{"id":4891,"date":"2012-01-01T12:34:45","date_gmt":"2012-01-01T15:34:45","guid":{"rendered":"http:\/\/mundobibliotecario.wordpress.com\/?p=2378"},"modified":"2020-07-21T23:20:48","modified_gmt":"2020-07-22T02:20:48","slug":"umberto-eco-o-excesso-de-informacao-provoca-amnesia-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2012\/01\/01\/umberto-eco-o-excesso-de-informacao-provoca-amnesia-2-2\/","title":{"rendered":"Umberto Eco: &#034;O excesso de informa\u00e7\u00e3o provoca amn\u00e9sia&#034;"},"content":{"rendered":"<h2>O escritor italiano diz que a internet \u00e9 perigosa para o ignorante e \u00fatil para o s\u00e1bio porque ela n\u00e3o filtra o conhecimento e congestiona a mem\u00f3ria do usu\u00e1rio<\/h2>\n<div>\n<div>\n<strong>LU\u00cdS ANT\u00d4NIO GIRON,\u00a0<\/strong>DE MIL\u00c3O<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"PROFESSOR O pensador e romancista italiano Umberto Eco completa 80 anos nesta semana. Ele est\u00e1 escrevendo sua autobiografia intelectual (Foto: Eric Fougere\/VIP Images\/Corbis)\" src=\"http:\/\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2011\/12\/29\/711_umberto_eco.jpg\" alt=\"PROFESSOR O pensador e romancista italiano Umberto Eco completa 80 anos nesta semana. Ele est\u00e1 escrevendo sua autobiografia intelectual (Foto: Eric Fougere\/VIP Images\/Corbis)\" width=\"300\" height=\"400\" \/><br \/>\nPROFESSOR<br \/>\nO pensador e romancista italiano Umberto Eco completa 80 anos nesta semana. Ele est\u00e1 escrevendo sua autobiografia intelectual<br \/>\n(Foto: Eric Fougere\/VIP Images\/Corbis)<br \/>\nO escritor e semi\u00f3logo Umberto Eco vive com sua mulher em um apartamento duplo no segundo e terceiro andar de um pr\u00e9dio antigo, de frente para o pal\u00e1cio Sforzesco, o mais vistoso ponto tur\u00edstico de Mil\u00e3o. \u00c9 como se Alice Munro morasse defronte \u00e0 Canadian Tower em Toronto, Hakuri Murakami instalasse sua casa no sop\u00e9 do monte Fuji, ou ent\u00e3o Paulo Coelho mantivesse uma mans\u00e3o na Urca, \u00e0 sombra do P\u00e3o de A\u00e7\u00facar. &#8220;Acordo todo dia com a Renascen\u00e7a&#8221;, diz Eco, referindo-se \u00e0 enorme fortifica\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XV. O castelo deve tamb\u00e9m abrir os port\u00f5es pela manh\u00e3 com uma sensa\u00e7\u00e3o parecida, pois diante dele vive o intelectual e o romancista mais famoso da It\u00e1lia.<br \/>\nUm dos andares da resid\u00eancia de Eco \u00e9 dedicado ao escrit\u00f3rio e \u00e0 biblioteca. S\u00e3o quatro salas repletas de livros, divididas por temas e por autores em ordem alfab\u00e9tica. A sala em que trabalha abriga aquilo que ele chama de &#8220;ala das ci\u00eancias banidas&#8221;, como ocultismo, sociedades secretas, mesmerismo, esoterismo, magia e bruxaria. Ali, em um c\u00f4modo pequeno, est\u00e3o as fontes principais dos romances de sucesso de Eco:\u00a0<em>O nome da rosa<\/em>\u00a0(1980),\u00a0<em>O p\u00eandulo de Foucault<\/em>\u00a0(1988),\u00a0<em>A ilha do dia anterior<\/em>\u00a0(1994),\u00a0<em>Baudolino\u00a0<\/em>(2000),\u00a0<em>A misteriosa chama da rainha Loana<\/em>\u00a0(2004) e\u00a0<em>O cemit\u00e9rio de Praga<\/em>. Publicado em 2010 e lan\u00e7ado com sucesso no Brasil em 2011, o livro provocou pol\u00eamica por tratar de forma humor\u00edstica de um assunto s\u00e9rio: o surgimento do antissemitismo na Europa. Por motivos diversos, protestaram a igreja cat\u00f3lica e o rabino de Roma: aquela porque Eco satirizava os jesu\u00edtas (&#8220;s\u00e3o ma\u00e7ons de saia&#8221;, diz o personagem principal, o odioso tabeli\u00e3o Simone Simonini), este porque as teorias conspirat\u00f3rias forjadas no s\u00e9culo XIX &#8211; como o\u00a0<em>Protocolo dos s\u00e1bios do Si\u00e3o<\/em>\u00a0&#8211; poderiam gerar uma onda de \u00f3dio aos judeus. Desde o in\u00edcio da carreira, em 1962, como autor do ensaio est\u00e9tico\u00a0<em>Obra aberta<\/em>, Eco gosta de provocar esse tipo de rea\u00e7\u00e3o. Mesmo aos 80 anos, que completa em 5 de janeiro, parece n\u00e3o perder o gosto pelo barulho. De muito bom humor, ele conversou com \u00c9poca durante duas horas sobre a idade, o g\u00eanero que inventou &#8211; o suspense erudito -, a decad\u00eancia europeia e seu assunto mais constante nos \u00faltimos anos: a morte do livro. \u00c9 de pasmar, mas o maior inimigo da leitura pelo computador est\u00e1 revendo suas posi\u00e7\u00f5es &#8211; e at\u00e9 gostando de ler livros&#8230; pelo iPad que comprou durante sua \u00faltima turn\u00ea americana.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; Como o senhor se sente, completando 80 anos?<br \/>\nUmberto Eco &#8211;<\/strong>\u00a0Bem mais velho! (Risos.) Vamos nos tornando importantes com a idade, mas n\u00e3o me sinto importante nem velho. N\u00e3o posso reclamar de rotina. Minha vida \u00e9 agitada. Ainda mantenho uma c\u00e1tedra no Departamento de Semi\u00f3tica e Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade de Bolonha e continuo orientando doutorandos e p\u00f3s-doutorandos. Dou muita palestra pelo mundo afora. E tenho feito turn\u00eas de lan\u00e7amento de O cemit\u00e9rio de Praga. Acabo de voltar de uma megaexcurs\u00e3o pelos Estados Unidos. Ela quase me custou o bra\u00e7o. Estou com tendinite de tanto dar aut\u00f3grafos em livros.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; O senhor tem sido um dos mais ferrenhos defensores do livro em papel. Sua tese \u00e9 de que o livro n\u00e3o vai acabar. Mesmo assim, estamos assistindo \u00e0 populariza\u00e7\u00e3o dos leitores digitais e tablets. O livro em papel ainda tem sentido?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0Sou colecionador de livros. Defendi a sobreviv\u00eancia do livro ao lado de Jean-Claude Carri\u00e8re no volume N\u00e3o contem com o fim do livro. Fizemos isso por motivos est\u00e9ticos e gnoseol\u00f3gicos (relativo ao conhecimento). O livro ainda \u00e9 o meio ideal para aprender. N\u00e3o precisa de eletricidade, e voc\u00ea pode riscar \u00e0 vontade. Ach\u00e1vamos imposs\u00edvel ler textos no monitor do computador. Mas isso faz dois anos. Em minha viagem pelos Estados Unidos, precisava carregar 20 livros comigo, e meu bra\u00e7o n\u00e3o me ajudava. Por isso, resolvi comprar um iPad. Foi \u00fatil na quest\u00e3o do transporte dos volumes. Comecei a ler no aparelho e n\u00e3o achei t\u00e3o mau. Ali\u00e1s, achei \u00f3timo. E passei a ler no iPad, voc\u00ea acredita? Pois \u00e9. Mesmo assim, acho que os tablets e e-books servem como auxiliares de leitura. S\u00e3o mais para entretenimento que para estudo. Gosto de riscar, anotar e interferir nas p\u00e1ginas de um livro. Isso ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer num tablet.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; Apesar dessas melhorias, o senhor ainda v\u00ea a internet como um perigo para o saber?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0A internet n\u00e3o seleciona a informa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 de tudo por l\u00e1. A Wikip\u00e9dia presta um desservi\u00e7o ao internauta. Outro dia publicaram fofocas a meu respeito, e tive de intervir e corrigir os erros e absurdos. A internet ainda \u00e9 um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge l\u00e1 sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula \u00e9 pior que a falta de informa\u00e7\u00e3o. O excesso de informa\u00e7\u00e3o provoca a amn\u00e9sia. Informa\u00e7\u00e3o demais faz mal. Quando n\u00e3o lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer \u00e9 cortar, \u00e9 selecionar. Vamos tomar como exemplo o ditador e l\u00edder romano J\u00falio C\u00e9sar e como os historiadores antigos trataram dele. Todos dizem que foi importante porque alterou a hist\u00f3ria. Os cronistas romanos s\u00f3 citam sua mulher, Calp\u00farnia, porque esteve ao lado de C\u00e9sar. Nada se sabe sobre a viuvez de Calp\u00farnia. Se costurou, dedicou-se \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ou seja l\u00e1 o que for. Hoje, na internet, J\u00falio C\u00e9sar e Calp\u00farnia t\u00eam a mesma import\u00e2ncia. Ora, isso n\u00e3o \u00e9 conhecimento.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; Mas o conhecimento est\u00e1 se tornando cada vez mais acess\u00edvel via computadores e internet. O senhor n\u00e3o acha que o acesso a bancos de dados de universidades e institui\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis est\u00e3o alterando nossa no\u00e7\u00e3o de cultura?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0Sim, \u00e9 verdade. Se voc\u00ea sabe quais os sites e bancos de dados s\u00e3o confi\u00e1veis, voc\u00ea tem acesso ao conhecimento. Mas veja bem: voc\u00ea e eu somos ricos de conhecimento. Podemos aproveitar melhor a internet do que aquele pobre senhor que est\u00e1 comprando salame na feira a\u00ed em frente. Nesse sentido, a televis\u00e3o era \u00fatil para o ignorante, porque selecionava a informa\u00e7\u00e3o de que ele poderia precisar, ainda que informa\u00e7\u00e3o idiota. A internet \u00e9 perigosa para o ignorante porque n\u00e3o filtra nada para ele. Ela s\u00f3 \u00e9 boa para quem j\u00e1 conhece \u2013 e sabe onde est\u00e1 o conhecimento. A longo prazo, o resultado pedag\u00f3gico ser\u00e1 dram\u00e1tico. Veremos multid\u00f5es de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens: jogos, bate-papos e busca de not\u00edcias irrelevantes.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; H\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o para o problema do excesso de informa\u00e7\u00e3o?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0Seria preciso criar uma teoria da filtragem. Uma disciplina pr\u00e1tica, baseada na experimenta\u00e7\u00e3o cotidiana com a internet. Fica a\u00ed uma sugest\u00e3o para as universidades: elaborar uma teoria e uma ferramenta de filtragem que funcionem para o bem do conhecimento. Conhecer \u00e9 filtrar.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; O senhor j\u00e1 est\u00e1 pensando em um novo romance depois de\u00a0<em>O cemit\u00e9rio de Praga<\/em>?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0Vamos com calma. Mal publiquei um e voc\u00ea j\u00e1 quer outro. Estou sem tempo para fic\u00e7\u00e3o no momento. Na verdade, vou me ocupar agora de minha autobiografia intelectual. Fui convidado por uma institui\u00e7\u00e3o americana, Library of Living Philosophers, para elaborar meu percurso filos\u00f3fico. Fiquei contente com o convite, porque passo a fazer parte de um projeto que inclui John Dewey, Jean-Paul Sartre e Richard Rorty &#8211; embora eu n\u00e3o seja fil\u00f3sofo. Desde 1939, o instituto convida um pensador vivo para narrar seu percurso intelectual em um livro. O volume traz ent\u00e3o ensaios de v\u00e1rios especialistas sobre os diversos aspectos da obra do convidado. No final, o convidado responde \u00e0s d\u00favidas e cr\u00edticas levantadas. O desafio \u00e9 sistematizar de uma forma l\u00f3gica tudo o que j\u00e1 fiz&#8230;<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; Como lidar com tamanha variedade de caminhos?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0Estou come\u00e7ando com meu interesse constante desde o come\u00e7o da carreira pela Idade M\u00e9dia e pelos romances de Alessandro Manzoni. Depois vieram a Semi\u00f3tica, a teoria da comunica\u00e7\u00e3o, a filosofia da linguagem. E h\u00e1 o lado banido, o da teoria ocultista, que sempre me fascinou. Tanto que tenho uma biblioteca s\u00f3 do assunto. Adoro a quest\u00e3o do falso. E foi recolhendo montes de teorias esquisitas que cheguei \u00e0 ideia de escrever\u00a0<em>O cemit\u00e9rio de Praga<\/em>.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; Entre essas teorias, destaca-se a mais c\u00e9lebre das falsifica\u00e7\u00f5es,\u00a0<em>O protocolo dos s\u00e1bios de Si\u00e3o<\/em>. Por que o senhor se debru\u00e7ou sobre um documento t\u00e3o revoltante para fazer fic\u00e7\u00e3o?<br \/>\nEco &#8211;\u00a0<\/strong>Eu queria investigar como os europeus civilizados se esfor\u00e7aram em construir inimigos invis\u00edveis no s\u00e9culo XIX. E o inimigo sempre figura como uma esp\u00e9cie de monstro: tem de ser repugnante, feio e malcheiroso. De alguma forma, o que causa repulsa no inimigo \u00e9 algo que faz parte de n\u00f3s. Foi essa ambival\u00eancia que persegui em O cemit\u00e9rio de Praga. Nada mais exemplar que a elabora\u00e7\u00e3o das teorias antissemitas, que viriam a desembocar no nazismo do s\u00e9culo XX. Em pesquisas, em arquivos e na internet, constatei que o antissemitismo tem origem religiosa, deriva para o discurso de esquerda e, finalmente, d\u00e1 uma guinada \u00e0 direita para se tornar a prioridade da ideologia nacional-socialista. Come\u00e7ou na Idade M\u00e9dia a partir de uma vis\u00e3o crist\u00e3 e religiosa. Os judeus eram estigmatizados como os assassinos de Jesus. Essa vis\u00e3o chegou ao \u00e1pice com Lutero. Ele pregava que os judeus fossem banidos. Os jesu\u00edtas tamb\u00e9m tiveram seu papel. No s\u00e9culo XIX, os judeus, aparentemente integrados \u00e0 Europa, come\u00e7aram a ser satanizados por sua riqueza. A fam\u00edlia de banqueiros Rotschild, estabelecida em Paris, virou um alvo do rancor social e dos pregadores socialistas. Descobri os textos de L\u00e9o Taxil, disc\u00edpulo do socialista ut\u00f3pico Fourier. Ele inaugurou uma s\u00e9rie de teorias sobre a conspira\u00e7\u00e3o judaica e capitalista internacional que resultaria em Os protocolos dos s\u00e1bios do Si\u00e3o, texto forjado em 1897 pela pol\u00edcia secreta do czar Nicolau II.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; O senhor considera os\u00a0<em>Procotolos\u00a0<\/em>uma das fontes do nazismo?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0Sem d\u00favida. Adolf Hitler, em sua autobiografia,\u00a0<em>Minha luta<\/em>, dava como leg\u00edtimo o texto dos<em>Protocolos<\/em>. Hitler tomou como verdadeira uma falsifica\u00e7\u00e3o das mais grosseiras, e essa mentira constitui um dos fundamentos do nazismo. A raiz do antissemitismo vem de muito antes, de uma constru\u00e7\u00e3o do inimigo, que partiu de del\u00edrios e paranoias.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; O personagem de\u00a0<em>O cemit\u00e9rio de Praga<\/em>, Simone Simonini, parece concentrar todos os preconceitos e del\u00edrios europeus do s\u00e9culo XIX. Ele \u00e9 ao mesmo tempo antissemita, anticlerical, anticapitalicas e antissocialista. Como surgiu na sua mente algu\u00e9m t\u00e3o abomin\u00e1vel?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0Os cr\u00edticos disseram que Simonini \u00e9 o personagem mais horroroso da literatura de todos os tempos, e devo concordar com eles. Ele tamb\u00e9m \u00e9 muito divertido. Seus excessos est\u00e3o ali para provocar riso e revolta. No romance, Simonini \u00e9 a \u00fanica figura fict\u00edcia. Guarda todos os preconceitos e fantasias sobre um inimigo que jamais conhece. E se desdobra em v\u00e1rias personalidades: durante o dia, atua como tabeli\u00e3o falsificador de documentos; \u00e0 noite, traveste-se em falso padre jesu\u00edta e sai atr\u00e1s de aventuras sinistras. Acaba virando joguete dos monarquistas, que se op\u00f5em \u00e0 unifica\u00e7\u00e3o da It\u00e1lia, e, por fim, dos russos. Imaginei Simonini como um dos autores de Os protocolos dos s\u00e1bios do Si\u00e3o.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; A falsifica\u00e7\u00e3o sobre falsifica\u00e7\u00f5es permitida pela fic\u00e7\u00e3o tornou o livro controverso. Ele tem provocado rea\u00e7\u00f5es negativas. O senhor gosta de lidar com pol\u00eamicas?\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Eco &#8211;\u00a0<\/strong>A recep\u00e7\u00e3o tem sido positiva. O livro tem feito sucesso sem precisar de pol\u00eamicas. Quando foi lan\u00e7ado na It\u00e1lia, ele gerou alguma discuss\u00e3o. O\u00a0<em>L&#8217;osservatore Romano<\/em>, \u00f3rg\u00e3o oficial do Vaticano, publicou um artigo condenando os ataques do livro aos jesu\u00edtas. N\u00e3o respondi, porque sou conhecido como um intelectual anticlerical &#8211; e j\u00e1 havia discutido com a igreja cat\u00f3lica no tempo de\u00a0<em>O nome da rosa<\/em>, quando me acusaram de atacar a igreja. O rabino de Roma leu\u00a0<em>O cemit\u00e9rio de Praga<\/em>\u00a0e advertiu em um pronunciamento que as teorias contidas no livro poderiam se tornar novamente populares a partir da obra. Respondi a ele que n\u00e3o havia esse perigo. Ao contr\u00e1rio, se Simonini serve para alguma coisa, \u00e9 para provocar nossa indigna\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; Al\u00e9m de fals\u00e1rio, Simonini se revela um gourmet. Ao longo do livro, o senhor joga listas e listas de receitas as mais extravagantes, que Simonini comenta com vol\u00fapia. O senhor gosta de gastronomia?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0Eu sou MacDonald&#8217;s! Nunca me incomodei com detalhes de comida. Pesquisei receitas antigas com um objetivo preciso: causar repugn\u00e2ncia no leitor. A gastronomia \u00e9 um dado negativo na composi\u00e7\u00e3o do personagem. Quando Simonini discorre sobre pratos esquisitos, o leitor deve sentir o est\u00f4mago revirado.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; Qual o sentido de escrever romances hoje em dia? O que o atrai no g\u00eanero?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0Faz todo o sentido escrever fic\u00e7\u00e3o. N\u00e3o vejo como fazer hoje narrativa experimental, como James Joyce fez com\u00a0<em>Finnegan&#8217;s Wake<\/em>, para mim a fronteira final da experimenta\u00e7\u00e3o. Houve um recuo para a narrativa linear e cl\u00e1ssica. Comecei a escrever fic\u00e7\u00e3o nesse contexto de restaura\u00e7\u00e3o da narratividade, chamado de p\u00f3s-modernismo. Sou considerado um autor p\u00f3s-moderno, e concordo com isso. Vasculho as formas e artif\u00edcios do romance tradicional. S\u00f3 que procuro introduzir temas que possam intrigar o leitor: a teoria da com\u00e9dia perdida de Arist\u00f3teles em\u00a0<em>O nome da rosa<\/em>; as conspira\u00e7\u00f5es ma\u00e7\u00f4nicas em\u00a0<em>O p\u00eandulo de Foucault<\/em>; a imagina\u00e7\u00e3o medieval em<em>Baudolino<\/em>; a mem\u00f3ria e os quadrinhos em A misteriosa chama; a constru\u00e7\u00e3o do antissemitismo em\u00a0<em>O cemit\u00e9rio de Praga<\/em>. O romance \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o maior da narratividade. E a narratividade conserva o mito arcaico, base de nossa cultura. Contar uma hist\u00f3ria que emocione e transforme quem a absorve \u00e9 algo que se passa com a m\u00e3e e seu filho, o romancista e seu leitor, o cineasta e seu espectador. A for\u00e7a da narrativa \u00e9 mais efetiva do que qualquer tecnologia.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; Philip Roth disse que a literatura morreu. Qual a sua opini\u00e3o sobre os apocal\u00edpticos que preveem a morte da literatura?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0Philip Roth \u00e9 um grande escritor. A contar com ele, a literatura n\u00e3o vai morrer t\u00e3o cedo. Ele publica um romance por ano, e sempre de boa qualidade. N\u00e3o me parece que nem o romance nem ele pretendem interromper a carreira (<em>risos<\/em>).<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; Mas por que hoje n\u00e3o aparecem romancistas do porte de Liev Tolst\u00f3i e Gustave Flaubert?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0Talvez porque ainda n\u00e3o os descobrimos. Nada acontece imediatamente na literatura. \u00c9 preciso esperar um pouco. Devem certamente existir Tolst\u00f3is e Flauberts por a\u00ed. E t\u00eam surgido \u00f3timos ficcionistas em toda parte.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; Como o senhor analisa a literatura contempor\u00e2nea?<br \/>\nEco &#8211;\u00a0<\/strong>H\u00e1 bons autores medianos na It\u00e1lia. Nada de genial, mas t\u00eam sa\u00eddo livros interessantes de autores bastante promissores. Hoje existe o thriller italiano, com os romances de suspense de Andrea Camilleri e seus disc\u00edpulos. No entanto, um signo do abalo econ\u00f4mico italiano \u00e9 que \u00e9 mais poss\u00edvel um romancista viver de sua obra liter\u00e1ria, como fazia (<em>Alberto<\/em>) Moravia. Hoje romance virou uma atividade diletante. \u00c9 diferente do que ocorre nos Estados Unidos, aindaum polo emissor de \u00f3tima fic\u00e7\u00e3o e da profissionaliza\u00e7\u00e3o dos escritores. Al\u00e9m dos livros de Roth, adorei ler\u00a0<em>Liberdade<\/em>, de Jonathan Franzen, um romance de corte cl\u00e1ssico e repleto de refer\u00eancias culturais. A Fran\u00e7a, infelizmente, experimenta uma certa decad\u00eancia liter\u00e1ria, e nada de bom apareceu nos \u00faltimos tempos. O mesmo parece se passar com a Am\u00e9rica Latina. J\u00e1 v\u00e3o longe os tempos do realismo fant\u00e1stico de Garc\u00eda M\u00e1rquez e Jorge Luis Borges. Nada tem vindo de l\u00e1 que me pare\u00e7a digno de nota.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; E a literatura brasileira? Que impress\u00f5es o senhor tem do Brasil? O pa\u00eds lhe parece mais interessante hoje do que h\u00e1 30 anos?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0O Brasil \u00e9 um pa\u00eds incrivelmente din\u00e2mico. Visitei o Brasil h\u00e1 muito tempo, agora acompanho de longe as not\u00edcias sobre o pa\u00eds. A primeira vez foi em 1966. Foi quando visitei terreiros de umbanda e candombl\u00e9 &#8211; e mais tarde usei essa experi\u00eancia em um cap\u00edtulo de\u00a0<em>O p\u00eandulo de Foucault<\/em>\u00a0para descrever um ritual de candombl\u00e9. Quando voltei em 1978, tudo j\u00e1 havia mudado, as cidades j\u00e1 n\u00e3o pareciam as mesmas. Imagino que hoje em dia o Brasil esteja completamente transformado. N\u00e3o tenho acompanhado nada do que se faz por l\u00e1 em literatura. Eu era amigo do poeta Haroldo de Campos, um grande erudito e tradutor. Gostaria de voltar, tenho muitos convites, mas agora ando muito ocupado&#8230; comigo mesmo.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; O senhor foi o criador do suspense erudito. O modelo \u00e9 ainda v\u00e1lido?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0Em\u00a0<em>O nome da Rosa<\/em>, consegui juntar erudi\u00e7\u00e3o e romance de suspense. Inventei o investigador-frade William de Baskerville, baseado em Sherlock Holmes de Conan Dolyle, um bibliotec\u00e1rio cego inspirado em Jorge Luis Borges, e fui muito criticado porque Jorge de Burgos, o personagem, revela-se um vil\u00e3o. De qualquer forma, o livro foi um sucesso e ajudou a criar um tipo de literatura que vejo com bons olhos Sim, h\u00e1 muita coisa boa sendo feita. Gosto de (<em>Arturo<\/em>) P\u00e9rez-Reverte, com seus livros de fantasia que lembram os romances de aventura de Alexandre Dumas e Emilio Salgari que eu lia quando menino.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; Lendo seus seguidores, como Dan Brown, o senhor \u00e0s vezes n\u00e3o se arrepende de ter criado o suspense erudito?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0\u00c0s vezes, sim! (<em>risos<\/em>) O Dan Brown me irrita porque ele parece um personagem inventado por mim. Em vez de ele compreender que as teorias conspirat\u00f3rias s\u00e3o falsas, Brown as assume como verdadeiras, ficando ao lado do personagem, sem questionar nada. \u00c9 o que ele faz em\u00a0<em>O C\u00f3digo Da Vinci<\/em>. \u00c9 o mesmo contexto de\u00a0<em>O p\u00eandulo de Foucault<\/em>. Mas ele parece ter adotado a hist\u00f3ria para simplific\u00e1-la. Isso provoca ondas de mistifica\u00e7\u00e3o. H\u00e1 leitores que acreditam em tudo o que Dan Brown escreve &#8211; e n\u00e3o posso conden\u00e1-los.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; O que vem antes na sua obra, a teoria ou a fic\u00e7\u00e3o?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0N\u00e3o h\u00e1 um caminho \u00fanico. Eu tanto posso escrever um romance a partir de uma pesquisa ou um ensaio que eu tenha feito. Foi o caso de\u00a0<em>O p\u00eandulo de Foucault<\/em>, que nasceu de uma teoria.\u00a0<em>Baudolino\u00a0<\/em>resultou de ideias que elaborei em torno da falsifica\u00e7\u00e3o. Ou vice-versa. Depois de escrever\u00a0<em>O cemit\u00e9rio de Praga<\/em>, me veio a ideia de elaborar uma teoria, que resultou no livro<em>Costruire il Nemico<\/em>\u00a0(<em>Construir o Inimigo<\/em>, lan\u00e7ado em maio de 2011). E nada impede que uma teoria nascida de uma obra de fic\u00e7\u00e3o redunde em outra fic\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; Quando escreve, o senhor tem um m\u00e9todo ou uma supersti\u00e7\u00e3o?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0N\u00e3o tenho nenhum m\u00e9todo. N\u00e3o sou com Alberto Moravia, que acordava \u00e0s 8h, trabalhava at\u00e9 o meio-dia, almo\u00e7ava, e depois voltava para a escrivaninha. Escrevo fic\u00e7\u00e3o sempre que me d\u00e1 prazer, sem observar hor\u00e1rios e metodologias. Adoro escrever por escrever, em qualquer meio, do l\u00e1pis ao computador. Quando elaboro textos acad\u00eamicos ou ensaio, preciso me concentrar, mas n\u00e3o o fa\u00e7o por m\u00e9todo.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; Como o senhor analisa a crise econ\u00f4mica italiana? Existe uma crise moral que acompanha o processo de decad\u00eancia cultural? A It\u00e1lia vai acabar?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0N\u00e3o sou economista para responder \u00e0 pergunta. N\u00e3o sei por que voc\u00eas jornalistas est\u00e3o sempre fazendo perguntas (<em>risos<\/em>). Talvez porque eu tenha sido um cr\u00edtico do governo Silvio Berlusconi nesses anos todos, nos meus artigos de jornal, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Bom, a It\u00e1lia vive uma crise econ\u00f4mica sem precedentes. Nos anos Berlusconi, desde 2001, os italianos viveram uma fantasia, que conduziu \u00e0 decad\u00eancia moral. Os pais sonhavam com que as filhas frequentassem as orgias de Berlusconi para assim se tornarem estrela da televis\u00e3o. Isso tinha de parar, acho que agora todos se deram conta dos excessos. A It\u00e1lia continua a existir, apesar de Berlusconi.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; O senhor est\u00e1 confiante com a jun\u00e7\u00e3o Merkozy (Nicolas Sarkozy e Angela Merkel) e a ascens\u00e3o dos tecnocratas, como Mario Monti como primeiro ministro da It\u00e1lia?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0Se n\u00e3o h\u00e1 outra forma de governar a zona do Euro, o que fazer? Merkel tem o encargo, mas tamb\u00e9m sofre press\u00f5es em seu pa\u00eds, para que deixe de apoiar pa\u00edses em dificuldades. A ascens\u00e3o de Monti marca a chegada dos tecnocratas ao poder. E de fato \u00e9 hora de tomar medidas duras e impopulares que s\u00f3 tecnocratas como Monti, que n\u00e3o se preocupa com elei\u00e7\u00e3o, podem tomar, como o corte nas aposentadorias e outros privil\u00e9gios.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; O que o senhor faz no tempo livre?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0Coleciono livros e ou\u00e7o m\u00fasica pela internet. Tenho encontrado \u00f3timas r\u00e1dios virtuais. Estou encantado com uma emissora que s\u00f3 transmite m\u00fasica coral. Eu toco flauta doce (<em>mostra cinco flautas de variados tamanhos<\/em>), mas n\u00e3o tenho tido tempo para praticar. Gosto de brincar com meus netos, uma menina e um menino.<br \/>\n<strong>\u00c9POCA &#8211; Os 80 anos tamb\u00e9m s\u00e3o uma ocasi\u00e3o para pensar na cidade natal. Como \u00e9 sua liga\u00e7\u00e3o com Alessandria?<br \/>\nEco &#8211;<\/strong>\u00a0N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil voltar para l\u00e1, porque Alessandria fica a uns 100 quil\u00f4metros de Mil\u00e3o. Ali\u00e1s foi um dos motivos que escolhi morar por aqui: \u00e9 perto de Bolonha e de Alessandria. Quando volto, sou recebido como uma celebridade. Eu e o chap\u00e9u Borsalino, somos produ\u00e7\u00e3o de Alessandria! Reencontro velhos amigos no clube da cidade, sou homenageado, bato muito papo. N\u00e3o tenho mais parentes pr\u00f3ximos. \u00c9 sempre emocionante.<br \/>\nDispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/revistaepoca.globo.com\/ideias\/noticia\/2011\/12\/umberto-eco-o-excesso-de-informacao-provoca-amnesia.html&gt;. Acesso em: 1 jan. 2012.\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O escritor italiano diz que a internet \u00e9 perigosa para o ignorante e \u00fatil para o s\u00e1bio porque ela n\u00e3o filtra o conhecimento e congestiona a mem\u00f3ria do usu\u00e1rio LU\u00cdS ANT\u00d4NIO GIRON,\u00a0DE MIL\u00c3O PROFESSOR O pensador e romancista italiano Umberto Eco completa 80 anos nesta semana. Ele est\u00e1 escrevendo sua autobiografia intelectual (Foto: Eric Fougere\/VIP &#8230; <a title=\"Umberto Eco: &#034;O excesso de informa\u00e7\u00e3o provoca amn\u00e9sia&#034;\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2012\/01\/01\/umberto-eco-o-excesso-de-informacao-provoca-amnesia-2-2\/\" aria-label=\"Read more about Umberto Eco: &#034;O excesso de informa\u00e7\u00e3o provoca amn\u00e9sia&#034;\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_jetpack_newsletter_access":"","footnotes":""},"categories":[60],"tags":[882,25,8,9,395],"class_list":["post-4891","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-entrevista","tag-internet","tag-leitura","tag-livro","tag-umberto-eco"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":8381,"url":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2021\/02\/03\/italia-define-destino-da-biblioteca-de-umberto-eco\/","url_meta":{"origin":4891,"position":0},"title":"It\u00e1lia define destino da biblioteca de Umberto Eco","author":"mundobibliotecario","date":"03\/02\/2021","format":false,"excerpt":"Cole\u00e7\u00e3o ser\u00e1 dividida entre biblioteca estatal e universidade Quase cinco anos ap\u00f3s a morte de Umberto Eco (1932-2016), seus herdeiros e o governo da It\u00e1lia sacramentaram o destino de sua rica cole\u00e7\u00e3o de livros, que ser\u00e1 dividida entre uma das principais bibliotecas estatais e a melhor universidade p\u00fablica de grande\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Not\u00edcias&quot;","block_context":{"text":"Not\u00edcias","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/category\/noticias\/"},"img":{"alt_text":"Umberto Eco morreu em 19 de fevereiro de 2016, aos 84 anos","src":"https:\/\/i0.wp.com\/p2.trrsf.com\/image\/fget\/cf\/460\/0\/images.terra.com\/2021\/02\/01\/32bac25be224ac60c4f83223ae75003d.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]},{"id":4890,"url":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2012\/01\/01\/umberto-eco-o-excesso-de-informacao-provoca-amnesia-2\/","url_meta":{"origin":4891,"position":1},"title":"Umberto Eco: &quot;O excesso de informa\u00e7\u00e3o provoca amn\u00e9sia&quot;","author":"mundobibliotecario","date":"01\/01\/2012","format":false,"excerpt":"O escritor italiano diz que a internet \u00e9 perigosa para o ignorante e \u00fatil para o s\u00e1bio porque ela n\u00e3o filtra o conhecimento e congestiona a mem\u00f3ria do usu\u00e1rio LU\u00cdS ANT\u00d4NIO GIRON,\u00a0DE MIL\u00c3O PROFESSOR O pensador e romancista italiano Umberto Eco completa 80 anos nesta semana. 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