{"id":2931,"date":"2013-02-23T11:42:57","date_gmt":"2013-02-23T14:42:57","guid":{"rendered":"http:\/\/mundobibliotecario.wordpress.com\/?p=2931"},"modified":"2013-02-23T11:42:57","modified_gmt":"2013-02-23T14:42:57","slug":"conhecimento-ilhado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2013\/02\/23\/conhecimento-ilhado\/","title":{"rendered":"Conhecimento ilhado"},"content":{"rendered":"<p id=\"the_excerpt\">Economias emergentes registram autocita\u00e7\u00e3o nacional excessiva e chamam aten\u00e7\u00e3o para os efeitos do isolamento<\/p>\n<p id=\"the_author\">BRUNO DE PIERRO | Edi\u00e7\u00e3o 204 &#8211; Fevereiro de 2013<\/p>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div id=\"the_content\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"\" alt=\"\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/030-033_Insularidade_204-1.jpg\" width=\"290\" height=\"141\" \/><\/p>\n<p>Pa\u00edses do chamado Brics (Brasil, \u00cdndia, China e R\u00fassia), junto com outros casos particulares, como o Ir\u00e3, t\u00eam registrado elevados \u00edndices de autocita\u00e7\u00e3o nacional, provocando o chamado isolamento cient\u00edfico<\/p>\n<p>Se algu\u00e9m um dia disser que a China, o Brasil ou o Ir\u00e3 s\u00e3o ilhas, demonstrar\u00e1 pouca ou nenhuma familiaridade com conceitos b\u00e1sicos da geografia. No campo da cienciometria \u2013 ramo que estuda elementos quantitativos da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u2013 a afirma\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o soa estranha. Os tr\u00eas pa\u00edses citados, entre outros, tornaram-se ilhas num mar de publica\u00e7\u00f5es e cita\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas. O fen\u00f4meno tem sido chamado de\u00a0<em>scientific insularity<\/em>(insularidade cient\u00edfica) e ocorre quando o n\u00edvel de autocita\u00e7\u00e3o nacional encontra-se acima da m\u00e9dia em um pa\u00eds, isto \u00e9, quando boa parte das cita\u00e7\u00f5es recebidas \u00e9 feita por pesquisadores do pr\u00f3prio pa\u00eds. As causas v\u00e3o desde uma agenda cient\u00edfica voltada mais para temas localizados at\u00e9 o prec\u00e1rio ensino das pr\u00e1ticas metodol\u00f3gicas em universidades. Uma pesquisa publicada no ano passado pela revista<em>Scientometrics<\/em>\u00a0lan\u00e7a novo olhar sobre o problema ao sugerir que caracter\u00edsticas pol\u00edticas e geogr\u00e1ficas, como a extens\u00e3o territorial do pa\u00eds, exercem forte influ\u00eancia nos \u00edndices de autocita\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>\u201cPa\u00edses grandes t\u00eam mais chances de desenvolver tradi\u00e7\u00f5es de pesquisa e redes acad\u00eamicas independentes, principalmente quando h\u00e1 um grande n\u00famero de grupos potencialmente ligados entre si\u201d, explica Richard Ladle, autor principal do estudo e pesquisador s\u00eanior associado da Universidade de Oxford. J\u00e1 cientistas de pa\u00edses pequenos acabam sendo for\u00e7ados a colaborar e estabelecer di\u00e1logo com colegas de outros pa\u00edses, o que amplia o n\u00famero de cita\u00e7\u00f5es estrangeiras. Para chegar a essa constata\u00e7\u00e3o, Ladle e sua equipe, que inclui a esposa brasileira Ana Malhado, do Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e da Sa\u00fade da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), analisaram informa\u00e7\u00f5es sobre n\u00fameros de publica\u00e7\u00f5es e cita\u00e7\u00f5es por pa\u00edses, disponibilizadas entre 1996 e 2010 pelo SCImago, portal de indicadores cient\u00edficos amparado pelo banco de dados Scopus.<\/p>\n<p>A pesquisa revelou que o grupo de campe\u00f5es em autocita\u00e7\u00e3o nacional re\u00fane pa\u00edses com grande extens\u00e3o, como os Brics (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China), e aqueles que constitu\u00edram, ao longo da hist\u00f3ria, sistemas pol\u00edticos fechados, destacando Ir\u00e3 e Cuba, al\u00e9m de ex-integrantes do bloco sovi\u00e9tico (S\u00e9rvia, Ucr\u00e2nia e Pol\u00f4nia). Pa\u00edses com menores n\u00edveis de autocita\u00e7\u00e3o s\u00e3o, na maioria, aqueles com pequeno territ\u00f3rio, mas alta propor\u00e7\u00e3o de programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o ministrados em ingl\u00eas, como Israel, Dinamarca, Cingapura e Emirados \u00c1rabes Unidos. Enquanto a China registrou, no per\u00edodo analisado, 51% de autocita\u00e7\u00f5es, do total de cita\u00e7\u00f5es que o pa\u00eds recebeu, apenas 15% eram de artigos de Israel feitos por autores do pr\u00f3prio pa\u00eds.<\/p>\n<p>A influ\u00eancia que a \u00e1rea territorial exerce sobre a autocita\u00e7\u00e3o nacional est\u00e1 atrelada a outros fatores. \u00cdndices elevados de autocita\u00e7\u00e3o nacional em pa\u00edses grandes e desenvolvidos, como os Estados Unidos, com taxa de 47%, s\u00e3o esperados. O pa\u00eds produz o maior volume de pesquisas no mundo, geralmente com artigos de alto impacto; portanto, espera-se que seus\u00a0<em>papers<\/em>\u00a0sejam muito citados. O Brasil, que apresenta \u00edndice de autocita\u00e7\u00e3o nacional alto e crescente, tamb\u00e9m \u00e9 um pa\u00eds grande, mas menos desenvolvido, o que significa que as causas s\u00e3o distintas das dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Para se fazer compreender melhor, Ladle compara a Inglaterra, seu pa\u00eds de origem, com o Brasil, onde trabalha, desde 2009, como professor visitante no mesmo departamento da esposa na Ufal. \u201cUma das diferen\u00e7as que notei \u00e9 o baixo n\u00famero de professores e alunos estrangeiros aqui e o consider\u00e1vel n\u00famero de institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas na Inglaterra\u201d, conta. Nos tempos de professor em Oxford, Ladle chegou a registrar 70% de alunos estrangeiros em seu curso. Dos colegas de departamentos, 50% eram acad\u00eamicos vindos de v\u00e1rias partes do mundo. \u201cOs cientistas ingleses escrevem principalmente para revistas internacionais e s\u00e3o, portanto, obrigados a \u2018vender\u2019 seus trabalhos \u00e0 comunidade internacional logo no in\u00edcio da carreira\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p><a title=\"030-033_Insularidade_204-2\" href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/030-033_Insularidade_204-2.jpg\" rel=\"lightbox[105179]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"030-033_Insularidade_204-2\" alt=\"\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/030-033_Insularidade_204-2-268x300.jpg\" width=\"268\" height=\"300\" \/><\/a>Essa prefer\u00eancia pelos peri\u00f3dicos de prest\u00edgio internacional, a despeito dos nacionais, \u00e9 uma caracter\u00edstica comum das na\u00e7\u00f5es que fazem quest\u00e3o de cortar o cord\u00e3o umbilical que conecta um\u00a0<em>paper<\/em>\u00a0\u00e0 m\u00e3e-p\u00e1tria. De 2006 a 2011, os artigos da Su\u00e9cia receberam mais de 6 milh\u00f5es de cita\u00e7\u00f5es, dos quais apenas 1,06 milh\u00e3o s\u00e3o autocita\u00e7\u00f5es. A diferen\u00e7a entre a Su\u00e9cia e a China est\u00e1 no que se pode chamar de \u201cmilagre da multiplica\u00e7\u00e3o\u201d dos peri\u00f3dicos cient\u00edficos. No Scopus, a China tem indexadas 537 publica\u00e7\u00f5es e a Su\u00e9cia se satisfaz com apenas 49 publica\u00e7\u00f5es no banco de dados.<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais revistas cient\u00edficas um pa\u00eds tiver, mais autocita\u00e7\u00e3o receber\u00e1\u201d, explica Rog\u00e9rio Meneghini, coordenador cient\u00edfico da biblioteca virtual Scientific Electronic Library Online (SciELO), que tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o para as diferen\u00e7as entre os sistemas adotados pelos bancos de dados internacionais mais reconhecidos. O Web of Knowledge, da Thomson Reuters, \u00e9 o mais tradicional e tem cerca de 12 mil peri\u00f3dicos indexados. O concorrente Scopus, da Elsevier, chega a 23 mil publica\u00e7\u00f5es, revelando, portanto, um sistema de sele\u00e7\u00e3o menos exigente. A disputa pelo mercado entre ambos cria condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para que publica\u00e7\u00f5es de baixo prest\u00edgio internacional sejam incorporadas rapidamente.<\/p>\n<p>A eclos\u00e3o de novos peri\u00f3dicos em alguns pa\u00edses tem por tr\u00e1s motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e de mer-cado. Na contram\u00e3o da tend\u00eancia mundial, em que a quest\u00e3o nacional vem deixando de ser o principal elemento de classifica\u00e7\u00e3o de qualidade, pa\u00edses em desenvolvimento t\u00eam sido tratados como verdadeiras \u201cilhas do tesouro perdido\u201d por parte das grandes editoras de publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. \u201cHoje quem est\u00e1 tomando conta do mercado de revistas cient\u00edficas s\u00e3o os\u00a0<em>publishers<\/em>\u00a0comerciais, como a Elsevier e a Springer, cuja margem de lucro chega a 45%\u201d, diz Meneghini, ao salientar que os maiores alvos de investimentos t\u00eam sido a China e o Brasil, entre outros. \u201cA Su\u00e9cia considera mais relevante ter pesquisadores atuando como editores-chefes de importantes publica\u00e7\u00f5es internacionais, ditando os rumos da ci\u00eancia no mundo, do que simplesmente ter um n\u00famero alto de peri\u00f3dicos nacionais\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>Internacionaliza\u00e7\u00e3o de peri\u00f3dicos<\/strong><br \/>\nNo Brasil, a raz\u00e3o da alta produ\u00e7\u00e3o de peri\u00f3dicos \u00e9 simples: dar vaz\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que n\u00e3o encontra lugar em revistas internacionais. \u201cTemos um n\u00famero extremamente alto de peri\u00f3dicos, algo em torno de 5 mil (n\u00e3o h\u00e1 uma contagem exata de quantos sejam), o que demanda sempre novos artigos\u201d, diz Meneghini. O problema, segundo ele, \u00e9 que muitas institui\u00e7\u00f5es nunca estiveram preparadas para publicar artigos, mas como desejam inaugurar cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o a edi\u00e7\u00e3o de um peri\u00f3dico pode contar pontos na avalia\u00e7\u00e3o da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes).<\/p>\n<p>\u201cA publica\u00e7\u00e3o que aqui \u00e9 considerada refer\u00eancia e apresenta artigos de excelente qualidade no exterior pode ter a import\u00e2ncia reduzida quando levado em conta seu \u00edndice de cita\u00e7\u00e3o nacional\u201d, afirma Gilson Volpato, professor do Instituto de Bioci\u00eancias da Unesp em Botucatu e autor de livros sobre reda\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Um exemplo lembrado por ele \u00e9 o da\u00a0<em>Revista Brasileira de Zootecnia<\/em>, editada pela Sociedade Brasileira de Zootecnia. Embora ainda bem classificada pela avalia\u00e7\u00e3o Qualis da Capes, a publica\u00e7\u00e3o foi praticamente congelada no\u00a0<em>Journal Citation Reports<\/em>\u00a0(<em>JCR<\/em>), ligado ao Web of Knowledge, ao atingir taxas alt\u00edssimas de autocita\u00e7\u00e3o nacional. O conjunto de publica\u00e7\u00f5es brasileiras que foram, em 2011, suprimidas do\u00a0<em>Journal Impact Factor<\/em>, ligado ao\u00a0<em>JCR<\/em>, inclui ainda as revistas\u00a0<em>Planta Daninha<\/em>,\u00a0<em>Revista Brasileira de Farmacognosia<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Revista Ci\u00eancia Agron\u00f4mica<\/em>, por terem desenvolvido padr\u00f5es an\u00f4malos de cita\u00e7\u00e3o, provocando distor\u00e7\u00f5es em seus fatores de impacto.<\/p>\n<p><a title=\"Conhecimento ilhado\" href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/030-033_Insularidade_204-3.jpg\" rel=\"lightbox[105179]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"\" alt=\"\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/030-033_Insularidade_204-3-300x95.jpg\" width=\"300\" height=\"95\" \/><\/a>O \u00edndice de autocita\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>CA, A Cancer Journal for Clinicians<\/em>, uma das principais publica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, editada pela American Cancer Society, \u00e9 de 0,029%, e seu fator de impacto, segundo o\u00a0<em>JCR<\/em>, \u00e9 de 101. As conhecidas\u00a0<em>Nature<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Science<\/em>\u00a0apresentam autocita\u00e7\u00e3o de 0,158% e 0,136% e fatores de impacto 36 e 31, respectivamente.<\/p>\n<p>Alguns exemplos de mecanismos para dar maior proje\u00e7\u00e3o aos trabalhos realizados em seu\u00a0<em>campus<\/em>\u00a0podem ser encontrados nas universidades de S\u00e3o Paulo (USP) e Estadual de Campinas (Unicamp). Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, ambas passaram a investir na realiza\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>workshops<\/em>\u00a0para discutir ferramentas de escrita de teses e\u00a0<em>papers<\/em>\u00a0e metodologias para a apresenta\u00e7\u00e3o de dados e resultados. \u201cRefletimos sobre como melhorar a reda\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas e as pr\u00e1ticas de cita\u00e7\u00e3o, e criamos estrat\u00e9gias para a internacionaliza\u00e7\u00e3o de nossas publica\u00e7\u00f5es\u201d, afirma Sueli Mara Soares Pinto Ferreira, coordenadora do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de S\u00e3o Paulo (SIBi-USP), que re\u00fane 104 peri\u00f3dicos produzidos na USP.<\/p>\n<p>A Unicamp mant\u00e9m, desde 2008, o Espa\u00e7o da Escrita, com o objetivo de apoiar a tradu\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos para outros idiomas. O primeiro\u00a0<em>workshop<\/em>\u00a0organizado na Unicamp, em 2010, contou apenas com a participa\u00e7\u00e3o de 57 pessoas. Em 2012, o n\u00famero havia saltado para 800. H\u00e1, ainda, um projeto em andamento para criar um reposit\u00f3rio para os 44 peri\u00f3dicos editados pela universidade. \u201cO reposit\u00f3rio deve come\u00e7ar a receber as primeiras publica\u00e7\u00f5es ainda neste primeiro semestre, e futuramente ser\u00e1 vinculado a um reposit\u00f3rio maior hospedado no\u00a0<em>site<\/em>\u00a0do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de S\u00e3o Paulo (Cruesp)\u201d, explica Ronaldo Pilli, pr\u00f3-reitor de Pesquisa da Unicamp.<\/p>\n<p>\u201cQuando realizei o doutorado em Oxford, meu projeto inicial de descrever padr\u00f5es de morfologia de folhas da Amaz\u00f4nia foi completamente desconstru\u00eddo\u201d, relata Ana Malhado, coautora da pesquisa. Segundo ela, foi preciso desenvolver hip\u00f3teses e adotar uma nova abordagem muito mais afinada com a literatura mundial. Muitos estudantes e pesquisadores parecem preferir escrever um artigo descritivo para um peri\u00f3dico nacional do que usar os mesmos dados para tratar importantes temas de forma global, generalizante. O depoimento de Malhado refor\u00e7a como a insularidade pode dificultar a vida de muitos brasileiros que pretendem estudar no exterior.<\/p>\n<p>\u201cTodos os pa\u00edses t\u00eam um n\u00edvel de autocita\u00e7\u00e3o nacional considerado saud\u00e1vel, porque seus cientistas devem tratar de interesses do pa\u00eds\u201d, pondera a pesquisadora. Para ela, o principal ponto que merece ser destacado \u00e9 que desenvolvedores de pol\u00edticas p\u00fablicas devem ficar mais atentos para a insularidade com a finalidade de refinar as agendas de pesquisa em todos os n\u00edveis.<\/p>\n<p>No Brasil, as \u00e1reas agr\u00edcola e de sa\u00fade p\u00fablica s\u00e3o bons exemplos de setores que se voltam para o local, mas que, ao mesmo tempo, produzem artigos reconhecidos internacionalmente. \u201cMuitos pa\u00edses est\u00e3o interessados em saber como o Brasil driblou uma situa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica ou de solo para determinada cultura vegetal. Trata-se de utilizar dados locais para depois generaliz\u00e1-los\u201d, afirma Meneghini. Como exemplo, Volpato menciona o educador Paulo Freire (1921-1997), que estudou a alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos e ficou conhecido internacionalmente ao desenvolver, com dados locais, conceitos globais. \u201cN\u00e3o fazer isso \u00e9 uma quest\u00e3o de fragilidade na postura cient\u00edfica de nossos pesquisadores\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Outra medida para que a insularidade seja evitada \u00e9 a contrata\u00e7\u00e3o de professores estrangeiros, como Ladle. A pr\u00f3pria pesquisa do casal \u00e9 exemplo de como a parceria entre pesquisadores de diferentes pa\u00edses pode atribuir ao trabalho o desej\u00e1vel car\u00e1ter global, e, em alguns casos, mostrar que a supera\u00e7\u00e3o das fronteiras nacionais tamb\u00e9m pode render frutos para al\u00e9m dos interesses cient\u00edficos. Pais de primeira viagem, Ladle e Malhado concederam entrevista \u00e0 revista\u00a0<em>Pesquisa FAPESP<\/em>\u00a0numa semana atrapalhada, logo ap\u00f3s assistirem ao nascimento da filha, a pequena Jasmine.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2013\/02\/11\/conhecimento-ilhado\/\">http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2013\/02\/11\/conhecimento-ilhado\/<\/a>&gt;. Acesso em: 23 fev. 2013.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economias emergentes registram autocita\u00e7\u00e3o nacional excessiva e chamam aten\u00e7\u00e3o para os efeitos do isolamento BRUNO DE PIERRO | Edi\u00e7\u00e3o 204 &#8211; Fevereiro de 2013 Pa\u00edses do chamado Brics (Brasil, \u00cdndia, China e R\u00fassia), junto com outros casos particulares, como o Ir\u00e3, t\u00eam registrado elevados \u00edndices de autocita\u00e7\u00e3o nacional, provocando o chamado isolamento cient\u00edfico Se algu\u00e9m &#8230; <a title=\"Conhecimento ilhado\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2013\/02\/23\/conhecimento-ilhado\/\" aria-label=\"Read more about Conhecimento ilhado\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_jetpack_newsletter_access":"","footnotes":""},"categories":[60],"tags":[1044,777],"class_list":["post-2931","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-cienciometria","tag-publicacao-cientifica"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":2677,"url":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2012\/07\/28\/fapesp-e-thomson-reuters-anunciam-acordo-para-integracao-de-bases-de-informacao-cientifica\/","url_meta":{"origin":2931,"position":0},"title":"FAPESP e Thomson Reuters anunciam acordo para integra\u00e7\u00e3o de bases de informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica","author":"mundobibliotecario","date":"28\/07\/2012","format":false,"excerpt":"27\/07\/2012 Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A FAPESP e a divis\u00e3o de propriedade intelectual e ci\u00eancia da Thomson Reuters anunciaram, no dia 25 de julho, um acordo para integrar a base de dados do Programa Scientific Electronic Library Online (SciELO) \u00e0 Web of Knowledge, a mais abrangente base internacional de informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas.\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Not\u00edcias&quot;","block_context":{"text":"Not\u00edcias","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/category\/noticias\/"},"img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":207,"url":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2008\/12\/07\/biblioteca-chinesa-em-sao-paulo\/","url_meta":{"origin":2931,"position":1},"title":"Biblioteca chinesa em S\u00e3o Paulo","author":"mundobibliotecario","date":"07\/12\/2008","format":false,"excerpt":"Foi inaugurado, na \u00faltima quarta-feira, dia 26, o Instituto Conf\u00facio na Unesp. Resultado de uma parceria entre a Unesp e a Universidade de Hubei, com a chancela do governo chin\u00eas, o projeto vai possibilitar novas formas de coopera\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e cient\u00edfica entre os dois pa\u00edses, como o ensino do idioma\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Not\u00edcias&quot;","block_context":{"text":"Not\u00edcias","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/category\/noticias\/"},"img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":4018,"url":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2015\/10\/25\/para-que-todos-tomem-ciencia\/","url_meta":{"origin":2931,"position":2},"title":"Para que todos tomem ci\u00eancia","author":"mundobibliotecario","date":"25\/10\/2015","format":false,"excerpt":"Grande parte de textos de revistas cient\u00edficas se origina de pesquisas financiadas com recursos p\u00fablicos POR PAULO GUANAES \/ HOOMAN MOMEN 16\/09\/2015 0:00 PUBLICIDADE Ao estabelecer em mar\u00e7o de 2014 a sua Pol\u00edtica de Acesso Aberto ao Conhecimento, a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) buscou garantir \u00e0 sociedade a consulta livre\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Not\u00edcias&quot;","block_context":{"text":"Not\u00edcias","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/category\/noticias\/"},"img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":1813,"url":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2011\/02\/28\/indelevel-vergonha-etica\/","url_meta":{"origin":2931,"position":3},"title":"Indel\u00e9vel vergonha \u00e9tica","author":"mundobibliotecario","date":"28\/02\/2011","format":false,"excerpt":"O pl\u00e1gio deve ser enfrentado n\u00e3o como crime, mas como infra\u00e7\u00e3o capital que marcar\u00e1 para sempre o autor com o vexame de ser chamado de plagiador e com o dever de retrata\u00e7\u00e3o p\u00fablica, diz antrop\u00f3loga 26 de fevereiro de 2011 | 16h 00 DEBORA DINIZ Uma ex-aluna de doutorado, dez\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Not\u00edcias&quot;","block_context":{"text":"Not\u00edcias","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/category\/noticias\/"},"img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":3839,"url":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2015\/08\/26\/a-expansao-das-bibliotecas-digitais-e-virtuais\/","url_meta":{"origin":2931,"position":4},"title":"A expans\u00e3o das bibliotecas digitais e virtuais","author":"mundobibliotecario","date":"26\/08\/2015","format":false,"excerpt":"Rosaly Favero Krzyzanowski, coordenadora da BV-FAPESP, em palestra durante o evento (foto: Leandro Negro \/ Ag.FAPESP) 25 de agosto de 2015 Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O n\u00famero de bibliotecas digitais e virtuais tem aumentado\u00a0nos \u00faltimos anos.\u00a0Uma das raz\u00f5es \u00e9 o surgimento de programas gratuitos, como o DSpace, o\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Not\u00edcias&quot;","block_context":{"text":"Not\u00edcias","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/category\/noticias\/"},"img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":4598,"url":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2017\/10\/28\/brasiliana-iconografica\/","url_meta":{"origin":2931,"position":5},"title":"Brasiliana Iconogr\u00e1fica","author":"mundobibliotecario","date":"28\/10\/2017","format":false,"excerpt":"Visite institui\u00e7\u00f5es culturais brasileiras sem sair de casa: conhe\u00e7a a Brasiliana Iconogr\u00e1fica! Sobre o Projeto O termo Brasiliana designa, em termos gerais, aquilo que diz respeito \u00e0 cultura e hist\u00f3ria do Brasil, inclu\u00eddos estudos, publica\u00e7\u00f5es, refer\u00eancias visuais e outros tipos de documentos. A defini\u00e7\u00e3o contempla as fontes datadas a partir\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Not\u00edcias&quot;","block_context":{"text":"Not\u00edcias","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/category\/noticias\/"},"img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]}],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pcbzwa-Lh","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2931","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2931"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2931\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}