessoas por nenhum pre\u00e7o. Isto pode prejudicar o mercado de assinaturas para bibliotecas. Bibliotecas tem que pargar dezenas de milhares de d\u00f3lares por esta base de dados, que provavelmente ser\u00e1 utilizada apenas por alguns acad\u00eamicos de sua institui\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o posso dizer um n\u00famero exato pelo pre\u00e7o da assinatura por que o custo das bases de dados \u00e9 negociado em segredo e \u00e9 considerado pelos editores como informa\u00e7\u00f5es exclusivas.<\/p>\n<p>Bibliotecas p\u00fablicas s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas pr\u00f3speras que s\u00e3o muito utilizadas, com visitas, circula\u00e7\u00e3o per capita, e uso de internet crescentes nos \u00faltimos anos [2] .V\u00e1rias biblioteca p\u00fablicas prov\u00e9m acesso a um n\u00famero de bases de dados, geralmente atrav\u00e9s de subs\u00eddios estatais, mas poucos podem bancar bases de dados especializadas e peri\u00f3dicos caros dos quais os acad\u00eamicos dependem. Como um indicador dos custos envolvidos, uma assinatura da biblioteca ao peri\u00f3dico impresso Science custa mais de US$900 anualmente, e uma assinatura eletr\u00f4nica custa v\u00e1rias centenas de d\u00f3lares por apenas um peri\u00f3dico, baseado no tamanho da comunidade. Poucas bibliotecas p\u00fablicas tem sido capazes de bancar at\u00e9 mesmo os peri\u00f3dicos mais b\u00e1sicos, e o or\u00e7amento das bibliotecas p\u00fablicas \u00e9 inst\u00e1vel, amea\u00e7ado por cortes or\u00e7amentais profundos [3].<\/p>\n<p>Enquanto escrevo isso, eu posso escolher qualquer n\u00famero de paradoxos incompreens\u00edveis das not\u00edcias di\u00e1rias da minha profiss\u00e3o. Aqui est\u00e1 um exemplo: quando pesquisadores que queriam analizar o custo de \u201cgrandes coisas\u201d \u2013 neg\u00f3cios de assinaturas de pacotes em que as bibliotecas tem que assinar conte\u00fados que n\u00e3o querem para terem acesso aos peri\u00f3dicos que querem \u2013 Elsevier foi \u00e0 justi\u00e7a para fazer com que par\u00e1ssem de obter informa\u00e7\u00f5es sobre pre\u00e7os atrav\u00e9s de pedidos de <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Freedom_of_Information_Act_%28United_States%29\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Freedom of Information Act<\/a>, argumentando que o interesse p\u00fablico seria prejudicado se o publico soubesse o quanto gastam nesta bases de dados. Felizmente, o juiz discordou. [4]<\/p>\n<blockquote>\n<h2>\u201cUma grande parte das prateleiras virtuais das bibliotecas podem ser esvaziadas num estalar de dedos, uma repentina reintegra\u00e7\u00e3o de posse de materiais culturais caso o aluguel n\u00e3o for pago\u201d<\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>Aqui est\u00e1 um outro exemplo: enquanto escrevo, o Congresso est\u00e1 realizando audi\u00eancias sobre um projeto de lei que exigiria que os pesquisadores cujos trabalhos s\u00e3o financiados pelo governo federal apresentassem os resultados ao p\u00fablico dentro de um ano da publica\u00e7\u00e3o [5]. Me parece razo\u00e1vel o bastante. Afinal, o trabalho foi pago por contribu\u00edntes. Mas os editores argumentam que o acesso livre ser\u00e1 a ruina da pesquisa rigorosa. Eles declaram que n\u00e3o h\u00e1 nada errado com o <em>status quo<\/em>. Eles afirmam que s\u00e3o suas corpora\u00e7\u00f5es que prov\u00e9m a revis\u00e3o de pares (quando na verdade, a revis\u00e3o de pares \u00e9 feita voluntariamente por acad\u00eamicos e \u00e9 t\u00e3o rigorosamente conduzida em peri\u00f3dicos de Acesso Livre; al\u00e9m disso, v\u00e1rios destes editores criam terceiras \u2013 e quartas \u2013 revistas acad\u00eamicas expressamente para publicarem pesquisas que n\u00e3o foram aprovadas em peri\u00f3dicos ainda mais seletivos). Um porta-voz editorial afirmou que eles obt\u00e9m os direitos dos autores (quando na verdade os autores s\u00e3o obrigados a entregarem os direitos e pagar quaisquer taxas de permiss\u00e3o) [6]. De acordo com um editor, qualquer lei criada \u201cpara solucionar um problema que n\u00e3o existia est\u00e1 amea\u00e7ando a cria\u00e7\u00e3o de empregos, o crescimento econ\u00f4mico e a inova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em nosso pa\u00eds\u201d [7].<\/p>\n<p>O que \u00e9 realmente problem\u00e1tico \u00e9 que este argumento que desafia a l\u00f3gica foi feito n\u00e3o por um bar\u00e3o corporativo dividido com acionistas que apenas se preocupam com lucros, mas por um representante da American Psychological Associantion, que ganha mais de US$79 milh\u00f5es em publica\u00e7\u00f5es e bases de dados de acordo com a apresenta\u00e7\u00e3o de seu <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Internal_Revenue_Service\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">IRS<\/a> (imposto de renda) mais recente (2008); a apresenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m indica que o Diretor Executivo (CEO) da associa\u00e7\u00e3o ganhou mais de meio milh\u00e3o de d\u00f3lares em compensa\u00e7\u00e3o anual [8].<\/p>\n<p>Um membro do Congresso preocupou-se em voz alta, dizendo que tornar a pesquisa dispon\u00edvel permitiria que entidades estrangeiras beneficiassem-se de nossa propriedade intelectual. O legislador aparentemente est\u00e1 confuso sobre o fato de que a maioria dos direitos de propriedade do sistema atual s\u00e3o propriedade de editores, v\u00e1rios deles estrangeiros, ansiosos para vender seu produto para qualquer um disposto a pagar. A gan\u00e2ncia n\u00e3o tem fronteiras. Mas a ind\u00fastria editorial criou esse medo, aumentando o espectro de estrangeiros com acesso \u00e0s pesquisas norte-americanas em seus materiais de propaganda contr\u00e1rios a aprova\u00e7\u00e3o desta lei. [9]<\/p>\n<p>E aqui est\u00e1 outro exemplo: organiza\u00e7\u00f5es de bibliotecas n\u00e3o est\u00e3o imunes da gan\u00e2ncia corporativa. Quando a Michigan State University, encarando dolorosos cortes or\u00e7ament\u00e1rios, tentaram contratar servi\u00e7os de cataloga\u00e7\u00e3o mais baratos dos oferecidos pela OCLC, uma grande cooperativa n\u00e3o-lucrativa de bibliotecas, a OCLC respondeu aumentando a taxa que a universidade teria que pagar para contribuir com o cat\u00e1logo massivo da uni\u00e3o WorldCat, uma taxa de crescimento projetada explicitamente para apagar qualquer economia. OCLC argumentou que ela tinha que jogar duro para proteger o seu \u201cmodelo de neg\u00f3cio\u201d [10]. O Diretor Executivo da OCLC tamb\u00e9m ganha mais de um milh\u00e3o de d\u00f3lares anualmente em compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O problema com as publica\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas \u00e9 que o modelo de neg\u00f3cio que elas adotaram gerou tanta renda que precisa ser protegido contra o perigo representado pelo conte\u00fado acad\u00eamico sendo compartilhado livremente. O \u00fanico modo de sobreviv\u00eancia para este modelo de neg\u00f3cio \u00e9 tornar a informa\u00e7\u00e3o seja escassa, uma mercadoria cara dispon\u00edvel apenas para os que podem pagar.<\/p>\n<p>Enquanto isso, em desespero, as bibliotecas que n\u00e3o podem bancar as grandes bases de dados est\u00e3o fazendo contratos com editores comerciais como a Elsevier para permitir que a universidade tenha acesso \u00e0 base de dados do editor e fa\u00e7a pedidos diretamente pelos artigos que querem ler, artigos que podem custar entre 30 e 50 d\u00f3lares cada. O que a biblioteca e sua institui\u00e7\u00e3o hospedeira ganham com isso? Nada al\u00e9m da conta. Ano passado, as universidades demitiram trabalhadores, alunos se esfor\u00e7avam para pagar mensalidades mais altas e bibliotecas cortaram assinaturas, a Elsevier anunciou lucros de mais de US$1 Bilh\u00e3o, com uma margem de lucro de 35 por cento. [11]<\/p>\n<p>Como editores comerciais se safam desta mercantiliza\u00e7\u00e3o do conhecimento? \u00c9 simples. Acad\u00eamicos terceirizaram a avalia\u00e7\u00e3o do valor das universidades para os editores. Comit\u00eas universit\u00e1rios n\u00e3o precisam ler e avaliar bolsas de estudo para conferirem concess\u00f5es ou promo\u00e7\u00f5es, eles apenas fazem os n\u00fameros. E por que os acad\u00eamicos percebem o qu\u00e3o incr\u00edvelmente sortudos eles s\u00e3o se conseguem manter seus empregos seguramente, eles n\u00e3o far\u00e3o nada sobre isso. Eles est\u00e3o no modo sobreviv\u00eancia. Eles imploram para que as corpora\u00e7\u00f5es explorem seu trabalho submetendo-os aos editores sua propriedade intelectual, e frequentemente pagam por este privil\u00e9gio, assumindo que a biblioteca de sua institui\u00e7\u00e3o ir\u00e1 recuperar seu conte\u00fado caso precise. Ao inv\u00e9s de aprender como contribuir para o conhecimento de um bem maior, estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o s\u00e3o treinados para fazer parte do jogo e competir com sucesso. Este tipo de individualismo \u00e9 agora t\u00e3o meticulosamente arraigado na pr\u00e1tica das vidas de acad\u00eamicos, que eles nem questionam isso. Est\u00e3o ocupados demais tentando deslanchar a pr\u00f3xima publica\u00e7\u00e3o ou adicionar uma outra linha ao seu <em>Curr\u00edculo Vitae<\/em>, por que \u00e9 assim que a produtividade \u00e9 definida, e produtividade \u00e9 tudo.<\/p>\n<blockquote>\n<h2>\u201cComiss\u00f5es de Faculdade n\u00e3o precisam mais ler e avaliar bolsas de estudo para atribu\u00edrem concess\u00f5es ou promo\u00e7\u00f5es, eles apenas fazem os n\u00fameros\u201d<\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>Com o risco de soar como uma marxista antiquada, n\u00e3o h\u00e1 motivo para continuar fazendo as coisas desta forma imbecilizante. Acad\u00eamicos podem ter propriedade sobre seus meios de produ\u00e7\u00e3o. Como Elinor Ostrom, um pr\u00eamio Nobel da economia, escreveu com o co-autor Charlotte Hess, \u201ca\u00e7\u00e3o coletiva e novo design institucional fazem uma grande parte na modelagem da informa\u00e7\u00e3o acad\u00eamica como fazem as restri\u00e7\u00f5es legais e for\u00e7as do mercado\u201d [12]. N\u00f3s podemos mudar o sistemas se trabalharmos juntos e severamente rejeitarmos a competi\u00e7\u00e3o individualista por produtividade que tem prejudicado tanto nossas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior. Precisamos acabar com as cercas levantadas por corpora\u00e7\u00f5es sobre o conhecimento que produzimos e reinvidicar nosso pr\u00f3prio conhecimento como uma responsabilidade comum a todos.<\/p>\n<p>A biblioteca \u00e9 conceitualmente um ambiente comum da universidade. Nos anos recentes, ela tem sido incluida e exploradas por corpora\u00e7\u00f5es, e acad\u00eamicos individuais tem sido ensinados a serem gratos a estas corpora\u00e7\u00f5es por reinvidicarem o copyright sobre seu trabalho em troca de avan\u00e7o na carreira. Mas n\u00e3o precisamos fazer isto desta forma.<\/p>\n<p>Sim, compreendo que custa dinheiro organizar o trabalho doado livremente por acad\u00eamicos e para os processos de escrit\u00f3rio (a edi\u00e7\u00e3o, o <em>layout<\/em>, o espa\u00e7o no servidor, o acompanhamento administrativo dos manuscritos em processamento) que o processo de publica\u00e7\u00e3o requerem. Mas atualmente nos custa muito mais comprar o acesso a este produto editorial, uma biblioteca por vez, do que se voc\u00ea coletivamente pagasse pelo trabalho a ser feito e o tornasse dispon\u00edvel. Atualmente n\u00f3s n\u00e3o estamos apenas financiando a publica\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m estamos financiando campanhas de marketing brilhantes, quadros de pessoal de venda, e sal\u00e1rios de lobistas em Washington que tentam persuadir nossos legisladores de que a propriedade corporativa de pesquisas feitas com fundo p\u00fablico \u00e9 bom pra n\u00f3s. Estamos financiando grandes sal\u00e1rios de Diretores Executivos e\u00a0 margens de lucro surpreendentes constru\u00eddas em cima desta escassez artificial de conhecimento que n\u00f3s mesmos produzimos.<\/p>\n<blockquote>\n<h2>\u201cEstamos financiando enormes sal\u00e1rios de Diretores Executivos e margens de lucro surpreendentes constru\u00eddas sobre uma escassez artificial do conhecimento que n\u00f3s mesmos produzimos\u201d<\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>A n\u00e3o muito tempo atr\u00e1s eu tomei emprestado uma folha do <em>Liberation Theology<\/em> (Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o) para criar o meu pr\u00f3prio manifesto para mudan\u00e7a, algo que eu caprichosamente chamo de <em>Liberation Bibliography<\/em> (Bibliografia da Liberta\u00e7\u00e3o) [13]. Enquanto eu estou sonhando, que eu possa ent\u00e3o sonhar grande. Aqui est\u00e1 o meu manifesto para mudan\u00e7a:<\/p>\n<p>\u2022 Bibliografia da Liberta\u00e7\u00e3o surge da indiga\u00e7\u00e3o com a injusti\u00e7a do sistema atual. N\u00e3o se trata de poupar dinheiro, \u00e9 sobre a natureza de empoderamento do conhecimento e sobre a cren\u00e7a de que ele n\u00e3o deveria ser um bem de luxo para poucos.<br \/>\n\u2022 Bibliografia da Liberta\u00e7\u00e3o deve emergira partir de um senso de solidariedade com comunidades que lutam por liberta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 apenas quest\u00e3o de alguns acad\u00eamicos e bibliotec\u00e1rios consertarem o sistema de comunica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica para melhorar as condi\u00e7\u00f5es para estudiosos; \u00e9 referente a a\u00e7\u00e3o para o bem comum.<br \/>\n\u2022 Bibliografia da Liberta\u00e7\u00e3o reconhece que o mundo n\u00e3o \u00e9 separado entre o acad\u00eamico e o ordin\u00e1rio. Se o conhecimento importa, deve importar al\u00e9m das fronteiras dos <em>campus<\/em>, e al\u00e9m das salas de confer\u00eancia de nossas sociedades acad\u00eamicas.<br \/>\n\u2022 Bibliografia da Liberta\u00e7\u00e3o reconhece que n\u00f3s estamos implicados em sistemas que pessoalmente nos beneficiam, mesmo quando reconhecemos que estes sistemas s\u00e3o injustos. Quando quer que publiquemos num peri\u00f3dico que ir\u00e1 revender nosso trabalho por lucro e mant\u00ea-lo longe de quem n\u00e3o pode pagar, n\u00f3s colocamos nosso interesse pr\u00f3prio antes de justi\u00e7a social.<br \/>\n\u2022 Bibliografia da Liberta\u00e7\u00e3o leva a s\u00e9rio o slogan, t\u00e3o frequentemente inscritos em pr\u00e9dios acad\u00eamicos mais antigos, de que a verdade deve nos libertar \u2013 e isso significa que a liberdade deve se estender a todos n\u00f3s, n\u00e3o apenas uma classe selecionada de acad\u00eamicos empregados e estudantes atualmente matriculados, pagantes de mensalidade.<br \/>\n\u2022 Bibliografia da Liberta\u00e7\u00e3o reconhece quea aprendizagem liberal que promovemos deve ser ben\u00e9fica a todas as pessoas. Como consequencia, nossas bibliotecas n\u00e3o deveriam simplesmente servir as necessidades imediatas de nossas institui\u00e7\u00f5es mas sim aos seus ideais mais altos. Para este fim, as bibliotecas e acad\u00eamicos precisam lembrar \u00e0s nossas institui\u00e7\u00f5es destes ideais que ainda servem de material para incont\u00e1veis declara\u00e7\u00f5es de miss\u00e3o e slogas mas s\u00e3o ignorados na pr\u00e1tica institucional di\u00e1ria. E como indiv\u00edduos e membros de uma comunidade, n\u00f3s devemos agir sobre elas.<\/p>\n<p><strong>Barbara Fister<\/strong> <em><\/em>\u00e9 professora a bibliotec\u00e1ria universit\u00e1ria no Gustavus Adolphus College (Saint Peter, Minnesota, Estados Unidos), onde atua como a presidente do departamento de biblioteca. Al\u00e9m de coordenar o programa instrucional da biblioteca, ela est\u00e1 envolvida com refer\u00eancia, desenvolvimento de cole\u00e7\u00e3o e iniciativa desenvolvimento da faculdade. Seus interesses de pesquisa incluem abordagens da gradua\u00e7\u00e3o \u00e0 trabalhos de pesquisa, o futuro das publica\u00e7\u00f5es e literatura popular. Em seu tempo livre, ela escreve e revisa literatura de fic\u00e7\u00e3o criminal. Seu romance mais recente \u00e9 o <em>Through the Cracks<\/em> (Minotaur, 2010).<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>1. Roger C. Schonfeld and Ross Housewright, \u201cFaculty Survey 2009.\u201d<br \/>\n2. Everett Henderson et al. Public Libraries Survey: Fiscal Year 2008. Washington, DC: Institute of Museum and Library Services, 2010.  retrieved 18 September, 2010.<br \/>\n3. Losing Libraries www.losinglibraries.org\/ retrieved 18 September 2010.<br \/>\n4. Josh Hadro, \u201cARL: Ruling Affirms Resolution Against Agreements With Confidentiality Clauses.\u201d<br \/>\n5. Jennifer Howard, \u201cLawmakers Hear Arguments For and Against Open Access to Research.\u201d<br \/>\n6. Aliya Sternstein, \u201cPublisher Argues Free Access to Research Violates Administration\u2019s Transparency Initiative.\u201d<br \/>\n7. Howard.<br \/>\n8. IRS records of non-profit organizations can be viewed at <a href=\"http:\/\/guidestar.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/Guidestar.org<\/a>. Users must register for the free service. The most recent records currently available date from 2008.<br \/>\n9. \u201cPublishers Express Concern Over Government Mandates on Journal Articles.\u201d<br \/>\n10. Larry P. Alford, \u201cThe Value of the OCLC Cooperative.\u201d<br \/>\n11. Reed Elsevier Online Reporting Center. Annual Reports 2009.<br \/>\n12. Charlotte Hess and Elinor Ostrom, \u201cThe Commons in an Age of Global Transition.\u201d<br \/>\n13. These ideas were originally developed in a series of columns written for Library Journal\u2019s Academic Newswire and were subsequently combined and edited to be published as an article in Library Journal. The author gratefully acknowledges the assistance of editor Rebecca Miller.<\/p>\n<p><strong>Trabalhos Citados<\/strong><\/p>\n<p>Alford, Larry P. \u201cThe Value of the OCLC Cooperative.\u201d January 15, 2010.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.oclc.org\/us\/en\/multimedia\/2010\/files\/arc\/Larry_Alford_essay.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.oclc.org\/us\/en\/multimedia\/2010\/files\/arc\/Larry_Alford_essay.pdf<\/a> (accessed August 1, 2010).<\/p>\n<p>Breeding,Marshall. \u201cSkyRiver and Innovative Interfaces File Major Antitrust Lawsuit Against OCLC.\u201d Library Journal July 29, 2010. <a href=\"http:\/\/www.libraryjournal.com\/lj\/home\/886099-264\/skyriver_and_innovative_interfaces_file.html.csp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.libraryjournal.com\/lj\/home\/886099-264\/skyriver_and_innovative_interfaces_file.html.csp<\/a> (accessed August 1, 2010).<\/p>\n<p>Fister, Barbara. \u201cLiberation Bibliography: Trumping Ownership With Access\u2014A Manifesto.\u201d Library Journal April 1, 2010. <a href=\"http:\/\/www.libraryjournal.com\/article\/CA6723666.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.libraryjournal.com\/article\/CA6723666.html<\/a> (accessed August 1, 2010).<\/p>\n<p>Hadro, Josh. \u201cARL: Ruling Affirms Resolution Against Agreements With Confidentiality Clauses.\u201d Library Journal, June 29, 2010. <a href=\"http:\/\/www.libraryjournal.com\/article\/CA6667426.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.libraryjournal.com\/article\/CA6667426.html<\/a> (accessed August 1, 2010).<\/p>\n<p>Hess, Charlotte and Elinor Ostrom. \u201cThe Commons in an Age of Global Transition: Challenges, Risks, and Opportunities.\u201d The Tenth Biennial Conference of the International Association for the Study of Common Property, Oaxaca,Mexico, August 9-13, 2004. <a href=\"http:\/\/dlc.dlib.indiana.edu\/dlc\/handle\/10535\/2147\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/dlc.dlib.indiana.edu\/dlc\/handle\/10535\/2147<\/a> (accessed August 1, 2010).<\/p>\n<p>Howard, Jennifer, \u201cLawmakers Hear Arguments For and Against Open Access to Research.\u201d Chronicle of Higher Education, July 29, 2010, <a href=\"http:\/\/chronicle.com\/article\/Lawmakers-Hear-Arguments-for\/123719\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/chronicle.com\/article\/Lawmakers-Hear-Arguments-for\/123719\/<\/a> (accessed August 1, 2010).<\/p>\n<p>\u201cPublishers Express Concern Over Government Mandates on Journal Articles.\u201d Professional and Scholarly Publishing Division, Association of American Publishers July 29, 2010 www.pspcentral.org\/commPublicAffairs\/PublishersExpressConcernOverGovernmentMandatesOnJournalArticles.cfm (accessed August 1, 2010).<\/p>\n<p>Reed Elsevier Online Reporting Center. Annual Reports 2009.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/reports.reedelsevier.com\/ar09\/Reports\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/reports.reedelsevier.com\/ar09\/Reports\/<\/a> (accessed August 1, 2010).<\/p>\n<p>Schonfeld, Roger C., and Ross Housewright. \u201cFaculty Survey 2009: Key Strategic Insights for Libraries, Publishers, and Societies.\u201d Ithaka April 7, 2010. www.ithaka.org\/ithaka-s-r\/research\/faculty-surveys-2000-2009\/Faculty%20Study%202009.pdf (accessed August 1, 2010).<\/p>\n<p>Sternstein, Aliya. \u201cPublisher Argues Free Access to Research Violates Administration\u2019s Transparency Initiative.\u201d Nextgov: Technology and the Business of Government, July 30, 2010. www.nextgov.com\/nextgov\/ng_20100730_1806.php?oref=topnews (accessed August 1, 2010).<\/p>\n<p>&#8211;<\/p>\n<p>Publicado originalmente no site <a href=\"http:\/\/www.nea.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">National Education Association<\/a>.<\/p>\n<p>T\u00edtulo Original: <a href=\"http:\/\/www.nea.org\/assets\/img\/PubThoughtAndAction\/A10Fister1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Liberating Knowledge: A Librarian\u2019s Manifesto for Change<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebi hoje por e-mail e compartilho. 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