Arquivo da tag: acesso aberto

Rotas alternativas para artigos acadêmicos e resultados de pesquisa

Muitos artigos acadêmicos e revisados por pares podem ser lidos hoje em dia na web. Vários serviços e arquivos gratuitos desenvolveram ferramentas e serviços que ajudam os usuários a descobrir resultados de pesquisa de maneira fácil e simples: por meio da instalação de uma extensão ou plug-in do navegador; usando mecanismos e arquivos de pesquisa acadêmicos ou entrando em contato diretamente com o autor. No texto a seguir, listamos uma seleção de serviços e formas de encontrar artigos científicos. A escolha é sua.

Fonte da figura: https://en.wikipedia.org/wiki/File:Open_Access_PLoS.svg

***

O excerto é uma tradução livre do primeiro parágrafo do texto Alternative routes to scholarly articles and research outputs, que apresenta ferramentas para encontrar artigos em acesso aberto.

Boa leitura!

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Ibict lança Manifesto de Acesso Aberto a Dados da Pesquisa Brasileira para Ciência Cidadã

No último dia 28 de setembro foi celebrado o Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. A cerimônia foi uma parceria da Unesco no Brasil com o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict). Na ocasião, foi lançado, pelo instituto, o “Manifesto de Acesso Aberto a Dados da Pesquisa Brasileira para Ciência Cidadã”, uma tomada de posição, no Brasil, diante do movimento mundial de dar acesso aberto à informação científica. Veja, a seguir, o documento na íntegra:

 Manifesto de Acesso Aberto a Dados da Pesquisa Brasileira para Ciência Cidadã

Ao lançar este Manifesto[1], o IBICT dá continuidade e amplia a sua política de apoio ao acesso aberto/livre à informação científica no Brasil, cujo ponto de partida foi o lançamento do manifesto de 2005, que formalizava a adesão ao movimento que começou na Europa, no início dos anos 2000. Nessa direção, o IBICT estende a sua visão sobre o acesso aberto, e reconhece os dados de pesquisa como um recurso imprescindível para as ações de Ciência Aberta, Ciência para todos, Ciência Cidadã.

O Manifesto de Acesso Aberto a Dados da Pesquisa Brasileira tem por objetivo demonstrar o seu valor estratégico e informacional e estimular e apoiar movimentos e iniciativas para Ciência Aberta no Brasil, traduzidos pelo amplo e irrestrito acesso a fontes primárias de pesquisa utilizadas por pesquisadores e outros segmentos sociais, possibilitando o compartilhamento, reprodutibilidade, verificação, avaliação, reutilização e redistribuição em novos contextos e em pesquisas colaborativas e interdisciplinares.

As fontes de dados de pesquisa incluem um amplo, diversificado e heterogêneo espectro de documentos, na maioria dos casos em formatos digitais. Esses materiais de pesquisa, únicos, não são disseminados juntamente com artigos de periódicos, comunicações de congresso e publicações em geral, e ficam inacessíveis aos demais pesquisadores e sociedade. Assim, a implantação de infraestruturas que permitam a seleção, o arquivamento e o acesso a dados de pesquisa possibilitará, além de sua reutilização e geração de novos conhecimentos, a transparência das pesquisas, sua maior efetividade, credibilidade dos resultados, visibilidade e impacto.

Este manifesto é dirigido aos institutos de pesquisa e universidades, que reúnem pesquisadores e cientistas brasileiros responsáveis pela geração de conhecimento; às sociedades científicas e academias de ciência do Brasil, que congregam a comunidade científica do país; aos órgãos de fomento à pesquisa e desenvolvimento, que sustentam as pesquisas e pesquisadores brasileiros; aos editores de revistas ou periódicos científicos, que publicam artigos com resultados de pesquisas; aos cursos de pós-graduação e graduação nas áreas de informação, principais responsáveis pela gestão de dados de pesquisa e curadoria digital; aos gestores e executores de programas e projetos de dados de pesquisa, tais como especialistas em Ciência da Informação e Ciência da Computação, profissionais de informação em geral, incumbidos da curadoria digital de repositórios de dados de pesquisa, no seu registro, processamento e recuperação para acesso e uso; e aos pesquisadores que são os motores da geração de novos conhecimentos científicos.

Neste manifesto são reconhecidas as especificidades dos distintos campos do conhecimento, de acordo com sua natureza e, portanto, exigências próprias, além da necessidade de diagnósticos para conhecimento das iniciativas de dados de pesquisa abertos, ainda em pequeno número e dispersos em nosso país. A finalidade é realizar estudos e pesquisas para análise e seu aproveitamento, de modo a evitar desperdícios de projetos já em andamento e bem sucedidos, assim como a duplicação de esforços. Nesse processo são prioritárias as pesquisas desenvolvidas com recursos públicos e a garantia de respeito às restrições legais ou éticas e aos direitos da propriedade intelectual de todas as partes envolvidas.

Para que todas as questões levantadas inicialmente neste Manifesto tornem-se realidade são necessárias e fundamentais infraestruturas políticas, tecnológicas e informacionais, capazes de garantir dados de pesquisa por meio de sistemas de curadoria, preservação, arquivamento e compartilhamento de coleções de dados de pesquisa, em sustentabilidade contínua, permanente. A execução desse processo exige gestão dinâmica que abranja todo o ciclo de vida dos dados de pesquisa, cujo ponto focal são os repositórios digitais de dados de pesquisa.

Dados de pesquisa transitam em diferentes instâncias e o presente Manifesto, às quais é dirigido, recomenda diretrizes gerais:

Às universidades e institutos de pesquisa brasileiros:

formular políticas institucionais mandatórias para assegurar que os dados de pesquisas gerados por seus pesquisadores sejam apropriadamente gerenciados, tendo em vista o acesso aberto, considerando que são produtos de pesquisa desenvolvidos com recursos públicos;

estimular pesquisas colaborativas e interdisciplinares e constituir redes de trabalho colaborativo;

incorporar dados de pesquisa na memória acadêmica;

estimular e apoiar ações de Informática e de informação para desenvolvimento de repositórios de dados de pesquisa e de outras infraestruturas necessárias à curadoria das coleções de dados de valor reconhecido;

adotar hardware e software abertos e outras ações que proporcionem a interoperabilidade tecnológica;

recomendar aos pesquisadores e profissionais de informação, como os bibliotecários, por exemplo, a elaboração de plano de gestão de dados de pesquisa para os dados gerados, segundo os padrões adotados para a área disciplinar específica; e

publicizar e facilitar o acesso aos dados de pesquisa , a fim de que a sociedade e o cidadão tomem conhecimento do que é produzido na ciência e seus benefícios.

Às sociedades cientificas e academias de ciência:

desenvolver estratégias de apoio às iniciativas de Ciência Aberta e estimular a adesão de institutos de pesquisa e universidades aos dados de pesquisa abertos;

promover eventos e discussões no meio científico sobre a importância do acesso e uso dos dados de pesquisa , com a finalidade de evidenciar a sua relevância para os avanços da ciência; e

incorporar dados de pesquisa como memória científica.

Aos órgãos de fomento à pesquisa:

estabelecer políticas de longo prazo que garantam o desenvolvimento e a subsequente estabilidade e sustentabilidade das infraestruturas tecnológicas e gerenciais de gestão de dados de pesquisa no país;

incentivar e criar mecanismos de recompensas e estabelecer ações mandatórias, nas suas políticas de fomento a pesquisas, para adesão ao acesso aberto a dados de pesquisa nos projetos submetidos a apoio financeiro e bolsas; e

apoiar a criação de novos espaços para pesquisas colaborativas, cooperativas e interdisciplinares, visando a colaboração equitativa nas pesquisas.

Aos editores de revistas ou periódicos científicos para:

incluir, na política editorial, a necessidade de registro de dados de pesquisa em repositórios abertos, assim como na orientação aos autores;

exigir que os dados usados nas suas publicações sejam devidamente identificados, citados e incluídos na lista de referências;

criar facilidades, nos softwares adotados para a gestão eletrônica do processo editorial , de inclusão de dados de pesquisa abertos; e

vincular, por meio de hiperlinks, os dados às publicações correspondentes.

Aos cursos de pós-graduação e graduação nas áreas de informação, em especial Ciência da Informação:

promover cursos e treinamentos para profissionais de informação, em especial bibliotecários, que devem colaborar com os pesquisadores ou realizar o registro de dados de pesquisa no sistema e assumir a gestão de dados de pesquisa; e

capacitar esses profissionais para curadoria digital de dados de pesquisa.

Aos gestores e executores de programas e projetos de dados de pesquisa, especialistas em Ciência da Informação e Ciência da Computação e profissionais de informação em geral para:

assumir a curadoria digital de repositórios de dados de pesquisa, no seu registro – incluindo identificação persistente –, processamento e recuperação de dados para acesso, uso e citação;

adotar medidas para proteger a confidencialidade dos dados sensíveis, como anonimização, adotar padrões éticos e observar os direitos associados aos dados;

participar de cursos e treinamento para capacitação na gestão de dados de pesquisa e curadoria digital; e

compreender que quem coleta ou gera os dados tem o direito de usá-los em primeiro lugar.

Aos pesquisadores:

facilitar a avaliação do sua produção científica, por meio do acesso aos dados e transparência na geração e análise desses dados, de forma que sua pesquisa e conclusões possam ser testadas e replicadas;

adotar padrões éticos, legais, especialmente em relação à privacidade e à confidencialidade, observar os direitos associados e citar apropriadamente os dados que porventura reusem no seu trabalho de pesquisa; e

elaborar, em colaboração com o bibliotecário, plano de gestão de dados de pesquisa para os dados gerados ou coletados na sua pesquisa.

O IBICT, ao lançar este Manifesto, assume a responsabilidade, no âmbito de sua missão, do desenvolvimento de ações de apoio e incentivo à adesão e iniciativas visando a Ciência Aberta, na convicção de que o conhecimento é um bem público e a “inclusão cognitiva” é fundamental para a justiça social.


[1] Fontes básicas para a elaboração deste Manifesto: CHAN, Leslie; Why a manifesto para open science.Bangkok: National Innovation Agency, 2016. Disponível em: http: http://www.ocsdnet.org | CITEC. Cognitive Interaction Technology. Open science manifesto. Bielefeld: Bielefeld University, 2016. Disponível em: https://www.cit-ec.de/en/content/open-science-manifesto-0 | LIINC em revista. Novos paradigmas da comunicação científica: ampliando o debate. IBICT- Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, UFRJ-Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, v. 8, n. 2, 2012. Disponível em: http://liinc.revista.ibict.br/index.php/liinc/issue/view/40 | NATIONAL SCIENCE BOARD. Long-lived digital data collections: enabling research and education in the 21st century. National Science Foundation, Sept. 2005. Disponível em:<http:// http://www.nsf.gov/pubs/2005/nsb0540/nsb0540.pdf&gt; | SAYÃO, Luís Fernando; SALES, Luana Farias. Dados de pesquisa: contribuição para o estabelecimento de um modelo de curadoria digital para o país. Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação, v. 6, n. 1, 2013.

Data da Notícia: 03/10/2016 14:15

Disponível em: <http://www.ibict.br/Sala-de-Imprensa/noticias/2016/ibict-lanca-manifesto-de-acesso-aberto-a-dados-da-pesquisa-brasileira-para-ciencia-cidada/#_ftn1>. Acesso em: 5 out. 2016.

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União Europeia quer liberar acesso a artigos científicos até 2020. Qual o impacto da medida

André Cabette Fábio

30 Mai 2016

(atualizado 30/Mai 19h43)

Decisão tem potencial de democratizar acesso à ciência e relativizar o poder de grandes editoras privadas

FOTO: BILL DICKINSON/CREATIVE COMMONS

Pesquisadora com placa de petri

DECISÃO DA UNIÃO EUROPEIA PODE DEMOCRATIZAR ACESSO À CIÊNCIA

Países-membros da União Europeia decidiram na última sexta-feira (27) que todos os artigos científicos financiados com verbas públicas deverão ser de acesso público até 2020. A meta tem o potencial de diminuir o poder de um seleto grupo de cinco grandes editoras privadas de determinar o que é e o que não é relevante na academia do ponto de vista global.

A decisão foi tomada após um encontro de dois dias em Bruxelas entre ministros de Ciência, Inovação, Comércio e Indústria, e faz parte de um grupo de recomendações chamadas de Open Access, que têm o objetivo de democratizar o acesso a dados científicos.

Atualmente, pesquisadores do mundo inteiro têm como meta pessoal ter seus trabalhos publicados em revistas renomadas cujo acesso se dá por meio de assinaturas pagas.

Esse é um dos mecanismos utilizados por governos para determinar se o dinheiro investido em pesquisa é bem aproveitado. Para os pesquisadores, serve como prova de que seu trabalho é sério e reconhecido pelos pares – e de que eles merecem receber verba para continuar pesquisando.

Como as revistas são pagas, quem não tem acesso a bibliotecas que as assinem tem que gastar para se atualizar com o que há de mais novo na ciência.

O conselho de ministros determinou que as pesquisas bancadas com dinheiro da União Europeia devem ser acessíveis, a não ser que haja razões como questões de direito autoral ou de segurança que justifiquem que o conteúdo permaneça fechado.

Nesse sentido, tal decisão pode vir a relativizar o poder dessas grandes publicações e democratizar o acesso ao conhecimento de ponta. A decisão não tem poder de lei, é vista como ambiciosa e de difícil aplicação por especialistas.

Mas serve como orientação política para os 28 governos que compõem a União Europeia. Ela foi impulsionada pelo posicionamento do governo dinamarquês, que atualmente é o presidente rotativo do bloco europeu.

“O tempo de falar sobre Open Access já passou. Com esses acordos nós vamos alcançá-lo na prática”

Sander Dekker

Secretário Dinamarquês para Educação, Cultura e Ciência, em comunicado

O Nexo selecionou alguns pontos para explicar por que a medida pode mudar o jogo de poder no mundo acadêmico.

Quem decide o que é relevante academicamente no mundo?#

O estudo “O Oligopólio das Editoras Acadêmicas na Era Digital”  mostra que cinco grandes editoras privadas, Reed-Elsevier, Springer, Wiley Blackwell, Taylor & Francis e Sage, foram responsáveis pela publicação de mais de metade dos trabalhos científicos mais citados e com maior visibilidade internacional em 2013.

Ele foi realizado a partir da análise de 44 milhões de documentos presentes no banco de dados Web of Science, da agência internacional Thomson Reuters. O Web of Science mapeia as citações que trabalhos científicos recebem no mundo acadêmico, um importante elemento para determinar a relevância de um determinado estudo.

Segundo dados sobre o que foi publicado entre 1973 e 2013, o controle das cinco grandes editoras sobre esses trabalhos mais relevantes só aumentou nas últimas décadas. Mesmo com a ampliação do papel da internet que, em tese, tornaria mais livre o acesso à informação.

Essas publicações não  financiam as pesquisas científicas que divulgam. Contudo, bibliotecas de universidades, pesquisadores e gente interessada do mundo inteiro são obrigados a pagar para elas para ter acesso às informações publicadas.

Um relatório da Associação das Editoras Médicas, Técnicas e Científicas apontou que esse mercado teve receita de US$ 9,4 bilhões em 2011 – o valor total não compreende apenas o arrecadado pelas cinco grandes editoras.

As empresas argumentam que a verba é empregada em manter a qualidade das publicações, com quadros de editores qualificados, por exemplo, que as tornam grandes referências internacionais.

A medida muda o jogo?#

Em entrevista ao Nexo, Abel Packer, diretor do programa Scielo, que agrega na internet artigos científicos de publicações brasileiras gratuitas, afirma que a decisão da União Europeia deve diminuir o poder das grandes editoras, mas apenas a médio e longo prazo – caso seja, de fato, colocada em prática.

“Essas revistas vão continuar a ter uma relevância reconhecida por outros. Para obter financiamento para um grande projeto de pesquisa ainda é preciso publicar nesses veículos de prestígio. Para romper com isso, as publicações abertas terão que ganhar relevância, e isso ainda vai demorar muito tempo”

Abel Packer

Diretor do programa Scielo

Como funciona no Brasil?#

Em geral, publicações abertas se financiam por meio  de um modelo em que a verba para a publicação é paga pela instituição ou cientista que publica, ou pela instituição responsável pela revista.

Segundo Packer, o Brasil tem hoje cerca de 5.000 publicações científicas. Praticamente nenhuma se mantém pelo modelo de assinaturas, mas com verbas de universidades e da sociedade civil. Entre essas, 280 que são consideradas de alto padrão de qualidade são replicadas no Scielo.

Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/05/30/Uni%C3%A3o-Europeia-quer-liberar-acesso-a-artigos-cient%C3%ADficos-at%C3%A9-2020.-Qual-o-impacto-da-medida>. Acesso em: 5 jun. 2016.

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“Vérsila” dá acesso a acervo dos melhores centros de pesquisa

Assessoria de Comunicação
13-Abr-2016

Desenvolvida por pesquisadores da USP, a Biblioteca Digital Vérsila é considerada a maior em acervo digital acadêmico do hemisfério sul, e disponibiliza gratuitamente toda a produção científica aberta dos melhores centros de pesquisa do mundo. Desde seu lançamento, no final de 2015, a Vérsila já teve mais de 25 milhões de impressões de páginas na internet. Com maior exposição na rede, a expectativa é que as pesquisas brasileiras possam ter maior visibilidade e mais impacto junto à comunidade científica internacional.Segundo Giovanni Eldasi, coordenador da Vérsila e pesquisador do Núcleo de Políticas Públicas (NUPPS) da USP, a iniciativa da biblioteca partiu de um “paradigma de usabilidade de informações” surgido no final dos anos 1990, quando as instituições de ensino superior e de pesquisa passaram a disponibilizar na internet sua produção intelectual por meio do movimento de acesso aberto à literatura científica ou “open access”. A iniciativa cresceu, democratizando o acervo intelectual das universidades, mas surgiu o problema da usabilidade. As pessoas tinham dificuldade de acesso às produções por “exigir a visita a milhares de repositórios acadêmicos”.

A solução encontrada foi criar concentradores que reunissem em um único sistema o maior número possível de informações acadêmicas digitalizadas na internet. A infraestrutura física e logística da Vérsila é composta de uma rede de servidores integradores mantidos nos EUA (West Virginia e Califórnia), na Europa (Dublin, Irlanda e Frankfurt, Alemanha, na Ásia (Tóquio, Japão), no Pacífico (Sydney, Autrália) e na América do Sul (São Paulo). A plataforma é integrante do consórcio internacional Open Archives iniciative, na modalidade de Service Provider.

Semanalmente, cada servidor integrador capta novos acervos e itens digitais de sua região geográfica, realiza a sua filtragem e curadoria digital e os integra em um só acervo disponibilizado gratuitamente ao público em seu site.

Prioridade regional

Construída por uma equipe multidisciplinar, formada por pesquisadores e alunos da USP, a Vérsila foi planejada para fazer recorte regional, priorizando conteúdos de instituições brasileiras, hispânicas e latino-americanas, além de ser uma alternativa aos buscadores comerciais que tendem a direcionar os resultados de suas buscas para pesquisas anglo-saxônicas. Segundo Eldasi, o universo plural das pesquisas científicas demandava iniciativas que não dependessem de mecanismos comerciais que tendem a monopolizar as buscas na internet e fazer recortes únicos.Para Eldasi, a Vérsila assumiu uma identidade latino-americana e própria do hemisfério sul, podendo oferecer recortes de produção científica mais significativos para uma comunidade de um país ou região. Os textos dão destaque para a produção em língua portuguesa e 99% do acervo é composto por obras completas, o que confere ao site qualidade e relevância nos resultados das buscas.

Atualmente, 63 países integram a base de dados da Vérsila. No Brasil, são cerca de 150 universidades, além de outros órgãos como o Supremo Tribunal Federal, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Câmara dos Deputados e a Scielo Brasil. Na USP, fazem parte da biblioteca o Portal de Teses e Dissertações, o Portal da Produção Científica e o Portal de Periódicos.

“Open Access”
O “open access” é um movimento internacional que começou nos anos 1990 e defende a ideia de que o conhecimento científico, veiculado em artigos, teses, dissertações e outros documentos acadêmicos, seja disseminado de forma ampla e irrestrita pela internet. O objetivo é democratizar a literatura acadêmica dando maior visibilidade e acessibilidade ao conteúdo.

Um marco internacional do movimento foi a Declaração “Budapest Open Access Initiative”, realizada em 2000, com definições sobre acesso aberto às publicações científicas. No Brasil, iniciativas da SciElo e da Biblioteca de Teses e Dissertações da USP se tornaram paradigmas de Open Access. Todos estes acervos estão hoje reunidos na Vérsila.

Mais informações: http://biblioteca.versila.com
Por Ivanir Ferreira, do USP Online
Foto: Cecília Bastos

Disponível em: <http://www.saocarlos.usp.br/index.php?option=com_content&task=view&id=23802&Itemid=171>. Acesso em: 14 abr. 2016.

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Para que todos tomem ciência

Grande parte de textos de revistas científicas se origina de pesquisas financiadas com recursos públicos

POR PAULO GUANAES / HOOMAN MOMEN 16/09/2015 0:00
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Ao estabelecer em março de 2014 a sua Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) buscou garantir à sociedade a consulta livre a sua produção científica, alinhando-se ao movimento global de acesso aberto (open access). Com início no fim da década de 1980, esse movimento foi uma reação à chamada “crise dos periódicos”. Os constantes aumentos nos preços de assinaturas de revistas científicas praticados por editoras comerciais inviabilizavam a aquisição de coleções por bibliotecas de universidades e instituições de ensino e pesquisa.

Como se veem compelidas a comprar dessas editoras, pois elas detêm o controle do único veículo aceito pela comunidade científica mundial para publicação de textos, configura-se um negócio peculiar em que um ente privado se apropria de um bem (o artigo científico), agrega algum valor a ele e cobra preços exorbitantes para sua utilização. Grande parte desses textos se origina de pesquisas financiadas com recursos públicos. O acesso aberto rompe essa lógica, auxiliado pelas tecnologias da informação e comunicação e pela internet, que propiciam modelos de publicação a baixo custo e ampla circulação.

As políticas de acesso aberto vêm gerando tensão no setor de publicações científicas. Trata-se de um mercado concentrado, no qual apenas três grupos editoriais — Reed Elsevier, Springer e Wiley — detêm mais de 40% das revistas científicas publicadas. Até há bem pouco tempo, eles tinham pouco interesse na publicação científica do Brasil. Esta atitude mudou, e a maioria já abriu um escritório em nosso país ou comprou uma editora nacional. Um dos obstáculos a essa expansão de editoras comerciais internacionais no mercado editorial brasileiro é o SciELO, inovador portal de revistas científicas brasileiras, pioneiro no uso do acesso aberto no Brasil e um dos responsáveis pelo aumento da visibilidade da nossa produção científica em nível nacional e internacional. Recentemente, um bibliotecário acadêmico americano, simpático aos editores comerciais e crítico feroz do movimento de acesso aberto, publicou um artigo comparando o SciELO a uma “favela de publicações”, e as editoras comerciais a “bairros agradáveis”. Seu desrespeito com a publicação científica na América Latina foi repudiado pelo SciELO e pela comunidade científica com respostas que soaram como uma renovação do apoio generalizado ao acesso aberto nessa região.

No que se refere à Fiocruz, para execução da sua política de acesso aberto, ela aperfeiçoou em 2014 o repositório digital Arca, criado para disseminar e preservar a sua produção intelectual. Ele conta hoje com 4.698 artigos científicos, 2.224 dissertações de mestrado e 867 teses de doutorado. Em 2015, a Fiocruz lançou o seu Portal de Periódicos, reunindo as sete revistas científicas que edita: “Cadernos de saúde pública”; “Memórias do Instituto Oswaldo Cruz”; “História, ciências, saúde — Manguinhos”; “Trabalho, educação e saúde”; “Revista Eletrônica de comunicação, informação & inovação em saúde”; “Vigilância sanitária em debate”; e “Revista Fitos”. Em dois espaços digitais, o leitor tem acesso gratuito a significativa parcela de literatura científica da área de saúde pública produzida no Brasil e no exterior.

Hoje, o engajamento da comunidade científica e de governos, que editam leis em prol do acesso aberto, ocorre em todo o mundo. No Brasil, iniciativas como as da Fiocruz e do SciELO precisam do apoio das agências públicas de fomento à pesquisa, criando políticas para publicação em acesso aberto de artigos oriundos de pesquisa financiada com seus recursos.

Paulo Guanaes é editor-executivo da revista “Trabalho, educação e saúde” e Hooman Momen é editor científico da revista “Memórias do Instituto Oswaldo Cruz”

Disponível em: <http://oglobo.globo.com/opiniao/para-que-todos-tomem-ciencia-17501465#ixzz3lvDOg2hM>. Acesso em: 17 set. 2015.

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‘O Brasil é líder em produção científica e disseminação em acesso aberto na América Latina’

Setembro/2015

Juliana Reis e Roberta Cardoso Cerqueira | Portal de Periódicos Fiocruz

Dominque Babini

Dominque Babini é coordenadora do Programa de Acesso Aberto do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso). Pós-graduada em documentação, ciências da computação e informação pela Universidade de Buenos Aires (Argentina), ela participa de diversos projetos na área de acesso aberto, tais como: Sistema Nacional de Repositórios Digitais da Argentina, Public Knowledge Project (Universidade de Stanford) e o Portal Global de Acesso Aberto (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura – Unesco). Com grande experiência em redes de comunicação e indicadores, principalmente na América Latina, no Caribe, Dominique conversou com o Portal de Periódicos Fiocruz, sobre a importância dos portais/indexadores nas regiões em desenvolvimento.

Portal de Periódicos: Qual o papel dos portais/indexadores de publicações científicas no atual contexto da comunicação e divulgação científica?

Dominique Babini: Os portais/indexadores são um elo vital para o processo de comunicação científica internacional, pois funcionam como agregadores de conteúdo de uma instituição, um país, uma região. Isso possibilita maior visibilidade e acesso aos indicadores de produção científica de diversidade geográfica e institucional.

Portal de Periódicos: Neste cenário, qual é a importância de portais/indexadores como, por exemplo, SciELO, Latindex, Redalyc e Clacso? E para o movimento de acesso aberto?

Dominique Babini: Esses portais/indexadores regionais oferecem, pela primeira vez, visibilidade e acesso aos resultados da produção científica da região, que tem pouquíssima representatividade em indexadores internacionais tradicionais. Estes e outros portais/indexadores (como Reference, Sidalc etc.) fazem parte do sistema global, sem fins comerciais, de repositórios digitais de ciência e tecnologia. E mais: estão visíveis e acessíveis a partir da biblioteca mais usado no mundo (a web) e do catálogo da biblioteca mais movimentado do mundo (Google). Assim, cumprem o papel de permitir que se conheça o que é publicado na nossa região e também contribuir para os indicadores de avaliação do uso e impacto da pesquisa publicada – caso dos indicadores da SciELO e Redalyc.

Portal de Periódicos: Nos últimos anos houve um aumento considerável no número de publicações científicas e no uso de portais de periódicos. Por que as publicações científicas ainda enfrentam tantas dificuldades em relação aos requisitos desses portais?

Dominique Babini: Em relação ao uso dos portais de periódicos, concordo que os números são impressionantes, e é interessante como nós estamos começando a conhecer os novos perfis de usuário que surgem de acesso aberto às publicações científicas de portais como o SciELO e Redalyc (Alperin, 2014), além do uso tradicional pelos pares. Sobre as dificuldades de publicações científicas em relação às exigências destes portais, muitos fatores influenciam, como: a falta de recursos para a dedicação de uma equipe editorial profissional, quando a revista é publicada; e um conhecimento limitado de boas práticas para as publicações científicas e sua adequação às novas exigências de indexação e acesso aberto. Neste sentido, os portais institucionais, nacionais e regionais de revistas de qualidade contribuem para conscientização e formação quanto às boas práticas, que são o que confere qualidade a uma publicação científica.

Portal de Periódicos: Por que a exposição e oferta de periódicos de acesso aberto nestes portais/indexadores é tão importante?

Dominique Babini: Uma revista de acesso aberto publicada no site da revista e/ou de sua instituição tem visibilidade e impacto limitado se comparada à visibilidade e ao impacto que consegue ao se juntar a coleções de portais de periódicos e repositórios institucionais, nacionais, regionais e internacionais. Esses portais atraem público pelo volume de suas coleções. Já as revistas e instituições são atraídas pelo prestígio de fazer parte destes espaços, assim como pelo fato de que os portais/indexadores oferecerem indicadores bibliométricos e de produção científica.

Portal de Periódicos: A América Latina é líder na publicação de revistas de acesso aberto. Como você avalia o desempenho do Brasil no movimento Open Access?

Dominique Babini: O Brasil é líder na região em produção científica e disseminação em acesso aberto. SciELO é um exemplo claro disso, bem como iniciativas do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) e repositórios, portais digitais e centros de pesquisa universitários (a exemplo do repositório institucional da Fiocruz – Arca e do Portal de Periódicos). No diretório internacional de revistas de acesso aberto (DOAJ), o Brasil é o segundo país do mundo, depois dos EUA, em quantidade de revistas publicadas em acesso aberto. Nos últimos 15 anos, o Brasil tem tido uma grande contribuição para a gestão do acesso aberto como um bem comum, que vem sendo administrado de forma colaborativa e solidária pela mesma comunidade científica e acadêmica, sem intermediários comerciais. Isso tem estimulado toda a América Latina a optar pelo modelo de acesso aberto, no qual o custo de publicação em acesso aberto é parte do custo da pesquisa. É um modelo observado com muito interesse pelos países desenvolvidos, que há décadas têm terceirizado a comunicação científica para o setor comercial – e que agora também comercializa a publicação em acesso aberto, cobrando a taxa APC para processamento de artigo.

Portal de Periódicos: Recentemente, o bibliotecário Jeffrey Beall se referiu ao portal SciELO como “a favela das publicações”. Até que ponto esta afirmação também afeta outros indexadores/portais que trabalham com revistas de acesso aberto?

Dominique Babini: Com o avanço das revistas de acesso aberto no mundo (mais de 10 mil DOAJ), já é hora da comunidade científica internacional encontrar um mecanismo mais confiável do que Jeffrey Beall para definir o que são revistas de qualidade – para que essa opinião não esteja nas mãos de apenas uma pessoa, com todas as limitações que isso pode representar. Em nossa região, o catálogo Latindex oferece um panorama regional em revistas de qualidade e trabalha em conjunto com as iniciativas nacionais para identificar revistas de qualidade em cada país.

Os comentários do Sr. Beall sobre SciELO e Redalyc revelam uma visão perturbadora de certos setores a respeito de modelos de negócios não comerciais de comunicação científica que contribuem para a discussão internacional da ciência de uma forma mais participativa e representativa das diversas realidades geográficas. Graças à conhecida preferência dele por editoras comerciais internacionais, não surpreende que desacredite duas iniciativas não comerciais e bem-sucedidas de acesso aberto, como SciELO e Redalyc.

Deve-se destacar as respostas recentes que este comentário começou a gerar. Poucos dias depois, Library Journal apresentou uma compilação de respostas aos quais se somaram os comentários compilados noblog SciELO, e à publicação de um comunicado preparado por especialistas, nos sites da Confederação de Repositórios de Acesso Aberto (Coar) e Scholarly Publishing and Academic Resources Coalition (Sparc), também disponível em quatro línguas pela Redalyc. Em tempos de transição de um modelo fechado de comunicação científica – baseado principalmente em assinaturas de revistas – para um modelo de acesso aberto, é importante manter ativo o debate sobre que modelo de acesso aberto para a América Latina queremos. Por isso, agradeço esta oportunidade de compartilhar estas questões com vocês.

Fonte: Portal de Periódicos Fiocruz

Disponível em: <http://www.revistahcsm.coc.fiocruz.br/o-brasil-e-lider-em-producao-cientifica-e-disseminacao-em-acesso-aberto-na-america-latina/>. Acesso em: 17 set. 2015.

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How open is it? Espetro do acesso aberto

Divulgo abaixo o guia “How open is it?”, publicado por SPARC, PLOS e OASPA.

Segue um trecho do texto do documento:

Como usar este guia

Em 2002, a Iniciativa de Acesso Aberto de Budapeste definiu os princípios básicos do Acesso Aberto pela primeira vez. Desde então, milhares de revistas científicas têm adotado políticas convergentes com esses princípios relacionados com a leitura, reutilização, direitos de autor, publicação e formato legível por máquinas. No entanto, nem todo o Acesso Aberto é criado da mesma forma. Por exemplo, uma política que permite o acesso a um artigo após seis meses de embargo é mais aberta que uma política que estabelece um período de embargo de 12 meses; mas é também menos aberta que uma política que permite o acesso aberto imediato após a publicação.

Este guia irá ajudá-lo(a) a encontrar resposta a uma questão muito simples: “Esta revista científica é de Acesso Aberto?” e a uma outra, “Quão aberta é?” (“HowOpenIsIt?”)

Use este guia para:
• Compreender os componentes que definem as revistas científicas em Acesso Aberto
• Reconhecer o que faz uma revista científica ser mais ou menos aberta
• Tomar decisões informadas sobre onde publicar

Acesse o guia aqui: PLOS-HOII-leaflet_Portuguese-V2_final

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