{"id":2268,"date":"2011-10-12T16:42:25","date_gmt":"2011-10-12T19:42:25","guid":{"rendered":"http:\/\/mundobibliotecario.wordpress.com\/?p=2268"},"modified":"2020-07-21T23:21:16","modified_gmt":"2020-07-22T02:21:16","slug":"congresso-internacional-sibiusp-30-anos-o-futuro-do-conhecimento-universal-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2011\/10\/12\/congresso-internacional-sibiusp-30-anos-o-futuro-do-conhecimento-universal-i\/","title":{"rendered":"Congresso Internacional SIBiUSP 30 anos: O Futuro do Conhecimento Universal (I)"},"content":{"rendered":"<p>Ocorreu nos dias 7\/10 e 8\/10, em S\u00e3o Paulo, o Congresso Internacional SIBiUSP 30 anos: O Futuro do Conhecimento Universal. Contou com a presen\u00e7a de profissionais de diversas \u00e1reas e pa\u00edses que enriqueceram o evento com suas pr\u00e1ticas, ideias, discuss\u00f5es e experi\u00eancias, juntamente com as perguntas do p\u00fablico. Relatarei o evento em 4 <em>posts<\/em>, cada um apresentando cada mesa redonda.<\/p>\n<p>A primeira mesa (O Futuro do Livro) foi\u00a0coordenada\u00a0por M\u00f4nica Rizzo Soares Pinto, Diretora do Centro de Refer\u00eancia e Difus\u00e3o da Biblioteca\u00a0 Nacional, representando o Presidente Galeno Amorim, que infelizmente n\u00e3o pode comparecer.<\/p>\n<p>A primeira apresenta\u00e7\u00e3o foi de Jean-Claude Gued\u00f3n, da <a href=\"http:\/\/www.umontreal.ca\/\">Universit\u00e9 de Montr\u00e9al<\/a>\/OAPEN (Open Access Publishing in European Networks), do Canad\u00e1. Intitulada &#8220;The future of the book:\u00a0reshaping the sociology and the society\u00a0of texts&#8221;, foram apresentados os interessantes conceitos de sociologia de textos, sociologia de documentos e sociedade de textos,\u00a0que em linhas gerais abordam a quest\u00e3o de \u00a0que os textos devem ser analisados segundo seu tipo, sua maneira de produ\u00e7\u00e3o e a \u00e9poca em que foram publicados.<\/p>\n<p>Sobre o texto, Jean-Claude Gued\u00f3n apontou que ele permite externalizar a mem\u00f3ria e sofreu modifica\u00e7\u00f5es durante a evolu\u00e7\u00e3o dos suportes da informa\u00e7\u00e3o (escrita cuneiforme, papiro, c\u00f3dex\u00a0etc.). Por\u00e9m, \u00a0esses suportes impuseram obst\u00e1culos, como no caso de t\u00e1buas de argila\u00a0a necessidade de saber escrever e, no que se refere ao papiro, o dom\u00ednio de t\u00e9cnicas espec\u00edficas de escrita. A imprensa, por sua vez, determina n\u00e3o s\u00f3 o conhecimento da impress\u00e3o, mas tamb\u00e9m influencia na decis\u00e3o de publicar ou n\u00e3o um texto e, consequentemente, na circula\u00e7\u00e3o de ideias.<\/p>\n<p>Ainda no que diz respeito \u00e0 sociologia dos textos, Gued\u00f3n exp\u00f4s que sua modifica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m provoca mudan\u00e7a em quem faz os textos. \u00c9 o caso, por exemplo, da imprensa, que de controlada por poucas passou a ser digitalizada, por meio da prolifera\u00e7\u00e3o de <em>blogs<\/em>, <em>tweets<\/em>, de <em>link<\/em> para <em>link<\/em> etc., configurando um novo jornalismo emergente. Embora Gued\u00f3n apontou que a imprensa digitalizada seja de f\u00e1cil navegabilidade, n\u00e3o concordo, pois nem todos os sites e ferramentas s\u00e3o desenvolvidos visando a organiza\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, que muitas vezes s\u00e3o uma verdadeira dor de cabe\u00e7a para os usu\u00e1rios. Nesse contexto, tutoriais podem ser uma boa solu\u00e7\u00e3o para esclarecer a navega\u00e7\u00e3o, assim como um mapa do site ou at\u00e9 mesmo o <em>e-mail<\/em> do autor caso a resposta para uma d\u00favida n\u00e3o seja encontrada.<\/p>\n<p>Destaca-se que na sociedade atual fomos transformados em autores e leitores, al\u00e9m de ser ressaltado, em diversos momentos, que os documentos n\u00e3o sobrevivem sem os grupos sociais. H\u00e1 mudan\u00e7as de pap\u00e9is, as vezes sutis, as vezes n\u00e3o: passou-se de uma sociedade de textos para uma sociedade de documentos, de um sistema claro de distribui\u00e7\u00e3o para um sistema interativo. Sobretudo nesta era de conectividade, nem sempre \u00e9 f\u00e1cil fazer essas distin\u00e7\u00f5es, mas acredito que o mais importante seja transformar a informa\u00e7\u00e3o em conhecimento, principalmente para &#8220;aliviar&#8221; um pouco o excesso de informa\u00e7\u00e3o, contribuindo para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades informacionais dos usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>Sobre o futuro dos livros e do conhecimento, o palestrante fez tr\u00eas considera\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>1. Livros n\u00e3o ser\u00e3o transformados em Kindles.<\/p>\n<p>2. A presen\u00e7a dos <em>e-books<\/em>\u00a0ser\u00e1 cada vez mais forte.<\/p>\n<p>3. O autor est\u00e1 inserido em um ambiente novo e rico para essa nova sociedade e sociologia dos textos.<\/p>\n<p>Jean-Claude Gued\u00f3n encerrou sua fala reafirmando que o futuro dos livros passar\u00e1 pelas comunidades, pois elas ir\u00e3o reunir pessoas e livros com alguma organiza\u00e7\u00e3o e que o trabalho do bibliotec\u00e1rio passar\u00e1 dos livros para as pessoas, ou seja, tudo que possa ser feito com documentos por meio das pessoas.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima palestra, &#8220;How to change copyright without changing the law: fair use and open access in the U.S.&#8221;, por Brandon Butler, da Policy Initiatives &#8211; Association of Research Library (EUA). Inicialmente, Butler exp\u00f4s que as dificuldades enfrentadas pelos EUA em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lei de direitos autorais n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o diferentes no Brasil e esclareceu que sua fala tomou por base a legisla\u00e7\u00e3o americana.<\/p>\n<p>Segundo o palestrante, o problema principal \u00e9 que o futuro ser\u00e1 governado pela lei, com exce\u00e7\u00e3o das bibliotecas, mas ainda assim uma exce\u00e7\u00e3o muito restrita. Embora atualmente os usu\u00e1rios desejem todo o conte\u00fado digitalizado, bem como que os livros sejam encontr\u00e1veis e compartilh\u00e1veis, Butler colocou que o sistema atual de publica\u00e7\u00e3o est\u00e1 quebrado; a solu\u00e7\u00e3o, a princ\u00edpio, seria mudar a lei. Por\u00e9m, o grande problema enfrentado no Congresso americano \u00e9 o argumento dos possuidores dos direitos que se colocam como criadores de empregos, al\u00e9m de deixarem em segundo plano outros atores envolvidos nesse processo, como usu\u00e1rios e bibliotecas, que se tornam &#8220;ref\u00e9ns&#8221; na medida em que o acesso depende da autoriza\u00e7\u00e3o dos detentores dos direitos. Os bibliotec\u00e1rios realizaram esfor\u00e7os no sentido que tornar a lei mais favor\u00e1vel para o acesso aos conte\u00fados, por\u00e9m n\u00e3o obtiveram sucesso e tamb\u00e9m pelo fato de existir muitos lobistas no meio, segundo Butler.<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia, Brandon Butler apontou a exist\u00eancia do<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/TEACH_Act\">TEACH Act<\/a>, que permite aos educadores copiar documentos ou utilizar materiais sob prote\u00e7\u00e3o para uso em aula. Essa lei, infelizmente, n\u00e3o funciona para bibliotecas, que juntamente com o Congresso e bibliotec\u00e1rios, n\u00e3o conseguem chegar a um acordo para o uso dessas institui\u00e7\u00f5es. As solu\u00e7\u00f5es podem ser o <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Fair_Use\"><em>Fair Use<\/em><\/a> e o acesso aberto. Como este j\u00e1 \u00e9 conhecido dos bibliotec\u00e1rios, limito-me a apresentar o conceito do <em>Fair Use<\/em>, que acredito ser uma novidade para mim e outros leitores e participantes do evento. Segundo a Wikip\u00e9dia, \u00e9<\/p>\n<p>&#8220;[&#8230;] uma limita\u00e7\u00e3o e exce\u00e7\u00e3o ao direito exclusivo concedido pela lei de copyright para o autor de um trabalho criativo, \u00e9 uma doutrina na lei de direitos autorais dos Estados Unidos que permite o uso limitado de material protegido por copyright sem adquirir a permiss\u00e3o dos detentores dos direitos. Exemplos de fair use incluiem coment\u00e1rios, cr\u00edticas, not\u00edcias, pesquisa, ensino, documentos de biblioteca e bolsas de estudos.&#8221;<\/p>\n<p>Vale destacar que <a href=\"http:\/\/www.copyright.gov\/fls\/fl102.html\">o Fair Use \u00e9 baseado em quatro fatores<\/a>:<\/p>\n<p>O prop\u00f3sito e car\u00e1ter do uso, incluindo se tal uso \u00e9 de natureza comercial ou educacional sem fins lucrativos.<br \/>\nA natureza do trabalho com direitos autorais.<br \/>\nA quantidade e substancialidade da parte usada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 obra como um todo.<br \/>\nO efeito do uso sobre para um mercado potencial para ou o valor do trabalho com direitos autorais.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a <a href=\"http:\/\/www.arl.org\/\">Association of Research Libraries (ARL)<\/a> est\u00e1 desenvolvendo um c\u00f3digo para regular o uso dos materiais na comunidade acad\u00eamica. Para tanto, foi realizada uma pesquisa que envolveu a conversa com pessoas para elencar os problemas, dentre eles: a falta de uma pol\u00edtica espec\u00edfica para uso do livro quanto \u00e0 c\u00f3pia; suporte \u00e0 pesquisa: digitaliza\u00e7\u00e3o de cole\u00e7\u00f5es e gerenciamento do acesso; exposi\u00e7\u00f5es <em>online<\/em>; pessoas com necessidades especiais.<\/p>\n<p>J\u00e1 existem melhores pr\u00e1ticas para uso do fair use, como \u00e9 o caso de algumas comunidades com seus pr\u00f3prios c\u00f3digos, como o <a href=\"http:\/\/www.centerforsocialmedia.org\/fair-use\/best-practices\/documentary\/documentary-filmmakers-statement-best-practices-fair-use\">Documentary Filmmakers&#8217; Statement of Best Practices in Fair Use<\/a> e o Librarians Code Research, cuja previs\u00e3o de lan\u00e7amento \u00e9 para janeiro de 2012.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao acesso aberto, Butler que esse modelo deveria ser parte do sistema de publica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o apenas uma alternativa. Como exemplo mencionou o <a href=\"http:\/\/www.arl.org\/sparc\/\">Scholarly Publishing and Academic Resources Coalition (SPARC)<\/a>, uma iniciativa desenvolvida pela ARL. Trata-se de &#8220;[&#8230;] uma alian\u00e7a internacional de bibliotecas acad\u00eamicas e de pesquisa trabalhando para corrigir desequil\u00edbrios no sistema de publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.&#8221;, conforme consta na p\u00e1gina About SPARC.<\/p>\n<p>Encerrando a mesa redonda, Roberto Bahiense, da Nuvem de Livros\/Gol Grupo apresentou a palestra &#8220;Nuvem de livros &#8211; Democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao conhecimento&#8221;. A partir da pergunta &#8220;Porque as editoras est\u00e3o postergando os e-books?&#8221;, o palestrante apresentou tr\u00eas respostas:<\/p>\n<p>1. S\u00edndrome do <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Digital_rights_management\">DRM<\/a> (controle dos direitos autorais), relacionada com a preserva\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados para evitar pirataria.<\/p>\n<p>2. O suporte da cadeia editorial poderia quebrar.<\/p>\n<p>3. As editoras v\u00e3o ter que terceirizar a tecnologia da informa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Em seguida, Bahiense exp\u00f4s alguns dados que refletem uma nova realidade brasileira, dentre eles: a <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2007-2010\/2010\/Lei\/L12244.htm\">Lei n\u00ba 12.244 \u2013 Universaliza\u00e7\u00e3o das bibliotecas escolares no Brasil<\/a>, que prev\u00ea, at\u00e9 2020, a exist\u00eancia de bibliotecas nas institui\u00e7\u00f5es de ensino e um livro por aluno, pois atualmente h\u00e1 15 milh\u00f5es de alunos sem biblioteca; o aumento do n\u00famero de celulares, que j\u00e1 \u00e9 maior que a popula\u00e7\u00e3o brasileira; o aumento da velocidade da banda larga e tamb\u00e9m do n\u00famero de computadores.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s essa breve exposi\u00e7\u00e3o, foi apresentada a <a href=\"http:\/\/www.nuvemdelivros.com.br\/\">Nuvem de Livros<\/a>, desenvolvida por uma equipe multidisciplinar (bibliotec\u00e1rios, publicit\u00e1rios, dentre outro profissionais) e que disponibiliza contos, cr\u00f4nicas e outros tipos de obras liter\u00e1rias, exceto livros did\u00e1ticos. Como o pr\u00f3prio nome diz, tudo \u00e9 arquivado e disponibilizado na &#8220;nuvem&#8221;, al\u00e9m de ser acess\u00edvel simultaneamente por v\u00e1rios usu\u00e1rios e n\u00e3o possuir problemas de conte\u00fados indispon\u00edveis. O acesso a nuvem ocorre independentemente de quaisquer crit\u00e9rios sociais, econ\u00f4micos, pol\u00edticos ou religiosos e as obras s\u00f3 podem ser lidas no computador por R$0,99 por semana. Conforme Bahiense explicou, esse valor \u00e9 o &#8220;aluguel&#8221; da leitura, j\u00e1 que n\u00e3o pode ser feito o <em>download<\/em> das obras, e tamb\u00e9m resolve a delicada quest\u00e3o dos direitos autorais, j\u00e1 que um percentual \u00e9 destinado aos editores e autores. Por fim, foi apresentado que atualmente a Nuvem de Livros j\u00e1 conta com cerca de 40 editoras e que tamb\u00e9m ser\u00e3o atendidos os crit\u00e9rios de acessibilidade, num primeiro momento com os livros em libras, e posteriormente com outros recursos para atender \u00e0s demais pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n<p>Foi uma mesa bastante instigante, tendo em vista que apresentou conceitos filos\u00f3ficos, passando pelos direitos autorais e patrimoniais e encerrada com quest\u00f5es ligadas \u00e0 tecnologia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ocorreu nos dias 7\/10 e 8\/10, em S\u00e3o Paulo, o Congresso Internacional SIBiUSP 30 anos: O Futuro do Conhecimento Universal. Contou com a presen\u00e7a de profissionais de diversas \u00e1reas e pa\u00edses que enriqueceram o evento com suas pr\u00e1ticas, ideias, discuss\u00f5es e experi\u00eancias, juntamente com as perguntas do p\u00fablico. 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