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Empreitadas digitais do livro

Terceira edição do Prêmio Kindle de Literatura segue com inscrições abertas até 15 de outubro

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Ricardo Garrido, gerente geral de aquisição de conteúdo para Kindle: “Em 2012, tínhamos 12 mil livros digitais em português; hoje, temos mais de 150 mil”

 

 

Foi durante uma oficina de criação literária ministrada pelo escritor Marcelino Freire em São Paulo, no ano de 2009, que Gisele Mirabai desenvolveu a narrativa de “Machamba”. Autora de livros infanto-juvenis, ela enxergou, no encontro, a oportunidade de fazer crescer a história que havia acabado de criar, sobre uma mulher que vive em Londres e tenta achar o elo perdido com a infância.”Era um romance no qual eu acreditava muito e, contando com o apoio do Marcelino, tentei publicá-lo por uma ou outra editora”, conta. “Porém, obtive a resposta que a maioria dos escritores escuta: ‘Seu livro não se encaixa no nosso perfil editorial’ ou ‘daqui a seis meses te damos uma resposta’. Com isso, fiquei sem saber o que fazer com um livro que, na minha visão, tinha muita qualidade”, afirma a autora.

Diante das poucas perspectivas de inserção no mercado editorial composto pelas grandes casas de publicação, Gisele percebeu as veredas se abrindo quando, zapeando pela internet, leu sobre o Prêmio Kindle de Literatura, criado pela Amazon em parceria com a editora Nova Fronteira. O concurso, além de R$ 20 mil, garantia à pessoa vencedora a publicação da obra em versão impressa pela editora parceira.

Para participar do projeto, o primeiro passo foi se cadastrar na plataforma da Amazon, Kindle Direct Publishing (KDP), destinada à autopublicação de autores independentes. A autora concorreu con outros 2,2 mil romances de todo o Brasil e conquistou o prêmio.

“A partir da conquista do prêmio, tudo mudou para mim nesse cenário porque, no processo de publicação do livro, passei a ver o e-book como um meio direto para chegar ao público”, explica Mirabai. “Usei a ferramenta de autopublicação, a priori, apenas para participar do concurso e, com o tempo, vi como ela foi efetiva. Hoje, tenho um contato híbrido: tanto com a Nova Fronteira, para o livro impresso, quanto com o KDP, que continua mantendo meus direitos sobre a obra”.

Oportunidade

Contar a travessia de Gisele para publicar sua mais recente obra é ato oportuno neste momento. Desde o último dia 15 de agosto que as inscrições para a terceira edição do Prêmio Kindle de Literatura estão abertas, ficando disponíveis até 15 de outubro. O vencedor receberá um prêmio de R$ 30 mil e iniciará um contrato com a Editora Nova Fronteira para a publicação do título em versão impressa.

Os cinco finalistas serão divulgados entre 21 e 31 de janeiro de 2019; já o nome da pessoa vencedora será anunciada entre 18 e 28 de fevereiro. Serão reservados 60 dias para a publicação do livro de forma independente no site da Amazon por meio da Kindle Direct Publishing. As histórias serão avaliadas por um painel de especialistas editoriais selecionados pela Nova Fronteira e a Amazon, incluindo o poeta e crítico literário, membro da ABL, Antônio Carlos Secchin.

Gerente do KDP na Amazon Brasil, Talita Taliberti conta que, desde que foi lançada no País, em dezembro de 2012, a plataforma tem gerado um retorno positivo para o cenário de autopublicação nacional.

“A gente tem dezenas de milhares de autores na nossa ferramenta e temos crescido fortemente a cada ano. O mais interessante é que ela está sendo procurada inclusive por escritores consagrados, como é o caso do Mário Sérgio Cortella, que recentemente publicou o primeiro livro dele, ‘Descartes: A paixão pela razão’ – fora de circulação há mais de 15 anos – em uma versão exclusiva em e-book pelo KDP”, dimensiona.

De acordo com a profissional, a intensa procura no meio digital quando o assunto é literatura – tanto no ramo da criação quanto no consumo – sinaliza um importante aspecto a considerar sobre o esquema produtivo do ramo impresso.

“Acredito que a grande dificuldade do mercado impresso de inserir novos autores em seu contexto é porque o modelo das editoras é bastante caro. Tem a margem do varejo e toda uma estrutura produtiva, que envolve custos com editoração, gráfica, estoque? A cadeia é grande, o que faz com que seja muito difícil as casas apostar no nome de um autor desconhecido”, detalha.

Integração

Apesar da aparente dicotomia combativa entre impresso e digital – que insiste em pautar os assuntos quando se trata de mercado editorial -, Taliberti pensa na direção contrária. A gestora visualiza um processo de integração entre os dois suportes, com os novos modelos de produção e consumo do livro surgindo para otimizar o tempo de leitura das pessoas.

“Eu não enxergo o mundo digital ‘matando’ o impresso de jeito nenhum. Creio que o livro digital veio muito para complementar, dar mais opções ao leitor. Temos que pensar que, hoje, estamos brigando pelo tempo das pessoas para ler, e não se elas estão lendo livros físicos ou digitais. Diante da quantidade de opções de entretenimento, garantir a opção da leitura é mais uma oportunidade de todos continuarem investindo no consumo dessa arte”, opina. E completa: “A gente vê, inclusive, que os livros digitais ajudam a vender o livro impresso. Quando olhamos no nosso site, em geral a obra em formato digital incrementa a venda em versão física. Então, a questão é complementaridade”.

Balanço

Gerente geral de aquisição de conteúdo para Kindle, Ricardo Garrido ajuda a endossar, com números, o panorama da literatura feita e consumida no ramo virtual. De acordo com ele, “o livro digital está no seu sexto ano no Brasil. Quando a Amazon chegou por aqui, em 2012, tínhamos 12 mil livros digitais disponíveis em português; hoje, temos mais de 150 mil, um aumento que tem a ver diretamente com a questão da adesão do público e também das editoras”.

Garrido afirma ainda que, atualmente, todas as editoras estão lançando os livros em formato impresso e digital praticamente de forma simultânea. Tal método de publicação das obras ajuda na visualização da recorrência de leitura que o público brasileiro adquiriu com o passar do tempo.

“Temos uma informação de que a pessoa que compra ou passa a ler livros digitais continua a comprar livros impressos e passa a gastar de três a quatro vezes mais com livros do que ela gastava antes”, detalha. “Acaba-se, então, intensificando a experiência de leitura das pessoas porque elas encontram mais facilmente os livros e podem lê-los de uma maneira mais democrática, valendo-se do livro físico ou contando com a acessibilidade digital”, complementa.

Estratégia

Indagado sobre como é manter um estande feito o da Amazon – gigante do comércio online de livros – em uma das maiores feiras de livro do mundo, Ricardo Garrido é enfático: “Vejo a Bienal como uma celebração nacional do livro e da literatura. E o livro não tem um formato necessariamente definido. Porém, já que trabalhamos com outro formato, consideramos variáveis diferentes para escoar o material”.

“Atuamos por meio de duas frentes: uma que é expandir a seleção de livros e outra que é oferecer uma maneira, preço e usabilidade que os clientes se interessem. Melhorando a experiência de leitura, removemos as barreiras de acesso”, raciona. “No fim das contas, o que importa é ler”.

Disponível em: <http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/empreitadas-digitais-do-livro-1.1995030>. Acesso em: 12 set. 2018.

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7 plataformas para autopublicação para novos escritores

Publicar um livro ainda é tarefa árdua, especialmente quando o autor busca unicamente da forma mais tradicional, esperando ter enfim seu original aprovado por uma grande editora. No entanto, hoje existem alternativas interessantes, num mercado que cresce diariamente, pois as plataformas de autopublicação possibilitam a todos que desejem publicar e compartilhar seus texto uma oportunidade de ser lidos. Nesta lista selecionei 7 plataformas interessantes de autopublicação:

 

1 – Kindle Direct Publishing: Provavelmente a plataforma mais utilizada que permite aos autores publicar seus livros para o formato digital para leitura no Kindle. A plataforma da Amazon é de fácil publicação e os e-books são comercializados no site da Amazon, e o autor pode receber até royalties de até 70%.

2 – Bookess: Plataforma brasileira possibilita ao autor publicar seu livro e comercializar, seja no formato digital, ou na modalidade impressa. Também é fácil de configurar, além de que caso o autor não queira vender pode disponibilizar seus arquivos para leitura on-line;

3 – Clube de Autores: Pioneira em autopublicação no Brasil permite a venda de livros digitais e impressos, e ao longo de sua existência mostrou-se muito útil nas publicações de poesias e crônicas, e especialmente livros técnicos;

4 – Publique-se: A plataforma é uma das novidades de internet brasileira, e é um dos avanços da gigante do varejo, a Livraria Saraiva, que pelo visto investira forte nos livros digitais. Além de receber 35% de royalties, os autores terão seus e-books comercializados no site da livraria;

5 – Writing Life: É a plataforma para publicação de e-books para o Kobo, o leitor digital comercializado pela Livraria Saraiva, e um dos principais concorrentes do Kindle. A plataforma existe desde 2010.

6 – e-galáxia: A mais recente novidade, lançada na Flip deste ano a plataforma é um projeto ambicioso e que busca um olhar diferenciado na produção de e-books;

7 – Google Play: Para quem aposta no mercado de celulares é possível vender seus livros digitais compatíveis para o sistema Android. Para publicar, além do cadastro como desenvolvedor é necessário o pagamento de uma taxa de $25,00;

Texto de autoria de Douglas Eralldo

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Radiografia da autopublicação na América Latina

Radiografía de la autopublicación en América Latina. [e-Book]  Bogotá, Cerlalc, 2018

O surgimento da Internet e as novas tecnologias da informação e da comunicação geraram um fenômeno sem precedentes na história da humanidade: qualquer pessoa hoje tem a possibilidade de publicar conteúdo e distribuí-lo instantaneamente onde quer que ela deseje, sem que isso implique um custo de algum tipo (além dos recursos e conhecimentos necessários). Com a palavra conteúdo se faz referência não só para o texto escrito: de um dispositivo móvel é possível transmitir vídeo ao vivo, independentemente da localização física do emissor, desde que esteja disponível uma conexão à Internet. Assim, hoje, qualquer pessoa com um telefone inteligente no bolso, que está conectado à Internet, tem possibilidades ainda maiores do que as de um estúdio de televisão há pouco mais de dez anos, e com uma característica diferencial: praticamente a um custo perto de zero. Assim, surge o conteúdo gerado pelos usuários (conteúdo gerado pelo usuário ou ugc, por sua sigla em inglês) de grande importância nos tempos atuais.

Desde os primeiros anos em que o uso da Internet começou a se tornar popular, alguns de seus usuários começaram a criar alternativas à mídia tradicional (jornais, revistas, rádio e televisão) na geração de conteúdo, baseando-se principalmente nas ferramentas que lhes forneceram os blogs. Essas ações foram ampliadas e evoluíram para produzir as plataformas digitais mais bem sucedidas de hoje, como Facebook, YouTube, Twitter e Instagram. A padronização do uso dessas plataformas provocou uma superabundância de conteúdo, uma das primeiras conseqüências no atual ecossistema digital, e um tópico a que nos referiremos neste documento em várias ocasiões. Para a amostra, um dado contundente: entre os anos de 2011 e 2016, mais de 800 mil livros foram publicados nos Estados Unidos sob a modalidade de auto-publicação, o que significa um crescimento de 218% apenas nesse período. Os produtos são livros que, na sua maioria, pelo formato e forma de distribuição, digitais ou sob impressão sob demanda, não estão esgotados.

Texto original disponível no site https://universoabierto.org/2018/02/21/radiografia-de-la-autopublicacion-en-america-latina/ e traduzido em 15 mar. 2018.

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