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Brasiliana Iconográfica

Visite instituições culturais brasileiras sem sair de casa: conheça a Brasiliana Iconográfica!

Sobre o Projeto

O termo Brasiliana designa, em termos gerais, aquilo que diz respeito à cultura e história do Brasil, incluídos estudos, publicações, referências visuais e outros tipos de documentos. A definição contempla as fontes datadas a partir do século XVI, quando começam a circular os primeiros mapas e livros sobre a América Portuguesa, abrangendo também pinturas e estudos científicos sobre a natureza do país, difundidos ao longo do século XIX.

O projeto Brasiliana Iconográfica propõe-se reunir em um mesmo portal web fontes iconográficas – desenhos, aquarelas, pinturas, gravuras e impressos – dispersas por coleções públicas e privadas no Brasil e no exterior, tornando-as acessíveis à consulta virtual de um público amplo e internacional.

Inicialmente, estarão disponíveis dados técnicos e imagens em alta resolução dos acervos de Brasiliana, pertencentes a instituições diretamente envolvidas na criação deste portal. São elas: Fundação Biblioteca Nacional e Instituto Moreira Salles (Rio de Janeiro), Pinacoteca de São Paulo e Instituto Itaú Cultural (São Paulo). Pretende-se que este portal seja enriquecido com material proveniente de outras coleções de mesmo perfil. Dessa forma, Brasiliana Iconográfica apresenta-se como instrumento de preservação digital desse patrimônio, cuja extensão nem os especialistas desta área de estudo avaliam com precisão.

Mais do que oferecer um repertório de imagens sobre o Brasil, datadas desde o século XVI até as primeiras décadas do século XX, o projeto prevê que o Brasiliana Iconográfica transforme-se numa espécie de “museu virtual”, espaço destinado ao debate e à reflexão sobre o tema. Para tanto, especialistas serão convidados a redigir comentários e conteúdo interpretativo sobre conjuntos de obras e a organizar mostras temporárias que possam fazer referência, por exemplo, a efemérides históricas, ou mesmo a aspectos da linguagem artística, compartilhados por autores elencados no portal.

Está previsto que o portal seja disponibilizado em outras línguas além do português, para que tenha abrangência geográfica e possa abrigar contribuições vindas de diferentes partes do mundo. O objetivo do projeto é tornar Brasiliana Iconográfica um espaço virtual de referência dos estudos sobre a iconografia relativa ao Brasil.

Os parâmetros utilizados para seleção das imagens do portal Brasiliana Iconográfica estão descritos a seguir:

DA NATUREZA DAS IMAGENS

São considerados os registros originais e únicos (como aquarelas, desenhos ou pinturas a óleo) e imagens impressas de circulação avulsa ou encadernadas em livros. Essas imagens devem configurar-se como descrições do território (incluídas a paisagem e a cartografia), da natureza (imagens de botânica, zoologia etc.) ou da sociedade (cenas de costumes, de etnografia, ou registros de fatos históricos). Incluem-se também retratos de personalidades, entendidos como destinados à divulgação de uma imagem política do país no exterior, como é o caso, por exemplo, dos retratos de políticos ou da família imperial.

DA AUTORIA DAS IMAGENS

São considerados autores com treinamento artístico formal e amadores, estrangeiros e brasileiros, cujas práticas artísticas aproximem-se do procedimento descritivo ou científico que orienta a iconografia de viagem do século XIX. A iconografia dos viajantes é privilegiada nesta seleção. Incluem-se também imagens de autoria de artistas estrangeiros, radicados no país, ou mesmo daqueles que nunca aqui estiveram, mas que se apropriam de imagens de outros autores, como é o caso, por exemplo, do editor flamengo Theodore de Bry.

DO RECORTE CRONOLÓGICO

O recorte cronológico proposto abrange desde as primeiras imagens divulgadas sobre o país, logo após a chegada dos portugueses no século XVI, até o início da década de 1920. O centenário da independência, em 1922, será adotado como marco final desta cronologia. Isso se justifica, por um lado, por se considerar que ali se consolida um processo de construção de uma imagem de nação brasileira, processo este que deve muito, em seu início, à iconografia propagada pelos artistas viajantes a partir de 1808. Outras versões de uma história nacional serão reelaboradas posteriormente, inclusive nas décadas de 1960 e 1970, mas baseadas em conceitos diversos dos de natureza e território, predominantes na iconografia tradicionalmente chamada de Brasiliana. Por outro lado, na década de 1920, propagam-se no meio artístico brasileiro novas noções de modernidade. Tais noções, fundam-se na valorização da subjetividade e das pesquisas de linguagem, que divergem do cientificismo e objetividade predominantes no século XIX.

Disponível em: <http://www.brasilianaiconografica.art.br/sobre-o-projeto>. Acesso em: 28 out. 2017.

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Periódicos brasileiros em discussão

Foto por Eduardo Graziosi Silva

O II Seminário de Avaliação do Desempenho dos Periódicos Brasileiros no JCR 2010 aconteceu no último dia 16/9, na FAPESP, em São Paulo.

O evento começou com as boas-vindas do Presidente da Fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz, o qual apresentou alguns dados sobre a ciência brasileira em geral, referente ao período de 1900 a 2010. Números a parte, destaco os seguintes pontos de sua fala:
– os números dizem pouco, pois é preciso olhar para o conteúdo do que a ciência brasileira publica;
– deve-se observar como a “contagem” é feita, ou seja, como são gerados os indicadores científicos, e o que acontece na ciência;
– a comparação do Brasil com a China e do Brasil com a Espanha deve levar em conta não somente aspectos científicos, pois enquanto que no primeiro caso a diferença se deve também a fatores populacionais, no segundo deve-se a inserção de mais revistas, de ambos os países, nas bases de dados, ou seja, ciência é mais do que dados científicos: há que se considerar dados sociais, econômicos, políticos. Toda comparação, portanto, exige cuidado.

A primeira apresentação, “Os periódicos brasileiros na comunicação da pesquisa nacional”, foi feita por Abel L. Packer, Coordenador Operacional do Projeto SciELO. Foram apresentados alguns dados e também feitas algumas considerações sobre a questão. O SciELO tem apresentado um crescimento estável de 5% nos últimos anos. Outra informação curiosa é que não há consenso sobre qual é o núcleo de periódicos brasileiros, pois do total existente, 90 deles estão indexados no SciELO, Web of Science e Scopus. Também achei interessante a referência ao fenômeno das citações domésticas, ou seja, autores brasileiros citam autores brasileiros, contribuindo para o aumento do fator de impacto dos periódicos nacionais. Além disso, o acesso à ciência brasileira é privilegiado, pois praticamente 100% dos periódicos nacionais estão em acesso aberto, que ao lado da dispersão editorial e da internacionalização pró-ativa contribuem para maior visibilidade da ciência feita no Brasil.

A segunda apresentação, cujo título é “O dilema dos periódicos brasileiros”, foi proferida por Rogério Meneghini, Coordenador Científico do Projeto SciELO. Inicialmente foi apresentado o ciclo da produção científica, constituído pelos seguintes elementos: cientista, infraestrutura, projetos, desenvolvimento de projetos, resultados, discussão informal com os pares e publicação (nacional e internacional). Foi muito bem lembrado que, no que tange às publicações científicas, há uma guerra comercinal nos países desenvolvidos, enquanto que os nos emergentes há uma necessidade de dar vazão à produção científica que não encontra espaço em periódicos internacionais, bem como mostrar assuntos de interesse local. Diante dos indicadores apresentados dos países BRICS, constata-se que o Brasil encontra-se em boas posições e que os os publishers internacionais tem sido crescente no fator de impacto dos BRICS.

Já a terceira apresentação, “Las revistas españolas”, foi proferida por Félix Moya, CSIC/SCImago Research Group. Sob seu ponto de vista, os indicadores da Scopus e da Web of Science permitem apenas tirar conclusões gerais sobre os países e há dificuldade para revistas de países emergentes se inserirem no cenário internacional. Também no que diz respeito à batalha comercial de periódicos, Félix apontou que as grandes editoras as vezes incluem periódicos de países emergentes e outras que não correspondem aos padrões exigidos para indexação apenas para aumentar a competição com os concorrentes, exigindo especial atenção do pesquisador na escolha de periódicos para publicar seus trabalhos, por exemplo.

No caso espanhol, também foi levantado que houve uma entrada massiva dos periódicos na Scopus e na Web of Science devido a compra dos mesmos pelas grandes editoras. Diante disso, foi colocada a questão: se foram comprados, quais são os periódicos autenticamente espanhóis? Como fica a ciência espanhola? Interessante questão! Em relação ao Brasil, foi apresentado que há muitas publicações sem colaborações, sendo que seria interessante sua existência, principalmente com instituições internacionais de maior impacto que uma determinada instituição brasileira, de modo a contribuir na internacionalização da ciência brasileira e aumento de sua reputação.

Após o intervalo, ocorreu o Painel de Editores, sendo que cada um deles apresentou iniciativas que contribuíram para o aumento da visibilidade dos seus respectivos periódicos. Como cada um apresentou dados quantitativos referentes aos seus periódicos, o que relato abaixo são falas que me chamaram mais a atenção e que considero pertinentes para refletir.

“As certezas e incertezas do Fator de Impacto. Como o periódico Clinics se move nos meandros das citações” foi a palestra proferida por Maurício Rocha e Silvia, Editor da Clinics. De sua fala, destaco os seguintes pontos:

1. Há uma “síndrome da baixa auto-estima dos países de língua latina”, isto é, há poucas auto-citações (controvérsias sobre isso a parte…) dos trabalhos de pesquisadores latino-americanos, que muitas vezes consideram os trabalhos dos países desenvolvidos de qualidade superior. Maurício apontou que ao eliminar as auto-citações dos rankings dos EUA e da China, por exemplo, os mesmos sofrem considerável redução.

2. Há muitas revistas em áreas que não precisam de tantas, sendo que sua fusão poderia levar a uma força que iria permitir a captação de mais recursos, agilizaria o tempo de resposta aos autores e outros benefícios.

3. “Publicar em revistas internacionais garante status, mas não citações.” (retirado de um slide do palestrante)

A segunda palestra, “A internacionalização da Scientia Agricola rumo à corrente principal”, foi proferida por Luís Reynaldo Ferracciú Alleoni, Editor da Scientia Agricola. Atualmente considerada a melhor revista da área de Ciências Agrárias do Brasil, Luís Reynaldo apontou que antes de ocupar essa posição os prováveis motivos que levavam o periódico a ter baixo fator de impacto eram o português; a entrada de muitas revistas a pouco tempo na base de dados; e o perfil de publicação da maioria dos pesquisadores.

Também foi discutida a questão da auto-citação, que no tanto no caso brasileiro como internacional afeta o perfil das melhores revistas. Em relação aos periódicos de Ciências Agrárias, no Brasil o índice é de 0,47 considerando a auto-citação e 0,30 sem auto-citação, enquanto que no mundo esse índice é 2,47 com auto-citação e 2,08 sem auto-citação.

Algumas ações que foram tomadas pelos editores para elevar o fator de impacto da Scientia Agricola foram a publicação em inglês desde 2003 e a amplicação de editores e revisores do exterior, o que acarretou no aumento do número de autores estrangeiros assim como no aumento das citações de autores estrangeiros.

Em seguida, foi apresentada a palestra “As fortalezas das Memórias que sustentam o seu impacto”, por Claude Pirmez, Editora Associada das Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. Trata-se do periódico Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, que publica 8 números por ano e cujo escopo são as áreas de Medicina Tropical e Parasitologia, desde 1980, pois antes disso o escopo contemplava outros assuntos. Algumas ações tomadas para aumentar a visibilidade desse periódicos podem ser conferidos na cronologia abaixo:

1980: reativação do periódico (pois foi publicado com certa irregularidade desde seu lançamento no início do século XX)
1984: auxílio do CNPq e inclusão de editores científico e administrativo
1985: inclusão de editores associados
1989: indexação no ISI, mudança de layout e publicação preferencialmente em inglês
1993: profissionalização da equipes e inclusão no SciELO
1997: publicação on-line

Os seguintes fatores foram destacados por Claude no que se refere ao aumento do fator de impacto do periódico: quadro de editores associados; acesso aberto (para autor e leitor); disponibilidade web de todos os números; fator ‘CAPES’; e reviews. A manutenção desse indicador foi conseguida com a publicação quase ininterrupta do periódico desde 1909; investimento em equipe especializada; investimento na tradução para o inglês.

A próxima apresentação, “Por onde anda o impacto dos periódicos das ciências humanas?”, foi proferida por Charles Pessanha, Editor da Dados – Revista de Ciências Sociais. Foi apontado que o perfil de publicação da área de Ciências Humanas é diferente das demais áreas anteriormente apresentadas, sobretudo por conter muitas publicações
em vários idiomas, ser heterogênea e sofrer forte concorrência do livros. Especificamente no que tange ao JCR, foi esclaredico que as Ciências Humanas foram incluídas há pouco tempo na base de dados, sendo que nessa área o periódico Dados é o que apresenta esse indicador há mais tempo.

Por fim, Luiz Carlos Dias, Editor do Journal of the Brazilian Chemical Society, proferiu a palestra “Os avanços e desafios da Sociedade Brasileira de Química na profissionalização da editoração e publicação científica no Brasil”. Apontou que a Sociedade Brasileira de Química possui vários periódicos em sua área, voltado desde o Ensino Médio até publicações científicas.

Um dado curioso é que a Revista Virtual de Química (salvo engano meu), adota a prática de incluir editores com mais tempo de casa com editores “mirins”, isto é, jovens doutores em Química avaliam os artigos recebidos juntamente com os editores do periódico. Vale ressaltar que essa prática também foi mencionada por Charles Pessanha, que afirmou ter tido bons resultados com a mesma.

Outro dado até então não comentado foram as causas de rejeição de artigos, sendo as mais comuns a recusa pelo editor, o fato do artigo não pertencer ao escopo da revista, plágio, o fato do artigo não seguir as normas do periódico e a baixa qualidade. A taxa média de rejeição de artigos apresentada pelos editores varia entre 60% e 70%. Além disso, Luiz Carlos também lembrou que o Qualis deve ser utilizado apenas para avaliação na Capes e lancçou uma questão para a FAPESP e o SciELO: Como colocar o número DOI assim que o artigo é publicado? Atualmente, o DOI é incluído após a publicação do mesmo. Também achei curioso o fato que o custo anual de publicação da revista, ressaltando que se trata da área de Química, gira em torno de R$440 000 por ano!

A terceira parte do evento ocorreu com comentários, sugestões e exposições de outros editores sobre as apresentações supracitadas. Esse momento foi iniciado por Denise Ruschel Bandeira, Editora da Psicologia: Reflexão e Crítica, que fez as seguinte colocações:

1. As áreas do conhecimento humano são diferentes e tem olhares diferentes, e tal fato deve ser levado em consideração no momento de avaliação.

2. A questão da origem do financiamento foi pouco discutida.

3. Uma alternativa seria cobrar por artigo publicado enquanto a revista não for comprada por uma editora que possa fortalecê-la, com todos os benefícios e malefícios que isso possa acarretar.

4. A publicação em inglês coloca-se como um desafio e apresenta altos custos.

Já Edgar Dutra Zanotto, Ex- Editor do Materials Research, fez as seguintes considerações:

1. O tema “cite half life” foi pouco citado.

2. Há outros indicadores além do fator de impacto, que foi extensamente analisado a apresentado.

3. As áreas são distintas e isso deve ser considerado no momento de avaliação.

4. Os autores querem tempo e qualidade.

5. É necessário dar feedback aos revisores porque sem eles as revistas não funcionam; o mesmo vale para os autores, pois em última instância são “clientes” da revista.

Em seguida, foi a vez de Emilson França de Queiroz, Editor da Pesquisa Agropecuária Brasileira:

1. A busca pela qualidade é grandiosa, mas exige grande esforço e leva muito tempo.

2. A qualidade tornou-se um ponto central com a globalização.

3. A profissionalização do editor pode ocorrer de duas maneiras: pela prática profissional ou ser desenvolvido pelo SciELO, Capes ou outras agências de pesquisa.

4. Emilson sugeriu a criação de um programa específico, em nível nacional, para a melhoria da qualidade dos periódicos, sua avaliação conjunta, além da promocão de trocas e experiências (aprendizado por meio de visitas nacionais e internacionais).

Fernando Luís Cônsoli, Editor do Neotropical Entomology, fez as seguintes considerações:

1. Periódicos de qualidade possuem artigos de qualidade.

2. Os padrões de avaliação devem ser claros: somente o fator de impacto? E os demais indicadores?

3. Internacionalização dos editores e revisores.

4. “Avaliador sobrecarregado não faz avaliação bem feita.” (Palavras do próprio Fernando)

5. A maioria das revistas são de sociedades ou pós-graduação e, por isso, há casos em que os autores dessas sociedades ou programas se veem no direito “exclusivo” de publicar nesses veículos, sendo que devem ampliar o leque de revistas para publicarem, o que por vezes acaba gerando situações desconfortáveis para os editores.

6. A profissionalização é um problema sério para sociedades que não possuem aportes financeiros consideráveis.

7. Há que se fazer uma discussão filosófica das revistas nacionais para promover trabalhos de qualidade.

Por fim, Lewis Joel Greene, Editor do Brazilian Journal of Medical and Biological Research, fez suas considerações:

1. A auto citação é um problema.

2. No que se refere à linguagem, especificamente em relação ao dilema de publicar ou não em inglês, depende de onde o periódico quer chegar.

O evento foi encerrado com um debate entre os comentaristas e o público, e desse momento destaco a fala de Félix Moya, que considera que há muitos editores preocupados com o marketing científico, isto é, com a promoção de seus respectivos periódicos, deixando em segundo plano colaborações e melhorias para elevar a qualidade dos mesmos. Tal situação é decorrente, sobretudo, da disputa comercial entre os periódicos.

Como se vê, a ciência brasileira está em um bom momento, mas pelos apontamentos relatados percebe-se que ainda há muito ser feito. Mais do que estádios e toda a infraestrutura para receber a Copa e as Olimpíadas, o Brasil precisa aproveitar sua situação favorável para ser um verdadeiro campeão.

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Seminário “Travessias: o modernismo luso-brasileiro entre liberdades e interdições”

Travessias: o modernismo luso-brasileiro entre liberdades e interdições

O Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Censura (NPCC) da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) promove, entre os dias 14 e 16 de setembro, o seminário “Travessias: o modernismo luso-brasileiro entre liberdades e interdições”.

A proposta do seminário é evidenciar e colocar em debate uma nova forma de pensar as relações entre Brasil e Portugal. Para isso, o evento propõe a problematização das identidades nacionais dos países em questão e das produções culturais híbridas, em tempos de regimes autoritários, bem como dos processos de interdição à arte, matizando o ideário de uma tradicional relação entre colonizador e colonizado.

Serão realizadas quatro mesas de discussão, com os títulos: “Humor e linguagens atravessadas”, “Diálogos e memórias atravessados”, “Travessias artísticas híbridas” e “Travessias restritivas político-sociais”. Além disso, a programação do evento inclui leituras dramáticas de trechos de peças teatrais censuradas e uma apresentação dos Doutores da Alegria, discutindo a temática do humor.

Entre os palestrantes convidados, estão a Profa. Dra. Heloísa Paulo, da Universidade de Coimbra, e o cartunista e historiador português Osvaldo Macedo de Sousa. Ao longo do evento, os participantes poderão conferir uma exposição com trabalhos de autoria do artista, que abordam a censura em Portugal e no Brasil. Haverá também uma videoconferência com a Profª. Drª. Ana Maria Cabrera, pesquisadora do Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ) de Lisboa.

Coordenado pela Prof.ª Dr.ª Maria Cristina Castilho Costa, o evento é apoiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que também concede benefício ao Projeto Temático “Comunicação e Censura: análise teórica e documental de processos censórios a partir do Arquivo Miroel Silveira da Biblioteca da ECA/USP”.

O Arquivo Miroel Silveira, estudado pelo Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Censura, contém 6.137 processos de censura prévia teatral emitidos no Estado de São Paulo, entre 1930 e 1970. Em meio a esse acervo, há diversos processos de censura que vinculam autores, artistas e obras teatrais no Brasil e em Portugal. Começava, assim, um intercâmbio através do trânsito de pessoas e das adaptações de textos.

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Data:

14, 15 e 16/09

Local:

Teatro da USP (abertura): Rua Maria Antonia, 294 – Consolação

Escola de Comunicações e Artes da USP (demais atividades): Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443 – Cidade Universitária

Horário

: das 16h às 18h (dia 14/09) e das 10h às 18h (dias 15 e 16/09)

A entrada é franca e as vagas são limitadas. As inscrições devem ser realizadas previamente pela internet, no endereço: http://www.usp.br/npcc/travessias2011/inscricao.

Para mais informações: (11) 3091-1607; travessias2011@gmail.com; www.usp.br/npcc/travessias2011.

A programação completa está disponível no site do NPCC (http://npcc.vitis.uspnet.usp.br/?q=travessias2011/programacao).

Links de interesse

Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Censura:

http://www.eca.usp.br/npcc

Inscrições para o Seminário Travessias 2011:

http://npcc.vitis.uspnet.usp.br/travessias2011/inscricao/

Humorgrafe:

http://humorgrafe.blogspot.com/

Centro de Pesquisa em Experimentação Cênica do Ator – CEPECA/USP:

http://www.eca.usp.br/cepeca/

Doutores da Alegria:

http://www.doutoresdaalegria.org.br/

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Nova página no Mundo Bibliotecário!

Foi lançada hoje a nova página do Mundo Bibliotecário chamada “Eventos de Biblioteconomia e Ciência da Informação”! Contém eventos nacionais e internacionais da área e será continuamente atualizada, conforme já acontece com as páginas “Feira de livros no Brasil” e “Feira de livros no mundo”.

Para isso, aceito sugestões para complementar o conteúdo dessas páginas e do blog como um todo. Se tiver uma notícia interessante ou souber da ocorrência de alguma feira, envie para o Mundo Bibliotecário que irei postar na página correspondente.

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Biblioteca Nacional: 200 anos!

Fonte: http://www.bn.br

A Biblioteca Nacional do Brasil comemora seus 200 anos. Considerada pela Unesco como uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo, neste ano, a instituição comemora, também, o centenário de fundação do prédio, localizado na Cinelândia, no Rio de Janeiro. Sob sua guarda, somam-se mais de 9 milhões de obras. Centenas de pesquisadores, estudantes, turistas, passam diariamente pelo prédio. Para comemorar, vai inaugurar, no dia 3 de novembro, a exposição Biblioteca Nacional 200 anos: Uma defesa do infinito.

O início da trajetória da Biblioteca está ligado a um dos mais decisivos momentos da história do país: a transferência de toda a família real e da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, quando da invasão de Portugal pelas forças de Napoleão Bonaparte, em 1808.

O acervo trazido para o Brasil, de 60 mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas, foi inicialmente acomodado numa das salas do Hospital do Convento da Ordem Terceira do Carmo, na Rua Direita, hoje Rua Primeiro de Março. Em 29 de outubro de 1810, um decreto do Príncipe Regente determinou que o lugar acomodasse a Real Biblioteca e instrumentos de física e matemática. A data de 29 de outubro de 1810 é considerada oficialmente como a da fundação da Real Biblioteca que, no entanto, só foi franqueada ao público em 1814.

Quando, em 1821, a Família Real regressou a Portugal, D. João VI levou de volta grande parte dos manuscritos do acervo. Depois da Proclamação da Independência, a aquisição da Biblioteca Real pelo Brasil foi regulada, mediante a Convenção Adicional ao Tratado de Paz e Amizade celebrado entre o Brasil e Portugal, em 29 de agosto de 1825.

O prédio atual da FBN teve sua pedra fundamental lançada em 15 de agosto de 1905 e foi inaugurado cinco anos depois, em 29 de outubro de 1910. O prédio foi projetado pelo General Francisco Marcelino de Sousa Aguiar, e a construção foi dirigida pelos engenheiros Napoleão Muniz Freire e Alberto de Faria. As instalações do novo edifício correspondiam na época de sua inauguração a todas as exigências técnicas: pisos de vidro nos armazéns, armações e estantes de aço com capacidade para 400.000 volumes, amplos salões e tubos pneumáticos para transporte de livros dos armazéns para os salões de leitura. Essas instalações são eficientes e até hoje encontram-se em uso.

Exposição

A Biblioteca Nacional abre ao público, no dia 3 de novembro, a exposição Biblioteca Nacional 200 Anos: Uma Defesa do Infinito. Uma fantástica seleção de duzentas peças originais exibirá algumas das maiores preciosidades e curiosidades sob guarda da instituição. A curadoria é do escritor Marco Lucchesi.

A exposição exibe a história da Biblioteca, desde sua viagem para o Brasil, com a Corte Portuguesa, em 1808, até os dias de hoje, e faz um passeio sobre o acervo de livros, manuscritos, periódicos, pinturas, partituras musicais, entre outras peças ligadas ao acervo.

Em destaque, a Bíblia de Mogúncia (1462), impressa por ex-sócios de Gutemberg, criador da imprensa; um Livro de Horas (livro de orações) da Idade Média, com pinturas a ouro; a primeira edição de Os Lusíadas, de Luís de Camões; A menina do narizinho arrebitado, de 1920, de Monteiro Lobato; peças que integram a Coleção Teresa Cristina Maria, doada à instituição por D. Pedro II; edições de periódicos como a revista Tico Tico e O Pasquim; manuscritos de Clarice Lispector, Raul Pompéia, Castro Alves, Graciliano Ramos e Carlos Drummond de Andrade; a ópera O Guarani (1871), de Carlos Gomes; mapas, entre tantas outras peças do acervo.

No terceiro andar da Biblioteca, uma exposição especial conta a história do edifício, fundado em 1910.

“Biblioteca Nacional 200 anos: Uma defesa do infinito”

Biblioteca Nacional (Rua México, s/nº – Centro – Rio de Janeiro/RJ. Tel.: 21 3095-3879

Visitação: 03 de novembro a 25 de fevereiro

Segunda a Sexta, 10h às 17h

Sábado, 10h às 15h

Entrada gratuita

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