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Empreitadas digitais do livro

Terceira edição do Prêmio Kindle de Literatura segue com inscrições abertas até 15 de outubro

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Ricardo Garrido, gerente geral de aquisição de conteúdo para Kindle: “Em 2012, tínhamos 12 mil livros digitais em português; hoje, temos mais de 150 mil”

 

 

Foi durante uma oficina de criação literária ministrada pelo escritor Marcelino Freire em São Paulo, no ano de 2009, que Gisele Mirabai desenvolveu a narrativa de “Machamba”. Autora de livros infanto-juvenis, ela enxergou, no encontro, a oportunidade de fazer crescer a história que havia acabado de criar, sobre uma mulher que vive em Londres e tenta achar o elo perdido com a infância.”Era um romance no qual eu acreditava muito e, contando com o apoio do Marcelino, tentei publicá-lo por uma ou outra editora”, conta. “Porém, obtive a resposta que a maioria dos escritores escuta: ‘Seu livro não se encaixa no nosso perfil editorial’ ou ‘daqui a seis meses te damos uma resposta’. Com isso, fiquei sem saber o que fazer com um livro que, na minha visão, tinha muita qualidade”, afirma a autora.

Diante das poucas perspectivas de inserção no mercado editorial composto pelas grandes casas de publicação, Gisele percebeu as veredas se abrindo quando, zapeando pela internet, leu sobre o Prêmio Kindle de Literatura, criado pela Amazon em parceria com a editora Nova Fronteira. O concurso, além de R$ 20 mil, garantia à pessoa vencedora a publicação da obra em versão impressa pela editora parceira.

Para participar do projeto, o primeiro passo foi se cadastrar na plataforma da Amazon, Kindle Direct Publishing (KDP), destinada à autopublicação de autores independentes. A autora concorreu con outros 2,2 mil romances de todo o Brasil e conquistou o prêmio.

“A partir da conquista do prêmio, tudo mudou para mim nesse cenário porque, no processo de publicação do livro, passei a ver o e-book como um meio direto para chegar ao público”, explica Mirabai. “Usei a ferramenta de autopublicação, a priori, apenas para participar do concurso e, com o tempo, vi como ela foi efetiva. Hoje, tenho um contato híbrido: tanto com a Nova Fronteira, para o livro impresso, quanto com o KDP, que continua mantendo meus direitos sobre a obra”.

Oportunidade

Contar a travessia de Gisele para publicar sua mais recente obra é ato oportuno neste momento. Desde o último dia 15 de agosto que as inscrições para a terceira edição do Prêmio Kindle de Literatura estão abertas, ficando disponíveis até 15 de outubro. O vencedor receberá um prêmio de R$ 30 mil e iniciará um contrato com a Editora Nova Fronteira para a publicação do título em versão impressa.

Os cinco finalistas serão divulgados entre 21 e 31 de janeiro de 2019; já o nome da pessoa vencedora será anunciada entre 18 e 28 de fevereiro. Serão reservados 60 dias para a publicação do livro de forma independente no site da Amazon por meio da Kindle Direct Publishing. As histórias serão avaliadas por um painel de especialistas editoriais selecionados pela Nova Fronteira e a Amazon, incluindo o poeta e crítico literário, membro da ABL, Antônio Carlos Secchin.

Gerente do KDP na Amazon Brasil, Talita Taliberti conta que, desde que foi lançada no País, em dezembro de 2012, a plataforma tem gerado um retorno positivo para o cenário de autopublicação nacional.

“A gente tem dezenas de milhares de autores na nossa ferramenta e temos crescido fortemente a cada ano. O mais interessante é que ela está sendo procurada inclusive por escritores consagrados, como é o caso do Mário Sérgio Cortella, que recentemente publicou o primeiro livro dele, ‘Descartes: A paixão pela razão’ – fora de circulação há mais de 15 anos – em uma versão exclusiva em e-book pelo KDP”, dimensiona.

De acordo com a profissional, a intensa procura no meio digital quando o assunto é literatura – tanto no ramo da criação quanto no consumo – sinaliza um importante aspecto a considerar sobre o esquema produtivo do ramo impresso.

“Acredito que a grande dificuldade do mercado impresso de inserir novos autores em seu contexto é porque o modelo das editoras é bastante caro. Tem a margem do varejo e toda uma estrutura produtiva, que envolve custos com editoração, gráfica, estoque? A cadeia é grande, o que faz com que seja muito difícil as casas apostar no nome de um autor desconhecido”, detalha.

Integração

Apesar da aparente dicotomia combativa entre impresso e digital – que insiste em pautar os assuntos quando se trata de mercado editorial -, Taliberti pensa na direção contrária. A gestora visualiza um processo de integração entre os dois suportes, com os novos modelos de produção e consumo do livro surgindo para otimizar o tempo de leitura das pessoas.

“Eu não enxergo o mundo digital ‘matando’ o impresso de jeito nenhum. Creio que o livro digital veio muito para complementar, dar mais opções ao leitor. Temos que pensar que, hoje, estamos brigando pelo tempo das pessoas para ler, e não se elas estão lendo livros físicos ou digitais. Diante da quantidade de opções de entretenimento, garantir a opção da leitura é mais uma oportunidade de todos continuarem investindo no consumo dessa arte”, opina. E completa: “A gente vê, inclusive, que os livros digitais ajudam a vender o livro impresso. Quando olhamos no nosso site, em geral a obra em formato digital incrementa a venda em versão física. Então, a questão é complementaridade”.

Balanço

Gerente geral de aquisição de conteúdo para Kindle, Ricardo Garrido ajuda a endossar, com números, o panorama da literatura feita e consumida no ramo virtual. De acordo com ele, “o livro digital está no seu sexto ano no Brasil. Quando a Amazon chegou por aqui, em 2012, tínhamos 12 mil livros digitais disponíveis em português; hoje, temos mais de 150 mil, um aumento que tem a ver diretamente com a questão da adesão do público e também das editoras”.

Garrido afirma ainda que, atualmente, todas as editoras estão lançando os livros em formato impresso e digital praticamente de forma simultânea. Tal método de publicação das obras ajuda na visualização da recorrência de leitura que o público brasileiro adquiriu com o passar do tempo.

“Temos uma informação de que a pessoa que compra ou passa a ler livros digitais continua a comprar livros impressos e passa a gastar de três a quatro vezes mais com livros do que ela gastava antes”, detalha. “Acaba-se, então, intensificando a experiência de leitura das pessoas porque elas encontram mais facilmente os livros e podem lê-los de uma maneira mais democrática, valendo-se do livro físico ou contando com a acessibilidade digital”, complementa.

Estratégia

Indagado sobre como é manter um estande feito o da Amazon – gigante do comércio online de livros – em uma das maiores feiras de livro do mundo, Ricardo Garrido é enfático: “Vejo a Bienal como uma celebração nacional do livro e da literatura. E o livro não tem um formato necessariamente definido. Porém, já que trabalhamos com outro formato, consideramos variáveis diferentes para escoar o material”.

“Atuamos por meio de duas frentes: uma que é expandir a seleção de livros e outra que é oferecer uma maneira, preço e usabilidade que os clientes se interessem. Melhorando a experiência de leitura, removemos as barreiras de acesso”, raciona. “No fim das contas, o que importa é ler”.

Disponível em: <http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/empreitadas-digitais-do-livro-1.1995030>. Acesso em: 12 set. 2018.

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Portal oferece 35 mil livros grátis da Amazon

Oi pessoal!

O site Freebook Sifter é uma boa dica para quem tem o e-reader Kindle ou algum outro leitor de livros digitais com suporte aos e-books da Amazon. A página agrega mais de 35 mil livros gratuitos oferecidos pela gigante norte-americana das vendas.

A maior quantidade dos títulos está em inglês, mas é possível encontrar quase 500 publicações em português. São livros publicados em sua maioria no Brasil e em Portugal, divididos por categorias como ficção, história e religião.

Em literatura, o escritor Machado de Assis é um dos mais encontrados na língua portuguesa. Os títulos dos livros ficam indexados em listas com links para o site da Amazon. Alguns detalhes como a avaliação das obras pelos usuários também está disponível no serviço.

O site tem sua base de dados renovada diariamente, segundo seus criadores, Michael Powell e Jürgen Horn.

Aproveite e boa leitura!

Disponível em: <http://canaldoensino.com.br/blog/portal-oferece-35-mil-livros-gratis-da-amazon>. Acesso em: 29 set. 2015.

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Kindle com acesso a livros de bibliotecas públicas

A Amazon passou a permitir a requisição e leitura de livros de bibliotecas públicas através do seu leitor de ebooks e aplicações para computadores e smartphones, anunciou ontem a empresa, num comunicado oficial.

A novidade vem trazer uma nova dimensão ao dispositivo, ao fornecer acesso gratuito às obras em formato digital de 11 mil bibliotecas norte-americanas de âmbito local. Só está, no entanto, disponível para utilizadores que possuam um cartão de leitor válido para a instituição cujas obras pretendem requisitar.
Para além da comodidade de aceder aos livros em formato digital no leitor portátil (e nas aplicações gratuitas que o substituem noutras plataformas), uma das principais vantagens reside na disponibilização de funcionalidades próprias do Kindle também nos livros requisitados nas bibliotecas.

A manutenção da numeração original das páginas, integração com Facebook e Twitter e a possibilidade de acrescentar notas, marcas e registar a última página lida do livro, que são sincronizadas com a conta do utilizador e podem ser retomadas caso volte a requisitar ou compre o mesmo ebook, são os exemplos avançados.

As bibliotecas que aderiram ao sistema passaram a contar com um botão no seu site que permite solicitar os livros para Kindle. Clicando em “Get for Kindle” e introduzindo as credenciais de autenticação para a sua conta Amazon, os utilizadores recebem a cópia digital para utilização por um período limitado, como se tivessem requisitado um livro na biblioteca.

Escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico

Disponível em: <http://tek.sapo.pt/noticias/computadores/kindle_com_acesso_a_livros_de_bibliotecas_pub_1187595.html>. Acesso em: 23 set. 2011.

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O concorrente brasileiro do Kindle

ISTO É DINHEIRO, 14.07.10, p. 44-49 / Negócios

A maior fabricante de computadores do Brasil lança o Alfa, um e-book para revolucionar o mercado editorial no País. Mas essa não é a única novidade. Ela vai também fabricar tevês, celulares e tablets

Por Ralphe Manzoni Jr.

Ele tem 8,9 milímetros de espessura e pesa 240 gramas. A tela é sensível ao toque. Dentro dele cabem 1.500 livros e ele pode ser facilmente carregado no bolso de um paletó. A primeira versão, cujo desenvolvimento foi feito em conjunto com um parceiro de Taiwan, não terá conexão a internet e será importada da China.

Um modelo com a tecnologia sem fio Wi-Fi, no entanto, chega antes do final do ano. Com esses atributos, a Positivo entra no mercado de livros digitais com o Alfa, o seu leitor de e-books. A venda será feita em livrarias e lojas online, que a Positivo ainda negocia, a partir de agosto. Escolas particulares também vão receber o equipamento para testes.

É o impulso que faltava para ligar o mundo digital às editoras, que faturam mais de R$ 3 bilhões com a venda de 340 milhões de livros. Em tese, esse é o mercado potencial que o Alfa quer conquistar.

Mas, muito mais do que uma aposta em um setor que deve deslanchar nos próximos anos, o novo produto é o primeiro passo da maior fabricante de computadores do Brasil para ampliar seu leque de atuação e começar a reduzir gradativamente sua dependência financeira de desktops e notebooks.

“A educação está no nosso gene”, declarou com exclusividade à DINHEIRO o presidente da Positivo, Hélio Rotenberg. “E educação tem tudo a ver com livros. Agora, o Kindle ganhou um concorrente no Brasil”.

O Alfa dará origem a uma família de produtos. É provável que, em breve, chegue ao mercado um tablet com esse nome e até mesmo um notebook com tela híbrida – de LCD, brilhante como a do iPad, e com e-paper, sem luminosidade, como a do Kindle.

Na estratégia de diversificação da Positivo, o próximo passo é fabricar tevês, celulares e, claro, tablets a partir de 2011. Analistas de mercado especulavam que a empresa teria um novo produto neste ano. Mas as apostas estavam concentradas em um tablet ou uma tevê. Erraram todos.

A companhia trabalhou silenciosamente no seu e-book por três anos. Técnicos e executivos viajaram por vários países para conhecer a tecnologia. Vários produtos já disponíveis foram testados. Pesquisas com consumidor no Brasil foram realizadas e a empresa descobriu que o recurso de tela sensível ao toque era um pré-requisito que o comprador local valorizava. Antes do nome Alfa – uma referência a alfabeto – foram considerados outros, como Mobook, e-lit e Textor. Este último por muito pouco não venceu a batalha.

Sem previsão de demanda, o objetivo da empresa é fabricá-lo no Brasil a partir de 2011. Mas isso só vai acontecer se as vendas atingirem dez mil unidades por mês. “Ele não venderá milhões como o iPad, pois é um produto de nicho”, afirma Rotenberg, que ainda não leu nenhum livro no Alfa. Fã de Steve Jobs, o executivo da Positivo está acabando a leitura, na sua versão em papel, de “O Fascinante Império de Steve Jobs”, livro do jornalista Michael Moritz. “O cara (Jobs) é bom”, disse à DINHEIRO.

Aparentemente, lançar um leitor de livros digitais não é nenhuma novidade. O site de comércio eletrônico Amazon já vende o Kindle para o Brasil desde outubro de 2009. A livraria online brasileira Gato Sabido comercializa um produto similar importado da Inglaterra.

E a empresa nordestina Mix Tecnologia promete também para agosto o seu e-book. Há ainda dezenas de outros aparelhos no mercado internacional voltados para a leitura digital. E o iPad, da Apple, apesar de ter várias outras funções, também pode ser usado para ler livros.

O que torna, então, a entrada da Positivo neste mercado relevante? A resposta pode ser resumida em três palavras: marca, escala e distribuição. A companhia conquistou a liderança no mercado brasileiro de PCs estabelecendo um bom relacionamento com as redes varejistas.

“Eles entendem de varejo”, declara Ivair Rodrigues, diretor de pesquisas da consultoria IT Data. A Positivo também construiu ao longo dos últimos cinco anos uma marca forte, respeitada e com presença nacional.

A chegada da empresa neste setor, portanto, pode incentivar livrarias e editoras a abraçar de vez o segmento de livros digitais. “Precisávamos fazer o ecossistema reagir”, afirma Rotenberg. “Por esse motivo, decidimos lançar o Alfa, em vez de ficar esperando o mercado crescer.”

Foi o que fez Jeff Bezos, o fundador da Amazon, quando lançou o Kindle em 2007 nos Estados Unidos. O mercado americano já tinha vários produtos voltados para leitura digital. Mas nenhum deles teve o impacto do Kindle.

Bezos é um visionário que em meados da década de 90 abandonou um bom emprego em Wall Street para apostar na venda de livros pela internet. Daí nasceu o maior site de comércio eletrônico no mundo, com faturamento acima de US$ 24 bilhões. No novo produto, atrelou o hardware à sua loja online. Um dono do Kindle só pode comprar livros digitais na Amazon.

É o modelo da Apple. Quem tem um iPod, iPhone ou iPad está umbilicalmente preso à iTunes Store para comprar músicas ou aplicativos. A Positivo optou por uma estratégia diferente. O Alfa é aberto, o que permite que livros comprados nas livrarias brasileiras, como a Cultura e a Saraiva – que já têm seções para vender produtos digitais – funcionem nele sem nenhuma restrição.

“As livrarias brasileiras finalmente têm uma solução”, acredita Rotenberg. “O Alfa é mais leve, portátil e tem uma interface mais simples”, afirma, resumindo as qualidades que ele acredita que vão fazer o produto da Positivo bater o Kindle.

Ao optar por estratégias que ligam o hardware a uma loja virtual, Amazon e Apple criaram elas mesmas o seu próprio ecossistema. Para que o Alfa deslanche, a Positivo vai precisar do apoio de livrarias e editoras brasileiras. O mercado de livro digital brasileiro ainda é incipiente. De um lado, as redes que vendem livros ainda não adotaram o formato digital.

Mesmo para aquelas que o fizeram, como a Saraiva e a Cultura, as vendas são pequenas, chegando a quase uma centena de títulos por dia. Um dos entraves é a falta de um catálogo em português. “A procura por nossa loja é muito grande, mas a baixa quantidade de títulos acaba não convertendo as visitas ao site em vendas”, admite Carlos Eduardo Ernanny, fundador da Gato Sabido, uma loja que vende exclusivamente pela internet.

Até o final do ano, estima-se que haverá cerca de cinco mil títulos em português no formato digital. Em inglês, a oferta é vasta. A Amazon, por exemplo, tem mais de 400 mil livros digitais em seu acervo. É por esse motivo que as vendas lá fora decolam. No Natal de 2009, a empresa de Jeff Bezos vendeu mais títulos digitais do que físicos, um marco histórico.

Para mudar esse cenário, as editoras locais precisam começar a digitalizar os seus acervos. O trabalho ainda é muito lento, pois os contratos antigos com os autores – que não previam a venda no formato digital – precisam ser atualizados.

No começo de junho, a Objetiva, Record, Sextante, Intrínseca, Rocco e Planeta se uniram para criar uma empresa para distribuição de e-books. Batizada de Distribuidora de Livros Digitais (DLB), a meta é digitalizar 500 livros até o final de 2010.

A partir de 2011, pelo menos 300 títulos digitais devem ser lançados por mês. O faturamento deve chegar a R$ 12 milhões. A estimativa dos participantes do “consórcio” é de que o preço dos e-books seja até 30% inferior ao da edição de papel.

Se o varejo é o primeiro lugar em que o Alfa vai desembarcar (embora não revele os parceiros, DINHEIRO apurou que Cultura, Saraiva, Submarino e Americanas.com são os nomes mais fortes para ter o produto à venda a partir de agosto), o e-book da Positivo segue também para escolas particulares que vão testar o produto.

Rotenberg acredita que ele é ideal para ler romances, em razão de sua tela com tecnologia e-paper, que facilita a leitura. O iPad, diz ele, é um produto genial da Apple, mas não para ler livros. “Depois de dez minutos, a vista fica cansada. Pode testar”, desafia.

Posicionar o Alfa no segmento educacional é praticamente um caminho natural. Rotenberg tinha 27 anos quando deixou o Rio de Janeiro com o diploma de mestrado em informática nas mãos. Enquanto desarrumava as malas na volta para casa, o curitibano viu na televisão uma propaganda do Grupo Positivo.

O gigante da educação divulgava a abertura de uma faculdade de informática. Naquele mesmo dia, Rotenberg começou a articular um encontro com o professor Oriovisto Guimarães, fundador do Grupo. Uma única reunião bastou para ser contratado. “Ele me disse que eu fui a única pessoa que o fez entender o que era a tal da informática.”

Nascia ali uma parceria que já dura mais de 21 anos. A transformação da faculdade em uma fabricante de computadores aconteceu por acaso. O País vivia uma época de reserva de mercado para importação de eletrônicos.

“Não sabíamos como ensinar informática sem computadores”, lembra Rotenberg. Novamente, bastaram 15 minutos de conversa com Guimarães para resolver essa questão. A faculdade se transformou em uma fabricante de PCs em 1989. A entrada da companhia no setor de varejo aconteceu em 2004. Os computadores começaram a ser vendidos na Casas Bahia. Desde então, a Positivo nunca mais deixou de ser líder.

No ano passado, vendeu 1,778 milhão de máquinas e teve receita líquida de R$ 2,18 bilhões. “O mercado de PCs no Brasil ainda não está saturado”, afirma Luciana Leocádio, analista da Ativa Corretora. “A Positivo tem um bom potencial e bastante espaço para crescimento em computadores.”

Os concorrentes internacionais, no entanto, estão se movimentando para pegar uma fatia do mercado da Positivo. Uma das estratégias é apostar em novos segmentos de mercado. A Dell, por exemplo, vende celulares no Brasil. Lá fora, Acer e Lenovo também fizeram seus smartphones. A Nokia promete um netbook ainda este ano.

“O desktop e o notebook serão nossos produtos principais pelos próximos cinco anos”, diz Rotenberg. Hoje, a empresa atua apenas em computadores, mas Rotenberg afirma que é impossível não pensar em outros produtos. Sem detalhar qual o cronograma, nem a ordem em que vai lançá-los, a Positivo planeja fabricar tablets, tevês e celulares.

“É óbvio que vamos ter um tablet, não podemos ficar fora desse mercado”, afirma Rotenberg. Quando? A partir de 2011, indicou o executivo, novos equipamentos devem chegar ao mercado com a marca Positivo. Com isso, além de um concorrente do Kindle, a empresa pode ter produtos que podem competir contra o iPad e o iPhone.

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Lojas veem Google como aliado no mercado de livros eletrônicos

Parceria com a gigante da web poderá beneficiar pequenas livrarias que eram obrigadas a competir com a Amazon, a Apple e a Sony

The New York Times | 04/07/2010 05:00

As livrarias independentes perderam lugar, primeiramente, para as grandes redes de livrarias de descontos, como a Barnes & Noble, e depois para os super eficientes varejistas on-line, como a Amazon.com.

Agora vemos surgir a era do livro eletrônico. Com este novo desafio, estas lojas logo terão como aliado o gigante da busca eletrônica: o Google.

No fim deste verão no hemisfério norte, o Google pretende lançar seu tão aguardado produto no segmento de publicação digital, o chamado Google Editions. Até o momento, a empresa revelou bem pouco sobre a empreitada, descrevendo a mesma como um esforço para vender livros digitais que poderão ser lidos através de um navegador de internet e acessível a partir de qualquer computador conectado à internet.

Um detalhe do Google Editions começa a ganhar atenção especial. A empresa está prestes a fechar um contrato com a American Booksellers Association, associação americana das livrarias independentes, para fazer do Google Editions a principal fonte dos chamados e-books – ou livros eletrônicos – nos sites de centenas de livrarias independentes de todo o país. Estas são informações do próprio Google e da associação.

A parceria poderá beneficiar livrarias adoradas naquele país, como a Powell’s Books in Portland, do estado de Oregon; a californiana Kepler’s Books e a nova-iorquina St. Mark’s Bookshop. Para agradar um público crescente de pessoas que preferem ler na tela a ler no papel, estas pequenas lojas até então eram obrigadas a competir de igual para igual com a Amazon, a Apple e a Sony.

O novo negócio do Google poderá oferecer um ponto de apoio a estas lojas neste crescente mercado, ajudando-as a evitar que sua clientela fiel migre para os concorrentes.

“O Google tem mostrado um interesse real em nosso mercado. Por diversas razões, esse é um acordo excelente ”, disse Len Vlahos, presidente da associação que reúne mais de 1.400 livrarias associadas.

O Google provavelmente enfrentará uma batalha árdua para penetrar no já congestionado mercado de e-books. Alem de pouca experiência no varejo, o cadastro de clientes da empresa é bem menor que o da Amazon ou da Apple. Além disso, seu sistema de pagamentos on-line, o Google Checkout, ainda não teve ampla aceitação.

Entretanto, o Google está promovendo seu novo plano como uma alternativa mais “aberta” e completamente diferente das de seus concorrentes. Apesar de funcionar como uma loja de varejo, vendendo livros a partir do próprio site, o novo sistema também irá operar como atacadista, permitindo que livrarias independentes e outros parceiros vendam seus e-books a partir de seus próprios sites.

Segundo revelou a empresa, aqueles que comprarem e-books do Google não ficarão presos a algum formato ou dispositivo de leitura. O mesmo não ocorre com livros comprados na iBookstore da Apple, que só podem ser lidos em dispositivos da marca.

“Eu não acho que alguém que tenha comprado um dispositivo de leitura de livros nos últimos anos tenha a intenção de comprar seus livros eletrônicos do mesmo fornecedor para o resto da vida”, disse Tom Turvey, diretor de parcerias estratégicas do Google, que encabeça o projeto Google Editions.

Turvey afirmou que os consumidores poderão ter acesso a seus livros, ou comprar novos, a partir de qualquer lugar do planeta, ao inserir seus dados no Google. O executivo também informou que o Google irá lançar o serviço com uma vasta seleção de centenas de milhares de livros – que vão desde ficções e não-ficções até títulos profissionais e acadêmicos, incluindo livros didáticos.

O Google já conta com dois milhões de livros disponibilizados por editoras afiliadas ao Partner Program, programa que permite que internautas acessem extensas amostras de livros a serem lançados – tanto nos sites Google quanto em outros sites. Um projeto anterior, que visava escanear milhões de livros raros ou esgotados, está atrelado a um processo judicial desde 2005.

Como atacadista, o Google irá operar como as distribuidoras de publicações offline, como a Ingram Book e a Baker & Taylor, que compram livros de editoras e os revendem às livrarias. Estas empresas geralmente ficam com uma porcentagem inferior a 10% das vendas, e Turvey disse que o Google irá operar nos mesmos moldes.

Livrarias independentes parecem acreditar que o Google está mais interessado em usá-las como ferramenta de trabalho do que operar diretamente no varejo. Na verdade, elas estão contando com isso.

A onda das publicações virtuais vem forçando tais livrarias a enfrentar um mercado complexo e em constante mutação. Em 1999, a Powell’s in Portland, por exemplo, apostou em vender livros eletrônicos para a Rocket Book, pioneira no segmento de livros eletrônicos, e acabou tendo de enfrentar a falência da mesma. Outro caso mais recente foi o da Powell’s que, com a ajuda da Ingram Digital, tentou vender e-books em seu site em diversos formatos, dentre eles Adobe, Microsoft e Palm.

Tais esforços tiveram pouco retorno, e dispositivos como o Kindle, da Amazon, o Nook, da Barnes & Noble e o iPad, da Apple, ganharam a atenção dos leitores.

“O Google vai nos permitir atuar totalmente fora do jogo centrado em dispositivos”, disse Darin Sennett, diretor de desenvolvimentos da web da Powell”s.

Sennett admitiu que o Google também será um concorrente, pois venderá livros a partir do próprio site. Ele parecia acreditar, porém, que o Google irá favorecer seus parceiros menores.

“Eu não acredito que o Google tenha a intenção de minar as vendas ou vender mais que seus parceiros varejistas. Eu duvido que a empresa vai fazer recomendações de livros em termos editoriais ou ainda escolher o que as pessoas deveriam ler, que é algo que as livrarias fazem”, disse o executivo.

Ele completou: “Fico imaginando que, a essa altura do campeonato, isso seria uma ingenuidade. Vamos ter de esperar para ver”.

O projeto de vender livros digitais coincide com uma mudança mais ampla da empresa ao entrar no mercado de mídia digital. Desde sua criação que o Google ganha dinheiro quase que exclusivamente com textos publicitários colocados na lateral dos resultados da busca e em páginas da web.

Agora, concorrentes como a Amazon e a Apple estão tentando se estabelecer nas vidas e carteiras do consumidor – armazenando filmes, programas de TV, música e livros em seus servidores. As empresas esperam que o armazenamento de coleções de mídia do consumidor irão gerar ainda mais vendas digitais, ao mesmo tempo em que prendem o consumidor aos dispositivos que comercializam, como o Kindle e o iPad.

O Google tem uma vantagem nessas emergentes disputas de mídia. A empresa pode contar com um grande número de pessoas que usam seu motor de busca para fazem consultas sobre temas relacionados à mídia – como procurar o novo romance de John Irving, por exemplo – e clicam, instintivamente, na primeira opção de compra apresentada.

Em entrevista concedida na semana passada, Eric E. Schimidt, executivo-chefe do Google, afirmou: “O Google Editions foi uma conseqüência natural do fato de estarmos interessados em livros e em informação, e de trabalharmos com editoras”. Quando perguntado sobre musica digital, ele disse que por muito tempo o Google evitou o mercado de música por não querer apoiar a pirataria.

Mais recentemente, porém, à medida que o Google vai oferecendo aos consumidores mais do que eles estão buscando, sem precisarem mesmo de clicar em algum lugar – o executivo-chefe disse que “faz sentido ter algum tipo de serviço ligado à música”.

* Por Brad Stone

Disponível em: http://economia.ig.com.br/lojas+veem+google+como+aliado+no+mercado+de+livros+eletronicos/n1237696443585.html. cesso em: 7 jul. 2010.

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E o livro chegou ao computador…

A Amazon acaba de lançar o Kindle para PC e promete para breve uma versão para Mac

Tecnologia

PublishNews – 11/11/2009

Depois do Kindle em versão internacional que foi disponibilizado recentemente para mais de 100 países, a Amazon lançou ontem, 10/11, o aplicativo Kindle para PC, que pode ser baixado gratuitamente e disponibiliza mais de 360 mil e-Books para Kindle, incluindo os livros da Lista do The New York Times e os últimos lançamentos do mercado. A partir de agora, para ler um livro em inglês que tenha uma versão de e-Book para Kindle, basta ter um PC com acesso à internet, baixar o “Kindle for PC” e comprar o e-Book na loja virtual. Pronto! Você já está lendo! E a Amazon promete que a versão para Mac chega em breve. O programa vem com a tecnologia Whispersync da Amazon que mantém em sincronia PC, Kindle e iPhone, o que permite que você comece a ler no PC, saia de casa com o iPhone e continue lendo e volte mais tarde ao PC. E é claro que se você já tem um Kindle, então tem três “espaços” virtuais sincronizados onde pode fazer suas leituras sem perder a página onde parou. Mas talvez a novidade mais empolgante para os amantes do Kindle sejam os livros coloridos que estão até na foto ilustrativa do site de download – agora dá pra ler HQs e livros infantis sem perder a diversão das imagens. Seria isso uma indicação de que está a caminho o Kindle com tela colorida? Os buchichos já começaram…

Disponível em: <http://www.publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=54769&gt;. Acesso em: 12 nov. 2009.

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Big Amazon

CONEXÃO GLOBAL

O GLOBO, 21.07.2009, p. 21 – Economia

NELSON VASCONCELOS

E a simpática Amazon, de quem só costumamos ouvir boas notícias, andou exercitando seu lado Big Brother. Isso porque um parceiro da grande loja pontocom vendeu ilegalmente cópias digitais dos livros “1984” e “Animal farm”, ambos de George Orwell. A Amazon descobriu essa anormalidade graças ao DRM, tecnologia que gerencia os direitos autorais em obras digitais.

Pelo que se constatou, essas edições eletrônicas dos livros de Orwell não poderiam circular nos EUA. Por isso, o DRM “denunciou”, digamos assim, que as tais cópias baixadas através do site eram ilegais.

A tecnologia cumpriu seu papel. De quem foi a responsabilidade pela venda ilegal? Da livraria que vendeu através da Amazon ou desta, que permitiu o negócio sem checar questões relacionadas aos direitos autorais? De qualquer maneira, o que fez, então, a Amazon? Simplesmente entrou remotamente no leitor eletrônico dos seus clientes, o Kindle, e detonou as tais cópias ilegais. Também anunciou que estaria reembolsando US$ 0,99 por livro apagado.

Foram centenas deles. Os clientes começaram a receber comunicado de reembolso na última semana, sem explicação sobre o súbito sumiço dos textos.

Mas o ponto principal é: será que a Amazon tinha o direito de fazer o que fez? Não seria mais ou menos a mesma coisa que uma editora arrombar a porta lá de casa e levar embora todos os livros que comprei em camelôs mundo afora? Ou seria como uma gravadora entrar no meu computador e deletar todas as músicas que eventualmente (oh, que surpresa) andei baixando da internet nos últimos dez anos? Não foram poucas…

A discussão está esquentando nos fóruns especializados — como a ZDNet, onde comecei a capturar essa história, que já se espalha por muitos sites, blogs etc. A ideia geral é de que foi um abuso da Amazon.

Mais do que isso, mostrou que a empresa tem um poder grande sobre seus consumidores. Se, por algum motivo, ela “decidir” que você não deve ler tal livro, ela simplesmente vai apagá-lo do seu Kindle, sem maiores explicações.

Como se comentou em algum dos blogs, isso mostra que você não tem, não possui, de fato, o tal livro no Kindle — a não ser que o transfira para o computador…

Nunca se viu nada parecido.

Por isso, também se levantou a hipótese de livrarias e editoras parceiras começarem a perder confiança na Amazon, e isso seria um péssimo negócio.

O que também é bastante curioso é o fato de tanto ruído ter sido causado justamente a partir da obra do britânico George Orwell (1903-1950).

Para quem andava distraído: a literatura de Orwell é marcada pela discussão de temas políticos, com especial implicância em relação a regimes totalitários, daqueles que vão se metendo na vida particular do cidadão etc.

E foi Orwell quem criou — ou previu? — o Big Brother, o Grande Irmão, que se tornou símbolo da vigilância paranoica sobre os indivíduos.

Nada mais irônico, portanto, que esse episódio da Amazon envolva livros de George Orwell. Se estivesse vivo, ele não hesitaria em declarar algo na linha: — Eu não disse que ia dar nisso?

‘Free’, mas nem tanto

Está programada para sair em agosto, pela Campus, a edição brasileira do livro “Free”, do Chris Anderson, editor-chefe da revista “Wired”.

A polêmica tese do Anderson — já comentada aqui — é basicamente a seguinte: a internet acostumou a gente a acreditar e investir em produtos e serviços gratuitos. E é para esse tipo de consumo confortável que está caminhando boa parte da Humanidade.

Seria a cultura do grátis, ampla, geral e irrestrita.

Anderson prova — ou tenta provar — que se criou uma ideia de que o sistema colaborativo e não remunerado é algo intrinsecamente do bem. Exemplos? O desenvolvimento de software livre, as redes de relacionamento ou a onda blogueira, twitteira etc.

Para os seus participantes, tudo isso se dá sem grandes custos — que não seja o da conexão, claro. E ainda levemos em consideração que o preço da banda larga e o do armazenamento estão caindo, tendendo ao zero.

Todo esse pacote estaria criando uma espécie de socialismo ou socialização do conhecimento — que, por sua vez, é constituído de várias fontes largadas pelo mundo. Muitas delas, gratuitas.

Seria coerente, por isso, compartilhar esse conhecimento de graça.

Naturalmente, essa mudança de comportamento é uma tremenda dor de cabeça para indústrias que sempre sobreviveram porque cobrar era algo legítimo.

Agora, com o tsunami do free querendo invadir quase todas as praias, muita gente está preocupada. É o caso, por exemplo, da própria indústria de informação, cultura e entretenimento. E também da de software.

De fato, é muito difícil querer cobrar por algo que o cliente já tem gratuitamente.

É um nó a ser desfiado em toda a internet.

Quem vai querer pagar por um software de edição de textos, por exemplo, se você o tem gratuitamente via Google — que é a grande referência para esse comportamento? Em contrapartida, criouse, de maneira torta, a impressão de que aquilo que é cobrado não tem legitimidade.

Entra na categoria dos produtos ou serviços que não merecem ser remunerados.

Daí para a pirataria é um pulo…

A discussão vai por aí.

Mas fico curioso em relação ao seguinte: será que Anderson ficaria muito aborrecido com a pirataria de seus livros? Acho que não.

E-mail para esta coluna: nelsonva@oglobo.com.br

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