{"id":4904,"date":"2012-05-18T19:16:13","date_gmt":"2012-05-18T22:16:13","guid":{"rendered":"http:\/\/mundobibliotecario.wordpress.com\/?p=2590"},"modified":"2020-07-21T23:18:39","modified_gmt":"2020-07-22T02:18:39","slug":"respostas-a-de-adeus-as-bibliotecas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2012\/05\/18\/respostas-a-de-adeus-as-bibliotecas-2\/","title":{"rendered":"Respostas \u00e0 &quot;D\u00ea adeus \u00e0s bibliotecas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Porque publiquei essas respostas<\/strong><br \/>\nPor que foram as mais sensatas que encontrei (opini\u00e3o minha!) em meio a tanto burburinho. Meus cumprimentos \u00e0 Dora e ao Luan Yannick pelas respostas \u00e0 altura!<br \/>\n***<\/p>\n<header>\n<h1>You say goodbye and I say hello!<\/h1>\n<\/header>\n<p>Este texto \u00e9 a minha resposta pessoal para a nota que li do Lu\u00eds Ant\u00f4nio Gir\u00f3n,\u00a0D\u00ea adeus \u00e0s bibliotecas, publicado em 15\/05\/2012 na revista \u00c9poca Online.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/indexadora.files.wordpress.com\/2012\/05\/the-beatles.jpg\"><img decoding=\"async\" title=\"the beatles\" src=\"http:\/\/indexadora.files.wordpress.com\/2012\/05\/the-beatles.jpg?w=545\" alt=\"\" \/><\/a><br \/>\nO t\u00edtulo \u00e9 um pedido dif\u00edcil de ser cumprido, at\u00e9 mesmo para o autor:\u00a0<strong>\u201cD\u00ea adeus \u00e0s bibliotecas\u201d.<\/strong>\u00a0\u00c9 imperativo: d\u00ea adeus, despe\u00e7a-se\u00a0<strong>e logo!<\/strong>\u00a0(Importante notar que, ao final do texto, ele diz que tem\u00a0<em>a inten\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0de dizer adeus, mas que,\u00a0<em>efetivamente<\/em>, n\u00e3o consegue. E n\u00e3o diz. Sim, \u00e9 dif\u00edcil)<br \/>\nRecebi o link na ter\u00e7a mesmo, mas n\u00e3o achei o que o\u00a0<em>buzz<\/em>\u00a0em torno do texto seria tanto. Nessas circunst\u00e2ncias, o di\u00e1logo com bibliotec\u00e1rios \u00e9 quase sempre t\u00e3o\u00a0<em>invi\u00e1vel<\/em>\u00a0devido \u00e0 toda a balb\u00fardia, que muitos que t\u00eam uma opini\u00e3o levemente distinta da maioria acabam desistindo dele. Mas eu ainda n\u00e3o desisti, mesmo lendo mais uma mat\u00e9ria que coloca do dedo na ferida da biblioteconomia brasileira. Enfim\u2026<br \/>\nEsse texto ter\u00e1 duas partes.\u00a0Na primeira, responderei o que mais me inquietou no texto do Lu\u00eds.\u00a0Na segunda, tentarei argumentar com as reclama\u00e7\u00f5es que li dos bibliotec\u00e1rios, referentes ao texto.<br \/>\nLeiam o que eu tenho a dizer por sua pr\u00f3pria conta e risco.<br \/>\n\u00c9 f\u00e1cil recair no estere\u00f3tipo, na \u2018descortesia t\u00edpica\u2019, nutrida por anos a fio, advinda de um ensino formal tipicamente\u00a0<strong>tecnicista<\/strong>\u00a0(e ningu\u00e9m pode negar isso), voltado mais para a organiza\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o de acervos do que para as pessoas. \u00c9 isso o que somos, ainda, em nosso \u201cn\u00facleo duro\u201d, de fato. Mas isso est\u00e1 mudando, a passos de formiga, mas est\u00e1 (sejamos otimistas, n\u00e9?). Bibliotec\u00e1rios est\u00e3o se vendo obrigados a ser cada vez menos t\u00e9cnicos e mais sociais e soci\u00e1veis. Quanto a qualquer adjetivo referente aos bibliotec\u00e1rios do passado, eu me abstenho: vivo o hoje e sou outro tipo de profissional. Ao menos isso n\u00e3o mexe mais com\u00a0<em>meus<\/em>\u00a0brios.<br \/>\nConfesso que fiquei bastante chocada quando a suposta bibliotec\u00e1ria te disse\u00a0<a href=\"http:\/\/diadegreve.blogspot.com.br\/2010\/12\/procure-no-computador.html\">\u201cPor que n\u00e3o consultou o cat\u00e1logo pela internet?\u201d<\/a>.\u00a0Voc\u00ea definitivamente teve um dia de azar ao se deparar com algu\u00e9m t\u00e3o pouco profissional em um ambiente que ainda lhe \u00e9 t\u00e3o caro.<br \/>\nQuanto aos volumes raros Lu\u00eds, eles n\u00e3o s\u00e3o ocultados, mas preservados. E de fato \u00e9 simplesmente\u00a0<em>uma norma:<\/em>\u00a0n\u00e3o realizarmos o empr\u00e9stimo deste tipo de material t\u00e3o especial. Sim, somos chatos e respeitamos as normas, na maioria das vezes, sempre que poss\u00edvel \u2013 isso ainda faz parte da nossa profiss\u00e3o. Quanto a pol\u00edticas espec\u00edficas de digitaliza\u00e7\u00e3o para este acervo mais que especial, qualquer movimento nesse sentido exige um\u00a0<em>budget<\/em>\u00a0um tanto quanto alto eu diria, ou seja, isso n\u00e3o \u00e9 viabilizado com tanta facilidade (embora seja\u00a0<em>muito<\/em>\u00a0interessante). Sim, as coisas s\u00e3o um pouquinho mais lentas e mais dif\u00edceis de se conseguir do que imaginamos \u2013 ainda mais quando se trata de\u00a0<strong>bibliotecas p\u00fablicas brasileiras.<\/strong><br \/>\nLu\u00eds: estantes secretas ou vetadas para visita\u00e7\u00f5es, embora te espante muito, ainda s\u00e3o\u00a0<em>bastante comuns<\/em>\u00a0sim. Inclusive a Biblioteca Nacional (BN), pelo que me parece, j\u00e1 \u00e9 vetada \u00e0 consulta \u201cem carne e osso\u201d (LOL!) sem acompanhamento de algu\u00e9m do\u00a0<em>staff<\/em>. Tamb\u00e9m acho que a BN deveria n\u00e3o s\u00f3 ser digital mas mais atrativa fisicamente, mas isso \u00e9 apenas um sonho meio distante\u2026<br \/>\nE voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o velho, nem t\u00e3o antiquado, nem t\u00e3o saudoso e nost\u00e1lgico quanto imagina. Pelo contr\u00e1rio: \u00e9 completamente normal que algu\u00e9m com tanto acesso irrestrito \u00e0 tudo atrav\u00e9s da internet e do uso constante de\u00a0<em>gadgets<\/em>\u00a0e etc. \u2013 ache esse tipo de preserva\u00e7\u00e3o no m\u00ednimo estranha, pra n\u00e3o dizer completamente datada e desnecess\u00e1ria. \u00c9 bastante compreens\u00edvel mesmo. S\u00f3 acho que h\u00e1 um certo exagero no seu tom quando voc\u00ea diz que \u201cgra\u00e7as \u00e0s bibliotec\u00e1rias, voc\u00ea jamais chegar\u00e1\u201d \u00e0s obras especiais, raras, mas suspeito que voc\u00ea fa\u00e7a isso s\u00f3 pra me provocar.. Tudo bem.<br \/>\nEu entendo que \u00e9 um tanto quanto dif\u00edcil ouvir um sonoro\u00a0<strong>n\u00e3o<\/strong>\u00a0de um reles e mortal humano, quando tudo o que a tecnologia s\u00f3 sabe te dizer \u00e9 sim o tempo todo hoje em dia, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Fa\u00e7o a compreensiva: Lu\u00eds, eu te entendo. De verdade. Mas por favor, tamb\u00e9m compreenda: visitas frustradas acontecem, mesmo. N\u00e3o encontrar o que se deseja, acontece tamb\u00e9m.\u00a0<a href=\"http:\/\/knowyourmeme.com\/memes\/deal-with-it\">Apenas lide com isso<\/a>\u00a0(no bom sentido).<br \/>\nNo geral, achei seu texto triste Lu\u00eds, porque a realidade \u00e9 mesmo triste assim, como voc\u00ea descreveu. Toda nostalgia \u00e9 um pouco perda e toda perda d\u00f3i mesmo. D\u00f3em mais ainda as perdas de coisas que jamais possu\u00edmos direito. Mas achei mais melanc\u00f3lico ainda quando li \u201cAs bibliotecas n\u00e3o servem mais para nada nem a ningu\u00e9m. Nem mesmo a mim, que sempre as amei\u201d. Essas frases me soaram quase que como um div\u00f3rcio de algu\u00e9m que se ama muito. E como todo div\u00f3rcio, h\u00e1 tamb\u00e9m os mesmos sentimentos: a vontade, a inten\u00e7\u00e3o e a decis\u00e3o de se dizer adeus definitivo e sem volta (n\u00e3o te quero mais, te dou um adeus) e a incapacidade e impossibilidade do adeus perene e sustent\u00e1vel (mas ainda preciso\u00a0<em>muito<\/em>\u00a0de ti). Achei super sens\u00edvel. E fofo tamb\u00e9m.<br \/>\n&#8211;<br \/>\nH\u00e1 um certo padr\u00e3o na forma como enxergam o Lu\u00eds: jornalista, editor, formador de opini\u00e3o de ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o de massa, mestre, dot\u00f4\u2026 Perceberam que quanto mais \u201cpomposo\u201d o cargo dele ou quanto mais t\u00edtulos ele tiver,\u00a0<em>pior<\/em>\u00a0e\/ou\u00a0<em>mais humildes<\/em>\u00a0nos sentimos? Pois \u00e9.<br \/>\n\u00c9 claro que ele \u00e9 tudo isso e tem seus interesses: escrever um texto obviamente provocativo pra gerar um puta\u00a0<em>buzz<\/em>, pra gerar visita\u00e7\u00f5es e, s\u00f3 de quebra, gerar uma mo\u00e7\u00e3o de retrata\u00e7\u00e3o de bibliotec\u00e1rios muito do indignados, o que pode n\u00e3o deixar de ser um motivo de orgulho para um jornalista, assim como um guerreiro tem orgulho das suas cicatrizes e aquela hist\u00f3ria toda de \u201cfalem mal, mas falem de mim\u201d, etc.<br \/>\nOs bibliotec\u00e1rios, por outro lado, parecem na verdade\u00a0<em>gostar<\/em>\u00a0de se sentir mal o tempo todo. Ficam loucos quando falam mal deles, mas, em contra-partida ignoram os trabalhos e avan\u00e7os dos pr\u00f3prios colegas de profiss\u00e3o e qualquer coment\u00e1rio positivo acerca de coisas boas que tem sido feitas. E justamente por conta dessa baixa auto-estima, no geral preferem enxergar o que chamam de\u00a0<em>detratores da biblioteconomia<\/em>\u00a0(o que eu acho um exagero) por cima da carne seca. Por que ser\u00e1?<br \/>\nNo caso desse texto, prefiro enxergar a pessoa que o escreveu nem mesmo como um usu\u00e1rio, mas como uma pessoa mesmo. Algu\u00e9m que quer me dizer algo e conversar comigo. Nada al\u00e9m disso.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/indexadora.files.wordpress.com\/2012\/05\/tumblr_m43j47ecm31qz6f9yo1_500.jpg\"><img decoding=\"async\" title=\"tumblr_m43j47ecm31qz6f9yo1_500\" src=\"http:\/\/indexadora.files.wordpress.com\/2012\/05\/tumblr_m43j47ecm31qz6f9yo1_500.jpg?w=545\" alt=\"\" \/><\/a>Bibliotec\u00e1rios s\u00e3o os eg\u00f3latras com mais baixa auto-estima que eu conhe\u00e7o, o que \u00e9 bizarramente contradit\u00f3rio, mas analisando o grupo no geral, \u00e9 bem isso mesmo. No entanto, reluto em compartilhar desse recalque todo: fa\u00e7o parte da categoria mas n\u00e3o fa\u00e7o parte disso porque n\u00e3o acredito que este seja o caminho. Ser\u00e1 poss\u00edvel conseguirmos, algum dia, termos algum tipo de di\u00e1logo minimamente civilizado e razo\u00e1vel? \u00c9 sempre esse vociferar antes de pensar, o que me irrita profundamente.<br \/>\nTentei ler os coment\u00e1rios do texto do Lu\u00eds mas como eles eram muitos e se tornaram repetitivos, desisti. Peguei apenas as afirma\u00e7\u00f5es mais inquietantes e tentei elucidar um pouco mais por aqui. S\u00f3 n\u00e3o continuei a ler os coment\u00e1rios pois, no final, todos s\u00f3 se limitavam a xingar o autor ou repetir mais do mesmo \u2013 n\u00e3o existiam opini\u00f5es muito divergentes.<br \/>\nParece que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o pra pluralidade de opini\u00f5es pois isso pode ferir de algum tipo de homogenia da classe, o que discordo. Sou bibliotec\u00e1ria, n\u00e3o me ofendi com o texto do Lu\u00eds e n\u00e3o acho que ele est\u00e1 denegrindo nada nem a ningu\u00e9m.<br \/>\nVou tentar pontuar rapidamente alguns coment\u00e1rios que li e comentar na medida em que achar pertinente:<br \/>\n<strong>&#8211;\u00a0O autor acha que as bibliotecas v\u00e3o acabar.\u00a0O autor acha que devem acabar com as bibliotecas.<\/strong><br \/>\n(N\u00e3o farei quest\u00e3o nenhuma de ser delicada nesta resposta ok?) N\u00e3o. Ele n\u00e3o acha nada disso. Volte para a pr\u00e9-escola e tenha mais aulas de leitura e interpreta\u00e7\u00e3o de texto novamente.<br \/>\n<strong>&#8211;\u00a0<\/strong><strong>Ele n\u00e3o conhece nada sobre a nossa profiss\u00e3o, ent\u00e3o nem deveria estar falando sobre isso.<\/strong><br \/>\nEssa (anti)l\u00f3gica \u00e9 t\u00e3o errada que \u00e9 quase como dizer: \u201cele foi mal atendido, mas a culpa \u00e9 dele se ele acha isso\u201d. Juro que n\u00e3o entendo. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 esta: o jornalista conhecer ou desconhecer o que a nossa profiss\u00e3o faz ou deixa de fazer. Ele n\u00e3o est\u00e1 escrevendo uma reportagem\u00a0<em>sobre<\/em>biblioteconomia, ele est\u00e1 relatando o que SENTIU ao visitar uma biblioteca p\u00fablica. O que importa \u00e9 que ele foi mal atendido e tem o direito de expressar sua opini\u00e3o quanto a isto.<br \/>\n<strong>&#8211;\u00a0<\/strong><strong>Talvez n\u00e3o tenha sido uma bibliotec\u00e1ria que o atendeu, mas sim uma auxiliar.<\/strong><br \/>\nE da\u00ed? E quem ser\u00e1 que contrata estagi\u00e1rios? N\u00e3o \u00e9 a bibliotec\u00e1ria-chefe? Que se responsabilize mais por quem contrata ent\u00e3o. Se eu visitar uma biblioteca e quiser ser atendida, pouco me interessa se for bibliotec\u00e1ria ou auxiliar. Eu quero \u00e9 ser\u00a0<strong>bem atendida<\/strong>, independente de quem for. Isso nem \u00e9 pass\u00edvel de discuss\u00e3o. Desculpem.<br \/>\n<strong>&#8211;\u00a0<\/strong><strong><\/strong><strong>O autor ofendeu, desrespeitou e denegriu a classe bibliotec\u00e1ria.<\/strong><br \/>\nIsso n\u00e3o ocorreu durante o texto. O tom pode ter sido ir\u00f4nico, mas isso n\u00e3o \u00e9 ofensa e o autor fez isso proposital e estil\u00edsticamente talvez (valeu Guilherme Louren\u00e7o) com o prop\u00f3sito de gerar discuss\u00e3o. O autor n\u00e3o desrespeitou ningu\u00e9m e nem denegriu classe nenhuma: apenas passou por um mau atendimento em uma biblioteca p\u00fablica. Sejam mais maduros e\u00a0<strong>aceitem este fato.<\/strong>Quer continuar mantendo seu prest\u00edgio como bibliotec\u00e1rio\/a? Fa\u00e7a por merec\u00ea-lo. E principalmente<strong>n\u00e3o contrate estagi\u00e1rios que odeiem a profiss\u00e3o<\/strong>. Fica a dica.<br \/>\n<strong>&#8211;\u00a0<\/strong><strong>O autor generalizou demais.\u00a0Ele n\u00e3o pode tomar um caso isolado como perfil de toda uma profiss\u00e3o.<\/strong><br \/>\nEm momento algum o autor falou sobre A CLASSE bibliotec\u00e1ria em si, mas sim\u00a0<strong>da senhora<\/strong>\u00a0que o atendeu. Quando ele fala \u201ct\u00edpico desta categoria\u201d, o autor na verdade, sem saber, refere-se ao estere\u00f3tipo e n\u00e3o \u00e0 classe. E estere\u00f3tipos mudam, categorias permanecem: por isso n\u00e3o me ofendi com o que ele disse, mesmo sendo tamb\u00e9m bibliotec\u00e1ria (valeu Marchelly). Ou seja, n\u00e3o houve generaliza\u00e7\u00e3o em momento algum. Foi a PR\u00d3PRIA classe bibliotec\u00e1ria que,<em><strong>deliberadamente,<\/strong><\/em>\u00a0resolveu, por conta pr\u00f3pria, tomar as dores de uma M\u00c1 profissional para si. E ent\u00e3o eu lhes pergunto:\u00a0<strong>por que?<\/strong><br \/>\n<strong>&#8211; Generaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 errado.<\/strong><br \/>\nQualquer generaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 perfeitamente v\u00e1lida quando diz respeito a grupos. Ali\u00e1s, \u00e9 a \u00fanica maneira de se levar em conta a avalia\u00e7\u00e3o de um grupo. O que n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido \u00e9 aplicar a generaliza\u00e7\u00e3o a um indiv\u00edduo. Porque cada indiv\u00edduo \u00e9 avaliado como uma exce\u00e7\u00e3o ao grupo. Se estamos tratando de um grupo, temos que levar em conta o comportamento da maioria, da regra, do geral. Exce\u00e7\u00f5es s\u00e3o devem ser tratadas como um caso \u00e0 parte. Generaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 errado. Voc\u00eas \u00e9 que s\u00e3o politicamente corretos demais pro meu gosto. (Obrigada Milena Mattos por me esclarecer de novo este ponto).<br \/>\n<strong>&#8211;\u00a0O autor\u00a0transgrediu o C\u00f3digo de \u00c9tica dos Jornalistas Brasileiros nos artigos 2\u00ba, 7\u00ba e 14\u00ba.<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leyde\/posts\/103174263154467?notif_t=like\">Acho que voc\u00eas\u00a0<strong>n\u00e3o tem muita no\u00e7\u00e3o do qu\u00e3o grave \u00e9<\/strong>\u00a0acusar algu\u00e9m de falta de \u00e9tica por motivo f\u00fatil.<\/a>\u00a0Mas em se tratando de primeiro-anistas do curso de biblioteconomia, podemos at\u00e9 relevar \u2013 mas n\u00e3o muito, tendo em vista que s\u00e3o influenciados diretamente pelos professores doutores que tanto admiram. E desta vez n\u00e3o foi diferente:\u00a0bem como todas as outras,\u00a0isso foi bastante precipitado. Achei de um exagero vergonhoso e desproporcional. O autor n\u00e3o agiu com falta de \u00e9tica, ele apenas exp\u00f4s sua opini\u00e3o.\u00a0<strong>\u00c9 s\u00e9rio mesmo que voc\u00eas v\u00e3o censurar um usu\u00e1rio, bibliotec\u00e1rios? V\u00e3o faz\u00ea-lo se retratar por ter sido mal atendido?\u00a0Me desculpem, n\u00e3o enxergo a l\u00f3gica aqui.<\/strong><br \/>\nNingu\u00e9m gosta de ser mal atendido em nenhum lugar\u00a0e mat\u00e9rias opinativas sobre bibliotecas com um atendimento pobre sempre ser\u00e3o not\u00edcia, acostumem-se.\u00a0Algum bibliotec\u00e1rio, em algum momento, SEQUER pensou em perguntar ao jornalista que biblioteca \u00e9 esta que ele foi? Algu\u00e9m pensou em ir l\u00e1 e repreender a pessoa que o atendeu mal, em algum momento? A quest\u00e3o \u00e9: o que N\u00d3S faremos em rela\u00e7\u00e3o a not\u00edcias assim? Pensaremos sobre as quest\u00f5es que uma materia dessas possa vir sucitar\u00a0ou simplesmente<strong>\u00a0censuraremos o usu\u00e1rio e ficaremos hist\u00e9ricos a respeito disso?\u00a0<\/strong>1969 mandou um beijo \u00e0 todos.<strong><br \/>\n<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0&#8211;\u00a0Exigimos retrata\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\nRetrata\u00e7\u00e3o de quem? Quem deveria se retratar \u00e9 a pessoa que o atendeu mal.<br \/>\n<strong>&#8211;\u00a0<\/strong><strong>\u00c9 um absurdo ele comparar uma biblioteca a uma lan-house.<\/strong><br \/>\nBom, provavelmente na \u00e9poca em que o autor fez mestrado e doutorado, a Internet n\u00e3o deveria ser t\u00e3o popularizada quanto hoje em dia. Isso justifica em parte o saudosismo dele e o fato dele perceber o esvaziamento das bibliotecas (sem computadores) e a prolifera\u00e7\u00e3o de Lan Houses, que n\u00e3o s\u00e3o exatamente lugares de pesquisa e estudo, mas na falta de uma biblioteca decente, certamente s\u00e3o melhores. N\u00e3o acho que ele tenha comparado nada, s\u00f3 acho que nos mostrou uma possibilidade que deveria ser melhor explorada.<br \/>\nEnquanto a biblioteca se comportar apenas como uma biblioteca, ela n\u00e3o potencializar\u00e1 nem seu acervo e muito menos seus servi\u00e7os t\u00e3o em breve. E tamb\u00e9m perder\u00e1 oportunidades de criar uma comunidade mais consistente, que a fa\u00e7a crescer. Se queremos ser profissionais melhores, temos que ter em mente que precisamos oferecer tamb\u00e9m o melhor para as pessoas e acho bastante tacanha essa mentalidade tecn\u00f3foba na biblioteconomia tendo em vista que inclus\u00e3o digital \u00e9 um dos assuntos que tamb\u00e9m constam na nossa agenda.<br \/>\n&#8211;<br \/>\nEnfim\u2026 Enquanto existem bibliotec\u00e1rios que preferem gastar seu tempo e energia se preocupando (talvez exagerada e desnecessariamente) com a imagem de outra pessoa com a qual nem mesmo se identificam, o prof. Francisco das Chagas de Souza (UFSC) tem promovido uma campanha pol\u00edtica no Facebook de um abaixo-assinado\u00a0<a href=\"http:\/\/www.peticaopublica.com.br\/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N24548\">em favor da abertura de um sistema de bibliotecas p\u00fablicas em Florian\u00f3polis<\/a>.\u00a0Confesso que \u00e9 mesmo bastante dif\u00edcil ver bibliotec\u00e1rios, que se acham t\u00e3o auto-importantes, t\u00e3o vitais e t\u00e3o necess\u00e1rios \u00e0 comunidade se movimentando minimamente que seja em favor iniciativas como esta.<br \/>\nDispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/indexadora.wordpress.com\/2012\/05\/16\/you-say-goodbye-and-i-say-hello\/\">http:\/\/indexadora.wordpress.com\/2012\/05\/16\/you-say-goodbye-and-i-say-hello\/<\/a>&gt;. Acesso em: 18 maio 2012.<br \/>\nAdeus \u00e0s bibliotecas?<br \/>\ncarta-resposta ao artigo de Lu\u00eds Antonio Giron, &#8220;D\u00ea adeus \u00e0s bibliotecas&#8221;, publicado em: &lt;http:\/\/revistaepoca.globo.com\/cultura\/luis-antonio-giron\/noticia\/2012\/05\/de-adeus-bibliotecas.html&gt;.<br \/>\nOl\u00e1, Lu\u00eds Antonio! Vou dispensar as formalidades do &#8220;sr.&#8221;, ou qualquer coisa do g\u00eanero pois n\u00e3o seria eu mesmo se estivesse comentando um artigo de uma revista semanal com tanta formalidade.<br \/>\nQueria comentar sobre seu recente artigo, intitulado &#8220;D\u00ea adeus \u00e0s bibliotecas&#8221;, pois sou bibliotec\u00e1rio, atualmente da Universidade Federal Fluminense (UFF), e pelas repercuss\u00f5es nessa mesma rede social, imagino que voc\u00ea esteja sendo bombardeado por cr\u00edticas dessa classe profissional, de alguma maneira, com raz\u00e3o. Mas por outro lado, tamb\u00e9m concordo com voc\u00ea: a biblioteca esqueceu de se renovar.<br \/>\nPrimeiro registrarei aqui o mea culpa, n\u00e3o t\u00e3o &#8220;mea&#8221; assim, j\u00e1 que n\u00e3o me identifico definitivamente com a descri\u00e7\u00e3o feita no trecho: &#8220;A bibliotec\u00e1ria me atendeu com aquela suave descortesia t\u00edpica dessa categoria profissional, como se o visitante fosse um intruso a ser tolerado, mas n\u00e3o absolvido&#8221;. Creio at\u00e9 que a palavra que melhor se encaixa na frase \u00e9 &#8220;absorvido&#8221;, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 crime optar pela consagrada maneira de se ler, e portanto, n\u00e3o h\u00e1 de se absolver o visitante de nada, apenas conseguir incorpor\u00e1-lo como eixo principal biblioteca, como todas deveriam fazer.<br \/>\nInfelizmente existe esse estere\u00f3tipo sim, e alguns profissionais ainda est\u00e3o paralisados nele, sem d\u00favida, enquanto outros, a despeito de todas as dificuldades que a classe pol\u00edtica nos imp\u00f5e, tentam combater esse estere\u00f3tipo, tanto conseguindo absorver seu usu\u00e1rio como efetivando a\u00e7\u00f5es para multiplicar esses usu\u00e1rios absorvidos. Antes de vir para a UFF, fui bibliotec\u00e1rio da prefeitura do Rio, mais precisamente da Biblioteca Popular Municipal do Dique, em Jardim Am\u00e9rica, Zona Norte da cidade, e te confesso que foi o trabalho que mais me encantou, pois eu estava em contato direto com crian\u00e7as de 6 a 15 anos e sabia que ali eu poderia contribuir para a mudan\u00e7a de perspectiva de vida daquelas crian\u00e7as, afinal, como j\u00e1 diria o bom e velho Monteiro Lobato, &#8220;um pa\u00eds se faz com homens e com livros&#8221;.<br \/>\nPara tentar desenvolver algo nesse lugar, matei aranhas que sa\u00edam entre livros que n\u00e3o correspondiam ao perfil daquela comunidade, limpei cantos de estante com \u00e1lcool, para tirar aquelas pequenas ovas de inseto (ou outro bicho, sei l\u00e1!) que ficam horrosamente grudadas nos m\u00f3veis e livros, mandei livros did\u00e1ticos dos anos 80 e outros livros que tratavam de homoafetividade como doen\u00e7a pra reciclagem, conseguindo assim algum dinheiro para o desenvolvimento de oficinas realizadas por dois criativos professores que l\u00e1 estavam alocados. Ignorando a aus\u00eancia de materiais (inclusive um computador funcional), desenvolvemos um jornal para biblioteca, que eu diagramava em casa, imprimia e tirava fotoc\u00f3pia na sede da Prefeitura e levava o que foi impresso na mochila, de volta pra Jardim Am\u00e9rica. Al\u00e9m disso tudo, eu ainda tentava desenvolver o trabalho b\u00e1sico de um bibliotec\u00e1rio: classificar, catalogar, fazer com que a informa\u00e7\u00e3o fosse minimamente recuper\u00e1vel. Fiquei menos de um ano l\u00e1 e sa\u00ed com a sensa\u00e7\u00e3o de que pouco fiz. O motivo? Tentar manter a mim mesmo e a minha fam\u00edlia com um sal\u00e1rio de cerca de R$1.000,00 tornou-se uma miss\u00e3o fora das minhas capacidades. Cada problema em casa, cada goteira ou outras dessas pequenas intemp\u00e9ries que todos temos que enfrentar, passou a ser ignorado, j\u00e1 que n\u00e3o havia recursos financeiros para resolver. Imagine agora que outros bibliotec\u00e1rios, os que me substitu\u00edram, podem estar nessa situa\u00e7\u00e3o, talvez at\u00e9 pior, se analisarmos a origem social do profissional dessa \u00e1rea.<br \/>\nEu acredito que um dia, quem sabe, a gente possa discutir o fim das bibliotecas no formato que as conhecemos e at\u00e9 dar um &#8220;adeus&#8221;, definitivo, pra o pr\u00e9dio cheio de papel dentro. Todos aderindo as bibliotecas digitais em seus tablets, kindles, celulares e outros dispositivos que permitem que o indiv\u00edduo carregue sua pr\u00f3pria cole\u00e7\u00e3o individual. Acontece que n\u00f3s, Lu\u00eds, somos a classe m\u00e9dia desse pa\u00eds. Com o seu sal\u00e1rio, e com o meu, podemos dispor de um tablet para ler confortavelmente em qualquer lugar. Eu mesmo acabei de ler &#8220;A insustent\u00e1vel leveza do ser&#8221;, do Kundera, enquanto no mesmo suporte, me aguardava um Vade Mecum desse ano, com quase (ou mais de, n\u00e3o lembro agora) 2.000 p\u00e1ginas, pois al\u00e9m de bibliotec\u00e1rio, hoje fa\u00e7o uma segunda gradua\u00e7\u00e3o em Direito. Tudo isso num dispositivo de menos de meio quilo. E que nem \u00e9 t\u00e3o caro, hoje \u00e9 poss\u00edvel adquirir um desses por menos de 300 reais.<br \/>\nMas e aquelas crian\u00e7as de Jardim Am\u00e9rica? O que vamos fazer com elas? Ser\u00e1 que os pais delas tem esses &#8220;menos de 300 reais&#8221; dispon\u00edveis? Como eu posso cobrar o interesse pela leitura na internet, se a escola p\u00fablica continua tendo um tom repressivo, que pouco estimula a leitura e a curiosidade acad\u00eamica e a televis\u00e3o, meio majorit\u00e1rio de contato com aquele mundo exterior, o mundo da classe m\u00e9dia, prefere desfilar m\u00fasicas e roupas da moda, ignorando a necessidade de se desenvolver o ser humanos com questionamentos um pouco menos superficiais do que &#8220;ser\u00e1 que Astolfo vai terminar com Claudia na novela hoje?&#8221;. O resultado \u00e9 esse: crian\u00e7as com uma &#8220;biblioteca&#8221; de um milh\u00e3o de p\u00e1ginas a sua frente, mas que preferem brincar de dar tiro enquanto tomam um refrigerante em frente a um computador. E a sa\u00edda passa a ser a biblioteca, n\u00e3o o velho dep\u00f3sito de livros velhos e mofados que alguns insistem em defender, mas uma institui\u00e7\u00e3o nova, que trabalhe o lado l\u00fadico da crian\u00e7a e, porque n\u00e3o, do adulto. S\u00f3 que a institui\u00e7\u00e3o da qual estamos falando vai demandar n\u00e3o s\u00f3 gente qualificada, mas tamb\u00e9m recursos p\u00fablicos, tanto para se criar essa institui\u00e7\u00e3o como para remunerar dignamente o profissional que nela estiver.<br \/>\n\u00c9 isso Lu\u00eds! Espero que voc\u00ea tenha sido demovido da id\u00e9ia de dar &#8220;adeus&#8221; as bibliotecas e agora lute pela biblioteca que deve existir, por uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na cultura e na educa\u00e7\u00e3o, e que agora sempre pense em que pode contribuir esse esquisito profissional que um dia foi uma velhinha de coque, mas que hoje pode assumir qualquer forma, tanto uma jovem e voluptuosa loira como um bo\u00eamio tatuado se aproximando dos seus 40 anos. N\u00e3o importa, na biblioteconomia tem espa\u00e7o para todos.<br \/>\nCaso queira pensar mais sobre um tema, entre em contato. H\u00e1 bibliotec\u00e1rios atuando com deficientes auditivos, sendo editores de revistas virtuais, gerindo voluntariamente bibliotecas comunit\u00e1rias em favelas, refletindo sobre a indexa\u00e7\u00e3o e busca da informa\u00e7\u00e3o na web 2.0&#8230; Tem de tudo, basta conhecer um pouco.<br \/>\nAbra\u00e7o!<br \/>\nDispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.facebook.com\/luanyannick\/posts\/386559641395481&gt;. Acesso em: 18 maio 2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porque publiquei essas respostas Por que foram as mais sensatas que encontrei (opini\u00e3o minha!) em meio a tanto burburinho. Meus cumprimentos \u00e0 Dora e ao Luan Yannick pelas respostas \u00e0 altura! *** You say goodbye and I say hello! Este texto \u00e9 a minha resposta pessoal para a nota que li do Lu\u00eds Ant\u00f4nio Gir\u00f3n,\u00a0D\u00ea &#8230; <a title=\"Respostas \u00e0 &quot;D\u00ea adeus \u00e0s bibliotecas\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2012\/05\/18\/respostas-a-de-adeus-as-bibliotecas-2\/\" aria-label=\"Read more about Respostas \u00e0 &quot;D\u00ea adeus \u00e0s bibliotecas\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_jetpack_newsletter_access":"","footnotes":""},"categories":[60],"tags":[2],"class_list":["post-4904","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-biblioteca"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":4906,"url":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2012\/05\/18\/respostas-a-de-adeus-as-bibliotecas-2-2\/","url_meta":{"origin":4904,"position":0},"title":"Respostas \u00e0 &#034;D\u00ea adeus \u00e0s bibliotecas","author":"mundobibliotecario","date":"18\/05\/2012","format":false,"excerpt":"Porque publiquei essas respostas Por que foram as mais sensatas que encontrei (opini\u00e3o minha!) em meio a tanto burburinho. 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