Livraria canadense reinventa a venda de livros

A famosa escritora Margaret Atwood é amiga da CEO das livrarias Indigo e já deu ideias para os negócios

Cerca de dez anos atrás, Heather Reisman, a executiva-chefe da maior cadeia de livrarias do Canadá, tomava chá com a escritora Margaret Atwood, quando esta inadvertidamente lhe deu uma ideia de um novo produto.

Atwood anunciou que planejava ir para casa, colocar meias confortáveis e ler um livro. Reisman achou interessante. Pouco tempo depois, sua empresa, a Indigo, desenvolveu sua própria marca de “meias de leitura” de pelúcia. Elas rapidamente se tornaram um dos artigos característicos da Indigo.

“No ano passado, todos os meus amigos ganharam meias de leitura”, disse Arianna Huffington, cofundadora do HuffPost e amiga de Reisman, que também deu as meias de presente aos funcionários de sua organização, a Thrive.”A maioria das pessoas não tem meias de leitura – não como as da Heather.”

Nos últimos anos, a Indigo lançou dezenas de outros produtos, incluindo esteiras de praia, velas perfumadas, quadros inspiradores, potes de cozinha, pilares de cristal, marmiteiras, kits de cultivo de ervas, conjuntos de facas de queijo de cobre, copos de champanhe sem haste, almofadas e cachecóis.

Pode parecer estranho que uma livraria desenvolva e venda pratos de sopa artesanais e roupinhas de bebê feitas com algodão orgânico. Porém a abordagem da Indigo não é apenas nova, mas também crucial para seu sucesso e longevidade. O conceito de superloja, com grandes espaços contendo 100 mil títulos, tornou-se cada vez mais difícil de sustentar na era do comércio on-line, quando é impossível igualar a vasta seleção da Amazon.

A Indigo está experimentando um novo modelo, posicionando-se como uma “loja de departamentos cultural”, onde os clientes que vêm escolher livros muitas vezes acabam se demorando mais e acabam, por impulso, comprando chinelos de caxemira e massageadores faciais de cristal, ou um jogo de facas para ser usado com um novo livro de receitas paleolíticas.

Ao longo dos últimos anos, Reisman reinventou a Indigo como um estilo de vida, com seções dedicadas à alimentação, saúde, bem-estar e decoração da casa.

Reisman agora está exportando a abordagem da Indigo para os Estados Unidos. No ano passado, ela abriu sua primeira loja americana em um shopping de luxo em Millburn, Nova Jersey, e planeja abrir várias outras na região nordeste.

Indigo, livraria de sucesso no Canadá

Indigo, livraria de sucesso no Canadá

Indigo, livraria de sucesso no Canadá (Bryan Anselm/Divulgação)

O crescimento da Indigo é ainda mais notável, devido aos desafios que as grandes cadeias de livros enfrentam nos Estados Unidos. A Borders, que já chegou a ter mais de 650 lojas, declarou falência em 2011. A Barnes & Noble opera agora 627 lojas (eram 720 em 2010), e a empresa se colocou à venda no ano passado. Ultimamente, vem abrindo lojas menores, incluindo um outlet de 771 metros quadrados no Condado de Fairfax, na Virgínia.

“A variedade da mercadoria é o básico do varejo, e é difícil conseguir isso em uma livraria típica”, disse Peter Hildick-Smith, presidente do Codex Group, que analisa a indústria do livro. “A Indigo descobriu uma maneira de criar uma aura extra em torno da experiência da compra de livros, criando uma extensão física da leitura.”

Durante uma visita à loja de Nova Jersey, Reisman parecia mais ser uma guru da autoajuda ou uma evangelizadora do bem-estar que uma livreira, falando sobre a importância do sono adequado e da hidratação, dos alimentos frescos e do tempo longe do celular.

“Reunimos ideias – grandes ideias – que achamos que vão funcionar”, disse ela.

A atmosfera é íntima, acolhedora e feminina – uma escolha estética que também faz sentido comercial, já que as mulheres representam cerca de 60 por cento dos compradores de livros. Uma seção chamada “A Alegria da Mesa” exibe travessas de cerâmica, vidro ou madeira da marca Indigo com os livros de receitas. A seção de decoração tem xales, almofadas, cestas, vasos e velas perfumadas. Há uma subseção chamada “Em Suas Palavras”, que apresenta livros de memórias e outros relacionados ao ideário feminino. A área chamada “Seu Próprio Quarto” parece um camarim exuberante, com bolsas de couro vegano, xales macios, uma cadeira de veludo, cachecóis e revistas ao lado de livros de arte, design e moda.

Os livros ainda respondem por pouco mais de 50 por cento das vendas da Indigo e permanecem o artigo principal; o estoque da loja de Nova Jersey tem cerca de 55 mil títulos. Mas eles também servem a outro propósito: apelam aos interesses, passatempos, desejos e ansiedades dos consumidores, facilitando a venda e o desenvolvimento de produtos relacionados.

Livraria Indigo, rede canadense

Livraria Indigo, rede canadense

Livraria Indigo, rede canadense (Bryan Anselm/The New York Times)

A Amazon foi pioneira desse conceito décadas atrás, e o explora desde então em sua missão de ser “a loja de tudo”. Essa não é a meta da Indigo, disse Reisman.

“Nessas categorias, fazemos uma verdadeira curadoria. Não queremos ser a loja de tudo. Alguém já está fazendo isso”, disse ela.

Os executivos de editoras, preocupados com as dificuldades crescentes da Barnes & Noble, responderam entusiasticamente à estratégia de Reisman.

“Heather foi pioneira e aperfeiçoou a arte de integrar livros com outros produtos”, disse Markus Dohle, executivo-chefe da Penguin Random House, em um e-mail.

Reisman fez de seus próprios gostos e interesses algo central para a marca. A frente da loja de Nova Jersey apresenta uma seção intitulada “Escolhas da Heather”, com uma mesa de exposição coberta por dezenas de títulos. Uma placa a identifica como “fundadora e executiva-chefe da cadeia, grande amante dos livros e a Heather das ‘Escolhas da Heather’”.

Ela aparece regularmente nas noites de autógrafos e em eventos da loja, e entrevistou autores proeminentes como Malcolm Gladwell, James Comey, Sally Field, Bill Clinton e a falecida Nora Ephron.

Quando Reisman abriu a primeira loja da Indigo em Burlington, Ontário, em 1997, ela já tinha tido sua própria empresa de consultoria e mais tarde foi presidente de uma empresa de refrigerantes e bebidas, a Cott.

Ainda assim, a indústria do livro é idiossincrática, e muitos se perguntaram se a Indigo poderia competir com a maior livraria do Canadá, a Chapters.

O ceticismo desapareceu alguns anos mais tarde, quando a Indigo se uniu à Chapters, herdando suas inúmeras lojas nacionais. A empresa agora tem mais de 200 pontos de venda em todo o Canadá, incluindo 89 “superlojas”. A primeira loja conceitual foi aberta em 2016.

Indigo Books, livraria canadense  Indigo Books, livraria canadense

Indigo Books, livraria canadense (Bryan Anselm/The New York Times)

A nova abordagem provou ser lucrativa: em seu ano fiscal de 2017, a receita da empresa ultrapassou um bilhão de dólares canadenses pela primeira vez. Em 2018, a Indigo relatou um aumento de receita de quase 60 milhões de dólares canadenses em relação ao ano anterior, tornando-se o ano mais rentável da história da cadeia.

A empresa não está imune aos desafios que outros grandes varejistas enfrentam. Em seu relatório de ganhos mais recente, para o terceiro trimestre fiscal de 2019, a Indigo registrou uma queda de receita de mais de US$ 7 milhões e uma diminuição de lucro bruto de quase US$ 16 milhões em comparação ao ano anterior. Entre as razões estavam uma greve postal canadense, o aumento do salário mínimo e renovações das lojas.

O domínio da empresa no Canadá não garante o sucesso nos Estados Unidos, onde é preciso competir não só com a Amazon e a Barnes & Noble, mas com uma onda de renascimento de livreiros independentes. Depois de anos de declínio, as lojas independentes se recuperaram, com cerca de 2.470 locais (eram 1.651 uma década atrás), de acordo com a Associação Americana de Livreiros. E a Amazon chegou ao mercado físico, com cerca de 20 livrarias em todos os Estados Unidos.

Reisman reconhece que a empresa enfrenta desafios com a expansão para o sul. Mesmo assim, ela está otimista e já procura locais para uma segunda loja perto de Nova York. “Estamos desenvolvendo nossa própria abordagem para atrair leitores”, disse ela. “Somos o cara novo”, disse ela, acrescentando em seguida: “Ou a mulher nova.”

Heather Reisman, CEO da Indigo Books, rede de livrarias canadense Heather Reisman, CEO da Indigo Books, rede de livrarias canadense

Heather Reisman, CEO da Indigo Books, rede de livrarias canadense (Bryan Anselm/The New York Times)

Disponível em: <https://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/livraria-canadense-reinventa-a-venda-de-livros/>. Acesso em: 16 maio 2019.

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McDonald’s reforma biblioteca de associação

A Associação de Acolhimento Bom Pastor, que fica no bairro Jardim Novo Horizonte em Jundiaí, reinaugurou neste sábado (11) a sua biblioteca, que foi reformada com recursos doados pelo McDonald’s. A entidade existe há 19 anos e recebe diariamente cerca de 50 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade para atividades de contraturno escolar. O trabalho também abrange as famílias dos jovens atendidos com programas profissionalizantes.

A iniciativa da reforma do espaço partiu de Silmara Nadal Pedro, que trabalha na área de Supply Chain do McDonald’s Brasil e inscreveu o projeto na Gincana Bom Vizinho, ação interna da rede que incentiva os colaboradores a participarem de iniciativas que apoiam as comunidades. “Eu já atuava como voluntária na Associação de Acolhimento Bom Pastor e eles realizam um trabalho muito importante com centenas de famílias de bairros onde 90% das pessoas vivem em situação precária”, explica Silmara.

A Gincana Bom Vizinho, que completa 17 anos em 2019, ganhou no ano passado novas possibilidades, dando mais protagonismo para funcionários liderarem e sugerirem auxílio a projetos além dos já existentes. Nessa categoria especial, a ideia aprovada ganha o apoio financeiro da marca em até R$ 5 mil reais, como foi o caso da Associação de Acolhimento Bom Pastor. “Indicamos a entidade para participar da seleção do projeto e ela foi contemplada com o recurso para reformar a biblioteca, que estava em situação muito ruim. O McDonald’s acredita na importância da leitura como contribuição para o desenvolvimento intelectual e essa iniciativa reforça isso”, completa Silmara.

Com o recurso, foi feita a limpeza e pintura do espaço, instalação de prateleiras, colocação de mesas, cadeiras, pufes e caixas organizadoras, aquisição de novos livros e brinquedos para diferentes faixas etárias, além de contemplar a festa de inauguração.

A Associação realizou ainda um concurso interno para escolher um nome para a nova biblioteca. “Durante a cerimônia no sábado, entregamos um certificado e um livro para a Thainara Sthefany Vieira dos Santos Silva, pois ela ganhou a competição que deu ao espaço o nome de ‘Bompasteca’. Foi emocionante”, conta o responsável administrativo da Associação de Acolhimento Bom Pastor, Valter Monteiro Santos.

Além da premiação, o evento contou ainda com a participação do grafiteiro Junior Trezzi, que fez a pintura de uma das paredes da biblioteca com o novo nome.

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Disponível em: <http://www.jj.com.br/jundiai/mcdonalds-reforma-biblioteca-de-associacao/&gt;. Acesso em: 15 maio 2019.

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Investir em Educação é investir em Biblioteca Escolar!

PUBLISHNEWS, VOLNEI CANÔNICA, 03/05/2019

Em sua coluna, Volnei Canônica explica detalhes da pesquisa sobre bibliotecas escolares realizada recentemente pelo Instituto Pró-Livro

Infelizmente tornou-se comum ouvir notícias de que, pela falta de estrutura e investimentos nas escolas, ou devido ao número crescente de crianças fora delas, gestores públicos fecham as bibliotecas escolares ou salas de leitura para transformá-las em sala de aula.

Esta ação não é nada eficaz para a educação brasileira. Arrisco dizer que é uma ação bastante desastrosa, fruto de uma visão antiquada do que seja uma biblioteca escolar por parte de alguns gestores públicos, ou pela falta de conhecimento sobre o impacto deste equipamento.

Uma biblioteca escolar estruturada, com um bom acervo, equipamentos e profissionais qualificados desenvolvendo ações de leitura ligadas ao projeto político pedagógico ou currículo escolar traz grande impacto positivo na aprendizagem dos alunos. Alguém tem dúvida sobre isso?

Biblioteca da Escola Municipal de Ensino Fundamental Camilo Castelo Branco (Rio de Janeiro- RJ)

Biblioteca da Escola Municipal de Ensino Fundamental Camilo Castelo Branco (Rio de Janeiro- RJ)

Não afirmo isso por suposição ou por ser um grande entusiasta e profissional da área da leitura. Estou afirmando porque recentemente tive acesso a uma pesquisa sobre a importância das bibliotecas escolares.

Em comemoração ao dia Mundial do Livro e do Direito do Autor, 23 de abril, o Instituto Pró-Livro – criado em 2006 pelas entidades Abrelivros, CBL e SNEL – apresentou os primeiros resultados de uma importante pesquisa sobre a biblioteca escolar. O Instituto Pró-livro é responsável também pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que apresenta um panorama sobre o comportamento leitor do brasileiro.

Este recorte sobre a biblioteca escolar é fundamental, já que nos últimos anos, a escola, o professor e a literatura têm passado por um processo de desvalorização, não só pelo poder público, como também pela sociedade civil.

A pesquisa sobre a biblioteca escolar se balizou em dois marcos regulatórios que deveriam nortear as políticas públicas para a área da Educação:

a) Plano Nacional de Educação/PNE (2014 – 2024) – Em suas metas pretende promover equipamentos e recursos tecnológicos digitais e a universalização das bibliotecas em todas as escolas de ensino básico, até 2024.

b) Lei nº 12.244/2010 que também prevê a universalização das bibliotecas escolares em instituições públicas ou privadas até 2020.

Além desses dois marcos regulatórios, um outro fator motivador para a realização da pesquisa foi a descontinuidade do Programa Nacional da Biblioteca Escolar – PNBE, do Ministério da Educação (MEC), e o seu impacto nas bibliotecas da escolas e consequentemente, no processo de aprendizagem dos alunos.

A pesquisa foi aplicada em aproximadamente 500 escolas, distribuídas em 17 unidades da federação, pelo Instituto OPE Sociais. Dirigentes escolares, professores de português e responsáveis por bibliotecas responderam um questionário com 60 perguntas, desenvolvido pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o Instituto de Ensino e Pesquisa (INSPER).

O principal objetivo da pesquisa era demonstrar qual a importância da biblioteca escolar no processo educativo dos alunos do ensino básico.

Biblioteca da Escola Municipal de Ensino Fundamental Francisco Cabrita (Rio de Janeiro - RJ)

Biblioteca da Escola Municipal de Ensino Fundamental Francisco Cabrita (Rio de Janeiro – RJ)

Após o período de aplicação dos questionários os dados foram tratados e correlacionados com dois importantes indicadores de avaliação do desempenho do aluno: O IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica e o SAEB – Sistema de Avaliação da Educação Básica, por meio da Prova Brasil.

A pesquisa trouxe ainda os dados do Censo realizado pelo MEC, em 2017, revelando que das 142.573 escolas públicas federais, estaduais e municipais, 61% não tinham biblioteca ou sala de leitura. Ou seja: 88.340 escolas sem este equipamento fundamental no processo de aprendizagem e do desenvolvimento do aluno.

Nas escolas particulares o percentual de instituições sem bibliotecas é menor, mas não menos preocupante. Das 37.569 escolas particulares, 27% não têm bibliotecas ou salas de leitura. Ou seja: 10.295 escolas particulares sem bibliotecas.

Se fizermos um cálculo sobre a falta de bibliotecas nas instituições de ensino no Brasil, podemos dizer que 98.635 escolas não tem bibliotecas. Um percentual de 55% das escolas brasileiras não está alinhado com as metas do PNE, e não cumpre a Lei 12.244/10. São escolas que estão limitando o acesso à cultura escrita e visual. Limitando o acesso à ficção.

Já que o objetivo da pesquisa era medir o impacto da biblioteca escolar, o recorte buscou aplicar a pesquisa num número significativo de escolas com bibliotecas ou salas de leitura, mas também aplicou em um número menor de escolas sem bibliotecas escolares, para comparação. Das quase 500 escolas selecionadas, 60.6% têm bibliotecas, 33,2% têm salas de leitura e 6,5% não tem bibliotecas ou salas de leitura.

A pesquisa levantou ainda as condições dessas bibliotecas ou salas de leitura. Observaram-se questões sobre instalações, funcionamentos, perfis dos profissionais que atuam nessas bibliotecas, quais são as atividades e a integração dessas ações no projeto político pedagógico ou currículo escolar. Pilares que sustentam uma biblioteca escolar.

Mas será que esses pilares têm impacto na aprendizagem dos alunos?

Crianças lendo na Biblioteca da Escola Municipal de Ensino Fundamental Santa Lúcia (Caxias do Sul - RS)

Crianças lendo na Biblioteca da Escola Municipal de Ensino Fundamental Santa Lúcia (Caxias do Sul – RS)

Antes de termos as respostas para essa pergunta, é necessário analisar o universo pesquisado.

Segundo a pesquisa, 37% do local onde estão instaladas as bibliotecas ou salas de leitura são de uso compartilhado com outras ações e somente 57% são de uso exclusivo para a biblioteca. Além disso apenas 49% do mobiliário desses espaços (estantes, mesas, arquivos e outros equipamentos) são considerados suficientes.

Em se tratando dos profissionais que atendem nesse espaço, foi levantado que 74% tem nível superior. A pesquisa aponta ainda uma diversidade de profissionais realizando o atendimento nas bibliotecas: 31,5% São professores responsáveis pela biblioteca, 20,6% são professores readaptados, 11,9% são bibliotecários. Um dado bastante significativo foi o de 28%, que a pesquisa caracteriza como “Outros” – técnicos, voluntários e estagiários.

Para 62% desses responsáveis pela biblioteca, a quantidade de livros do acervo está compatível com o número de alunos, um dado que parece pouco frágil, já que 60% desses mesmos entrevistados não souberam informar o número de títulos e exemplares existentes na biblioteca. Provavelmente, a fragilidade desta informação tenha relação com a falta de um bibliotecário, de equipamento e de uma plataforma digital para a catalogação deste acervo.

Os números da pesquisa referendam essa minha afirmação: 64% dos profissionais que atuam no espaço disseram que existe procedimento técnico com uma certa assiduidade, mas que apenas 47% executam catalogação com essa mesma frequência.

Sobre o acervo, os entrevistados afirmam que 42% é atualizado com uma certa frequência e que possui diversidade de gêneros literários. Para 74% desses entrevistados, os livros e materiais de pesquisa são de fácil localização pelo aluno/professor.

Em se tratando das atividades e projetos desenvolvidos pelas bibliotecas ou salas de leitura, 44% dos respondentes afirmam que suas atividades estão ligadas ao projeto político pedagógico ou currículo escolar. Já 41% responderam que suas atividades estão ligadas em parte a essa questão e 15% responderam que suas ações são autônomas e não tem ligação às questões da sala de aula.

A pesquisa mostrou que dentro do escopo de escolas entrevistadas 88% das bibliotecas ou salas de leitura funcionam de segunda a sexta-feira. 2% funcionam também aos sábados. 10% estão fechadas todos os dias.

Um dado que chama a atenção e se revela preocupante é a relação da literatura com a biblioteca escolar, talvez ainda percebida por alguns como um espaço somente de pesquisa. Os dados apresentados mostram que apenas 40% desses profissionais indicam sempre livros de literatura. 25% indicam muitas vezes, 25%, às vezes e 10% não indicam. A pesquisa revela como precisamos formar mais profissionais leitores com condições de indicar e emprestar livros de literatura para as crianças e suas famílias.

Todos esses dados importantes nos alimentam cada vez mais de subsídios, para discutir muitas questões que precisam ser melhoradas, tanto na estrutura física como na humana, das bibliotecas escolares ou salas de leitura.

A pesquisa promovida pelo Instituto Pró-Livro, evidencia que, apesar das bibliotecas escolares não estarem nas condições ideais, o impacto deste equipamento na aprendizagem dos alunos é muito positivo.

As análises e correlações dos pesquisadores do INSPER, divulgados no lançamento da pesquisa, revelam:

– A escola que possui espaço exclusivo para biblioteca, acervo diversificado, atividades extraescolares como visitas a museus e atividades culturais e integração do professor às atividades das bibliotecas cria um diferencial significativo na aprendizagem dos alunos.

– Nessa correlação entre espaço físico e o Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico – IDEB, a escola que tem uma biblioteca escolar em boas condições, alcança IDEB 0,2 ponto maior que uma escola com um espaço inferior.

– O impacto da biblioteca é ainda maior nas escolas mais vulneráveis. Neste caso a correlação com o IDEB aumenta em 0,5. Isso é muito significativo já que o IDEB, entre 2015 e 2017, no Brasil inteiro, cresceu 0,3 ponto.

– Ter um responsável pela biblioteca que desenvolva suas ações ligadas às atividades pedagógicas é bastante relevante. Segundo a pesquisa, em correlação com o Sistema de Avaliação da Educação Básica – SAEB, o desempenho em Português dos alunos aumenta em 4 pontos, ou seja, o equivalente a 1/3 de um ano de aprendizado para alunos entre o 5º e o 9º ano. Nas escolas mais vulneráveis a relevância é da magnitude de 16 pontos. Quatro vezes maior!

– A pesquisa mostrou que ter um professor de sala de aula que se envolva em atividades de pesquisa e leitura e incentive os alunos a frequentarem a biblioteca, aumenta o desempenho em Português em até 7 pontos na escala SAEB, o que pode representar um índice de 63% de um ano de aprendizado.

– Outro dado significativo se refere à presença de um bom acervo nas bibliotecas escolares, com um crescimento de 6 pontos na disciplina de Português e 10 pontos em Matemática. Já em relação ao IDEB o aumento é de 0,4 ponto.

Biblioteca da Escola Municipal de Ensino Fundamental Santa Lúcia (Caxias do Sul - RS)

Biblioteca da Escola Municipal de Ensino Fundamental Santa Lúcia (Caxias do Sul – RS)

São muitos os dados e as correlações que podemos fazer. Reproduzi aqui alguns para uma primeira reflexão de muitas que precisam ser feitas a partir de resultados que, em breve, serão disponibilizados pelo Instituto Pró-Livro.

Mas já nessa primeira leitura fica provado que o ensino-aprendizado sofre um impacto positivamente relevante com a presença de uma biblioteca com um espaço adequado e só seu, com bons equipamentos, com um bom acervo e um ou mais profissionais qualificados para desenvolver ações ligadas ao projeto político pedagógico da escola.

Precisamos evidenciar também que esse impacto é muito mais relevante onde as escolas são socialmente vulneráveis. Portanto, é fundamental que se invista, criando ou qualificando bibliotecas em escolas com menos acesso à cultura.

É sabido por todos que pesquisas são fundamentais para que gestores públicos possam tomar as melhores decisões. Gestor que fecha a biblioteca escolar ou sala de leitura está fechando uma porta importante e eficaz no aprendizado das crianças.

É importante que todos entendam, incluo os pais dos alunos, que o processo de aprendizagem não se dá apenas de maneira mais formal como estamos acostumados a ver ao entrar em uma sala de aula. Existem inúmeras experiências no mundo e no Brasil evidenciando como é fundamental para as crianças serem estimuladas de diferentes maneiras.

Investir em educação é investir na biblioteca escolar!

Em tempo: nos próximos dias o Instituto Pró-Livro deverá liberar em seu portal os dados da pesquisa. Enquanto isso, navegue pelo portal pra saber mais sobre a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil e para conhecer muitos projetos de incentivo à leitura e notícias importantes para todos que estão interessados em transformar esse Brasil em um país com mais leitores.

Volnei Canônica é formado em Comunicação Social – Relações Públicas pela Universidade de Caxias do Sul, com especialização em Literatura Infantil e Juvenil também pela Universidade de Caxias do Sul, e especialização em Literatura, Arte do Pensamento Contemporâneo pela PUC-RJ. É Presidente do Instituto de Leitura Quindim, Diretor do Clube de Leitura Quindim e ex-diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, do Ministério da Cultura. Coordenou no Instituto C&A de Desenvolvimento Social o programa Prazer em Ler. Foi assessor na Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Na Secretaria Municipal de Cultura de Caxias do Sul, assessorou a criação do Programa Permanente de Estímulo à Leitura. o Livro Meu. Também foi jurado de vários prêmios literários.

Disponível em: <https://www.publishnews.com.br/materias/2019/05/03/investir-em-educacao-e-investir-em-biblioteca-escolar>. Acesso em: 5 maio 2019.

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Xiloteca da Unesp entra em catálogo internacional

Xiloteca da Unesp entra em catálogo internacional

Coleção de madeiras da Faculdade de Ciências Agronômicas de Botucatu possui mais de 2.400 amostras, principalmente de zonas tropicais (imagem: FCA-Unesp)

 

Agência FAPESP – A Xiloteca “Profa. Dra. Maria Aparecida Mourão Brasil”, localizada no Departamento de Ciência Florestal da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu, foi registrada no catálogo Index Xylariorum 4.1 que reúne coleções de madeira de todo o mundo.

A coleção tem como principal objetivo apoiar estudos científicos em madeiras. É fonte de informações para a pesquisa, fornecendo possibilidades de identificação e resgate de dados sobre procedência, coletores, local onde estão depositadas as exsicatas e outras informações que auxiliam em estudos.

Exsicata é uma amostra de planta prensada e em seguida seca numa estufa, fixada em uma cartolina de tamanho padrão acompanhada de uma etiqueta ou rótulo contendo informações sobre o vegetal e o local de coleta, para uso em estudos botânicos.

A coleção é formado por doações recebidas de diferentes xilotecas de todo o mundo e também contém amostras de espécies do Cerrado, coletadas na região centro-oeste do Estado de São Paulo.

A xiloteca da Unesp possui mais de 2.400 amostras de madeiras (cerca de 570 gêneros que estão incluídos em 126 famílias), com ênfase nas espécies de regiões tropicais. A partir de 2004, as coletas foram sistematizadas e a coleção passou a incluir periodicamente amostras de espécies lenhosas de vários hábitats, principalmente do Cerrado paulista.

A FAPESP apoiou a xiloteca por meio do Projeto Temático “Estudos morfológicos, anatômicos, histoquímicos e ultraestruturais em plantas do Cerrado (Senso lato) do Estado de São Paulo” e dos projetos “Padrões e variações anatômicas do lenho de espécies arbustivas e arbóreas de Cerrado do Estado de São Paulo” e “Sazonalidade cambial, tecidos vasculares e de proteção em espécies do Cerrado paulista”.

As informações da xiloteca também podem ser acessadas via Centro de Referência em Informação Ambiental no projeto speciesLink.

Mais informações: https://bit.ly/2PcXV34.

Disponível em: <http://agencia.fapesp.br/xiloteca-da-unesp-entra-em-catalogo-internacional/30288/>. Acesso em: 18 abr. 2019.

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O que se perdeu e o que foi salvo no incêndio da Catedral de Notre-Dame

O que se perdeu e o que foi salvo no incêndio da Catedral de Notre-Dame (Foto: Getty Images)

Símbolo da arquitetura gótica, catedral abrigava uma variedade de relíquias católicas, além de quadros, esculturas e artefatos históricos

Construída em entre 1163 e 1343, a Catedral de Notre-Dame, atingida por um grave incêndio em Paris, abrigava uma variedade de relíquias católicas, além de quadros, esculturas e artefatos históricos. Anne Hidalgo, prefeita de Paris, disse que algumas obras de arte que estavam no local foram retiradas a tempo e colocadas em um local seguro. No entanto, os bombeiros afirmam que ainda não é possível ter uma dimensão mais exata dos danos.

Nesta terça-feira (16), o secretário do Estado de Interior, Laurent Nuñez, revelou detalhes da força-tarefa montada para salvar a Catedral do incêndio, que durou nove horas. “Os colaboradores de Notre-Dame, os arquitetos do patrimônio da França e os funcionários do Ministério da Cultura foram mobilizados para orientar os bombeiros e mostrar as obras que a todo preço deveriam ser salvas”, informou.

Também nesta manhã, o ministro da Cultura da França, Franck Riester, anunciou que as obras de arte resgatadas serão transferidas para o Museu do Louvre, em Paris.

Relíquias cristãs

O artigo mais valioso guardado na Notre-Dame é a Santa Coroa, que os católicos acreditam que foi usada por Jesus pouco antes de ser crucificado. Segundo o site oficial da catedral, a réplica é composta de um “círculo de juncos unidos por fios de ouro, com um diâmetro de 21 centímetros”. A peça foi salva a tempo das chamas, assim como a túnica usada por São Luís, rei francês do século XIII.

Além da Santa Coroa, o local conserva outras duas relíquias da Paixão de Cristo: um pedaço da Cruz e um cravo.

Obra-prima da arquitetura gótica, Catedral de Notre-Dame foi palco de eventos históricos (Foto: Getty Images)

Obras de arte

Segundo o Monsenhor Patrick Chauvet, os bombeiros enfrentaram mais dificuldade para remover os quadros maiores. A catedral abrigava várias pinturas do século XVII, entre elas “São Tomás de Aquino, Fonte de Sabedoria” (1648), de Antoine Nicolas. Outras relíquias, como “A Descida do Espírito Santo” (1934), de Jacques Blanchard, e “São Pedro Curando os Doentes com Sua Sombra” (1935), de Laurent de la Hyre, também ficavam no local.

O incêndio atingiu principalmente as torres de madeira, onde ficavam os sinos. A estrutrua foi feita com 500 toneladas de madeira e 250 toneladas de chumbo. Na sua base, estavam conjuntos de estátuas de bronze, que representavam os 12 apóstolos e os quatro evangelistas.

As dezesseis esculturas que ornavam a parte externa da catedral foram retiradas na última sexta-feira (12) para trabalhos de restauração e foram poupadas do incêndio. Entretanto, o topo da torre que cedeu abrigava um galo que trazia a Coroa de Espinhos, uma relíquia de San Dionísio e outra de Santa Genoveva.

Os vitrais

A Catedral de Notre-Dame também é conhecida por seus vitrais coloridos, principalmente a Rosa Sul e a Rosa Norte, construídas entre 1260 e 1250. Uma das mais procuradas, a Rosa Sul foi feita com 84 painéis divididos em quatro círculos, que representam em riqueza de detalhes os 12 apóstolos, mártires e santos, como São Mateus.

O que se perdeu e o que foi salvo no incêndio da Catedral de Notre-Dame (Foto: Flickr)

Com o passar do tempo, eles foram restaurados e modificados inúmeras vezes. Como são peças frágeis e extremamente vulneráveis ao calor, a chance de terem sido danificadas no incêndio é muito grande.

Disponível em: <https://casavogue.globo.com/Arquitetura/Edificios/noticia/2019/04/o-que-se-perdeu-e-o-que-foi-salvo-no-incendio-da-catedral-de-notre-dame.html>. Acesso em: 17 abr. 2019.

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Esta é a primeira farmácia literária

Em Florença (Itália) há um lugar chamado Piccola Farmacia Letteraria, onde livros e conselhos literários são oferecidos para curar o estado de ânimo dos clientes.

Existe um lugar onde os medicamentos são tomados sem receita médica para que as pessoas possam ser curadas de forma natural. Não estamos falando de um fitoterapeuta, mas de uma livraria que propõe terapias alternativas para melhorar o estado de ânimo de seus clientes. Para melhor entendê-lo, basta dirigir-se a Florença e visitar a Piccola Farmacia Letteraria, que traduzia para o espanhol a Pequeña Farmacia Literaria: uma livraria que vende romances, tanto de ficção italiana quanto de literatura estrangeira, com rótulos terapêuticos originais.

O parágrafo acima é uma tradução livre do artigo original em espanhol Esta es la primera farmacia literaria.

Iniciativa muito interessante e que vale a leitura para conhecer melhor!

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Se você se interessa por esse assunto, veja aqui como trabalhar como biblioterapeuta!

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Alberto Manguel realça “luta de formiga” das bibliotecas públicas

O escritor, ensaísta e bibliófilo de nacionalidade argentina e canadiana foi o conferencista convidado do III Encontro de Bibliotecas Associadas à Comissão Nacional da UNESCO que se realizou em Torres Novas.

Alberto Manguel PCM PATRICIA MARTINS

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