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G1 mostra como são conservados e restaurados livros ‘eternos’

Biblioteca Nacional, no Rio, tem livros guardados em cofre.
‘Livro das horas’ e outras preciosidades possuem mais de 500 anos.

[acesse aqui o vídeo disponível na notícia]

A 17ª Bienal do Livro do Rio, que será aberta na próxima quinta-feira (3) no Riocentro, na Zona Oeste, contará com o lançamento de mais de mil livros. A cerca de 37km dali, alheios  às novidades do mercado, alguns exemplares, por conta de sua raridade, são guardados em cofres com temperatura de umidades controladas e tratados como joias.

O G1 foi até a Biblioteca Nacional, no Centro do Rio, mostrar como funciona o trabalho de restauração e manutenção dessas obras especiais.

Os exemplares que precisam de reparos são levados para o Laboratório de Restauração, onde os técnicos utilizam materiais e máquinas importados para fazer com que obras degradadas pela ação de agentes como a maresia, poluição, insetos, umidade, temperatura e a mão do homem ganhem vida novamente.

Um dos livros que passa pelo processo de restauração é “Máximas Espirituaes”, de Affonso dos Prazeres, de 1740, que passa pelos cuidados dos especialistas da Biblioteca Nacional. Dentro deste processo, o livro é desmontado para ser recuperado. “É feita uma polpa de papel e a gente coloca em uma máquina e reconstitui toda a parte faltante onde o inseto comeu,” afirma Fernando Amaro, chefe da equipe responsável pela restauração.

Prevenção
Para que não precisem ser restaurados, livros, documentos e mapas passam por um trabalho preventivo. Para definir o que é raro, a Biblioteca Nacional não leva em questão somente a antiguidade, mas também se é única, inédita, se faz parte de alguma edição especial e possua algo que a diferencie de outras, como um autógrafo, por exemplo. Cada obra considerada rara é limpa individualmente, página a página, com um pincel em uma mesa, que se parece com uma escrivaninha, que “suga” a poeira.

No laboratório, é possível monitorar as condições de armazenamento em cada um dos setores da Biblioteca Nacional. Cada ambiente possui um sensor e um programa gerencia a qualidade do ambiente e indica quais são as condições de temperatura e umidade na qual os livros estão armazenados.

As obras, sejam elas raras ou não, são embaladas de maneira sob medida para que estejam preservadas dos agentes externos que possam danificá-los.”O objetivo é proteger os cortes do livro. Protegê-los da poeira para evitar que ela se deposite, que é um fator que faz com que o livro se degrade muito mais rápido”, conta Gilvânia Lima, chefe do Centro de Conservação e Encadernação. As obras mais raras possuem uma caixa em outro modelo, também sob medida, que as isolam totalmente do contato com o ambiente externo.

Dois dos livros de horas que fazem parte do acervo da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Cada um deles foi feito à mão por volta de 1460, na região de Flandres. (Foto: Cristina Boeckel/ G1)
Dois dos livros de horas que fazem parte do acervo da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Cada um deles foi feito à mão por volta de 1460, na região de Flandres. (Foto: Cristina Boeckel/ G1)

Mais de 555 anos
Um destes livros eternos é um exemplar que faz parte da coleção dos chamados “livros de horas” medievais, que possuíam orações que deveriam ser feitas em cada uma das horas canônicas, ou seja, determinados horários do dia e da noite. São oito exemplares que ficam guardados dentro de um cofre climatizado. Por medida de segurança, não é possível fazer imagens do lugar, que não está aberto ao público. Estes livros são tão raros e valiosos que não possuem valor de mercado. Os ambientes onde permanecem são monitorados e possuem segurança redobrada.

Contar a história da origem de cada uma destas obras praticamente daria um outro livro. O exemplar que ilustra esta matéria foi feito à mão, por volta de 1460, possivelmente em um ateliê na região de Bruges, na antiga Flandres, atualmente território da Bélgica. Ou seja, o livro é mais antigo do que a própria chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500. Como a leitura era quase que exclusividade dos nobres e um livro como este era caro, provavelmente foi confeccionado para um membro da realeza.

O livro passou por destinos desconhecidos até chegar às mãos de uma figura conhecida dos livros de história: o Marquês de Pombal. No século XVIII, ele mandou encadernar o livro com uma capa com os seus brasões, conservada até hoje. Depois, o livro foi dado à Família Real Portuguesa. Com ela, a obra chegou ao Brasil, em 1808. Dois anos depois, passou a fazer parte do primeiro núcleo de livros, mapas e outros documentos do acervo da Biblioteca Nacional.

As páginas foram feitas de pergaminho, pele de animal usada na escrita desde a Antiguidade até a difusão do papel, com a imprensa. Como o material é mais resistente, isso teria ajudado a obra a chegar aos dias de hoje. Uma tinta feita à base de ouro decora as páginas, fazendo com que elas brilhem quando são expostas à luz.

Apesar do público não ter acesso aos originais, existem cópias que estão disponíveis para o público. “Quem precisa consultar pode ter acesso a fac-símiles, que foram produzidos com cuidado com este objetivo”, afirma Vera Faillace, chefe da Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional.

Além dos livros de horas, a Biblioteca Nacional conta com outros exemplares raros que contam com os mesmos cuidados. Entre eles estão a única cópia no país da Bíblia de Mogúncia, ou Bíblia de Gutenberg, de 1462; a primeira edição dos Lusíadas, de Camões, de 1572; e a primeira edição da Arte da gramática da língua portuguesa, escrita pelo Padre Anchieta.

Livro é recuperado por restaurador, após ser retirado de máquina onde ele recebe uma polpa feita de celulose para recuperar espaços danificados por traças. (Foto: Cristina Boeckel/ G1)
Livro é recuperado por restaurador.
(Foto: Cristina Boeckel/ G1)

Modernização
A preservação do passado caminha ao lado do futuro. A Biblioteca nacional é a terceira maior do mundo nas redes sociais. Atualmente a página da instituição no Facebook conta com mais de 181 mil curtidas. No Twitter, o local conta com mais de 94 mil seguidores. Nas duas redes sociais só perde para a Biblioteca do Congresso dos EUA e para a Biblioteca de Nova York.

Toda a aparelhagem para que os nove milhões de livros, gravuras e documentos da Biblioteca Nacional sejam preservados fazem parte de um esforço para que a história permaneça viva, como afirma Fernando Amaro, chefe do Laboratório de Restauração.

“A necessidade de restaurar um documento de 200, 300 e 400 anos é dar vida novamente àquilo. E quando ele se perde, ali se perde a história. Então você consegue fazer com que um historiador diga o que nós fazíamos, o que comíamos, como era aquela época. Mais importante do que a restauração é a preservação”, resume o restaurador.

Disponível em: <http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/09/g1-mostra-como-sao-conservados-e-restaurados-livros-eternos.html>. Acesso em: 1 set. 2015.

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G1 mostra como são conservados e restaurados livros 'eternos'

Biblioteca Nacional, no Rio, tem livros guardados em cofre.
‘Livro das horas’ e outras preciosidades possuem mais de 500 anos.

[acesse aqui o vídeo disponível na notícia]

A 17ª Bienal do Livro do Rio, que será aberta na próxima quinta-feira (3) no Riocentro, na Zona Oeste, contará com o lançamento de mais de mil livros. A cerca de 37km dali, alheios  às novidades do mercado, alguns exemplares, por conta de sua raridade, são guardados em cofres com temperatura de umidades controladas e tratados como joias.

O G1 foi até a Biblioteca Nacional, no Centro do Rio, mostrar como funciona o trabalho de restauração e manutenção dessas obras especiais.

Os exemplares que precisam de reparos são levados para o Laboratório de Restauração, onde os técnicos utilizam materiais e máquinas importados para fazer com que obras degradadas pela ação de agentes como a maresia, poluição, insetos, umidade, temperatura e a mão do homem ganhem vida novamente.

Um dos livros que passa pelo processo de restauração é “Máximas Espirituaes”, de Affonso dos Prazeres, de 1740, que passa pelos cuidados dos especialistas da Biblioteca Nacional. Dentro deste processo, o livro é desmontado para ser recuperado. “É feita uma polpa de papel e a gente coloca em uma máquina e reconstitui toda a parte faltante onde o inseto comeu,” afirma Fernando Amaro, chefe da equipe responsável pela restauração.

Prevenção
Para que não precisem ser restaurados, livros, documentos e mapas passam por um trabalho preventivo. Para definir o que é raro, a Biblioteca Nacional não leva em questão somente a antiguidade, mas também se é única, inédita, se faz parte de alguma edição especial e possua algo que a diferencie de outras, como um autógrafo, por exemplo. Cada obra considerada rara é limpa individualmente, página a página, com um pincel em uma mesa, que se parece com uma escrivaninha, que “suga” a poeira.

No laboratório, é possível monitorar as condições de armazenamento em cada um dos setores da Biblioteca Nacional. Cada ambiente possui um sensor e um programa gerencia a qualidade do ambiente e indica quais são as condições de temperatura e umidade na qual os livros estão armazenados.

As obras, sejam elas raras ou não, são embaladas de maneira sob medida para que estejam preservadas dos agentes externos que possam danificá-los.”O objetivo é proteger os cortes do livro. Protegê-los da poeira para evitar que ela se deposite, que é um fator que faz com que o livro se degrade muito mais rápido”, conta Gilvânia Lima, chefe do Centro de Conservação e Encadernação. As obras mais raras possuem uma caixa em outro modelo, também sob medida, que as isolam totalmente do contato com o ambiente externo.

Dois dos livros de horas que fazem parte do acervo da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Cada um deles foi feito à mão por volta de 1460, na região de Flandres. (Foto: Cristina Boeckel/ G1)
Dois dos livros de horas que fazem parte do acervo da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Cada um deles foi feito à mão por volta de 1460, na região de Flandres. (Foto: Cristina Boeckel/ G1)

Mais de 555 anos
Um destes livros eternos é um exemplar que faz parte da coleção dos chamados “livros de horas” medievais, que possuíam orações que deveriam ser feitas em cada uma das horas canônicas, ou seja, determinados horários do dia e da noite. São oito exemplares que ficam guardados dentro de um cofre climatizado. Por medida de segurança, não é possível fazer imagens do lugar, que não está aberto ao público. Estes livros são tão raros e valiosos que não possuem valor de mercado. Os ambientes onde permanecem são monitorados e possuem segurança redobrada.

Contar a história da origem de cada uma destas obras praticamente daria um outro livro. O exemplar que ilustra esta matéria foi feito à mão, por volta de 1460, possivelmente em um ateliê na região de Bruges, na antiga Flandres, atualmente território da Bélgica. Ou seja, o livro é mais antigo do que a própria chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500. Como a leitura era quase que exclusividade dos nobres e um livro como este era caro, provavelmente foi confeccionado para um membro da realeza.

O livro passou por destinos desconhecidos até chegar às mãos de uma figura conhecida dos livros de história: o Marquês de Pombal. No século XVIII, ele mandou encadernar o livro com uma capa com os seus brasões, conservada até hoje. Depois, o livro foi dado à Família Real Portuguesa. Com ela, a obra chegou ao Brasil, em 1808. Dois anos depois, passou a fazer parte do primeiro núcleo de livros, mapas e outros documentos do acervo da Biblioteca Nacional.

As páginas foram feitas de pergaminho, pele de animal usada na escrita desde a Antiguidade até a difusão do papel, com a imprensa. Como o material é mais resistente, isso teria ajudado a obra a chegar aos dias de hoje. Uma tinta feita à base de ouro decora as páginas, fazendo com que elas brilhem quando são expostas à luz.

Apesar do público não ter acesso aos originais, existem cópias que estão disponíveis para o público. “Quem precisa consultar pode ter acesso a fac-símiles, que foram produzidos com cuidado com este objetivo”, afirma Vera Faillace, chefe da Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional.

Além dos livros de horas, a Biblioteca Nacional conta com outros exemplares raros que contam com os mesmos cuidados. Entre eles estão a única cópia no país da Bíblia de Mogúncia, ou Bíblia de Gutenberg, de 1462; a primeira edição dos Lusíadas, de Camões, de 1572; e a primeira edição da Arte da gramática da língua portuguesa, escrita pelo Padre Anchieta.

Livro é recuperado por restaurador, após ser retirado de máquina onde ele recebe uma polpa feita de celulose para recuperar espaços danificados por traças. (Foto: Cristina Boeckel/ G1)
Livro é recuperado por restaurador.
(Foto: Cristina Boeckel/ G1)

Modernização
A preservação do passado caminha ao lado do futuro. A Biblioteca nacional é a terceira maior do mundo nas redes sociais. Atualmente a página da instituição no Facebook conta com mais de 181 mil curtidas. No Twitter, o local conta com mais de 94 mil seguidores. Nas duas redes sociais só perde para a Biblioteca do Congresso dos EUA e para a Biblioteca de Nova York.

Toda a aparelhagem para que os nove milhões de livros, gravuras e documentos da Biblioteca Nacional sejam preservados fazem parte de um esforço para que a história permaneça viva, como afirma Fernando Amaro, chefe do Laboratório de Restauração.

“A necessidade de restaurar um documento de 200, 300 e 400 anos é dar vida novamente àquilo. E quando ele se perde, ali se perde a história. Então você consegue fazer com que um historiador diga o que nós fazíamos, o que comíamos, como era aquela época. Mais importante do que a restauração é a preservação”, resume o restaurador.

Disponível em: <http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/09/g1-mostra-como-sao-conservados-e-restaurados-livros-eternos.html>. Acesso em: 1 set. 2015.

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Biblioteca Nacional promove divulgação de lei que exige envio de publicações à Instituição

A Biblioteca Nacional (BN) está intensificando, desde o início deste mês, a divulgação da lei de Depósito Legal, sancionada em 2004, e modificada no ano passado, que tem como objetivo exigir a remessa à BN de pelo menos um exemplar de todas as publicações produzidas no Brasil.
De acordo com a chefe da Divisão de Depósito Legal da BN, Daniele Del Giudice, nesse primeiro momento a Biblioteca Nacional pretende ampliar seu acervo referente à literatura de cordel, uma vez que atualmente a Instituição possui aproximadamente dois mil exemplares de cordéis, um número considerado insatisfatório. “O cordel representa uma importante parte da nossa cultura, e a quantidade que temos hoje desse tipo de publicação é muito pequena, considerando a dimensão do nosso país, por isso a importância desse programa de divulgação da lei”, explica.
Segundo Daniele Del Giudice, a Divisão de Depósito Legal se reuniu com a Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) buscando parceria para que a entrega dos cordéis à BN seja ampliada. “Nós estamos criando essa parceria para contribuir com essa campanha que é maravilhosa, mas também muito trabalhosa. A divulgação já vem surtindo efeito”, conta.
Para cumprir o que determina a lei, o autor precisa somente encaminhar à BN, no mínimo, um exemplar de cada obra escrita por ele. “No caso dos cordéis, também é necessário enviar um exemplar de cada folheto. Qualquer pessoa pode encaminhar sua publicação à Biblioteca. E nós estamos também entrando em contato com as editoras que publicam cordéis. Nossa intenção é formar a Coleção Memória Nacional, e preservar a história literária do país”, destaca Daniele Del Giudice, acrescentando: “Junto com a obra, o autor também deve anexar seu e-mail, para que possamos emitir um recibo eletrônico”, esclarece.
A lei de Depósito Legal isenta da obrigatoriedade de encaminhar à Biblioteca Nacional exemplares das seguintes publicações: Materiais com fins publicitários; Cartazes de material de propaganda; Publicações em xerox do original publicado; Calendários/ Cadernetas escolares; Agendas; Recortes de jornais; Obras não editadas; Folders/Convites e Monografias/Teses universitárias(sendo de competência das universidades de origem, a preservação e tratamento desse tipo de publicação).
Os autores que pretendem encaminhar exemplares de suas obras ao BN, devem endereçar as publicações para: Fundação Biblioteca Nacional- Depósito Legal, avenida Rio Branco, 219, 3° Andar, Centro, CEP – 20040-008 – Rio de Janeiro/RJ.

Disponível em: <http://www.omossoroense.com.br/universo/80-universo/11089-biblioteca-nacional-promove-divulgacao-de-lei-que-exige-envio-de-publicacoes-a-instituicao>. Acesso em: 3 dez. 2011.

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Os segredos da Biblioteca

A Nacional completa 200 anos com acervo em que uma só obra vale até R$ 9 milhões

 Rio – Principal guardiã da memória do Brasil e zeladora de 9 milhões de obras, a Biblioteca Nacional comemora 200 anos na próxima sexta-feira com muita história e segredos a contar. Junto a manuscritos e documentos centenários — boa parte trazida pela Família Real, em 1808 —, a instituição guarda relíquias: cartas de D. Pedro I à amante, peças únicas no mundo e livros decorados com ouro. Todo o acervo é monitorado por criterioso esquema de segurança, capaz de visualizar até o que o visitante escreve.

Foto: João Laet / Agência O Dia
Em média, a blbioteca recebe 150 obras por dia das editoras | João Laet / Agência O Dia

Andar pela Biblioteca Nacional equivale a uma viagem no tempo com estações por todas as épocas da História. Para desfrutar do local, porém, o usuário só pode levar lápis e papel. Bolsa deve ser guardada em armários e celular, só no modo silencioso.

Setor onde o acesso é o mais restrito, a Divisão de Obras Raras guarda as peças impressas mais valiosas da instituição, algumas de quase R$ 9 milhões. Entre as ‘joias’ está a Bíblia de Mogúncia, primeiro impresso que contém data, lugar de impressão e nome do impressor. Segundo a chefe do departamento, Ana Virgínia Pinheiro, uma universidade norte-americana ofereceu um prédio por um exemplar da obra, mas a instituição recusou a proposta. A Biblioteca tem dois exemplares, cada um com dois volumes.

Por ter valor incalculável, a Bíblia fica guardada em um dos três cofres do setor, cujo segredo é conhecido por apenas um funcionário. O livro ‘Os Lusíadas’, de Luís de Camões, também está trancafiado. O acesso às obras raras não é proibido, mas o pesquisador precisa de uma boa justificativa para explorar o local. “O usuário deve comprovar que o objeto de estudo necessita das obras raras. Quando o cofre é aberto, a equipe de segurança é avisada e fica alerta”, explica.

Livros de Santo Agostinho censurados na época da Inquisição, além de obras eróticas, com histórias ‘picantes’ integram o setor. Na época da ditadura no Brasil, muitas obras passíveis de censura foram ‘exiladas’ no setor. Bibliotecários esconderam os livros ali, porque a seção não era vistoriada pelos censores.
Segundo Ana Virgínia, obras produzidas até 1720 são consideradas raras, independentemente do assunto. Livros com capas trabalhadas artisticamente também integram o rol.

3 milhões de títulos

O espaço que concentra mais livros, com 3 milhões de obras, é o Salão de Leituras, frequentado, principalmente, por estudantes. Há 14 anos na Biblioteca, Ivone Lacerda Ribeiro conta que os temas mais procurados são Português e Direito, porém, assuntos inusitados também levam leitores à instituição. “Principalmente às sextas, livros de Kama Sutra, magia negra e macumba são muito pedidos”, relata.

Trajetória começou em um hospital da Praça 15

Considerada a maior da América Latina e 8ª maior do Mundo, a Biblioteca Nacional foi fundada em 29 de outubro de 1810 em um hospital próximo à Praça 15. De lá, foi para o prédio que abriga a Escola de Música da UFRJ, na Lapa, onde permaneceu até outubro de 1910, quando o atual edifício, na Avenida Rio Branco, foi concluído.

As raridades, cuidadosamente armazenadas, são separadas da seguinte forma: Obras Gerais (trabalhos acadêmicos e folhetos para pesquisa imediata), Periódicos (jornais, revistas e Diário Oficial), Iconografia (desenhos e fotos), Manuscritos (documentos feitos à mão), Cartografia (mapas) e Música (discos e partitura).

No setor de manuscritos está a obra mais antiga da Biblioteca: um manuscrito em grego, dos 4 Evangelhos, do século 11 ou 12. Na seção, é possível ver cartas de D. Pedro I à amante, Marquesa de Santos, a sentença de Tiradentes e a carta de Abertura dos Portos.

Disponível em: <http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2010/10/os_segredos_da_biblioteca_119306.html?utm_source=EasyMailing&utm_medium=e-mail&utm_term=SNBU&utm_content=SNBU&utm_campaign=Padr%E3o>. Acesso em: 6 nov. 2010.

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Biblioteca Nacional: 200 anos!

Fonte: http://www.bn.br

A Biblioteca Nacional do Brasil comemora seus 200 anos. Considerada pela Unesco como uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo, neste ano, a instituição comemora, também, o centenário de fundação do prédio, localizado na Cinelândia, no Rio de Janeiro. Sob sua guarda, somam-se mais de 9 milhões de obras. Centenas de pesquisadores, estudantes, turistas, passam diariamente pelo prédio. Para comemorar, vai inaugurar, no dia 3 de novembro, a exposição Biblioteca Nacional 200 anos: Uma defesa do infinito.

O início da trajetória da Biblioteca está ligado a um dos mais decisivos momentos da história do país: a transferência de toda a família real e da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, quando da invasão de Portugal pelas forças de Napoleão Bonaparte, em 1808.

O acervo trazido para o Brasil, de 60 mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas, foi inicialmente acomodado numa das salas do Hospital do Convento da Ordem Terceira do Carmo, na Rua Direita, hoje Rua Primeiro de Março. Em 29 de outubro de 1810, um decreto do Príncipe Regente determinou que o lugar acomodasse a Real Biblioteca e instrumentos de física e matemática. A data de 29 de outubro de 1810 é considerada oficialmente como a da fundação da Real Biblioteca que, no entanto, só foi franqueada ao público em 1814.

Quando, em 1821, a Família Real regressou a Portugal, D. João VI levou de volta grande parte dos manuscritos do acervo. Depois da Proclamação da Independência, a aquisição da Biblioteca Real pelo Brasil foi regulada, mediante a Convenção Adicional ao Tratado de Paz e Amizade celebrado entre o Brasil e Portugal, em 29 de agosto de 1825.

O prédio atual da FBN teve sua pedra fundamental lançada em 15 de agosto de 1905 e foi inaugurado cinco anos depois, em 29 de outubro de 1910. O prédio foi projetado pelo General Francisco Marcelino de Sousa Aguiar, e a construção foi dirigida pelos engenheiros Napoleão Muniz Freire e Alberto de Faria. As instalações do novo edifício correspondiam na época de sua inauguração a todas as exigências técnicas: pisos de vidro nos armazéns, armações e estantes de aço com capacidade para 400.000 volumes, amplos salões e tubos pneumáticos para transporte de livros dos armazéns para os salões de leitura. Essas instalações são eficientes e até hoje encontram-se em uso.

Exposição

A Biblioteca Nacional abre ao público, no dia 3 de novembro, a exposição Biblioteca Nacional 200 Anos: Uma Defesa do Infinito. Uma fantástica seleção de duzentas peças originais exibirá algumas das maiores preciosidades e curiosidades sob guarda da instituição. A curadoria é do escritor Marco Lucchesi.

A exposição exibe a história da Biblioteca, desde sua viagem para o Brasil, com a Corte Portuguesa, em 1808, até os dias de hoje, e faz um passeio sobre o acervo de livros, manuscritos, periódicos, pinturas, partituras musicais, entre outras peças ligadas ao acervo.

Em destaque, a Bíblia de Mogúncia (1462), impressa por ex-sócios de Gutemberg, criador da imprensa; um Livro de Horas (livro de orações) da Idade Média, com pinturas a ouro; a primeira edição de Os Lusíadas, de Luís de Camões; A menina do narizinho arrebitado, de 1920, de Monteiro Lobato; peças que integram a Coleção Teresa Cristina Maria, doada à instituição por D. Pedro II; edições de periódicos como a revista Tico Tico e O Pasquim; manuscritos de Clarice Lispector, Raul Pompéia, Castro Alves, Graciliano Ramos e Carlos Drummond de Andrade; a ópera O Guarani (1871), de Carlos Gomes; mapas, entre tantas outras peças do acervo.

No terceiro andar da Biblioteca, uma exposição especial conta a história do edifício, fundado em 1910.

“Biblioteca Nacional 200 anos: Uma defesa do infinito”

Biblioteca Nacional (Rua México, s/nº – Centro – Rio de Janeiro/RJ. Tel.: 21 3095-3879

Visitação: 03 de novembro a 25 de fevereiro

Segunda a Sexta, 10h às 17h

Sábado, 10h às 15h

Entrada gratuita

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MPOG autoriza concurso público para CNPq e Biblioteca Nacional

O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) autorizou, por meio da portaria nº 423, de 15 de outubro, a realização
de concurso público para o provimento de 95 cargos, a partir de janeiro de 2011, do quadro pessoal do CNPq.

Serão 46 vagas para analista em Ciência e Tecnologia e 49 para assistente em Ciência e Tecnologia. Os candidatos aprovados em
concurso público substituirão 188 trabalhadores terceirizados.

O MPOG também autorizou, por meio da portaria nº 424, a realização de concurso público para o provimento de 44 cargos do
quadro de pessoal da Fundação Biblioteca Nacional.

O provimento dos cargos, que ocorrerá a partir de maio de 2011, terá como contrapartida a extinção de 44 postos de trabalho
terceirizados. As vagas são para assistente administrativo, assistente técnico e auxiliar de documentação.

As portarias estão disponíveis no link abaixo.
http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=69&data=18/10/2010

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TCU x Ex-Presidente da Biblioteca Nacional

http://moglobo.globo.com/integra.asp?txtUrl=/rio/mat/2010/10/05/ex-presidente-da-biblioteca-nacional-multado-pelo-tcu-por-negligencia-em-caso-de-furto-de-fotos-raras-922715676.asp

Ex-presidente da Biblioteca Nacional é multado pelo TCU por negligência em caso de furto de fotos raras

05/10 às 23h27 Rafael D’Angelo

RIO – O bibliófilo Pedro Corrêa do Lago, ex-presidente da Biblioteca Nacional, e a ex-coordenadora geral de planejamento da instituição Maria da Glória Lopes Pereira foram multados em R$ 36 mil cada um pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e proibidos de exercer cargos em comissão no serviço público federal por oito anos. Os dois tiveram as contas de 2005 julgadas irregulares pelo TCU, por conta do furto, em julho daquele ano, de 991 fotos raras do acervo da biblioteca, avaliadas em R$ 7,55 milhões. Segundo o tribunal, houve negligência dos gestores ao não investirem em segurança.
Maria da Glória Lopes Pereira não foi encontrada para comentar o assunto. Pedro Corrêa do Lago está em viagem no exterior, mas segundo seu advogado, Raphael Duarte, vai recorrer da decisão.
– O STJ entende que só deve haver condenação quando o gestor age com intenção, o que não foi o caso. Ele comunicou o furto e tomou todas as providências cabíveis. Além disso, o furto foi durante a greve dos servidores, quando a segurança estava fragilizada. Há uma perseguição política ao Pedro Corrêa do Lago – afirmou o advogado.
Atualmente, segundo a diretora do Centro de Referência e Difusão, Mônica Rizzo, o levantamento das obras de arte na biblioteca é realizado de forma continuada.
No ano passado, a Divisão de Iconografia, de onde as fotos foram furtadas, ficou fechada de julho a dezembro para que fosse realizado o inventário das imagens e obras do acervo. Ainda segundo Mônica, desde 2006 um novo sistema de monitoramento foi implantado, em um projeto que custou R$ 1,7 milhão, com câmeras, sensores de movimento e central de monitoramento.
Acusados pelo furto respondem em liberdade.
As 991 fotos foram furtadas em 20 de julho de 2005, incluindo imagens capturadas por Marc Ferrez, fotógrafo oficial da Corte. Em outubro de 2007, cinco acusados pelo furto foram presos quando iam roubar a Casa de Ruy Barbosa, em Botafogo. A quadrilha, especializada em furtar obras de arte, também é acusada de roubos de documentos no Museu Nacional, na Fiocruz e no Arquivo da Cidade. Dos cinco, quatro respondem ao processo em liberdade e um está preso, por conta de outro processo. Apenas 101 fotos levadas da biblioteca foram recuperadas.

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