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O que esperar das bibliotecas no século XXI: Pam Sandlian Smith no TEDxMileHigh

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Presidente da Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica visita as instalações do SDO

No final da tarde de terça-feira, 24 de setembro de 2019, a FOUSP recebeu a visita do Presidente da Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica, Prof. Dr. Jackson Cioni Bittencourt. A fim de conhecer a estrutura do local, o Presidente foi recebido pelo Diretor Prof. Dr. Rodney Garcia Rocha, pelo Prof. Dr. Rogério Nogueira de Oliveira membro da Comissão da Biblioteca e pela Chefe Técnica do Serviço de Documentação Odontológica Sra. Lúcia Maria Sebastiana Verônica Costa Ramos, esteve presente também nesta visita o bibliotecário da Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica o Sr.  Laucivaldo Cardoso de Oliveira.

O objetivo da visita foi conhecer a estrutura organizacional e os produtos e serviços oferecidos pelo SDO, bem como os projetos de inovação que estão sendo desenvolvidos para melhor atender à comunidade acadêmica e científica.

O Serviço de Documentação Odontológica é reconhecido pela qualidade de seu acervo e por ser considerada a maior biblioteca na área de ciências odontológica da América Latina. Após as apresentações formais, o grupo se dirigiu ao local onde foi apresentado  o projeto CRAIfousp – Centro de Recursos para a Aprendizagem e Investigação baseado no modelo da declaração de Bolonha de 1999, desenvolvido pelo Prof. Dr. Moacyr Domingos Novelli, pela Sra. Lúcia Maria Sebastiana Verônica Costa Ramos e pelo analista Robson Brandão.

Os CRAIs são espaços criados junto às bibliotecas, onde são disponibilizados recursos tecnológicos aos usuários, para facilitar a investigação e a experimentação de assuntos oriundos do imaginar científico. O espaço agrega um projeto que propõe modificações gradativas na forma de ensinar a arte e a técnica da odontologia, colocando à disposição dos alunos de graduação da FOUSP laboratórios experimentais, destinados ao desenvolvimento de atividades práticas paralelas às atividades curriculares já existentes nos cursos diurno e noturno.

O foco é o desenvolvimento de modelos didáticos em odontologia voltados ao incremento das habilidades manuais, tendo como base um suporte teórico não abordado no currículo normal da graduação. O espaço é acessado livremente pelos alunos de graduação para despertar o raciocínio científico e interagir com professores e pesquisadores, constituindo um centro de produção científica gerada pela atividade didática.

Este projeto tem como objetivo conciliar ensino e pesquisa que implica em transmitir conhecimentos de pesquisas que contribuam para a evolução da ciência e a formação de seus alunos para a cidadania com suas especialidades. Em termos práticos isso significa ter espaços laboratoriais para experimentações e bibliotecas para acumular e organizar o conhecimento que, até então, apresenta-se com notória dicotomia física de ambientes por assim entendermos como conveniente para as práticas acadêmicas.

Com instalações laboratoriais anexas à biblioteca que permitem materializar conceitos como o de Redes Colaborativas, conhecimentos multi e interdisciplinares e processos criativos de investigação .Esta interdisciplinaridade e integração com outras unidades tem sido o principal foco na nova Agência USP da Informação Acadêmica.

O Prof.Dr. Moacyr apresentou também o anteprojeto Inteligência artificial para atendimento clínico odontológico  que está desenvolvendo junto com o analista Robson Brandão do SDO.

Na sequência, o Presidente conheceu os acervos I e II da Biblioteca, a sala de restauro, a de obras especiais e obras raras datadas de 1800, a gráfica e a sala de desbaste, e também a participação ativa do  Serviço de Documentação Odontológica na disciplina de Metodologia Científica onde bibliotecários com especialização, mestrado e doutorado ministram as aulas.

O objetivo principal da disciplina é capacitar o aluno na elaboração do trabalho científico, apresentando as fontes de informação qualificadas para apoio na recuperação dos textos científicos. São abordados temas como a pesquisa na universidade, os tipos de trabalho científico, a definição do tema e da pergunta de pesquisa, o acesso à informação especializada em odontologia, consulta às bases de dados, Terminologia em Odontologia, EndNote, estrutura do artigo científico, normalização técnica, ética em publicações, plágio e outros assuntos referentes às publicações científicas.O SDO ministra Treinamento nas bases de dados PUBMED, BVS, PORTAL CAPES, SCOPUS entre outras e a Capacitação no  Endnoteweb (Gerenciador de Referências) para os usuários.

Para finalizar, a bibliotecária falou da  Rede BVS odontologia Brasil que é um projeto que surgiu a partir da Rede do Sistema de Informação Especializado da Área de Odontologia.

Desde 1991, O Serviço de Documentação Odontológica da USP (SDO/USP) vem coordenando as atividades da “Sub-Rede Nacional de Informação na Área de Ciências da Saúde Oral”, através de projeto firmado entre W. K. Kellogg Foundation, Faculdade de Odontologia da USP e a BIREME que surgiu com a missão de contribuir para o desenvolvimento da odontologia no Brasil, por meio da promoção do uso da informação técnico-científica.

A Rede atua como um dos pilares no âmbito da disseminação da informação científica, por ser uma rede de informação especializada em odontologia integrada a dezessete bibliotecas universitárias de norte a sul do país com grande potencial de atuação junto aos pesquisadores e acadêmicos em âmbito nacional e internacional.

A BVS Odontologia Brasil, por sua vez, pode ser entendida como a instância que possibilita o acesso a informação para atender às necessidades de um grupo social ou da sociedade em geral, através da administração do seu patrimônio informacional e do exercício de uma função educativa, ao orientar os usuários na utilização da informação. Sendo esta considerada referência nacional em informação odontológica não se pode ignorar que um dos traços marcantes da atualidade é a transformação veloz da própria natureza do conhecimento científico e tecnológico tendo seus reflexos cada vez mais visíveis no mundo atual, o que reflete nas universidades e nas bibliotecas integrantes da Rede BVS Odontologia Brasil, nova postura de atuação, resultando na necessidade da criação da BVS Odontologia Brasil, integrando novos recursos de informação e comunicação, e reconvertendo os papéis dos diferentes atores reais e virtuais no processo de ensino-aprendizagem.

Atualmente o SDO conta com 18 funcionários e  é composto por uma chefia técnica e três serviços assim dispostos: Serviços de Tratamento da Informação,Serviço de Assistência e Divulgação Técnico-Científica, Serviço de Informação Documentária e Circulação.

Disponível em: http://www.fo.usp.br/?p=49581. Acesso em: 30 set. 2019.

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A Aguia começa a levantar voo

Decreto para criação da agência que substitui SIBi foi publicado, marcando transição

Por Gabriel Araujo e Ligia Andrade

Aguia englobará setores físicos e digitais das bibliotecas. Crédito: Gabriel Araujo

 

A polêmica transformação do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBi) em agência começou. O Diário Oficial do Estado publicou em 27 de agosto a resolução que cria a Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica (Aguia) – cuja sigla foi levemente alterada em relação à primeira proposta, Augia.

Segundo o decreto, a criação da Aguia é uma resposta à complexidade e às transformações do ambiente acadêmico, representando o desenvolvimento de um novo modelo conceitual de gestão da informação.

A Agência tem um presidente indicado pelo reitor, sem atuação na área, ao contrário das normas do antigo SIBi, que impunham a necessidade de o líder ser um bibliotecário*. Para o cargo, foi nomeado o professor Jackson Bittencourt, médico que ocupava a diretoria do Departamento Técnico do SIBi. A vice-presidência ficou com a professora Brasilina Passarelli, docente do Departamento de Informação e Cultura (CBD) e vice-diretora da Escola de Comunicações e Artes (ECA).

Após as críticas de bibliotecários da USP reveladas pela edição anterior do Jornal do Campus, em que reclamavam da falta de comunicação entre o SIBi e as bibliotecas para criação da Aguia, o órgão entrou em contato com a comunidade universitária. Em comunicado assinado por Bittencourt, a direção da agência reiterou sua criação como resposta aos desafios atuais, dizendo ver uma “necessidade de valorizar a ciência, o conhecimento e a cultura”.

Bittencourt voltou a mencionar o projeto de bibliotecas-polo, mas não deu detalhes. O professor destacou que as 48 bibliotecas da USP estarão envolvidas na agência, “funcionando como agentes de mudança e promoção da pesquisa de qualidade” e “atuando como polos de atendimento, estudo, leitura, permanência e capacitação”.

“Estou ciente de que a realização desse propósito não se dará do dia para a noite”, disse o presidente da Aguia no comunicado, no qual ainda promete encontros com dirigentes e equipes das bibliotecas a partir de outubro para planejar possíveis alterações. “Para alcançar o novo patamar pretendido será necessário implantar mudanças e realizar investimentos em pessoas e na infraestrutura das Bibliotecas Polo”, completou.

A transição começou.

 

*Nota do Mundo Bibliotecário: Conforme a Resolução 5766, de 17 de agosto de 2009, no Capitulo II – Do Departamento Técnico, o art. 4 esclarece que O Departamento Técnico será dirigido por um Bacharel em Biblioteconomia diretamente subordinado ao Reitor.” Portanto, não necessariamente o Diretor do antigo Departamento Técnico deveria ser algum servidor técnico-administrativo cujo cargo fosse bibliotecário.

Disponível em: http://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2019/09/a-aguia-comeca-a-levantar-voo/. Acesso em: 28 set. 2019.

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USP avança em nova biblioteca a ser custeada com reparo por caixa 2

Faculdade de Direito da USP fez projeto para ocupar prédio de 14 andares em SP e espera verba de acordo entre Ministério Público e a CCR

SÃO PAULO
Márcio Pinho, do R7
18/09/2019 – 02h00 (Atualizado em 18/09/2019 – 12h41)

 

Prédio na Rua Riachuelo poderá ser acessado por passarela

Divulgação/Paulo Bruna Arquitetos Associados

A Faculdade de Direito da USP projetou a construção de uma nova biblioteca em um prédio de 14 andares vizinho a sua sede. A construção é um desejo antigo e busca resolver um problema que se arrasta há anos, a falta de um espaço adequado para o acervo da faculdade, um dos maiores e mais relevantes do país com cerca de 500 mil volumes. Cerca de 200 mil exemplares irão para o novo prédio.

A biblioteca ficará no Edifício Cláudio Lembo, desapropriado em 2006 pela faculdade e que deveria ter recebido a área administrativa, mas está em condições precárias e foi embargado pela Prefeitura de São Paulo. O espaço pode ser acessado a partir da faculdade por meio de uma passarela que atravessa a Rua Riachuelo.

Ilustração da nova biblioteca

Um novo passo para tirar o projeto do papel foi dado no dia 5 de setembro, quando o governador João Doria declarou de utilidade pública uma área verde que deverá ser um espaço de convívio no novo complexo. A USP espera a conclusão da desapropriação para dar andamento à aprovação do projeto na prefeitura. A intenção é iniciar as obras em 2020.

A adaptação e instalação da nova biblioteca estão orçadas em cerca de R$ 33 milhões. Parte da verba – R$ 17 milhões – pode estar garantida por meio de um acordo fechado pelo Ministério Público de São Paulo e o grupo CCR. A empresa responsável por concessionárias de rodovias paulistas já começou a ressarcir os cofres públicos em mais de R$ 81 milhões em razão da prática de caixa dois em campanhas políticas. Pelo acordo com a Promotoria, parte da verba será destinada ao projeto da biblioteca. O dinheiro está sendo depoistado em juízo.

A gestão João Doria, porém, entrou na Justiça contra a homologação do acordo e e pode inviabilizar a doação. Segundo a Procuradoria Geral do Estado, a intenção é que a verba seja destinada aos cofres do governo. Em nota, a Procuradoria afirmou que “o governo estadual entende que a integralidade do valor do acordo feito pela CCR deve ser revertida para o tesouro do Estado, que então poderá decidir quanto à destinação dos recursos”.

 

Projeto

O projeto arquitetônico doado pelo escritório Paulo Bruna Arquitetos Associados foi inspirado em modernas bibliotecas como a da Universidade de Salamanca, na Espanha, e prevê uma grande reforma.

Serão criados espaços de leitura e estudos em grupo ao longo de sete andares, sendo um voltado a leitura de periódicos e conteúdo em tablets. Três níveis serão reservados ao acervo de livros. Os exemplares subirão às salas de leitura por meio de elevadores monta-cargas, o que permitirá maior controle e evitará furtos. Haverá ainda andares reservados à administração e um auditório.

Passarela liga Faculdade de Direito ao prédio onde será construída biblioteca

Cecília Bastos/USP Imagens/Jornal da USP

A crise foi amplamente noticiada pela imprensa, bem como imagens de obras encaixotadas atingidas por vazamentos. O edifício passou por reformas mas, ainda assim, não é considerado o espaço ideal para abrigar a biblioteca.

Segundo o diretor da faculdade, o professor Floriano de Azevedo Marques Neto, a mudança é “consensual” e esperada há anos.

O atual edifício, do começo do século passado, era um espaço de pequenos escritórios e não permite salas espaçosas próprias para uma biblioteca. A estrutura não é adequada para suportar o peso de uma biblioteca espalhada por vários andares. Além disso, seriam necessários 36 funcionários para tomar conta dos livros de todas as salas fossem ocupadas.

Marques Neto afirma que o projeto é importante não apenas para a comunidade acadêmica, mas para a população externa. Segundo ele, desde 2010, o público anual caiu de 100 mil para 15 mil.

“É a oportunidade de oferecer a toda a população acesso a principal biblioteca jurídica de São Paulo e aumentar a oferta de locais para estudo, não só para estudantes, mas também para visitantes. O projeto aponta para as bibliotecas do século 21, mais informatizadas”, diz Marques Neto.

Projeto prevê salas de leitura e estudos

Divulgação/Paulo Bruna Arquitetos Associados
Ainda sem saber o desfecho do imbroglio judicial sobre a verba da CCR, a administração da faculdade trabalha para adiantar o projeto. Um dos passos necessários será a aprovação do projeto nos órgãos de patrimônio histórico da cidade e do Estado de São Paulo. Isso porque o prédio histórico da faculdade é tombado, o que implica que intervenções no entorno também precisam ser autorizadas.

Prédio que abriga acervo desde 2010

Márcio Pinho/R7

Acervo

A construção da nova biblioteca permitirá que o acervo histórico da faculdade fique no prédio do Largo São Francisco e seja melhor acomodado. Paralelamente, a faculdade organiza a digitalização dos exemplares.

A biblioteca foi criada em 1825 e é considerada a primeira pública de São Paulo. O acervo começou com doações dos vizinhos de prédio da faculdade na época. O Convento de São Francisco, por exemplo, doou suas coleções que datam de 1644.

A obra mais antiga em poder da faculdade é a versão original da Divina Comédia, de Dante Alighieri, de 1520. Trata-se de um exemplo de como o serviço não se restringe a um acervo dedicado somente às ciências jurídicas.

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Deputado questionará Banco Central sobre fechamento de biblioteca

Marcelo Calero (Cidadania-RJ) fez a declaração nessa terça-feira, após o Metrópoles noticiar a interdição do espaço

Felipe Menezes/Metrópoles
O deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ) questionará o Banco Central do Brasil (BC) a respeito do fechamento da biblioteca da autarquia, instalada em Brasília. A ação do parlamentar ocorre após o Metrópoles noticiar a interdição do espaço, a partir do dia 9 de setembro, devido à contenção de gastos orçamentários.
De acordo com o BC, a autarquia federal sofreu contingenciamento de 20% no orçamento previsto para 2019 e, portanto, precisará cortar despesas para se adequar ao novo limite.

Conforme informou à reportagem, a instituição gasta R$ 384 mil por ano com a biblioteca. Isso equivale a 0,01% do orçamento inicial do BC destinado pela Lei Orçamentária Anual (LOA) em janeiro, de R$ 3,56 bilhões. Este valor consta no Boletim de Execução Orçamentária 2019 do banco.

Por meio do Twitter, o deputado questionou se outros gastos da instituição não poderiam ser revistos para não prejudicar o espaço cultural. “Será que nenhuma outra despesa poderia ser cortada antes da biblioteca – algo de que tanto carecemos neste país?”, disse o parlamentar.

 

REPRODUÇÃOReprodução

Ação popular

Em entrevista ao Metrópoles, Calero disse que tentará uma negociaçãocom o BC. “Estamos fazendo um requerimento de informação para entregar ao Banco Central com o objetivo de entender o porquê do fechamento da biblioteca e se outras medidas de contenção de despesas não foram consideradas antes dessa. Além disso, estamos estudando uma ação popular para obrigar o Banco Central a manter a biblioteca em funcionamento e aberta ao público”, informou.

Segundo o deputado federal, o gabinete dele tenta contato com a área parlamentar da autarquia para “expressar a preocupação” com o fechamento do espaço. “Se ainda assim não houver maneira de salvar a biblioteca, nós vamos ingressar com a ação”, frisou.

De acordo com o Banco Central, os gastos com a biblioteca referem-se, primordialmente, ao contrato de administração de todo o acervo bibliográfico da instituição com a empresa especializada na manutenção do espaço e com a presença de cinco auxiliares e de um bacharel em biblioteconomia, conforme exige a legislação em vigor. Após o fechamento, o BC manterá o acervo bibliográfico no espaço, mas este não poderá ser utilizado.

Procurada pela reportagem, a instituição informou que, caso as restrições orçamentárias sejam passadas para outras áreas, a biblioteca poderá ser reaberta. Questionada se avalia transpor o contingenciamento e manter o espaço em funcionamento, a autarquia federal informou que ainda não analisou essa possibilidade.

Disponível em: https://www.metropoles.com/distrito-federal/deputado-questionara-banco-central-sobre-fechamento-de-biblioteca. Acesso em: 22 ago. 2018.

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Após cortes de Bolsonaro, biblioteca do Banco Central será fechada

Autarquia federal sofreu contingenciamento de 20% do orçamento previsto para 2019 e precisa rever despesas

Ana Karolline Rodrigues/Metrópoles
ANA KAROLLINE RODRIGUES/METRÓPOLES
Biblioteca do Banco Central do Brasil (BC), instalada na sede da autarquia em Brasília, iniciará um processo de fechamento a partir de 9 de setembro. A decisão tomada pela instituição federal foi justificada pela contenção de gastos orçamentários. Ao Metrópoles, o órgão informou que sofreu contingenciamento de 20% no orçamento previsto para 2019.
Desde maio deste ano, segundo o BC, diversas despesas vêm sendo cortadas para adequação dos gastos ao novo limite orçamentário. A partir do próximo mês, a tesourada afetará os serviços terceirizados que mantêm a biblioteca.
Aprovada em 15 de janeiro deste ano, a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2019 destinou ao BC R$ 3,56 bilhões. Desse valor, R$ 3,13 bilhões foram para despesas de pessoal e encargos sociais; R$ 360,2 milhões, para despesas correntes; e R$ 70,2 milhões, para despesas de investimento. Além disso, o BC recebeu para o pagamento de precatórios R$ 30,6 milhões, que serão realizados pelos tribunais responsáveis. As informações constam no Boletim de Execução Orçamentária 2019 da instituição.

De acordo com o banco, a autarquia gasta R$ 384 mil por ano com a biblioteca. Esse valor equivale, portanto, a 0,01% do orçamento inicial do BC destinado pela LOA em janeiro deste ano. A despesa se refere, primordialmente, ao contrato de administração de todo o acervo bibliográfico do Banco Central com a empresa especializada na manutenção do espaço e com a presença de cinco auxiliares e de um bacharel em biblioteconomia, conforme exige a legislação em vigor.

 

Servidores e usuários reclamam

A Biblioteca do Banco Central iniciou seu funcionamento em 1959, no Rio de Janeiro, e foi instalada em Brasília no ano de 1972. Desde essa época, o ambiente oferece grande acervo bibliográfico, tanto aos servidores do órgão quanto a prestadores de serviço, estagiários, pesquisadores e estudantes.

Em 2013, também devido a um contingenciamento, o local foi fechado para o público externo, mas reaberto nove meses depois. Desta vez, o ambiente será totalmente interditado.

Formada em direito, Fernanda Ribeiro Ávila, 41, estuda para concurso há três anos. Desde então, é frequentadora assídua do espaço e diz estar “muito triste” com a decisão. “As instalações são excelentes, superconfortáveis. O acervo é grande, muito atualizado. Agora querem fechar, e a justificativa é que estão fazendo uma contenção de gastos, e a biblioteca não seria um serviço essencial”, disse.

Ao Metrópoles, uma servidora do banco que pediu para não ser identificada relatou que esta é a terceira vez que o órgão fechará a biblioteca local. “A primeira vez foi em 2013, mas ela continuou funcionando internamente. Depois, em 2017, tentaram de novo, mas conseguimos reverter a situação, após saírem algumas reportagens. Desta vez, falaram que vão fechar por causa de cortes orçamentários”, disse.

Ainda no início deste mês, ela e outros trabalhadores do órgão receberam a informação do fechamento do espaço. Agora, a servidora diz estar “batalhando para que isso não aconteça”.

Josias Carlos Dias Júnior, 17 anos, é filho de uma servidora do órgão e frequenta a biblioteca há quatro anos. Estudante do terceiro ano do ensino médio, ele é contra o fechamento do ambiente. “Enquanto minha mãe trabalha, eu estudo. Acho melhor que o ambiente escolar, que é muito barulhento”, comentou.

Para o rapaz, o ambiente tranquilo da biblioteca é favorável à aprendizagem. “Aqui é muito bom de estudar. Já fiz vários amigos aqui e estudávamos juntos. Também tem uma sala para descanso. Acho que é essencial, sim, ter uma biblioteca: um local onde a gente pode aprender e estudar com tranquilidade”, disse.

ANA KAROLLINE RODRIGUES/METRÓPOLES

Disponível em: https://www.metropoles.com/distrito-federal/apos-cortes-de-bolsonaro-biblioteca-do-banco-central-sera-fechada. Acesso em: 20 ago. 2018.

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Projeto distribui gratuitamente cinematecas e bibliotecas para escolas públicas do Rio de Janeiro

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