{"id":5124,"date":"2019-03-26T15:00:11","date_gmt":"2019-03-26T18:00:11","guid":{"rendered":"http:\/\/mundobibliotecario.com.br\/?p=5124"},"modified":"2019-03-26T15:00:11","modified_gmt":"2019-03-26T18:00:11","slug":"alberto-manguel-realca-luta-de-formiga-das-bibliotecas-publicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2019\/03\/26\/alberto-manguel-realca-luta-de-formiga-das-bibliotecas-publicas\/","title":{"rendered":"Alberto Manguel real\u00e7a \u201cluta de formiga\u201d das bibliotecas p\u00fablicas"},"content":{"rendered":"<p class=\"headline story__headline\">O escritor, ensa\u00edsta e bibli\u00f3filo de nacionalidade argentina e canadiana foi o conferencista convidado do III Encontro de Bibliotecas Associadas \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da UNESCO que se realizou em Torres Novas.<\/p>\n<figure class=\"story__media media media--image media--action  media--horizontal-medium\" aria-label=\"media\">\n<div class=\"flex-media camera\"><img decoding=\"async\" id=\"hqshry-interchange\" src=\"https:\/\/imagens.publicocdn.com\/imagens.aspx\/1341751?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=JPG&amp;w=823\" \/><\/p>\n<div class=\"media-badge\">Alberto Manguel <span class=\"credit\">PCM PATRICIA MARTINS<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<aside class=\"ad-slot ad-slot--margin show-for-large\">\n<div id=\"pubVert1\" class=\"pubVert show-for-desktop pubtxt &#x2714;\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/4458504\/Vert\/Ipsilon_0__container__\">Alberto Manguel lamentou esta quarta-feira, em Torres Novas, que as bibliotecas p\u00fablicas desenvolvam uma \u201cluta de formiga\u201d ao procurar fomentar a leitura \u201cnum oceano de for\u00e7as negativas\u201d de uma sociedade marcada pelo consumismo e a falta de \u00e9tica.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2013\/12\/20\/culturaipsilon\/noticia\/num-atlas-imaginario-podese-tudo-e-sedentario-e-nomada-alberto-manguel-o-seu-lugar-e-uma-ilha-deserta-cheia-de-livros-numa-aldeia-de-franca-328875\">O escritor, ensa\u00edsta e bibli\u00f3filo<\/a>\u00a0de nacionalidade argentina e canadiana foi o conferencista convidado do III Encontro de Bibliotecas Associadas \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da UNESCO que se realizou no audit\u00f3rio da Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, em Torres Novas, tendo por tema \u201cA Felicidade\u201d.<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p>Em entrevista \u00e0 Lusa, no final do encontro, falou do seu pr\u00f3ximo projecto \u2014 uma \u201chist\u00f3ria das utopias\u201d \u2014 e de bibliotecas, da leitura como subvers\u00e3o, e das dificuldades que a cria\u00e7\u00e3o de leitores imp\u00f5e, num contexto social mais amplo.<\/p>\n<p>\u201cQuando falamos de problemas das bibliotecas, da cria\u00e7\u00e3o de novos leitores, de educa\u00e7\u00e3o, de comportamento c\u00edvico, de viol\u00eancia, n\u00e3o s\u00e3o problemas isolados, s\u00e3o problemas da estrutura da nossa sociedade. N\u00e3o podemos pedir que uma biblioteca funcione como um centro de cria\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os \u00e9ticos dentro de uma sociedade que n\u00e3o \u00e9 \u00e9tica\u201d, disse\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2015\/10\/16\/culturaipsilon\/entrevista\/leitor-releitor-escritor-1711023\">Alberto Manguel <\/a>\u00e0 Lusa.<\/p>\n<p>Contudo, apesar de todas as dificuldades, Manguel acredita que, \u201cse a esp\u00e9cie humana vai sobreviver como criaturas com intelig\u00eancia\u201d \u2014 de que n\u00e3o tem grande esperan\u00e7a\u00a0\u2014&#8221;ser\u00e1 em grande parte devido ao esfor\u00e7o do pequeno bibliotec\u00e1rio da pequena biblioteca da pequena cidade, que continua acreditando que a leitura \u00e9 importante e que a intelig\u00eancia tem valor\u201d.<\/p>\n<p>Quando foi director da Biblioteca Nacional da Argentina, Manguel deu in\u00edcio a um projecto de forma\u00e7\u00e3o de professores a que chamou \u201capaixonados pela leitura\u201d, por acreditar que as crian\u00e7as aprendem por imita\u00e7\u00e3o, e que pessoas verdadeiramente apaixonadas pelos livros deixam transparecer essa paix\u00e3o, conquistando aqueles que ensinam.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cH\u00e1 que ser visivelmente apaixonado. \u00c9 a \u00fanica coisa que podemos fazer\u201d para lutar contra os preconceitos de uma sociedade marcada pelos valores do consumo, disse \u00e0 Lusa, salientando que, \u201cna hist\u00f3ria da escrita, os leitores nunca foram a maioria, sempre foram a elite, mas \u00e9 uma elite \u00e0 qual todos podem pertencer, \u00e9 como um clube elitista, mas com as portas abertas\u201d.<\/p>\n<p>Para\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2002\/04\/25\/jornal\/um-livro-e-como-um-corpo-que-se-toca-e-tem-marcas-so-dele-169811\">Alberto Manguel,<\/a>\u00a0a tarefa de cria\u00e7\u00e3o de leitores \u201c\u00e9 dific\u00edlima\u201d na \u201csociedade suicida\u201d em que vivemos, e a esperan\u00e7a est\u00e1 na \u201cintelig\u00eancia e na imagina\u00e7\u00e3o dos jovens\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSe conseguirmos dizer-lhes que a melhor forma de rebeli\u00e3o est\u00e1 na sua intelig\u00eancia, que a leitura \u00e9 a forma mais efectiva de subvers\u00e3o, quem sabe podemos conseguir algo\u201d, declarou, salientando que \u201cse cada leitor converter um leitor, imediatamente duplicamos o n\u00famero de leitores\u201d.<\/p>\n<p>\u201cVimos ao mundo como criaturas capazes de reflectir, de imaginar, de ter um sentido \u00e9tico e muito disto na sociedade da escrita passa pela literatura, aprendemos empatia atrav\u00e9s das personagens da fic\u00e7\u00e3o, aprendemos a comunicar uns com os outros, aprendemos a mem\u00f3ria dos nossos antepassados, a experi\u00eancia passada\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSe a esses leitores em pot\u00eancia se inculca desde muito cedo n\u00e3o confiar na sua intelig\u00eancia, n\u00e3o deixar que a sua imagina\u00e7\u00e3o se exercite, seguir as restri\u00e7\u00f5es dos sistemas educativos, que actualmente s\u00e3o campos de treino para o escrit\u00f3rio e a f\u00e1brica, gradualmente tornamo-nos em seres que n\u00e3o reflectem, porque os valores da reflex\u00e3o e da leitura s\u00e3o o dif\u00edcil\u201d, declarou.<\/p>\n<p>Sobre o tema do encontro que o trouxe a Torres Novas, Manguel citou Jorge Lu\u00eds Borges, de quem foi leitor na juventude, para dizer que a leitura n\u00e3o pode ser obrigat\u00f3ria, \u201cporque a felicidade n\u00e3o pode ser obrigat\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>O seu pr\u00f3ximo projecto \u2014 depois do \u00faltimo livro,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2018\/03\/14\/culturaipsilon\/opiniao\/o-leitor-radiante-1806501\"><em>Embalando a Minha Biblioteca<\/em><\/a>\u2014 \u00e9 o de escrever uma \u201chist\u00f3ria das utopias\u201d, passando em revista todas as tentativas de cria\u00e7\u00e3o de sociedades ut\u00f3picas que falharam \u201cpor cobi\u00e7a, por ambi\u00e7\u00e3o, por incapacidade pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO paradoxo essencial da nossa esp\u00e9cie \u00e9 que, desde que come\u00e7\u00e1mos a ter consci\u00eancia de n\u00f3s mesmos, desde o aparecimento do Neanderthal ou mesmo do Sapiens, nunca podemos imaginar uma sociedade medianamente justa e medianamente feliz. Nunca. S\u00f3crates quando, n&#8217;<em>A<\/em>\u00a0<em>Rep\u00fablica<\/em>, passa em revista as formas de sociedade, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma que lhe pare\u00e7a efectiva para a felicidade humana\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sei por que \u00e9 assim. Porque conseguimos inventar as coisas mais extraordin\u00e1rias (p\u00f4r uma pessoa na lua, derrotar doen\u00e7as terr\u00edveis) e n\u00e3o conseguimos imaginar como viver juntos e ser mais ou menos honestos uns com os outros, e mais ou menos felizes\u201d, disse.<\/p>\n<p><em>Uma Hist\u00f3ria da Leitura<\/em>,\u00a0<em>Todos os Homens S\u00e3o Mentirosos<\/em>,\u00a0<em>Dicion\u00e1rio de Lugares Imagin\u00e1rio<\/em>s,\u00a0<em>O Amante Extremamente Minucioso<\/em>,\u00a0<em>No Bosque do Espelho<\/em>,\u00a0<em>A Cidade das Palavras<\/em>,\u00a0<em>Uma Hist\u00f3ria da Curiosidade<\/em>,\u00a0<em>A Biblioteca \u00e0 Noite<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Embalando a Minha Biblioteca\u00a0<\/em>s\u00e3o alguns dos t\u00edtulos de Manguel publicados em Portugal, que tamb\u00e9m incluem\u00a0<em>Com Borges: Um Livro-Homenagem ao Excepcional Escritor Argentino<\/em>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das bibliotecas da rede Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura (33 membros e seis em processo de ades\u00e3o), o encontro em Torres Novas contou com a participa\u00e7\u00e3o de outras bibliotecas p\u00fablicas de todo o pa\u00eds, tendo abordado temas como os 25 anos do manifesto da UNESCO, as bibliotecas como centros de aprendizagem e o futuro das bibliotecas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2019\/03\/20\/culturaipsilon\/noticia\/bibliofilo-alberto-manguel-realca-luta-formiga-bibliotecas-publicas-1866222\">https:\/\/www.publico.pt\/2019\/03\/20\/culturaipsilon\/noticia\/bibliofilo-alberto-manguel-realca-luta-formiga-bibliotecas-publicas-1866222<\/a>&gt;. Acesso em: 25 mar. 2019.<\/p>\n<\/aside>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O escritor, ensa\u00edsta e bibli\u00f3filo de nacionalidade argentina e canadiana foi o conferencista convidado do III Encontro de Bibliotecas Associadas \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da UNESCO que se realizou em Torres Novas. Alberto Manguel PCM PATRICIA MARTINS Alberto Manguel lamentou esta quarta-feira, em Torres Novas, que as bibliotecas p\u00fablicas desenvolvam uma \u201cluta de formiga\u201d ao procurar &#8230; <a title=\"Alberto Manguel real\u00e7a \u201cluta de formiga\u201d das bibliotecas p\u00fablicas\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2019\/03\/26\/alberto-manguel-realca-luta-de-formiga-das-bibliotecas-publicas\/\" aria-label=\"Read more about Alberto Manguel real\u00e7a \u201cluta de formiga\u201d das bibliotecas p\u00fablicas\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_jetpack_newsletter_access":"","footnotes":""},"categories":[60],"tags":[1336,70,501],"class_list":["post-5124","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-alberto-manguel","tag-biblioteca-publica","tag-unesco"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":4348,"url":"https:\/\/mundobibliotecario.com.br\/index.php\/2016\/09\/21\/52-bibliotecas-em-52-semanas-38\/","url_meta":{"origin":5124,"position":0},"title":"52 bibliotecas em 52 semanas (38)","author":"mundobibliotecario","date":"21\/09\/2016","format":false,"excerpt":"Clareview Branch, Edmonton (Alberta) Public Library A cidade de Edmonton e a Biblioteca P\u00fablica de Edmonton juntaram for\u00e7as para criar um biblioteca setorial e um centro de recrea\u00e7\u00e3o. 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