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SNBU 2016 – Dia 17/10/16

No segundo dia do SNBU 2016, cujo eixo temático foi “Gestão sustentável”, acompanhei a conferência “Gestão da Biblioteca Universitária frente às Demandas do Contexto Contemporâneo”, proferida por Pedro Miguel Estácio dos Santos, diretor da biblioteca de Letras da Universidade de Lisboa.

Diferentemente do Brasil, as bibliotecas universitárias portuguesas funcionam autonomamente, e não vinculadas a um sistema central. A Faculdade de Letras possui, atualmente, cerca de 3000 alunos e 250 docentes e investigadores, além de 90 não docentes. Sua biblioteca realiza por volta de 60000 empréstimos por ano, promoveu 50 eventos culturais em 2015 e possui um orçamento médio de 100000 euros por ano. A equipe da biblioteca é composta por 1 dirigente (bibliotecário), 7 bibliotecários, 6 assistentes de biblioteca, 1 técnico superior (área cultural), 2 assistentes administrativos e bolsistas e voluntários, cujo número é variável.

Apresentado esse contexto, Santos esclareceu que embora a Universidade de Lisboa  seja pública, ela adota o modelo de gestão empresarial, mas adaptado para o setor público, por isso, o orçamento varia em função da produtividade da biblioteca. Nesse contexto, o bibliotecário deve convencer o gestor da universidade que a biblioteca não seja vista como despesa financeira porque seu retorno não pode ser medido monetariamente. Diante disso, Santos apresentou três desafios que nortearam sua fala: capacitar gestores, capacitar e motivar equipes e capacitar os usuários.

No que diz respeito à capacitação de gestores, o palestrante comentou que as mudanças atuais envolvem, dentre outros aspectos, fatores políticos, sociais (aumento da pobreza) e tecnológicas (novas plataformas de comunicação e novas ferramentas para organização e representação da informação, por exemplo). Além disso, destacou: a avaliação dos impactos no cumprimento da missão das bibliotecas universitárias; a contração orçamental (também vivida pelas bibliotecas universitárias portuguesas na atualidade); comunicar, implementar e gerir a mudança; posicionar-se conforme a visão da universidade e dos usuários; avaliar e comunicar resultados (publicação de indicadores estatísticos de desempenho); competências (segundo a Library Leadership & Management Association – LLAMA, algumas são: comunicação, gestão da mudança, constituição e desenvolvimento de equipes, cooperação e inteligência emocional); e aptidões (conforme propostas pela European Council of Information Association em 2004, por exemplo, relacionamento e organização. Algumas das ideias a reter desse desafio são, dentre outras: ser gestor de uma biblioteca universitária é um full time job, assim como a gestão da bibliotecas universitária requer gestores profissionais, bem como um modelo de gestão.

Nos desafio dois e três, respectivamente, capacitar equipes e capacitar usuários, Santos não se aprofundou nos tópicos, pois apresentou esses tópicos de forma diluída em outros momentos. No que diz respeito à capacitação de equipes, destaquei a identificação das áreas de atuação dos membros e suas competências, anteriormente citadas, das quais ressalto a aplicação do direito da informação, além da mobilidade funcional, que é a adequação do perfil à função. Em relação ao terceiro desafio, basicamente o palestrante apresentou algumas recomendações para bibliotecas universitárias portuguesas propostas pelo GT-BES/BAD, como editoração, repositórios, criação de serviços de apoio à gestão de dados científicos e parcerias, além de indicadores, como a aquisição de livros por ano, empatia no atendimento e resposta adequada ou não.

A palestra seguinte, proferida por Adelaida Ferrer Torrens, tratou do “Centro de Recursos para a Aprendizagem e Pesquisa (CRAI)” na Universidade de Barcelona, que atualmente possui 27 bibliotecas e 240 pessoas trabalhando nelas. Inicialmente, Ferrer Torrens destacou algumas ideias importantes que foram discutidas ao longo de sua fala: a biblioteca é o coração da universidade; o ritmo com que ocorrem mudanças; a principal missão da biblioteca é facilitar o acesso à informação; para oferecer serviços e produtos é importante colaborar e cooperar; criar sinergias; o bibliotecário deve ter um perfil integrado, isto é, integrar grupos de pesquisa, departamento e outros setores da universidade; trabalhar com processos padronizados. Nesse contexto, a palestrante explicou que o impacto da biblioteca universitária ocorre, entre outras situações, na valoração dos rankings universitários, na promoção da ALFIN (Alfabetização Informacional), contribuindo para o sucesso acadêmico dos usuários, e na melhora da qualidade da docência.

No que se refere à questão da mudança de uma biblioteca reativa para uma no modelo CRAI, ela ocorre em alguns aspectos, tais como: a projeção da docência e da investigação no meio social como difusoras do conhecimento; imersão em um undo mundo digital; o aluno enquanto ator central do processo formativo; o professor como facilitador; a extensão do processo educativo ao longo da vida; transmissão de valores e saber à sociedade; e a ascensão de tecnologias (Moodle, MOOCs, open access, software livre, dentre outras). Em relação ao perfil dos usuários do século XXI, a palestrante apontou que atualmente são mais analíticos e exigentes, além de solicitarem serviços em todos os lugares, ou como também são conhecidos, 24/7. Enfim, a biblioteca como CRAI envolve equipe (bibliotecários, informáticos, especialistas em recursos audiovisuais) e serviços (capacitação pedagógica, empréstimos de outros materiais além dos bibliográficos, direitos autorais, propriedade intelectual, serviços para pessoas com deficiência, MOOCs e salas para docência) e, assim, contribui para a missão da universidade e a formação docente.

Na sequência, a Prof. Marta Lígia Pomim Valentim (UNESP) apresentou a palestra “A Perspectiva da Gestão Inovadora da Biblioteca Universitária”. No início, Valentim discorreu sobre indicadores do Índice Global de Inovação 2016 com ênfase naqueles voltados para educação, como instituições, capital humano e pesquisas, infraestrutura, saídas criativas (ativos intangíveis, bens e serviços criativos, criatividade online). O indicador capital humano e pesquisas foi destacada como importante para as bibliotecas universitárias, haja vista que apresenta dados como gasto por aluno, matrículas no nível superior, pesquisadores em tempo integral, dentre outros). A palestrante também apresentou autores que trabalham com o tema, como Ada Scupola e Ronald Jantz, além de um evento internacional relacionado, o 2nd International Conference on Leadership and Innovative Management in Academic Libraries in the Age of New Technology.

Como características de uma biblioteca universitárias inovadora, Valentim apontou vários itens, a saber: a necessidade de discutir sobre os direitos autorais e copyleft, haja vista que o tema está sendo debatido em nível internacional atualmente, em especial as limitações e exceções para bibliotecas e arquivos; a bibliotecas universitária movimenta o mercado e é seu refém, porém, essa posição diminui à medida que são criados repositórios institucionais; produção de conteúdo (a biblioteca deve torná-lo disponível); o estabelecimento de uma política institucional de preservação digital; democratização do conhecimento; implantação do RDA (novos conteúdos e suportes); adoção da web semântica, folksonomias e taxonomias; uso de biometria; adoção do RFID; uso de OPACs e repositórios institucionais; capacitação de usuários por meio de ferramentas de ensino à distância; tecnologias de digitalização; tecnologias 3D para obras raras (atualmente em uso na Biblioteca Estadual da Baviera, na Alemanha); desenvolvimento da competência em informação; tecnologias assistivas; LIBRAS; e definição de planejamento (estratégico, tático e operacional).

No período da tarde, além de visitar a feira de produtos, assisti os seguintes trabalhos:

Segurança, gerenciamento e automação de bibliotecas: vantagens e críticas aos recursos de autodevolução de materiais bibliográficos
Nivaldo Calixto Ribeiro, Márcio Barbosa de Assis e Taciele Jamila Mori

O trabalho foi apresentado por Nivaldo, que relatou a experiência da Universidade Federal de Lavras (UFLA) no uso da tecnologia RFID para autodevolução. Basicamente, ele apresentou as vantagens dessa tecnologia, como liberação de funcionários para outra atividades, monitoramento da quantidade de itens devolvidos, mobilidade e autonomia do usuário, e desvantagens, como danos causados pela queda do livro, custo elevado (por volta de R$515 000 para o equipamento completo: antenas, leitores de RFID, software, desenvolvimento de aplicativo, sistema de comunicação, dentre outros itens).

Foi interessante o comentário do Nivaldo que além da mudança provocada pela tecnologia, ela também motivou maior atenção à obra no momento da devolução antes do encaminhamento para as estantes. Como muitas obras estavam sendo danificadas dependendo da forma como caíam na esteira da autodevolução, agora o estado de conservação das obras é avaliado por funcionários caso precisem de reparo.

O uso de indicadores de desempenho da ISO 11620 para avaliar bibliotecas universitária
Elaine Cristina Tomás Pimenta e Thalmo de Paiva Coelho Junior

Confesso que desconhecia (ou não lembrava) da norma ISO 11620, que propõe indicadores para avaliação de bibliotecas. É muito aplicada nos Estados Unidos, mas no Brasil Elaine localizou apenas três trabalhos sobre o assunto. A última versão da norma é de 2014 e possui 52 indicadores. O formato padrão dos indicadores possui os seguintes elementos: nome, objetivo, âmbito, definição do indicador, método, interpretação, fonte e indicador relacionado.

Dessa forma, percebe-se que o nível de detalhamento possibilitado pelos indicadores contribui para ajudar no diagnóstico da biblioteca, na determinação da alocação de recursos, no apontamento de pontos fortes e fracos, além de medir o uso do serviços e detectar baixa produtividade e, assim, descobrir como combatê-la.

O desenvolvimento de competências em informação em ambientes virtuais de aprendizagem: uma proposta experimental
Daniel Cerqueira Silva

Infelizmente quando entrei no Salão Rio Negro para assistir este trabalho, a apresentação já estava avançada, mas foi possível acompanhar parte do relato do Daniel sobre a proposta apresentada.

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REDES DE CONHECIMENTO E COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO – Interfaces da Gestão, Mediação e Uso da Informação

Compartilhando lançamento de livro.

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REDES DE CONHECIMENTO E COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO – Interfaces da Gestão, Mediação e Uso da Informação

Regina Célia Baptista Belluzzo, Glória Georges Feres, Marta Lígia Pomim Valentim (Organizadores)
A edição desta obra é o resultado do esforço de pesquisadores brasileiros que têm se empenhado em divulgar experiências e estudos sobre o fenômeno irreversível da Competência em Informação, ou qualquer que seja o termo que queiramos utilizar.

No centro das propostas que envolvem a temática está a ideia de que informação, como valor estratégico, pode modificar realidades e transformar vidas. É só uma questão de planejamento e investimentos adequados. Essa coletânea mostra uma série de importantes empreendimentos que apostam nessa ideia transformadora,descrevendo ações paulatinas e pacientes que, aos poucos e de forma equilibrada, pontualizam com sua contribuição.

Relatos importantes são apresentados e contribuirão para fomentar o debate, divulgando também experiências que estimularão um número cada vez maior de profissionais a assumirem programas de formação. Em todos os campos, é preciso pensar estrategicamente o tema “Competência em Informação”. Como anunciado na “Declaração de Maceió”, no “Manifesto de Florianópolis” e na “Carta de Marília”, importantes documentos que apresentam uma primeira manifestação oficial sobre a causa no contexto brasileiro, espera-se a mobilização e o enfrentamento de desafios para que estes se transformem de assustadores em fascinantes.

Prof. Dra. Elmira Simeão
(PPGCinf – Universidade de Brasília)

Acesse aqui o vídeo promocional do livro no You Tube.

ISBN: 9788571933743
1.a Edição – 2015
Formato 16×23 cm, BROCHURA – 448 páginas

Sumário

R$ 108,00

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Congresso Internacional SIBiUSP 30 anos: O Futuro do Conhecimento Universal (II)

A segunda mesa redonda do Congresso Internacional SIBiUSP 30 anos foi intitulada “O futuro do acesso ao conhecimento para pessoas com necessidades especiais”. Coordenada por Linamara Rizzo Battistella, da Secretaria de Estado do Direitos da Pessoa com Deficiência, contou com a participação de uma convidada brasileira e dois estrangeiros.

Mara Gabrilli, deputada federal, foi quem iniciou o debate. Sua fala foi breve devido sua agenda, mas proporcionou algumas reflexões, que resumi a seguir. A deputada, a primeira cadeirante na Câmara dos Deputados, contou um pouco sobre sua trajetória. Inicialmente expôs que existem dois caminhos para o tratamento em relação as pessoas com deficiência: assistencialista ou de desenvolvimento. Destacou a importância da educação formal em sua vida, pois cursou mais de uma faculdade, dentre elas, Psicologia, onde durante a residência permitiu que o entendimento de outro ser humano ocorria quando ele era o protagonista da situação.

A palestrante também teceu comentários sobre a Convenção da ONU sobre a pessoa com deficiência. Dentre alguns dados apresentados, destacam-se: cidades, escolas e outros lugares e instituições é que são deficientes, pois possuem barreiras que impedem o uso igualitário pelas pessoas e, portanto, é o meio que tem que se adaptar às pessoas; deve-se respeitar o desenho universal, que segundo o documento

“[…] significa a concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados, na maior medida possível, por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou projeto específico. O “desenho universal” não excluirá as ajudas técnicas para grupos específicos de pessoas com deficiência, quando necessárias.”

Por meio do desenho universal, por exemplo, Gabrilli apontou que uma mesma porta pode ser utilizada por pessoas com e sem deficiência e que em outros contextos pode gerar economia de energia, dentre outras vantagens.

Também foi interessante a colocação da deputada sobre a questão do acesso à informação sobre a pessoa com deficiência, levando a reflexão se somos inclusivos com nós mesmo para incluir o outro. Além disso, destacou que a acessibilidade deve ser tanto física como de conteúdo e, nesse contexto, ressalto que cabe a nós, bibliotecários, pensar (e colocar em prática!) produtos e serviços que atendam a todos os usuários, indistintamente.

A palestra seguinte foi proferida por Albert K. Boekhorst, da Information Literacy Section da IFLA/UNESCO (Holanda). O palestrante iniciou sua fala apresentando o conceito de espaço de informação. Nele existe a observação (objetos e processos), conversas (pessoas) e consulta (armazenamento e registro de informações). Representada pelas instituições de memória, Albert também apontou a diminuição das barreiras existentes aos espaços de informação, sendo que cada pessoa tem seu próprio espaço desde o nascimento, cujo desenvolvimento ocorre durante a vida e diminui com o passar dos anos.

Mas quais são essas barreiras? São elas: econômicas (pessoas depende da produção de recursos escassos: comida, vestuário, habitação, etc.; a informação custa dinheiro, então é limitada); políticas (proteção das pessoas com desrespeito às leis; nações que bloqueiam o acesso à Internet); afetivas (relacionamentos com pessoas, canais e fontes de informação); cognitivas (pessoas dependem uma das outras porque aprendem umas com as outras); pessoais (uma pessoa analfabeta do século XVIII é diferente de uma pessoa analfabeta do século XXI; sexo, altura e outras características físicas proporcionam diferentes habilidades, as vezes muito diferentes, mas que podem ser desenvolvidas).

Sobre o processo de informatização, o palestrante destacou o desenvolvimento da técnica, que envolve o controle de forças naturais, assim como a globalização, que gerou alguns efeitos sobre as pessoas, dentre eles, o aumento no crescimento da informação e da conexão. Além disso, foram apresentadas algumas mudanças no século XXI, a saber: o trabalho na nuvem; tudo precisa de dinheiro (CD, pen-drive, servidor, etc.); o aumento da quantidade de informação requer mais habilidades para sua recuperação e avaliação.

Albert também apresentou dois documentos que balizaram a instauração da information literacy na sociedade da informação: a Declaração de Praga (2003) e a Declaração da Alexandria (2005). Também apontou que existe a perspectiva de publicação de recomendações da IFLA/UNESCO em 2012 na The Road to Information Literacy: Librarians as Facilitators of Learning, salvo engano meu.

Também foi apontada que a information literacy envolve a capacidade de transmitir informação, reconhecer a necessidade de informação, avaliação da informação, manipulação de produtos do conhecimento e que também envolve recursos não tecnológicos, ou seja, informação impressa e de natureza bibliográfica. Alguns termos relacionados com a competência em informação são: fluência na informação; educação de usuários; instrução bibliográfica. Sobre isso, Albert apresentou um estudo de Harris e Hodges (1995), que infelizmente não consegui pegar a referência completa, em que foram encontrados 19 termos relacionados.

O palestrante também apresentou alguns tópicos que foram discutidos nas reuniões de Paris (2008) e Bangkok (2010), bem como expôs três conceitos diretamente relacionados ao assunto abordado: tecnologias da informação e comunicação (alfabetismo para o uso); recursos de informação (encontrar e usar informação sem intermediários); processo de informação (conceito mais inclusivo). Sobre a desigualdade informacional, Albert explicou que esse conceito envolve tanto as pessoas como o ambiente, interferindo diretamente na riqueza ou pobreza em relação à informação.

Outra questão levantada foi “Como ficamos alfabetizados em informação?”. Dentre as respostas possíveis estão a educação formal e informal, além da integração da information literacy em qualquer matéria ou currículo, já que é uma das habilidades requeridas na sociedade atual. Foi destacado que a information literacy é um conceito dinâmico e que envolve tanto o acesso à informação como o uso das TICs. No que se refere às pessoas com necessidades especiais, esse conceito também deve ser expandido para as minorias que possuem limitações de atividade e restrições de participação na vida social. Essas e outras recomendações podem ser encontradas no World report on disability (Relatório mundial sobre necessidades especiais). Uma imagem bastante interessante apresentada pelo palestrante foi a Timeline of communication tools, pela qual pode ser observada que se ainda há meios de comunicação anteriores à Cristo sendo utilizados, o livro impresso não deixará de existir tão brevemente… Por fim, Albert encerrou sua exposição com o conceito de e-acessibilidade, apontando que as TICs facilitaram muito o acesso à informação pelas pessoas com deficiência.

A terceira e última palestra foi proferida por Tone Eli Moseid, da Library Services to People with Special Needs Section – IFLA (Noruega). Intitulada “Libraries dricing access to all”, a palestra foi bastante interessante do ponto de vista da apresentação de projetos práticos realizados na Noruega. Tone iniciou questionando como é tratada a questão do acesso à informação para as pessoas com deficiência e se as bibliotecas estão encarando esse novo paradigma. O contexto de hoje é de uma transição radical que exige um arcabouço de desenvolvimento para adotar esse paradigma, exemplificado por projetos de e-inclusão desenvolvidos pela União Européia.

Mas afinal, trata-se de um novo paradigma ou um novo ponto de vista? A palestrante respondeu sua própria pergunta comentando que esse paradigma provoca uma revolução nos serviços e que as bibliotecas não estão prestando atenção nisso. Tal fato se deve a permanência do arcabouço na sociedade, pois há uma longa tradição de bibliotecas para pessoas com deficiência que é baseada nas características do indivíduo (problemas biológicos, por exemplo). Assim, esforços de tratamento inadequado exigem mudar o ambiente ou as pessoas com deficiência, e é nesse contexto que devem ser pensado a prestação de serviços especiais em biblioteca, por exemplo.

Tone também colocou que uma pessoa uma não é deficiente quanto está com outra que entende a linguagem, que o ambiente deve ser adaptado às minorias, comforme propõe o einclusion Gap Model, de Becker, Niehaves, Bergener e Räckers. Além disso, teceu comentários sobre o desenho universal (ou design universal), expondo que a acessibilidade para todos é um direito e que devem ser feitos produtos e ambientes que possam ser usados sem distinção. No caso das bibliotecas, por exemplo, podem ser pensadas as questões relativas à iluminação, eliminação de plantas que causam alergias, portas adaptadas para cadeirantes e idosos que não podem fazer força.

No caso norueguês, foi apresentado a existência de um projeto de acessibilidade em bibliotecas que ocorreu de 2001 a 2004, que teve, dentre outros objetivos, eliminar barreiras físicas e aumentar o uso das TICs para pessoas com deficiência, culminando na elaboração de um guia de acessibilidade. Esse projeto também considerou a demanda 24 horas por serviços eletrônicos, mas ressaltando que podem haver barreiras, por exemplo, telas touch screen para deficientes visuais. Em relação aos sites, o projeto lembra que devem apresentar uniformidade e navegadores específicos para tornar a biblioteca virtual acessível, como é o caso de um site de informações norueguês (se não me engano, de natureza governamental), que possui um software que converte texto em arquivos de áudio.

Essa amplitude do acesso à informação foi ampliada, sobretudo, pelas TICs, basta ver o exemplo dos audiolivros, livros táteis, livros didáticos em áudio para facilitar a interpretação, plataforma comum para pessoas com deficiência visual e bibliotecários de bibliotecas públicas se comunicarem, softwares especiais que podem reduzir barreiras, dentre outras formas de acesso possíveis. Nesse novo contexto, as bibliotecas que desconheciam os serviços especiais receberam treinamento que propiciaram o desenvolvimento de novas habilidades.

Outra iniciativa interessante que ocorre na Noruega é o Easy-to-Read-Network, que basicamente é uma rede de pessoas que leem e discutem textos para parentes e/ou outras pessoas, geralmente em bibliotecas públicas, mas não limitado a esses espaços. Na Noruega, as bibliotecas públicas também oferecem orientação pessoal para as pessoas com deficiência, proporcionando-lhes autonomia para futuramente realizar suas próprias ações de maneira autônoma, como é o caso da rede supracitada no âmbito da leitura.

Nesse novo paradigma, as bibliotecas devem conhecer os diferentes tipos de deficiências para oferecem melhor atendimento aos seus usuários, ou seja, redefinir papéis, enfrentar os novos desafios, adotar o desenho universal para garantir a acessibilidade, dentre outras ações possíveis. Além disso, deve ser pensada a questão da inclusão digital, tendo em vista a realização de projetos nesse contexto na Europa e na América, exemplificados por um projeto da Califórnia que lançou um programa com um fundo para uso das TICs e, no Brasil, outro programa para o desenvolvimento de competências digitais.

Diante do exposto, Tone encerrou sua palestra expondo que as bibliotecas devem reduzir as lacunas em relação ao acesso e não no que se refere à informação. Tal medida pode ser adotada com a oferta de conteúdo digitalizado para grupos específicos por meio do desenho universal, por exemplo. Desta forma, as bibliotecas estarão alinhadas a alguns princípios da gestão 2010-2015 da IFLA, dentre eles, acesso igualitário à informação e transformação do perfil da profissão de bibliotecário.

Particularmente considero essa mesa redonda muito interessante, não só pelo fato de ter sido o primeiro contato com a questão da acessibilidade no contexto das bibliotecas, mas também por conhecer algumas iniciativas e perceber que é uma área que possui grande potencial de desenvolvimento, facilitada, sobretudo, pelo uso das TICs.

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LILAC 2011 Call for papers

The call for papers for the LILAC (UK annual information literacy) 2011 conference closes on 1st November 2010. The themes this year are: New to teaching; Creativity in IL; Supporting excellence in the research community; IL in society: making a difference; IL in the future; Evidence based IL. The conference takes place 18-20 April in London. The options are: Short Papers (30 minutes); Long Papers (45 minutes); Workshops sessions (1 hour); Symposiums (1 hour); Pecha Kucha (6 mins 40 seconds);
Poster Presentations.
The site is at http://lilacconference.com/WP/call-for-papers/
Photo by Sheila Webber: Autumn colour, October 2010.

Disponível em: <http://information-literacy.blogspot.com/2010/10/lilac-2011-call-for-papers.html>. Acesso em: 12 out. 2010.

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CURSO À DISTÂNCIA: “COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO PARA BIBLIOTECÁRIOS”

A gestão da FEBAB (2008-2011) acha-se pautada em critérios que são estratégicos para enfrentar os desafios decorrentes de um novo cenário social e uma de suas propostas está voltada para as pessoas e suas competências, visando a duas ações:

Estabelecer um sistema de identificação de necessidades de educação continuada em termos globais e, consubstanciado, em modernas práticas de gestão de pessoas e de competências.
Promover a educação continuada dos profissionais bibliotecários e cientistas da informação ampliando a oferta mediante a adoção da modalidade de EAD, visando cobrir todo o território brasileiro
A primeira identificação de necessidades de educação continuada foi realizada junto aos participantes do XV Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, na cidade de São Paulo, em novembro de 2008.

Competência em Informação para Bibliotecários
Profa. Dra. Elisabeth Adriana Dudziak

Plataforma Moodle

Apresentação do curso

Hoje, mais do que nunca, os profissionais da informação (como o bibliotecário, o analista de informações e o documentalista), necessitam ser competentes em informação. Isto significa ser um expert no domínio de habilidades, conhecimentos e atitudes que capacitam o indivíduo a lidar com a totalidade do ciclo informacional. Além disso, cabe ao profissional da informação promover meios e implementar ações educacionais que tornem crianças, adolescentes e adultos competentes em informação.

Ementa do curso

Apresenta o conceito e suas nuances, assim como proporciona uma oportunidade de reflexão e modificação da visão que o profissional da informação tem de sua própria atuação. Inclui: origem e evolução do conceito, características e componentes, modelos de processos e paradigmas, atuação do profissional da informação, procedimentos para aprimoramento da competência em informação.

Objetivo

Aprimorar conhecimentos, habilidades e atitudes relacionados à competência em informação.

Público-alvo: Profissionais da informação

Nova Turma:

Período do curso: 03 de novembro a 14 de dezembro de 2009

Inscrições: De 26 de outubro a 02 de novembro de 2009

Carga horária: 50 horas

Conteúdo programático

Módulo 1 – O significado da competência em informação
Aula 1 – Introdução ao conceito de competência
Aula 2 – Origem e conceituação da competência em informação
Aula 3 – Componentes da competência em informação

Módulo 2 – Implementando ações voltadas à competência em informação
Aula 4 – A atuação do profissional da informação
Aula 5 – Como aprimorar sua competência em informação
Aula 6 – Bases pedagógicas e didáticas

Base conceitual

O curso foi elaborado a partir de referenciais teóricos e práticos internacionalmente reconhecidos e divulgados a partir da IFLA e da UNESCO.

Mini-currículo de Elisabeth Adriana Dudziak

Graduação em Biblioteconomia – 1984 (Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo).

Mestrado em Ciência da Informação – 2001 (Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo) com a dissertação “Information literacy e o papel educacional das bibliotecas”.

Doutorado em Engenharia de Produção – 2007 (Escola Politécnica, Universidade de São Paulo), com a tese “Lei de inovação e pesquisa acadêmica”.

Atualmente é bibliotecária chefe da Biblioteca de Engenharia Elétrica da Divisão de Biblioteca da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Pesquisa o tema da competência em informação desde 2000.

Investimento

Parcela única de R$ 150,00 (somente p/sócios das Associações membros da FEBAB – Sindicatos não são filiados à FEBAB) e R$ 250,00 (não associados). Ter CRB não dá direito ao desconto.

Aceitamos inscrições por empenho

Encaminhar o empenho via fax 11 3257-9979 em nome da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições – FEBAB
CNPJ: 44.075.687/0001-08 Inscrição Estadual: 149.329.902.110 Rua Avanhandava, 40 Conjs. 108/110 Bela Vista 01306-000 São Paulo – SP

Inscrição online: Para preencher a ficha de inscrição online é preciso aceitar o regulamento abaixo.

Disponível em: . Acesso em: 31 out. 2009.

As inscrições podem ser feitas no site da FEBAB.

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CURSO À DISTÂNCIA: "COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO PARA BIBLIOTECÁRIOS"

A gestão da FEBAB (2008-2011) acha-se pautada em critérios que são estratégicos para enfrentar os desafios decorrentes de um novo cenário social e uma de suas propostas está voltada para as pessoas e suas competências, visando a duas ações:

Estabelecer um sistema de identificação de necessidades de educação continuada em termos globais e, consubstanciado, em modernas práticas de gestão de pessoas e de competências.
Promover a educação continuada dos profissionais bibliotecários e cientistas da informação ampliando a oferta mediante a adoção da modalidade de EAD, visando cobrir todo o território brasileiro
A primeira identificação de necessidades de educação continuada foi realizada junto aos participantes do XV Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, na cidade de São Paulo, em novembro de 2008.

Competência em Informação para Bibliotecários
Profa. Dra. Elisabeth Adriana Dudziak

Plataforma Moodle

Apresentação do curso

Hoje, mais do que nunca, os profissionais da informação (como o bibliotecário, o analista de informações e o documentalista), necessitam ser competentes em informação. Isto significa ser um expert no domínio de habilidades, conhecimentos e atitudes que capacitam o indivíduo a lidar com a totalidade do ciclo informacional. Além disso, cabe ao profissional da informação promover meios e implementar ações educacionais que tornem crianças, adolescentes e adultos competentes em informação.

Ementa do curso

Apresenta o conceito e suas nuances, assim como proporciona uma oportunidade de reflexão e modificação da visão que o profissional da informação tem de sua própria atuação. Inclui: origem e evolução do conceito, características e componentes, modelos de processos e paradigmas, atuação do profissional da informação, procedimentos para aprimoramento da competência em informação.

Objetivo

Aprimorar conhecimentos, habilidades e atitudes relacionados à competência em informação.

Público-alvo: Profissionais da informação

Nova Turma:

Período do curso: 03 de novembro a 14 de dezembro de 2009

Inscrições: De 26 de outubro a 02 de novembro de 2009

Carga horária: 50 horas

Conteúdo programático

Módulo 1 – O significado da competência em informação
Aula 1 – Introdução ao conceito de competência
Aula 2 – Origem e conceituação da competência em informação
Aula 3 – Componentes da competência em informação

Módulo 2 – Implementando ações voltadas à competência em informação
Aula 4 – A atuação do profissional da informação
Aula 5 – Como aprimorar sua competência em informação
Aula 6 – Bases pedagógicas e didáticas

Base conceitual

O curso foi elaborado a partir de referenciais teóricos e práticos internacionalmente reconhecidos e divulgados a partir da IFLA e da UNESCO.

Mini-currículo de Elisabeth Adriana Dudziak

Graduação em Biblioteconomia – 1984 (Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo).

Mestrado em Ciência da Informação – 2001 (Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo) com a dissertação “Information literacy e o papel educacional das bibliotecas”.

Doutorado em Engenharia de Produção – 2007 (Escola Politécnica, Universidade de São Paulo), com a tese “Lei de inovação e pesquisa acadêmica”.

Atualmente é bibliotecária chefe da Biblioteca de Engenharia Elétrica da Divisão de Biblioteca da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Pesquisa o tema da competência em informação desde 2000.

Investimento

Parcela única de R$ 150,00 (somente p/sócios das Associações membros da FEBAB – Sindicatos não são filiados à FEBAB) e R$ 250,00 (não associados). Ter CRB não dá direito ao desconto.

Aceitamos inscrições por empenho

Encaminhar o empenho via fax 11 3257-9979 em nome da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições – FEBAB
CNPJ: 44.075.687/0001-08 Inscrição Estadual: 149.329.902.110 Rua Avanhandava, 40 Conjs. 108/110 Bela Vista 01306-000 São Paulo – SP

Inscrição online: Para preencher a ficha de inscrição online é preciso aceitar o regulamento abaixo.

Disponível em: . Acesso em: 31 out. 2009.

As inscrições podem ser feitas no site da FEBAB.

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