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UFSC terá novo curso na área de Ciência da Informação em 2016

A partir de 2016, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) terá um novo curso: Bacharelado em Ciência da Informação. Com período integral e duração de seis semestres, ele será ministrado no Centro de Ciências da Educação (CED). Estão sendo ofertadas 20 vagas para o primeiro semestre – 16 delas via concurso Vestibular UFSC 2016, e quatro pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Os laboratórios serão compartilhados com os cursos de Biblioteconomia e Arquivologia. Espaços profissionais como parques tecnológicos, incubadoras e centros de inovação também farão parte do ambiente do curso; além disso, novos laboratórios de Empreendedorismo e Inovação devem ser implementados a partir do próximo ano.

O objetivo do curso é formar profissionais empreendedores capazes de identificar, desenvolver e implantar soluções inovadoras, integradas e colaborativas em informação. O campo de trabalho na área é amplo, compreendendo a atuação em empresas públicas e privadas, banco e bases de dados eletrônicos e digitais, portais de conteúdo e de acesso na rede global e em redes institucionais internas.

A demanda pelo profissional de Ciência da Informação responde ao crescimento do setor tecnológico de Santa Catarina. As cidades de Blumenau, Chapecó, Criciúma, Florianópolis e Joinville concentram mais de 1.800 empresas de tecnologia. De acordo com relatório da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), essas empresas alcançam, juntas, faturamento superior a R$ 3 bilhões e geram diretamente cerca de 20 mil empregos.

Currículo do curso

A página institucional e currículo do curso serão disponibilizados em breve. Dúvidas podem ser encaminhadas ao chefe do Departamento de Ciência da Informação, William Barbosa Vianna, pelo e-mail

Eduarda Hillebrandt/Estagiária de Jornalismo/Agecom/UFSC

Disponível em: <http://noticias.ufsc.br/2015/09/ufsc-tera-novo-curso-na-area-de-ciencia-da-informacao-em-2016/>. Acesso em: 3 set. 2015.

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Prazo para inscrições no Prêmio Emerald/Capes 2015 encerra no dia 30 de agosto

Qua, 26 de Agosto de 2015

Prêmio Emerald Capes 2015 (Imagem: Emerald e Capes)Os interessados em participar da edição 2015 do Prêmio Emerald/Capes têm até o dia 30 de agosto para efetivar a inscrição. As categorias a serem avaliadas são Ciência da Informação (inscrições aqui) e Administração & Gestão (inscrições aqui). A iniciativa – parceria da Emerald Group Publishing Limited e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) – objetiva estimular o acesso ao Portal de Periódicos e incentivar a realização de projetos de pesquisa nas áreas indicadas.

A premiação para cada categoria será feita em dinheiro e o valor equivale a U$ 3.000 (três mil dólares). As propostas podem ser submetidas por pesquisadores ou grupos de pesquisa vinculados a uma ou mais instituições participantes do Portal de Periódicos, sendo que o autor principal deve ser brasileiro.

Mais informações, como documentação exigida, critérios de avaliação e especificações do trabalho, devem ser consultadas no edital do Prêmio, disponível aqui. A divulgação dos resultados ocorrerá no dia 20 de outubro. Acesse outros detalhes sobre o Prêmio Emerald/Capes 2015.

Alice Oliveira dos Santos

Disponível em: <http://www-periodicos-capes-gov-br.ez67.periodicos.capes.gov.br/?option=com_pnews&component=NewsShow&view=pnewsnewsshow&cid=318&mn=71>. Acesso em: 27 ago. 2015.

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Capes aprova e UFRN ganha Mestrado em Ciências da Informação

29 de junho de 2015

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) vai abrir vagas para o Mestrado Profissional em Ciências da Informação. O curso foi aprovado pela Capes na semana passada e o processo seletivo será realizado ainda este ano, com a primeira turma ingressante no segundo semestre letivo. O mestrado é ligado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Informação do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA), com linha de pesquisa em Gestão da Informação. Outras Federais no nordeste também oferecem mestrados na área, é o caso da Universidade Federal da Bahia (UFBA), de Pernambuco (UFPE) e da Paraíba (UFPB).

Disponível em: <http://www.ccsa.ufrn.br/portal/?p=4401>. Acesso em: 7 jul. 2015.

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Resumo da palestra “A Pós-Graduação em Ciência da Informação no Brasil”

No dia 6/4, o Departamento de Ciência da Informação da UFSCar promoveu a palestra “A Pós-Graduação em Ciência da Informação no Brasil”, proferida pela Profª Drª Marisa Bräscher Basilio Medeiros, do Departamento de Ciência da Informação da UFSC e representante da área de Ciência da Informação na CAPES.

A apresentação teve início com um breve histórico da área no Brasil. Algumas datas marcantes foram:

1951 – criação do CNPq e CAPES

1954 – criação do IBBD (IBICT a partir de 1976)

1955 – criação do Curso de Pesquisa Bibliográfica, posteriormente Curso de Especialização em Documentação e Informação

1970 – surge o primeiro mestrado em Ciência da Informação no IBICT

1972 – criação da Revista Ciência da Informação

1989 – criação da ANCIB

1992 – criação do doutorado na UnB e USP

Esses foram alguns marcos da área que mostraram sua maturidade ao longo do tempo, com o surgimento de instituições, cursos de pós-graduação, revistas e associações. Da mesma forma, a avaliação da CAPES também evoluiu, contribuindo para sua consolidação. Medeiros ressaltou que a avaliação é feita por área, que define seus critérios em função do Plano Nacional da Pós-Graduação elaborado pela CAPES.

A Ciência da Informação está no grupo de Ciência Sociais Aplicadas I, junto com Comunicação e Museologia, e as tabelas de avaliação apresentam os programas, áreas de concentração e linhas de pesquisa. Atualmente, a área conta com 14 programas, sendo três profissionais, e alguns dos critérios de avaliação são: corpo discente, produção intelectual, infraestrutura, entre outros. Por fim, Medeiros destacou que a evolução não só da Ciência da Informação, mas de qualquer outra área, acontece com base na criação de cursos novos, avaliação dos existentes, apoio do CNPq e da CAPES e a cooperação entre os programas.

Ao longo de sua fala, a palestrante destacou a carência de profissionais entre as regiões brasileiras, mas vê esse problema como solução, pois essa situação oferece a oportunidade de expansão da área e, consequentemente, o aumento de recursos, o que trará benefícios para a mesma.

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Resumo da palestra "A Pós-Graduação em Ciência da Informação no Brasil"

No dia 6/4, o Departamento de Ciência da Informação da UFSCar promoveu a palestra “A Pós-Graduação em Ciência da Informação no Brasil”, proferida pela Profª Drª Marisa Bräscher Basilio Medeiros, do Departamento de Ciência da Informação da UFSC e representante da área de Ciência da Informação na CAPES.

A apresentação teve início com um breve histórico da área no Brasil. Algumas datas marcantes foram:

1951 – criação do CNPq e CAPES

1954 – criação do IBBD (IBICT a partir de 1976)

1955 – criação do Curso de Pesquisa Bibliográfica, posteriormente Curso de Especialização em Documentação e Informação

1970 – surge o primeiro mestrado em Ciência da Informação no IBICT

1972 – criação da Revista Ciência da Informação

1989 – criação da ANCIB

1992 – criação do doutorado na UnB e USP

Esses foram alguns marcos da área que mostraram sua maturidade ao longo do tempo, com o surgimento de instituições, cursos de pós-graduação, revistas e associações. Da mesma forma, a avaliação da CAPES também evoluiu, contribuindo para sua consolidação. Medeiros ressaltou que a avaliação é feita por área, que define seus critérios em função do Plano Nacional da Pós-Graduação elaborado pela CAPES.

A Ciência da Informação está no grupo de Ciência Sociais Aplicadas I, junto com Comunicação e Museologia, e as tabelas de avaliação apresentam os programas, áreas de concentração e linhas de pesquisa. Atualmente, a área conta com 14 programas, sendo três profissionais, e alguns dos critérios de avaliação são: corpo discente, produção intelectual, infraestrutura, entre outros. Por fim, Medeiros destacou que a evolução não só da Ciência da Informação, mas de qualquer outra área, acontece com base na criação de cursos novos, avaliação dos existentes, apoio do CNPq e da CAPES e a cooperação entre os programas.

Ao longo de sua fala, a palestrante destacou a carência de profissionais entre as regiões brasileiras, mas vê esse problema como solução, pois essa situação oferece a oportunidade de expansão da área e, consequentemente, o aumento de recursos, o que trará benefícios para a mesma.

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IBICT lança o Tesauro Brasileiro de Ciência da Informação

Tesauro Brasileiro de Ciência da Informação

Lena Vania Ribeiro Pinheiro e Helena Dodd Ferrez

APRESENTAÇÃO

Por Emir José Suaiden – Diretor do IBICT (de 30/06/2005 a 04/09/2013)

A recuperação da informação foi e continua sendo questão central na ciência da informação, desde o seu surgimento como campo científico até hoje. Com os avanços da ciência e tecnologia e a era da sociedade da informação, a Internet e a proliferação vertiginosa de informações, os tesauros são instrumentos essenciais na busca e acesso à informação. A consistência, precisão e relevância da informação constituem qualidades básicas nesse processo e dependem principalmente de tesauros.

Entre os poucos tesauros de ciência da informação existentes no mundo, ressaltamos o dos Estados Unidos, da hoje Association for Information Science and Technology – ASIS&T, anteriormente American Society for Information Science and Technology, o ASIS&T Thesaurus of Information Science, Technology and Librarianship, na terceira edição, de 2005, editado por Alice Redmond-Neal e Marjorie M. K. Hlava.

Instrumento fundamental para consistência de terminologia e de vocabulário de determinado campo do conhecimento, o Tesauro Brasileiro de Ciência da Informação tem ampla aplicação não somente para indexadores, como também pesquisadores, professores e profissionais de informação em geral.

O Ibict devia essa obra àqueles que lidam com as questões de linguagem documentária, uma vez que a iniciativa da construção de um tesauro em ciência da informação, de 1989, não chegou a ser publicada, ficou restrita ao uso interno e não teve continuidade.

Uma obra dessa grandeza exige conhecimento da área, experiência e árduo esforço teórico e conceitual de muitos anos de dedicação. Coube à Lena Vania Ribeiro Pinheiro, pesquisadora e professora do Ibict, enfrentar esse desafio, com a colaboração de Helena Dodd Ferrez, autora principal do tesauro para acervos museológicos.

Na elaboração do tesauro, as autoras contaram com a colaboração de pesquisadores e professores, bem como técnicos de ciência da informação, com os quais mantiveram diálogos produtivos, que muito contribuíram para a feitura desse instrumento. Importantes também foram as fontes às quais recorreram, como outros tesauros e dicionários, todos identificados nesta publicação.

Com muito orgulho, o Ibict lança este tesauro, englobando cerca de 1.800 termos, a maioria com versão em inglês e espanhol, complementados por definições, na expectativa de que oTesauro Brasileiro de Ciência da Informação assuma um papel central na recuperação da informação no Brasil e em países lusófonos.

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR O TESAURO (PDF – 384 páginas – 5 MB)

Disponível em: <http://www.ibict.br/publicacoes-e-institucionais/tesauro-brasileiro-de-ciencia-da-informacao-1/tesauro-brasileiro-de-ciencia-da-informacao>. Acesso em: 3 nov. 2014.

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A Ciência da Informação sob a ótica de Tefko Saracevic

No mês em que completa dois anos, o blog Dissertação Sobre Divulgação Científica entrevistou um dos fundadores e principais estudiosos da Ciência da Informação (CI). O pesquisador croata Tefko Saracevic, 83 anos, falou sobre a realidade, as tendências e as inquietações contemporâneas da CI, assim como a respeito da contribuição do Brasil para a área e a experiência dele como docente no país, entre outros assuntos.

Professor da Escola de Comunicação e Informação da Rutgers, Universidade Estadual de Nova Jersey, nos Estados Unidos, Saracevic é formado em engenharia elétrica, com mestrado e doutorado em CI. Os trabalhos dele contemplam os seguintes assuntos, entre outros: bibliotecas digitais e sistemas de recuperação da informação; noção de relevância na CI; aspectos relacionais entre humano e computador; análise de desempenho dos motores de busca na Web.
 
Confira a entrevista:
Quais são os desafios da Ciência da Informação na contemporaneidade e quais são as tendências de pesquisa na área? 
Tefko: Atualmente, a digitalização da vida e do mundo como um todo é um grande estímulo à CI, assim como para muitos outros campos. Tudo é global e está conectado. As constantes mudanças tecnológicas geram inquietações.Hoje, as mídias sociais predominam na comunicação e permitem a proliferação de notícias e informações em geral. Se por um lado as pessoas estão mais conectadas, por outro, estão mais impessoais e distantes. E tudo isso cria muitos e amplos desafios à prática profissional e à pesquisa na Ciência da Informação. As interrogações “como promover harmonia e ajustes neste cenário?” e “como manter-se relevante?” são itens-chave para a discussão.

Se por um lado as pessoas estão mais conectadas, por outro, estão mais impessoais e distantes.
A pesquisa em CI também está em transição, o que pode ser academicamente observado através de artigos apresentados em congressos e conferências, como por exemplo as reuniões anuais daSpecial Interest Group on Information Retrieval- Sigir, da Association for Computing Machinery-ACM e da Association for Information Science and Technology-ASIST. A maioria, se não todos os papers, exploram aspectos atuais da interação que envolve as tecnologias, as pessoas e as informações.
É possível fazer uma definição específica sobre a essência da informação na atualidade?
Tefko: Todo campo, incluindo a Ciência da Informação, é definido por determinados problemas. A CI ainda está em desenvolvimento para lidar com muitas das suas questões tradicionais. Em geral, a Ciência da Informação se interessa por situações de explosão da informação e por aplicações tecnológicas para solucionar problemas. Essa explosão remete a uma veloz formação de considerável volume de dados ou informações, em qualquer formato. As técnicas e tecnologias se transformam continuamente, assim como são, e precisam ser, permanentes a abordagem de problemas gerais e o acompanhamento de soluções.
Especificamente, a CI lida com a coleta, o armazenamento, a recuperação e o uso da informação. Preocupa-se com o registro da informação e do conhecimento, com serviços e a utilização das tecnologias para facilitar a sua gerência. O campo compreende a efetiva comunicação da informação e objetos de informação, particularmente o registro de conhecimento em formas diversas, entre humanos em contextos sociais, organizacionais e individuais necessários para o uso da informação.
Historicamente, e também na presente era digital, há dois tópicos-chave a serem destacados: a necessidade humana e social de uso da informação; e as informações técnicas, dos sistemas e tecnologias para satisfazer aquela necessidade e prover a efetiva organização e a recuperação da informação. Resumindo, há dois mundos de interação: o da tecnologia e o da humanidade.
Quais são, hoje em dia, as principais relações interdisciplinares da CI?
Tefko: Todo campo científico está em crescimento interdisciplinarmente, incluindo a CI, cujos principais contatos são com a Ciência da Computação e a Biblioteconomia. Mas, há também relações relativamente novas, relevantes e crescentes com áreas que lidam com a avaliação e políticas de produtividade científica.A Bibliometria é um segmento tradicional da CI, dedicando-se à quantificação de aspectos da produção e comunicação científicas. Na era digital, as análises bibliométricas são mais diversificadas, complexas e ricas. O desafio é cada vez maior para o desenvolvimento de novos métodos, para o aperfeiçoamento dos métodos atuais e tipos de análises.

Altmetria tem emergido como resultado de restrições da Bibliometria e métodos cientométricos na avaliação das interações em ambientes digitais. É importante para aferir contribuições acadêmicas nesses novos meios, incluindo a blogosfera e a Web. Os dados e métodos altmétricos são aplicados em estudos de duas vertentes: comunicação acadêmica; e aplicação das mídias sociais em bibliotecas.

A dimensão humana e social da CI tem conseguido estabelecer um equilíbrio em relação à dimensão tecnológica?
Tefko: Sim e não. Dois exemplos, um geral e outro específico, ajudam a entender a minha visão. A questão social “como as pessoas buscam, usam e se relacionam com a informação” tem sido objeto de inúmeros estudos e experiências. Os resultados, com níveis diversos de êxito, são aplicados em projetos mais variados e eficientes de recuperação da informação e dos chamados sistemas de recomendação. Esses sistemas são bem diferentes do que os de há algumas décadas. A utilização dos sistemas pelos próprios usuários finais, em vez dos intermediários, significa mudanças muito acentuadas.
E aqui, o segundo exemplo. Nos Estados Unidos, através da National Science Foundation (NSF) e outras agências, o governo criou pesquisas em bibliotecas digitais, a partir de 1994, com o programa chamadoDigital Library Initiatives (DLI). A partir de então, surge uma forte comunidade internacional de pesquisadores do tema, oriundos de campos variados, incluindo da CI. Cabe destacar, também, que o Google foi inicialmente desenvolvimento na Universidade de Stanford, com o apoio da NSF no próprio DLI.
Ambos os exemplos apresentados têm consideráveis componentes sociais e humanos. Entretanto, como a tecnologia está na vanguarda das mudanças, sempre haverá desequilíbrios.
Qual segmento da CI é pouco estudado e precisa de mais investimentos e atenção?
Tefko: A relevância, como principal ramo da CI, precisa ser mais explorada. Claro, trata-se de uma visão particular, pois lido com o tema há décadas. Mas, entendo que a ideia central da Ciência da Informação é a recuperação da relevância informacional, não apenas qualquer tipo de informação. Quanto mais nós compreendemos a relação dos humanos com a relevância, maior a chance de elaborarmos melhores e mais adequados sistemas de recuperação.
Quais os principais projetos de desenvolvimento da CI nos anos 1960-70 que foram concretizados e quais não foram?
Tefko: Os banco de dados e o uso de computadores para a recuperação da informação foram determinantes para a expansão do campo naquele momento, assim como o desenvolvimento da indústria da informação como um todo. Porém, essa dimensão tecnológica contornou, de certa forma, os usuários e suas necessidades. Os avanços foram sendo apropriados, com a maioria dos mecanismos de busca tomados pelo conceito de propriedade. Técnicas de recuperação da informação eram bem conhecidas, mas esse caráter de particularidade limitou a utilização e o manejo dos motores de busca.
É possível caracterizarmos um mapa da pesquisa em CI pelo mundo? Há peculiaridades de acordo com as regiões?
Tefko: Podemos dizer que não há, por exemplo, uma física japonesa, americana ou russa. E também não há uma Ciência da Informação típica do Brasil ou da Alemanha. Porém, existem diferenças entre países quanto ao grau de produtividade e de orçamento para as pesquisas.O portal SCImago Journal & Country Rank inclui periódicos e indicadores científicos de alguns países, a partir da base de dados Scopus. Podemos, então, estabelecer rankings de países, com comparações de documentos publicados e citados. Não é possível classificarmos aspectos específicos da CI, mas sim categorizarmos a partir de recortes disciplinares mais amplos. Há um gráfico e uma tabela (expostos abaixo) comparando resultados em ciências e humanidades de quatro países latino-americanos.

A iniciativa apresenta índices de documentos publicados em periódicos de países ao longo dos anos, com dados obtidos a partir do Scopus, que abrange revistas científicas de campos variados da academia, como das ciências tradicionais, humanidades e tecnologias. Como é possível observar, o Brasil está muito bem posicionado na escala de citações, em comparação com a Argentina, a Colômbia e o México.
Quais oportunidades profissionais a CI oferece hoje em dia? O que o senhor diria aos jovens interessados em seguir carreira neste campo?
Tefko: Eu não disponho de dados específicos para falar com segurança sobre isso, mas as minhas experiências e observações demonstram que a CI é um campo atrativo. Todos os meus alunos, inclusive os atuais, conseguem encontrar emprego em segmentos diversos, variando os tipos de instituições, de funções e cargos.
Qual é o espaço e o papel da divulgação científica na CI?
Tefko: A questão remete às atividades do que hoje chamamos deinformation literacy. O National Forum on Information Literacy, que reúne mais de 90 organizações nacionais e internacionais, define o termo como “competência para agir em casos de necessidades por busca de informação; ser capaz de identificar, localizar, avaliar e efetivamente utilizar a informação para solucionar questões e desafios”. A information literacy emerge para atuar no bem-estar social e econômico diante de uma sociedade cada vez mais complexa.
Há grandes ações voltadas para a educação e outros campos dedicados à promoção da information literacy. E a informação científica está no cerne dessa dinâmica, pois muitos pesquisadores e outros profissionais mantêm, de alguma forma, relações com aspectos desse conceito.
Há no Brasil críticas quanto a eventuais fragilidades teóricas e epistemológicas da CI. O que o senhor pensa sobre isso?
Tefko: Embora eu tenha feito algumas pesquisas sobre o assunto, não posso comentar com propriedade sem explora-lo mais profundamente em livros e artigos. Portanto, prefiro evitar esse tópico.

Quais são as contribuições brasileiras para a pesquisa em CI?

Tefko: São muito consideráveis. Há diversos exemplos, mas me atentarei para dois deles. O Brasil é líder em CI, não só na América Latina, mas também promove significativo impacto na comunidade internacional desta ciência. Isso pode ser facilmente observado, entre outros casos, através de periódicos importantes, como a revista Ciência da Informação (do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia-IBICT), o Brazilian Journal of Information Science (da Universidade Estadual Paulista-Unesp) e Informação & Sociedade: Estudos (da Universidade Federal da Paraíba-UFPB). Esses periódicos têm relevância para a CI como um todo e representam as pesquisas, as discussões e os avanços contemporâneos em CI conduzidos pelo Brasil.
O outro caso do qual gostaria de comentar é o livro Modern Information Retrieval: The Concepts and Technology behind Search (2nd Edition), da ACM Press Books. Um dos autores é o chileno Ricardo Baeza-Yates, cientista da computação e atual vice-presidente do Yahoo! Researchpara a América Latina e Europa. Já Ribeiro-Neto, o outro autor da obra, é professor do departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e diretor de engenharia do Centro de Desenvolvimento e Pesquisa da Google no Brasil, localizado em Belo Horizonte-MG. No Google Scholar, o livro tem mais de 12.000 citações, enquanto que Baeza-Yates tem perto de 28.000 e Ribeiro-Neto acima de 15.000. Esses números são bastante relevantes e indicam o impacto da pesquisa realizada na América Latina e no Brasil.
Como foi o seu período de docência no Brasil? Como começaram as suas relações com o país?
Tefko: Inicialmente, eu recebi um convite para lecionar no Brasil no inverno de 1971-1972, para 16 estudantes no Programa de Pós-graduação do então Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD – que adiante seria denominado como IBICT) . Naquele momento, o Instituto era dirigido por Celia Zaher, uma das responsáveis pela solidificação da CI no Brasil e na América Latina. Ela demonstrava muita competência, liderança, forte personalidade, visionarismo e clareza sobre a área, tanto internamente quanto fora do país. Algumas atuações dela foram em programa educativo focado nos avanços contemporâneos em CI, particularmente a recuperação da informação, múltiplos contatos internacionais, ações de indexação e bibliografia geradas por computador, entre outros exemplos.
Aquele ambiente era eletrizante, os estudantes eram impacientes e trabalhavam intensamente. Mais do que boa receptividade, eu fiz amigos, os quais mantenho ainda hoje. Em outras oportunidades, eu retornei ao IBICT e outras instituições para eventos e conferências. Fui muito feliz nas minhas estadias, conhecendo todo o Brasil. Tenho até um título de cidadão carioca honorário. De fato, guardo muito carinho e admiração pelo país. E os meus antigos alunos se saíram bem e tiveram progresso, o que me deixa muito, muito orgulhoso e feliz!
Quais foram as suas motivações para ingressar nessa carreira?
Tefko: A história é longa, mas vou tentar resumir. Eu vi um computador pela primeira vez no início dos anos 1960, chamado RCA 501, modelo que já faz parte de museu e cuja empresa não mais existe. Lembro-me como se fosse hoje. Era um dos primeiros computadores comerciais, muito grande, grotesco, com luzes piscando, ocupando uma sala inteira. A memória do equipamento era menor que a do meu atual relógio de pulso. Daí, eu me apaixonei por computadores. Mesmo concentrado nos estudos daquela fase acadêmica, eu mantinha a atração por aquelas máquinas.
No início dos anos 1960, quando eu já ia para a pós-graduação em Cleveland, Ohio, as universidades não dispunham de programa de informática, até porque a Ciência da Computação não existia. Porém, eu descobri o Center for Documentation and Communication Research (CDCR), ligado à School of Library Science, da Western Reserve University, uma antiga universidade privada que tinha computador e oferecia cursos em uma área que viria a se chamar recuperação da informação. Passada a pós-graduação, eu trabalhei no CDCR, que teve atuação em sistemas de recuperação em metalurgia, sendo o primeiro sistema comercial de recuperação de informação nos Estados Unidos. O trabalho atendeu a demanda da associação America de Metais.
Esse é o início de uma longa trajetória!
Há algum tema sobre o qual o senhor gostaria de comentar, mas deixamos de abordar na entrevista?
Tefko: Eu gostaria de falar mais sobre a educação, que é crítica em muitos campos científicos. A afirmação é luar (sic)-comum, mas deve ser reforçada.A educação em CI começou lentamente nos anos 1950-60. Dois modelos se tornaram referência ao longo dos anos. O primeiro deles é associado a programas de bibliotecas, cujo pioneirismo no Brasil é do IBICT. Tal padrão possui a qualidade de posicionar a educação dentro de uma estrutura de serviços, aproximando educação e prática profissional, dedicando atenção ao usuário, que lida com uma série de serviços e fontes diversas de informação. A falha é a carência de uma estrutura teórica mais ampla, assim como ensino do próprio sistema, como a compreensão de algoritmos. A maioria dos pesquisadores em comportamentos e informações humanos, centrados nos usuários, possuem afinidade com esse ambiente educacional. Dessa perspectiva surge a designação de Ciência da Informação.

O Segundo modelo refere-se à Ciência da Computação, trabalhando com sistemas de recuperação da informação. As qualidades dele são: a) ter sólida base matemática em sua origem; b) ter vínculos diretos com a pesquisa científica. Os pontos fracos são: a) ignora aspectos mais amplos da CI, bem como outros campos das humanidades; b) desprestigia práticas profissionais de onde esses sistemas são utilizados.Trata-se de um modelo de sucesso com foco na computação, sem atenção especial à CI. Neste viés estão os pesquisadores com foco nas abordagens dos próprios sistemas.
Os dois contextos educacionais são completamente independentes um do outro. Nenhum deles consegue refletir a realidade do campo, ainda mais hoje, em que todos buscam informações e há inúmeras e múltiplas pesquisas sobre informação em todo o mundo. Porém, é importante os esforços para integrar esses modelos e gerar uma perspectiva mais ampla.

Obs: inicialmente, o blog havia informado que o pesquisador Berthier Ribeiro-Neto era da Ciência da Informação. Porém, conforme já retificado, ele é da Ciência da Computação da UFMG.

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