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A biblioteca do futuro não terá o livro como centro de gravidade, diz Mélanie Archambaud

Bibliotecária francesa responsável pela rede de bibliotecas de Bordeaux fala ao ‘Estado’ sobre sua experiência, o presente e o futuro desses espaços que estão se reinventado e ganhando novos usos

20 Novembro 2017 | 06h00

“É preciso dessacralizar a biblioteca, fazer retornar a dimensão divertida e prazerosa, criar ecos e cruzamentos entre as propostas culturais e documentais para que um adolescente que venha jogar videgame possa, talvez, deixar a biblioteca com o Conde de Monte Cristo.” A opinião é da francesa Mélanie Archambaud, que já trabalhou no Centro de Informação do Centro George Pompidou e é hoje responsável pela cooperação da rede de bibliotecas públicas municipais em Bordeaux.

A biblioteca do presente e do futuro
A biblioteca deverá ser viva, participativa e conectada Foto: Werther Santana

Nesta entrevista concedida por e-mail, ela fala sobre o presente e o futuro das bibliotecas, e sobre o que podemos aprender com os erros e os acertos da experiência desenvolvida na cidade – por exemplo: muitos conteúdos podem ser acessados pelos usuários em casa e desde outubro as bibliotecas ficam abertas até pelo menos 22h, com uma série de atividades para mostrar aos moradores que muita coisa pode acontecer ali dentro.

As bibliotecas públicas que estão sendo mais bem-sucedidas em atrair pessoas são aquelas que se transformaram (ou foram construídas como) uma espécie de centro cultural, onde os usuários podem escolher livros em estantes como se estivessem em livrarias, assistir filmes e, muitas vezes, ter aulas sobre temas tão diferentes como o uso de smartphones para idosos e robótica. Esse é o modelo que sobreviverá? Essa é a biblioteca do futuro? Como será essa biblioteca do futuro?

A sociedade está evoluindo e as bibliotecas devem evoluir com ela. A biblioteca é um local cidadão cujo objetivo principal é permitir o acesso à informação. Ela tem como finalidade a emancipação e construção de indivíduos na sociedade, permitindo-lhes acessar o conhecimento e a informação do modo mais igualitário possível. Durante muito tempo, este acesso à informação foi baseado apenas no acesso a livros e leitura. Mas hoje, o livro compartilha esse papel com novas maneiras de construir, pensar e divulgar informações que se espalham rapidamente e em massa graças às tecnologias de informação e comunicação de baixo custo.

Nesta Sociedade do Conhecimento, a difusão e o uso da informação flui de forma diferente: a cadeia tradicional descendente da transmissão do conhecimento (do que sabe ao que está aprendendo) é totalmente renovada. As bibliotecas não podem negar essa realidade e, em vez disso, devem integrá-la na sua organização. Não se trata de ser tecnológico para ser moderno ou atraente, mas pensar no acesso às informações que correspondam às práticas e realidades de hoje. A clivagem digital é a de todas as desigualdades entre os grupos no sentido amplo, em termos de acesso à informação, uso ou conhecimento das tecnologias da informação e da comunicação. Ao integrar as ferramentas e práticas digitais no exercício de suas missões, as bibliotecas abrem um novo caminho para o mundo da informação e do conhecimento, ao conectar usuários e os conteúdos para além de quaisquer limites geográficos, sociais e culturais.

Não tenho preocupações com a sobrevivência do livro neste novo modelo de bibliotecas, que agora irá coabitar com o digital. Esses dois apoios são complementares e não contraditórios. Eu mencionei anteriormente uma cadeia de conhecimento “totalmente renovada”, o conhecimento é construído cada vez mais horizontalmente e a comunidade com novas tecnologias, nós o vemos com a Wikipedia, por exemplo, mas também o aumento de movimento como o Faça Você mesmo e as práticas amadoras na sociedade. Aqui novamente, a biblioteca deve aceitar esta nova maneira de construir e acessar o conhecimento. O bibliotecário não é mais um transmissor de conhecimento, ele se torna um mediador que deve imaginar modos mais participativos e horizontais de acesso à informação. Os usuários são detentores de conhecimento e estes são recursos potenciais a serem ativados! Podemos construir coisas com eles. Acredito então que a biblioteca do futuro não é nem mais nem menos que uma organização que permanece atenta a essas mudanças sociais e as integra com benevolência sem julgamento. De fato, nada muda nas missões fundamentais das bibliotecas: lembremo-nos que a biblioteca não é um lugar, mas é sobretudo uma organização dotada da missão de democratização do acesso ao conhecimento e à cultura. Nos novos modelos que você cita, as missões não mudam, mas a organização sim. Na minha opinião, uma biblioteca que é apenas digital é tão inadequada como uma biblioteca que só oferece livros. Em ambos os casos, excluem uma parte da sociedade, modos de acesso ao conhecimento e práticas culturais.

O que foi feito em Bordeaux que poderia servir de inspiração a bibliotecas de diferentes lugares, de diferentes realidades?

Não pretendo colocar a biblioteca do Bordeaux como um modelo, mas posso falar sobre o que nos pareceu pertinente como uma ação e experiência e talvez o que tenha funcionado não tão bem. Muitas vezes, acho até mais interessante falar sobre experiências erradas. Penso que conseguimos uma coabitação interessante entre o digital e o livro. Damos acesso gratuito a uma oferta de filmes, documentários, revistas e cursos on-line que as pessoas podem acessar de casa, o que nos permite expandir e complementar nossas coleções físicas. Os usuários deste serviço também são os que tomam livros emprestados, que para eles é uma extensão de nossas coleções de papel. Tudo é gratuito, até wi-fi, como em muitas bibliotecas francesas, razão pela qual temos muitos públicos vulneráveis que vêm à biblioteca para se manter “conectados” à sociedade. O fato de ser capaz de assistir um filme no local, entrar na internet, ter uma conta em Facebook ou participar de um workshop de alfabetização é muito importante para esses públicos em termos de integração na sociedade. As várias oficinas também são uma oportunidade para promover a coesão social.

Acho que a biblioteca de Bordeaux é uma biblioteca muito inclusiva, onde todos os públicos se encontram. Por exemplo, temos um espaço (Espace Diderot) dedicado a pessoas com deficiência com coleções e equipamentos adaptados e funcionários treinados para receber esse público. A rede de Bordeaux tem 9 bibliotecas e o sistema de transporte permite que você empreste e devolva documentos em qualquer estrutura. Em resumo, nós tentamos facilitar e democratizar ao máximo acesso ao conhecimento por esse tipo de dispositivo menos restritivo possível para os usuários. O registro é gratuito (este não é o caso de todas as bibliotecas francesas), temos um intervalo de horas de abertura relativamente grande em comparação com a média francesa e oferecemos formatos e apoios diversificados, bem como uma oferta mediação cultural de forma que todos os públicos possam encontrá-lo. No entanto, sofremos com a imagem que o público faz – muitos ainda veem as bibliotecas como templos sagrados e não se atrevem a chegar até a porta de uma biblioteca.

É por isso que, em 14 de outubro de 2017, a Biblioteca do Bordeaux lançou a primeira Noite das Bibliotecas Metropolitanas: 28 bibliotecas abertas até às 22h ou meia-noite com atividades excepcionais (DJ, teatro, jogos e disputas de perguntas e respostas, workshops participativos, performances , projeções, etc.) para mostrar bibliotecas sob uma luz diferente. Este grande esforço para promover bibliotecas tem sido extremamente bem-sucedido na região, ajudando a mudar a imagem das bibliotecas no inconsciente coletivo.

Também queremos desenvolver uma oferta ao redor do jogo (não apenas o videogame, mas todos os jogos). Eles são verdadeiros vetores de coesão social que precisamos desenvolver. Nós criamos um espaço para videogames na maior biblioteca de rede, mas precisamos repensar esse recurso. Os bibliotecários muitas vezes temem ter o videogame em bibliotecas: medo da confusão, medo de jogos violentos, etc. Então, pensamos em um espaço onde os jogos foram pré-selecionados e oferecidos por um tempo, antes de serem substituídos por novos jogos. Ou isso não faz sentido algum com os costumes das pessoas! Por que tratar o jogo de forma diferente do livro? Por que não confiar nos usuários em vez de usar especificadores? Portanto, vamos relaxar as regras, emprestar nossos videogames e dar aos usuários a opção de jogar o que eles querem.

As bibliotecas públicas ainda não são digitais no Brasil, não há e-books em seus catálogos. Existem apenas alguns modelos de empréstimo/assinatura para universidades e outros para leitores comuns, geralmente associados a empresas de telefonia móvel. Como esta questão é tratada pela sua instituição?

O problema dos e-books na França ultrapassa as bibliotecas e diz respeito a toda a cadeia do livro. Com os e-books, as editoras enfrentam dificuldades legais e técnicas como a revisão dos contratos de direitos autorais ou a reformulação de certas obras para maior interatividade (som, vídeo, zoom …). Mas o principal problema vem do medo do download ilegal. Todos esses motivos explicam a resistência das editoras e sua relutância em oferecer versões digitais de seus livros. Esta realidade editorial tem um impacto direto nas bibliotecas.

Em 2014, apenas 4% das grandes bibliotecas de leitura pública tinham um serviço de empréstimo de e-book apesar da multiplicação de distribuidores (Bibliovox, Lekti, Numilog, Harmatec, etc.), porque a oferta não é muito desenvolvida pelos editores e insatisfatória para as bibliotecas.

Para não prejudicar editores e autores, o Ministério da Cultura francês lançou o programa “Empréstimos digitais em bibliotecas” em 2012, que permite a articulação entre os diferentes atores: editores e transmissores (catálogo de livros); Livrarias (ofertas de distribuidores para comunidade); bibliotecas e usuários. Nesta plataforma, os livros podem ser baixados ou lidos on-line (streaming).

Mas este sistema muito caro para bibliotecas tem limitações: os livros digitais são muito mais caros do que os livros em papel, compramos o acesso e não e-books, o que significa que as bibliotecas não possuem arquivos digitais (daí a questão da durabilidade da coleção), os livros têm travas digitais (Digital Rights Management), que devem proteger os direitos autorais, proibindo um usuário que comprou um produto para poder duplicá-lo e compartilhá-lo. Mas por causa do DRM, um e-book não é compatível com qualquer ferramenta, o que limita seu uso, além do mais no dispositivo atual, um e-book pode ser emprestado simultaneamente, etc. Em suma, é um serviço caro (demais) às bibliotecas por causa da oferta existente e da complexidade do serviço para o usuário. A biblioteca de Bordeaux, como muitas outras bibliotecas, não pode ficar satisfeita com as condições da oferta atual. Hoje, o problema dos bibliotecários é, portanto, resolver as incertezas legais, de modo que as exceções aos direitos autorais para os livros de papel também permitam os empréstimos digitais. No entanto, mais e mais editores confiam nos leitores e oferecem arquivos sem DRM que vão na direção das bibliotecas, o que abre o caminho que esperamos.

O que as bibliotecas públicas brasileiras podem fazer para se preparar para esse novo tipo de leitura? As bibliotecas escolares já deveriam ser digitais?

A introdução do digital nas bibliotecas deve responder a um objetivo específico. Como qualquer projeto em uma biblioteca, isso deve ser acompanhado por um estudo do público-alvo e suas necessidades. Se a leitura digital não corresponde ao uso do público que se deseja alcançar ou não atende a um projeto de desenvolvimento cultural, não tem muito interesse. As bibliotecas não querem ser ativistas digitais, mas apoiar práticas e trazê-las para seu meio.  A questão não tem sentido no absoluto, mas apenas no prisma do que queremos oferecer ao público. O digital não é um objetivo em si, é um meio para desenvolver a leitura e a criatividade, facilitar o acesso à informação, oferecer novas oportunidades para reuniões e intercâmbios entre gerações, entre culturas, entre pessoas simplesmente. A tecnologia digital é simplesmente uma nova maneira de a biblioteca cumprir suas missões, mas deve ser um meio, como a mediação, a ação cultural ou a política documental.

Desde 2014, o governo brasileiro não compra livros de literatura para bibliotecas escolares. Qual é o risco de uma interrupção dessas?

Eu não sabia disso e acho muito inquietante, como se justifica tal decisão? A literatura juvenil é fundamental para acompanhar a construção de indivíduos. Desenvolve o imaginário, permite, naturalmente, o aprendizado da leitura e acompanha a criança em sua evolução, abordando todas as problemáticas que ele atravessa desde jovem. Ao contrário dos livros didáticos, também é através da literatura infantil que as crianças descobrem o prazer da leitura. As bibliotecas e as escolas são, por definição, lugares de acesso ao saber e ao conhecimento, são serviços públicos nos quais o livro em todas as suas formas deve ter seu lugar porque em outras esferas da criança como família, talvez não haja livros. Se for removido das escolas e a criança não vai para a biblioteca ou não lê em casa (trata-se das mesmas crianças), em que momento se dará o encontro com o livro e o prazer de leitura? A dimensão do prazer da leitura deve ser mantida desde uma idade precoce. A leitura não deve ser exclusivamente associada à escola e com a obrigação do aprendizado. Ao retirar a literatura juvenil das bibliotecas escolares, a leitura é reduzida apenas à sua dimensão pedagógica e utilitarista.

As bibliotecas ainda têm um impacto na formação de leitores? O que mais as bibliotecas podem fazer para ajudar a melhorar os índices de leitura?

Não é porque não lemos livros em bibliotecas que não lemos. Existem muitas outras formas de leitura que não são menos válidas do que a leitura de livros. Ler revistas, ler na internet, ler um filme legendado ou ler quadrinhos também são maneiras de ler que você não se deve desprezar. Lembro-me de um jovem migrante que começou a aprender francês jogando videogames na biblioteca, lendo as instruções do jogo na tela e interagindo com outros jogadores. Há também esta biblioteca que criou um espaço “fácil de ler” com textos simples, imagens e conteúdo multimídia para pessoas que não liam ou mal dominavam o francês. Muitas bibliotecas agora estão optando por oferecer uma cultura menos legitimada, com revistas de celebridades, videogames, oficinas de conversação, treinamento de mídia social… Penso que, desde que admitamos que não há boas e más maneiras de ler, as bibliotecas, sem dúvida, continuarão a ser importantes atores no desenvolvimento da leitura. O que importa é caminhar em meio a um máximo de formas e formatos para que as pontes sejam criadas. É preciso dessacralizar a biblioteca, fazer retornar a dimensão divertida e prazerosa, criar ecos e cruzamentos entre as propostas culturais e documentais para que um adolescente que venha jogar videgame possa, talvez, deixar a biblioteca com o Conde de Monte Cristo. Mas se ele não o faz, não importa, ele terá encontrado outra coisa na biblioteca: simpatia, convívio, troca, diversão, inspiração … coisas tão importantes para a sua formação.

Qual é o problema mais urgente para as bibliotecas hoje? Alguma ideia de como resolvê-lo?

O mais urgente (além de ser apoiado financeiramente pelas autoridades públicas) é que as bibliotecas acompanhem a evolução da sociedade. É preciso que os profissionais da biblioteca sejam treinados para a evolução das práticas. Precisamos desenvolver nossas competências de relacionamento, pedagógicas e digitais. O treinamento me parece fundamental para mudar nossa mentalidade e imaginar a biblioteca do amanhã, uma biblioteca participativa, viva e conectada, que não tem mais exclusivamente o livro como centro de gravidade.

Tradução de Claudia Bozzo

Disponível em: <http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,a-biblioteca-do-futuro-nao-tera-o-livro-como-centro-de-gravidade-diz-melanie-archambaud,70002090284>. Acesso em: 4 dez. 2017.

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Bibliotecária do Centro Educacional Católica é premiada nos EUA

Yaciara Mendes Duarte ganhou honraria internacional por ter desenvolvido projetos inovadores na biblioteca da escola, localizada em Taguatinga

 postado em 22/10/2017 15:37

 Neyrilene Costa*

 

A brasiliense Yaciara Mendes Duarte, 29 anos, trabalha na Biblioteca Cora Coralina do Centro Educacional Católica de Brasília — que recebe alunos do ensino infantil ao médio — há  dois anos e trouxe para a capital federal um prêmio internacional. Trata-se do troféu Da Vinci Huis, oferecido desde 2010 a jovens bibliotecários que desenvolvem trabalhos inovadores pelo país. Graduada em biblioteconomia e mestre em ciências da informação pela Universidade de Brasília (UnB), ela foi reconhecida por introduzir projetos que despertem o hábito da leitura no ambiente de trabalho. Promoção de semanas temáticas (com presença de especialistas para falarem de autores) e datas comemorativas (no Dia dos Namorados, por exemplo, as bibliotecárias embrulham livros com papel de presente para que pegar uma obra emprestada se torne mais especial) estão entre as atividades que a levaram ao pódio.Outros projetos desenvolvidos por ela são o Sexta em jogo (nesses dias, games de tabuleiro são utilizados para que a biblioteca se torne um lugar de interação) e Encontre a sua Pokebola (por meio do qual objetos contendo vale-livros e prêmios foram escondidos pelo colégio para que os estudantes procurassem). Yaciara ganhou a honraria em Long Beach, na Califórnia, nos Estados Unidos, durante o 46º Congresso Anual da International Association of School Librarianship (IASL), no início de agosto. Esta foi a primeira vez que a brasiliense viajou para fora do país e teve os custos pagos pela organização do prêmio. Yaciara se encantou pela leitura e pelas bibliotecas ainda na infância, depois de ser alfabetizada, a partir de livros de receita, pela mãe, a aposentada Maria José Mendes. A paixão pelo ramo só cresceu e a motivou a querer trabalhar para incentivar crianças e adolescentes a gostarem de ler. Ao longo da carreria, cuidou do acervo bibliográfico da Faculdade Senac, do Centro Universitário Euroamericano (Unieuro), da Universidade Católica de Brasília (UCB), do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) e do Colégio La Salle.

Por que você decidiu ser bibliotecária? 
O que fez toda a diferença em minha vida foi minha mãe ter me possibilitado o prazer de ler. Minha relação com espaços dedicados à leitura começou quando eu era criança. Cresci em Samambaia e, atrás da minha casa, tinha uma biblioteca, a do Centro de Ensino Médio (CEM) 304. Foi nela que comecei a ler os clássicos da literatura e acessei pela primeira vez a internet. Fiquei apaixonada. Minha dissertação de mestrado — As representações sociais no ensino médio do Distrito Federal: a biblioteca escolar pública sob o olhar do estudante — refletiu isso.

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press

Como você se sentiu ao receber a condecoração Da Vinci Huis?
O sentimento foi de que não fiz mais que minha obrigação. Por mais que eu tenha ficado muito feliz, ainda não estou satisfeita: acho que o que fazemos e vivemos aqui na Cora Coralina deve ser levado para outras bibliotecas. O bibliotecário não deve só cuidar de livros e de atividades técnicas: temos que conquistar os leitores, os alunos. E, para entender do que os estudantes gostam, deve-se fazer pesquisas, compreender se eles apreciam jogos e vídeos, por exemplo, e utilizar isso para fortalecer o interesse deles.

 

Como foi participar do congresso nos Estados Unidos? 
Foi incrível! Passei 10 dias lá. Ter contato com outras vivências me fez ter certeza de que o caminho para melhores práticas na área tem que ser o de democratizar e desmistificar a leitura e a informação. Nosso papel nunca foi só o de emprestar livros. Pude perceber que, de fato, tem muitas pessoas fazendo a diferença na área, o que me deu gás para querer fazer mais pelos alunos.

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press

Como é o seu lugar de trabalho?
A biblioteca do Centro Educacional Católica tem quatro funcionárias: eu, a pedagoga Dulcilene Moreira, a bióloga Dayanne Oliveira e a auxiliar Valma Ferreira. Nosso acervo é de 7.590 obras e o espaço conta com 17 computadores. Em 2016, começamos a desenvolver as atividades das semanas temáticas e de integração. Com os projetos, houve grande aumento no número de frequentadores e na quantidade de livros emprestados entre julho deste ano (12 mil exemplares) e do anterior (10 mil). Este crescimento ocorreu entre alunos de todas as faixas etárias. Estamos conquistando os leitores identificando o interesse de cada frequentador.

Você acha que a sua profissão é reconhecida no Brasil? Por quê?
Ela não é: as pessoas não entendem o que fazemos. Existem poucos especialistas em biblioteconomia no país, o perfil da área é muito tecnicista, voltado para a preservação do acervo, o que acaba distanciando o profissional do público. A atitude diferenciada de desenvolver projetos atrativos deve ser reforçada pelas universidades e trabalhada por outras pessoas.

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press

Quais as qualidades de um bom profissional da sua área? 
Gostar de gente, de leitura, de informação e, principalmente, de ter contato com livros. O bibliotecário, dentro do espaço de leitura, se torna referência. Sempre ocorre de me perguntarem: O que você me indica para ler? Então, você tem que conhecer os perfis, as pessoas e as obras para fazer o trabalho de mediação. Uma das cinco leis da biblioteconomia, do indiano Shiyali Ramamritam (1892-1972), inclusive, diz “Todo leitor tem seu livro”.

Você quer deixar um recado para os leitores?

A biblioteca tem que estar a serviço da população. Temos que tirar da cabeça das pessoas a ideia de que é um lugar chato ou somente para indivíduos cultos. Eu e minha equipe tentamos mostrar aos alunos a necessidade do conhecimento para trilhar um caminho na sociedade, pois o mundo está em constante mudança e temos que acompanhar essas evoluções. O que acho mais incrível na biblioteca é que pensamentos antagônicos existem no mesmo lugar. E é disso que precisamos ultimamente: respeitar a diversidade de ideias sem agredir o outro.

 

* Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa

Disponível em: <http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/tf_carreira/2017/10/22/tf_carreira_interna,635456/bibliotecaria-do-centro-educacional-catolica-e-premiada-nos-eua.shtml>. Acesso em: 25 out. 2017.

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Lei obriga escolas a ter biblioteca, bibliotecário e um livro por aluno

Eleição Mesa Diretora - Foto Alberto Cesar Araujo/Aleam

O Projeto de Lei que obriga toda escola a ter biblioteca, bibliotecário e, no mínimo, um livro por aluno, de autoria do deputado estadual José Ricardo Wendling (PT), foi promulgado nesta quinta-feira (22) pelo plenário da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), passando a vigorar na data da publicação. A proposta institui o Programa Estadual de Universalização das Bibliotecas nas escolas do sistema de educação do Amazonas com acervo atualizado, o que, para o parlamentar, vai melhorar a qualidade na educação.

“Segundo o INEP e o Censo Escolar, apenas 19% das escolas do Amazonas tinham bibliotecas instaladas. O Amazonas é o 3º estado no País com o menor número de bibliotecas. Do total de 5.587 escolas, públicas e privadas, na capital e no interior, somente 1070 tinham bibliotecas. Uma vergonha! Nas fiscalizações que faço nas escolas em Manaus e no interior, muitas bibliotecas não estão funcionando, os livros estão jogados numa sala, não tem bibliotecário. Precisamos garantir o acesso à pesquisa”, expôs.

José Ricardo ressaltou que por esta falta de estímulo à leitura, muitos estudantes têm dificuldades na escrita, na elaboração e interpretação de textos, também é uma das razões dos baixos índices nos indicadores de qualidade da educação no estado. Este projeto está baseado na Lei Federal 12.244/2010, que prevê que até o ano de 2020 se instale bibliotecas em todas as escolas, e nelas tenha no acervo de livros no mínimo um título para cada aluno matriculado, o acesso às pessoas com deficiência, além de valorizar de bibliotecários por meio de concurso público.

Violência contra a Mulher

Outro Projeto de Lei do deputado aprovado pela Assembleia Legislativa foi o que institui “A Campanha Estadual de 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”. A propositura segue para sanção do Governo do Estado.

A campanha foi criada em 1991, por 23 feministas de diferentes países, reunidas pelo Centro de Liderança Global de Mulheres (CWGL), nos Estados Unidos, com intuito de educar a sociedade para erradicar esse tipo de violência e garantir os direitos humanos das mulheres. Em todo o mundo, a mobilização inicia no dia 25 de novembro, data conhecida como “Dia da Não Violência contra a Mulher”, em referência as irmãs Dominicanas, Pátria, Minerva e Maria Tereza, “Las Mariposas”, que lutavam por soluções de problemas sociais, mas foram perseguidas, presas e brutalmente assassinadas. E termina no dia 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos.

“A violência contra as mulheres ainda é uma triste realidade em nossa sociedade e, por isso, precisamos mobilizar essa mesma sociedade para que tome consciência sobre o respeito ao ser humano, independente de sexo, religião, cor, idade ou qualquer outra diferença. Temos que ensinar desde cedo as crianças e os adolescente o valor do respeitar ao próximo, tratando-os como gostaríamos de ser tratados. Não podemos aceitar nenhum ato que viole a dignidade da pessoa humana, seja a circunstância que for”, afirmou José Ricardo, presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Aleam.

Presidência

O deputado José Ricardo que defende uma Assembleia Legislativa independente registrou, na tarde desta quinta-feira, sua candidatura à presidência da Casa, apresentando 13 propostas. Apesar de não ter sido eleito, o parlamentar ressaltou que irá manter o diálogo o novo presidente da Casa e com toda a Mesa Diretora eleita, para contribuir com propostas que melhorem as condições de vida da sociedade amazonense.

 

Texto: Assessoria do Deputado

Cristiane Silveira — (92) 8816-1862 / 8209-7306

cristianesilveira.jornalista@gmail.com

Meg Rocha — (92) 3183-4388 / 9484 3264

meglrocha@gmail.com

Disponível em: <http://www.ale.am.gov.br/2016/12/23/lei-obriga-escolas-a-ter-biblioteca-bibliotecario-e-um-livro-por-aluno/>. Acesso em: 3 jan. 2017.

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Abaixo-assinado

São Paulo, 07 de novembro de 2008 – Edição Extra 48

BOB NEWS

BIBLIOTECÁRIOS E SIMPATIZANTES, ASSINEM A PETIÇÃO ONLINE

PARA CRIAÇÃO DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO PARA O ENSINO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Considerando a carência de políticas públicas para a área de bibliotecas escolares, que garantam a qualidade dos serviços oferecidos em todas as escolas da rede estadual de ensino e também a pertinência dos acervos disponibilizados, como condição básica ao processo de inclusão sócio-cultural da população estudantil, o Conselho Regional de Biblioteconomia está encabeçando abaixo-assinado para ser enviado ao governador José Serra solicitando a implantação de um Sistema de Informação para o Ensino Público do Estado de São Paulo, a criação de cargos de Bibliotecário e abertura de concurso público para preenchimento destes cargos.

Para fortalecer esta luta em prol da sociedade, assinem o abaixo-assinado eletrônico (de acordo com os passos a seguir) e divulguem aos seus familiares, amigos e todos os profissionais simpatizantes a esta causa.

Prazo: até 20.11.2008

O preenchimento é muito simples:

1) Clique no endereço: http://www.gopetition.com/online/23057.html

2) Leia a mensagem. Clique em “sign the petition” (= assine a petição). Assim que aberto, complete os dois dados obrigatórios: nome (first name) sobrenome (last name).
Os demais dados são opcionais (e-mail, endereço, cidade etc)

Você pode fazer um breve comentário (“short comments”) para fortalecer a discussão.

3) Digite o código de segurança que aparece na página aberta (letras e números coloridos).

4) Clique em “sign” (= assinar).

Pronto, seu nome estará inscrito no abaixo-assinado.

5) Para enviar para outras pessoas:
clique em “tell a friend” e mande o e-mail que se abrirá, solicitando que assine e divulgue para outros.

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I Encontro Nacional sobre Biblioteca Escolar – Ribeirão Preto (SP)

O curso de Ciências da Informaçaão e Documentação da USP-Ribeirão Preto realizará no dia 8/11, das 8h00 às 17h00, o I Encontro Nacional sobre Biblioteca Escolar. Mais informações estão disponíveis no folder abaixo e as inscrições podem ser realizadas no site do evento.

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