{"id":3327,"date":"2013-11-28T23:08:17","date_gmt":"2013-11-29T02:08:17","guid":{"rendered":"http:\/\/mundobibliotecario.wordpress.com\/?p=3327"},"modified":"2020-07-21T23:23:14","modified_gmt":"2020-07-22T02:23:14","slug":"o-lado-humano-da-automacao-de-bibliotecas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2013\/11\/28\/o-lado-humano-da-automacao-de-bibliotecas\/","title":{"rendered":"O lado humano da automa\u00e7\u00e3o de bibliotecas"},"content":{"rendered":"<p>No \u00faltima 22\/11\/13, ocorreu no anfiteatro Bento Prado J\u00fanior da UFSCar o &#8220;IV ConversA\u00c7\u00d5ES: Softwares para automa\u00e7\u00e3o de unidades de informa\u00e7\u00e3o&#8221;. Como se ver\u00e1, envolve muito mais o trabalho de pessoas, visto que o software \u00e9 o produto final. Como qualquer m\u00e1quina, \u00e9 o software que deve trabalhar para os humanos, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Por isso o t\u00edtulo deste post.<\/p>\n<p>O evento teve in\u00edcio com  Luiz At\u00edlio Vicentini (UNICAMP), relatando que a automa\u00e7\u00e3o de bibliotecas no Brasil teve in\u00edcio na d\u00e9cada de 1980, e na UNICAMP o processo de avalia\u00e7\u00e3o de software iniciou-se na d\u00e9cada de 1990. Em 2002 houve a integra\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o em todas as bibliotecas, efetivada em 2004, e nesse meio tempo foi padronizado o regulamento de circula\u00e7\u00e3o. Em 2005 e 2006 foi implantado o <em>smart-card<\/em> com chip, mesma \u00e9poca em que as bibliotecas pararam de fazer o cart\u00e3o do estudante, pois a partir desse per\u00edodo houve a integra\u00e7\u00e3o dos dados da diretoria acad\u00eamica e da biblioteca. A partir disso, Vicentini destacou que a instala\u00e7\u00e3o de um software deve considerar, dentre outros elementos, a aquisi\u00e7\u00e3o, a infraestrutura, a compatibilidade com hardware, todos de fundamental import\u00e2ncia, etc.<\/p>\n<p>Esse panorama se refere ao Virtua, do qual havia s\u00e9rie de demandas que dependia do suporte dos EUA, que determinavam a prioridade ou n\u00e3o da modifica\u00e7\u00e3o. Por exemplo, para aplicar suspens\u00e3o ao inv\u00e9s de multa, esperou-se cinco anos para a mudan\u00e7a, enquanto o funcion\u00e1rio do balc\u00e3o precisava fazer uma serie de opera\u00e7\u00f5es manuais. Por isso, a depend\u00eancia do suporte estrangeiro foi considerado um aspecto negativo pelo palestrante. Um per\u00edodo dif\u00edcil foi em 2000, quando uma altera\u00e7\u00e3o no Oracle provocou a perda de 20 mil registros que, para recuper\u00e1-los, o suporte cobrou um valor exorbitante em d\u00f3lar. Ap\u00f3s a abertura de uma sindic\u00e2ncia, averiguou-se que o backup estava sendo feito incorretamente. A partir do ocorrido, a principal recomenda\u00e7\u00e3o foi buscar novo software. Com a experi\u00eancia de levantamento de requisitos em um projeto que participou na USP, a UNICAMP come\u00e7ou a levant\u00e1-los em 2007. Em 2008 foi publicado o edital com levantamento de requisitos e a licita\u00e7\u00e3o come\u00e7ou no mesmo ano, sendo que o Sophia ganhou no pre\u00e7o. Para tanto, identificaram-se 134 itens e foram preparados 221 testes em cima desses. Consta no edital que o software deveria atingir pelo menos 80%, e nesse ponto Vicentini destacou a import\u00e2ncia de estabelecer um indicador. Ao final, o Sophia foi aprovado com 92%. <\/p>\n<p>O palestrante destacou a import\u00e2ncia do suporte  e tamb\u00e9m a experi\u00eancia do grupo de trabalho de homologa\u00e7\u00e3o, que levou \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um grupo gestor do Sophia formado por tr\u00eas bibliotec\u00e1rios e um analista. Esse grupo, por exemplo, ao detectar um erro, reporta o mesmo \u00e0 Prima para avaliar. Al\u00e9m disso, recentemente foi implantado o servi\u00e7o de busca integrada, sendo que \u00e9 uma tend\u00eancia nos sistemas de biblioteca. Por fim, Vicentini concluiu que \u00e9 preciso pensar no uso do software pelo usu\u00e1rio que ele tem para oferecer para a comunidade.<\/p>\n<p>Em seguida, Giuliano Ferreira (PUC-Rio) falou sobre a experi\u00eancia da PUC-Rio em parceria com a PUC-PR no desenvolvimento do Pergamum, que teve in\u00edcio em julho de 1998. Em 1999, houve a mudan\u00e7a do USMARC para MARC21, sendo que a  principal contribui\u00e7\u00e3o da PUC-Rio foi redefinir o software para usar o MARC21. J\u00e1 em 2001 teve in\u00edcio o cadastramento dos peri\u00f3dicos e, em 2003, a PUC-Rio se desvinculou da produ\u00e7\u00e3o do software. Apesar disso, a participa\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o deu vantagens para a PUC-Rio no uso do software, pois como &#8220;pai&#8221; do software adquiriu conhecimento suficiente para adapt\u00e1-lo segundo suas necessidades.<\/p>\n<p>Giuliano apresentou o ambiente do sistema, como segue: 20.000 usu\u00e1rios potenciais; servi\u00e7os web, mobile; 20 terminais de consulta local ao sistema (biblioteca central), instalado em aproximadamente 100 computadores; infraestrutura de 16 servidores; usado por mais de 60 funcion\u00e1rio do sistema de bibliotecas. J\u00e1 a equipe t\u00e9cnica \u00e9 formada por analista de sistema (s\u00eanior e pleno), programador, analista de rede, suporte t\u00e9cnico e designer. Algumas caracter\u00edsticas do Pergamum s\u00e3o: software nacional com suporte em portugu\u00eas; assist\u00eancia t\u00e9cnica para instala\u00e7\u00e3o\/manuten\u00e7\u00e3o (\u00e9 um momento cr\u00edtico, pois pode envolver perda de dados); flexibilidade na escolha do banco de dados (hoje: Oracle, Sbase e SQL Server, sendo que \u00e9 uma decis\u00e3o institucional, pois pode vir a existir a necessidade de migra\u00e7\u00e3o); cobre todo o ciclo de produ\u00e7\u00e3o: desde aquisi\u00e7\u00e3o \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o seletiva da informa\u00e7\u00e3o (um m\u00f3dulo para cobrir cada etapa); vers\u00e3o web (antes rodava em Delphi, que tinha que rodar num execut\u00e1vel no desktop; agora roda em Java, PHP, para rodar diretamente no navegador); escalabilidade (capacidade de trabalhar com volume crescente de dados) x infraestrutura (principalmente de servidor, sendo importante explicar o contexto para o analista para n\u00e3o sobrecarregar o sistema para o usu\u00e1rio final).<\/p>\n<p>Algumas funcionalidades s\u00e3o: aquisi\u00e7\u00e3o, cataloga\u00e7\u00e3o, relat\u00f3rios, empr\u00e9stimo, dentre outros. Al\u00e9m disso, o palestrante exp\u00f4s que n\u00e3o adianta o software ser bom para entrar dados e ser ruim na exporta\u00e7\u00e3o de dados, pois em algum momento pode haver necessidade de precisar mudar o padr\u00e3o de dados. Como exposto anteriormente, a customiza\u00e7\u00e3o do sistema foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 participa\u00e7\u00e3o da PUC-Rio desde o in\u00edcio do Pergamum, possibilitando fazer as seguintes adapta\u00e7\u00f5es: renova\u00e7\u00e3o de chaves (feita a cada quatro horas para evitar que usu\u00e1rio \u201csuma\u201d com a chave); cadastro de visitantes (para passar na roleta, e passa a ser usu\u00e1rio do Pergamum); vers\u00e3o mobile (para renova\u00e7\u00e3o e reserva liberada); empr\u00e9stimo de micros; controle de acesso; processamento de teses; refer\u00eancia virtual; integra\u00e7\u00e3o com ferramenta de descoberta.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima apresenta\u00e7\u00e3o foi de Tiago Murakami (USP) sobre a implanta\u00e7\u00e3o do Koha na Prefeitura de S\u00e3o Bernardo do Campo. O software at\u00e9 ent\u00e3o utilizado era o TAUPIB, desenvolvido em 1973 pelo fundador da Escola de Biblioteconomia e Documenta\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Carlos. Esse software Usava a mesma l\u00f3gica do MARC, e em 1985 a Prefeitura adotou a vers\u00e3o online. Em 1987, foi implementado a circula\u00e7\u00e3o. Apenas em 2000 houve a mudan\u00e7a de terminais de v\u00eddeo para computadores. Apenas recentemente o Koha foi implantando na Prefeitura, e desde ent\u00e3o surgiram outros usu\u00e1rios do software, como o IFSP (Suzano e Piracicaba) e Semin\u00e1rio Teol\u00f3gico Servo de Cristo. Naquele momento, inicial n]ao foi poss\u00edvel fazer  disponibilizar o servidor Z39.50, colocar o OPAC na internet com a disponibiliza\u00e7\u00e3o da renova\u00e7\u00e3o e reserva online (acervo exposto no Google) e realizar o invent\u00e1rio.<\/p>\n<p>Rafael Saad Fernandez continuou a apresenta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que trabalhou com Murakami nesse processo. Levantou alguns desafios no uso do TAUBIP, a saber: trabalho off-line; dificuldade de atualiza\u00e7\u00e3o; falta de controle efetivo sobre o acervo e as transa\u00e7\u00f5es; falhas constantes; lentid\u00e3o no processo de cataloga\u00e7\u00e3o; falta de seguran\u00e7a com as informa\u00e7\u00f5es. Diante desses, decidiu-se por desenvolvimento de software livre e aberto, sendo realizados testes com o ABCD, Biblivre, Gnuteca e PNB. O processo de implanta\u00e7\u00e3o constou das etapas que seguem: convers\u00e3o de ISIS para MARC21: &#8211; extra\u00e7\u00e3o dos dados CDS\/ISIS; invent\u00e1rio completo; limpeza e organiza\u00e7\u00e3o da base de dados; estudo do formato MARC; defini\u00e7\u00e3o de framework; convers\u00e3o de dados. O Koha ainda foi adaptado para o p\u00fablico escolar, tomando por base o layout similar ao adotado no portal da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o. Como resultados, Fernandez destacou: autonomia; ganho de tempo no processamento t\u00e9cnico; interatividade (crian\u00e7as comentam sobre os livros); sistema online; informa\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o (estat\u00edsticas, relat\u00f3rios centralizados em tempo real); economia para os cofres p\u00fablicos; melhoria nos servi\u00e7os oferecidos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, ainda fez algumas considera\u00e7\u00f5es, tais como a falta de recursos humanos; d\u00favidas sobre a viabilidade do projeto e coloca-se novamente em pauta o uso de softwares propriet\u00e1rios; Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura sinalizam posi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do sistema.<\/p>\n<p>Por fim, Flavia Maria Bastos (UNESP) discorreu brevemente sobre a UNESP, com campi em 25 cidades e um total de 34 bibliotecas. A Coordenadoria Geral de Biblioteca (CGB), onde atua, possui escrit\u00f3rios em Mar\u00edlia e S\u00e3o Paulo. Resgatou sua trajet\u00f3ria na CGB discorrendo sobre seu est\u00e1gio em 1994, quando teve in\u00edcio a  automa\u00e7\u00e3o das bibliotecas na UNESP, que desde 1998 trocou o Ortodocs pelo o Aleph.  A palestrante recordou que os manuais foram tradu\u00e7\u00e3o pela equipe de automa\u00e7\u00e3o, e foi a partir desse evento que a UNESP come\u00e7ou a desenvolver seu conhecimento. Considera, ainda essencial ter cumplicidade e intera\u00e7\u00e3o entre pessoal da tecnologia e bibliotec\u00e1rios, e destaca, ainda, que tanto os t\u00e9cnicos precisam conhecer as ferramentas do bibliotec\u00e1rio como este conhecer a parte da inform\u00e1tica. Atualmente, o or\u00e7amento das bibliotecas est\u00e1 dividido para conte\u00fado e tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, sendo que a manuten\u00e7\u00e3o \u00e9 paga, pois a equipe \u00e9 reduzida (possui apenas um analista). Al\u00e9m disso, Bastos destacou que considera fundamental que um software adote normas e padr\u00f5es, pois facilita a interoperabilidade com outros sistemas.<\/p>\n<p>No que tange ao suporte, a palestrante comentou que a equipe brasileira do Aleph oferece esse servi\u00e7o, mas o conhecimento da UNESP \u00e9 importante para conseguir avan\u00e7ar na implementa\u00e7\u00e3o de adapta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 UNESP. Sobre os recursos humanos, destacou que \u00e9 importante a institui\u00e7\u00e3o ter consci\u00eancia de sua infraestrutura de pessoal, tecnologia de informa\u00e7\u00e3o, dentre outros elementos e salientou o conhecimento formado pela equipe para evitar perdas na troca de gest\u00e3o. Sobre planejamento, considera importante para que o investimento seja feito de forma certa, pois com o passar do tempo e a integra\u00e7\u00e3o de novos m\u00f3dulos, foi preciso mudar, e houve dificuldade, j\u00e1 que tal mudan\u00e7a n\u00e3o foi planejada. Por fim, destacou que mais importante que o software s\u00e3o os bibliotec\u00e1rios saberem quais servi\u00e7os ser\u00e3o automatizados, bem como o pr\u00f3prio profissional e o conhecimento de nossas atividades. Problemas podem ter v\u00e1rias origens: equipe, institui\u00e7\u00e3o, nem sempre do software. O que deve ser feito \u00e9 identificar as necessidades reais dos usu\u00e1rios e da equipe, bem como verificar os trabalhos desenvolvidos internamente.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, automa\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo dif\u00edcil, mas n\u00e3o imposs\u00edvel, e pelo que foi relatado, um \u00e1rduo trabalho em equipe. Pode ser cedo para dizer em fun\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia que tenho e do pouco que ainda vivi como profissional, mas a automa\u00e7\u00e3o me parece ser uma faceta t\u00e3o humana do trabalho do bibliotec\u00e1rio quanto o servi\u00e7o de refer\u00eancia, j\u00e1 que envolve pessoas e a satisfa\u00e7\u00e3o de suas necessidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltima 22\/11\/13, ocorreu no anfiteatro Bento Prado J\u00fanior da UFSCar o &#8220;IV ConversA\u00c7\u00d5ES: Softwares para automa\u00e7\u00e3o de unidades de informa\u00e7\u00e3o&#8221;. Como se ver\u00e1, envolve muito mais o trabalho de pessoas, visto que o software \u00e9 o produto final. 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