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Doria corta funcionamento 24h de biblioteca Mário de Andrade, no Centro de SP

Única biblioteca pública da cidade com funcionamento nas madrugadas voltará a ser fechada à noite a partir de segunda-feira (24).

Post no perfil da biblioteca informa o novo horário de funcionamento  (Foto: Reprodução/Facebook)

Post no perfil da biblioteca informa o novo horário de funcionamento (Foto: Reprodução/Facebook)

A Prefeitura de São Paulo decidiu encerrar o funcionamento ininterrupto da biblioteca Mario de Andrade, a segunda maior do País, no Centro de São Paulo. A partir de segunda-feira (24), ela começa a operar das 8h às 22h, de segunda a sexta-feira, e aos sábados e domingos, das 8h às 20h.

O espaço passou a funcionar 24 horas em outubro de 2015, durante a gestão do ex-prefeito Fernando Haddad. Em junho do ano seguinte, foi implementado o empréstimo de livros nas madrugadas . À época, a antiga direção da biblioteca investiu, também, em uma programação noturna no local.

A atual administração municipal afirma que a alteração irá gerar economia de custos estimada em R$ 800 mil no ano. A secretaria de Cultura alega que o corte foi definido “após analisar a frequência de público e o número de empréstimos e devoluções de livros, considerando que 97% dos mesmos acontecem entre 8h e 22h.”

Ainda de acordo com a pasta, entre os dias 18 e 24 de março, 409 frequentadores usaram a Biblioteca Circulante no período das 22h às 8h. No mesmo período, ao longo de 70 horas, foram realizados 217 empréstimos de livros.

Disponível em: <http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/doria-corta-funcionamento-24h-de-biblioteca-mario-de-andrade-no-centro-de-sp.ghtml>. Acesso em: 23 out. 2017.

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Charles Cosac é o novo diretor da Biblioteca Mário de Andrade

Editor, que criou a Cosac Naify, assume na próxima semana o cargo, ocupado até agora pelo professor Luiz Armando Bagolin

 Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

06 Janeiro 2017 | 16h48

O editor Charles Cosac foi escolhido pelo novo secretário de Cultura do município, André Sturm, para dirigir a Biblioteca Mário de Andrade no lugar do ex-diretor Luiz Armando Bagolin, professor da USP de quem Cosac se tornou amigo e que chegou a propor ao editor a curadoria de exposições na instituição, conforme revelou Cosac, por telefone, ao Caderno 2. “Tínhamos um encontro marcado para discutir um primeiro projeto de exposição quando ele saiu”, disse. “Espero continuar o trabalho que ele fez na biblioteca, que comecei a frequentar quando voltei ao Brasil, nos anos 1990,  e estava morando num edifício da avenida São Luiz, ao lado dela.

O novo secretário de Cultura, André Sturm, concorda com a avaliação de Cosac sobre o trabalho de Bagolin. “Ele deve voltar às atividades da universidade e eu precisava de uma pessoa familiarizada com o universo do livro e com o perfil de um animador cultural como o Charles, com o qual trabalhei durante o episódio da doação dos livros do estoque remanescente de sua editora, intermediada pelo Museu da Imagem e do Som (MIS)”. Sturm, como se sabe, era diretor do museu antes de ser convidado pelo governo Doria para assumir a pasta da Cultura.

Foto: Gabriela Biló/Estadão
Charles Cosac é o novo diretor da Biblioteca Mário de Andrade

 Charles Cosac, o novo diretor da Biblioteca Mário de Andrade: “ousadia e cidadania”

 Não há projetos de mudança radical na estrutura da biblioteca, segundo adiantou o secretário. “Talvez  alguma reforma pequena, pois a grande reforma já foi feita na época do Calil”, justifica. Com um acervo de 4 milhões de livros e um orçamento anual de R$ 9 milhões, a Biblioteca Mário de Andrade passou na gestão de Bagolin a abrir 24 horas por dia, conquistando um novo público ao promover exposições importantes de artistas brasileiros – a mais recente, do gravador Lívio Abramo – e estrangeiros, shows de música e sessões de cinema.

“Charles (Cosac) foi o primeiro nome em que pensei para substituir Bagolin, tanto por suas qualidades como editor como pela ousadia, bom gosto e vontade de servir à cidade”, resumiu Sturm.

Cosac, como se sabe, criou a editora Cosac Naify, que se tornou referência no mercado editorial pela edição de livros de arte, especialmente monografias dedicadas a artistas contemporâneos e coleções – como Espaços da Arte Brasileira – que ajudaram a entender a trajetória de grandes nomes como Aleijadinho e Volpi. Fechada em novembro de 2015 por decisão de Cosac, seu estoque foi comprado pela Amazon, que continua comercializando seus títulos.

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Biblioteca transformada

Como Luiz Armando Bagolin, diretor da Biblioteca Mario de Andrade, mudou o modelo de gestão da instituição

Biblioteca Mário de Andrade: diretor explica as estratégias que levaram a biblioteca a se tornar referência na América Latina | <i>Crédito: Germano Lüders
Biblioteca Mário de Andrade: diretor explica as estratégias que levaram a biblioteca a se tornar referência na América Latina | Crédito: Germano Lüders
O filósofo Luiz Armando Bagolin assumiu a Biblioteca Mario de Andrade (BMA), em São Paulo, em 2013 com o desafio de solucionar problemas pontuais de gestão – como a infestação de fungos e o roubo de obras do acervo – e, também, com o objetivo de transformar a BMA em um local mais atraente para o público. Uma das soluções foi ampliar o horário de funcionamento da biblioteca, que hoje fica aberta 24 horas por dia, todos os dias da semana. Em entrevista para a VOCÊ S/A, o diretor explica as estratégias que levaram a Mario de Andrade a se tornar referência na América Latina e a ter um crescimento no número de atendimentos.
Como foi assumir a Biblioteca Mario de Andrade? 
Eu cheguei à  biblioteca em 2013 como parte de um acordo entre a Universidade de São Paulo, da qual sou professor de filosofia, e a Prefeitura de São Paulo. A minha indicação não foi política. E eu, como professor, não tinha nenhuma experiência administrativa. Cheguei na biblioteca e encontrei muitos problemas. Havia uma infestação de fungos atingindo 80% do acervo. O inventário não era feito desde 1968. Obras tinham sido foram roubadas. Com o objetivo de otimizar e racionalizar soluções, eu dividi a lista de problemas em questões de estrutura, administração e gestão. As duas primeiras foram atacadas imediatamente. E, para atacar a terceira, percebemos que a Mario de Andrade, sendo a segunda maior biblioteca do país, perdendo só para a Biblioteca Nacional, do Rio de Janeiro, estava desconectada do mundo de grandes bibliotecas públicas, com as de Nova York, Paris e Londres. Eu passei a fazer aquilo que eu estou acostumado: fui estudar esses cases. Então, começamos a pensar em um modelo de gestão em que a biblioteca pública tem que estar em consonância do que é feito do mundo. A gestão tinha que ser repensada para redirecionar os problemas administrativos e isso nos daria um horizonte para sustentabilidade da Mario de Andrade.
Quais as dificuldades para implantar o novo modelo de gestão? 
As pessoas tendem a ser reativas a mudanças, só reagem depois do problema ter acontecido. Uma notícia que ficou famosa é que, no Japão, em uma semana eles cobriram uma cratera [de 15 metros de profundidade]. Mas só fazem isso porque eles têm planejamento. No serviço público municipal brasileiro, isso não existe. As pessoas não têm planeamento nenhum e as coisas funcionam na inércia. Para tentar melhorar nossa atuação, fizemos uma avaliação de como as grandes públicas do mundo são geridas, mas não dá para importar modelo. A biblioteca britânica tem orçamento anual de 1 bilhão de libras esterlinas, quase, e eles atendem 1 milhão de pessoas. No caso da BMA, o orçamento é de 11 milhões de reais e atendemos 500 000 pessoas. E eu nem sei ainda dizer qual será o orçamento do ano que vem. Mandamos as necessidades para a prefeitura, mas em geral, quando a economia vai bem, é a última área a ser lembrada e quando vai mal é a primeira a ser cortada porque é vista como supérfluo – e dentro da área cultural, as bibliotecas são esquecidas.
De onde tiraram a ideia de deixar a biblioteca funcionando por 24 horas? 
A gente percebeu que a Mario de Andrade tem um perfil: não é uma biblioteca acadêmica, é uma biblioteca exemplar no Brasil em termos de atendimento ao público. Não tem nenhuma biblioteca na América Latina que seja melhor em atendimento – em escala ou qualidade. Precisávamos explicitar e melhorar a qualidade desse perfil. Aí começou o projeto para torna-la (sic) 24 horas. Isso não nasce da percepção de uma carência, nasce da observação da potencialidade. O planejamento para isso levou um ano. Tivemos que mudar todo o conceito da gestão.
O que mudou no trabalho dos profissionais da Mario de Andrade? 
Em primeiro lugar a biblioteca tinha que ter uma aquisição de novas plataformas tecnológicas, uma delas foram as máquinas de autoatendimento, necessárias porque a BMA teria que funcionar sem servidores a partir das 22h – pela lei, funcionários públicos que não atuam nas áreas de saúde e segurança só podem trabalhar até esse horário.  Com esse maquinário, que veio da Suíça, o trabalho mecânico dos bibliotecários foi substituído por plataformas de autoatendimento. Você nem precisa de carteirinha, com comprovante de endereço e identidade, é só pegar o livro na máquina e devolver o livro em outra máquina. Isso mudou o perfil dos profissionais. O funcionário padrão era alguém que guardava os livros, não estava treinado em ter contato com o público. Na prefeitura ele está acomodado a uma situação em que não é interpelado a exercer outro tipo de atividade na qual não está acostumado. Tivemos que motivá-los a mudar o perfil, atuar mais em um trabalho mais especializado de atendimento à pesquisa. Ele está familiarizado com o acervo, por exemplo, e tem, agora uma atuação mais consultiva. Demos mais autonomia aos usuários e o bibliotecário faz, agora, o trabalho para o qual ele estudou.

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