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Inscrição da corrida: 5 livros! Crianças participam e coletam 16.500 livros para transformar TREM EM BIBLIOTECA (Yellow Train School?s)

Do site Thehindu.com:

Quando o trem de número 92410 chegar ele já entrou para a história.

Mais de mil pessoas se reuniram no Cosmo Club, Race Course, usando seus babadores de maratona no domingo.  As crianças, os pais e até mesmo os avós se amontoaram conversando sobre ser um corredor de ouro, um corredor amarelo …

Uma placa pendurada em uma árvore já tinha um número: 16.500.

Houve uma excitação palpável no ar quando começaram a cantar,

“Abra um livro e você encontrará pessoas e lugares de todo tipo …”

A corrida

Desde as 5h30 da manhã grupos de corredores e até bebês estavam prontos.

“Não há concorrência. Não nos importa terminar primeiro. Todos estamos correndo para celebrar o nosso bogie preenchendo livros “, diz um grupo de meninas da 8ª série.

A escola iniciou a campanha em todo o mundo e recebeu livros de muitos países.

Em Coimbatore, crianças pediam as pessoas e a seus pais a inscrição da maratona com um mínimo de cinco livros.

“Meu irmão, minha irmã e eu fomos de casa em casa no meu bairro e colecionamos 300 livros”, disse Keshav Sriram, de 11 anos.

Toda a pista de corrida estava cheia de cartazes, slogans e muitos jingles.

As crianças tinham tanto a dizer como os pais. “Meu filho chegou em casa dizendo que haveria uma biblioteca em um trem exatamente como está em Totto Chan: A Little Girl by the Window”.

É tão inspirador ver a escola recriando uma cena de um livro, tornando realidade uma fantasia “, diz Bindhu Lakshmi.

Na maratona, os corredores mais jovens eram apenas três anos. Eles usavam seus babadores e correram um pouco. Então seus pais os pegaram e terminaram a corrida. “Isso é tão emocionante para nós. Queríamos fazer parte desta maravilhosa ideia “, afirmou Sindhya Karthik. Ela está feliz que seu filho pequeno tenha uma biblioteca especial para visitar. “Vamos ver o trem cheio de livros quando terminarmos de correr?”, Perguntou o pequeno.

Santhya Vikram, diretor do Yellow Train, descreve isso como um sonho tornado realidade. “Esta será uma manhã muito especial para os nossos filhos, cujas memórias serão vividas para sempre, contando e recontando para seus filhos e netos – de como um bogie chegou a sua escola uma manhã e se tornou uma biblioteca”.

92410 não é apenas um número mais. É o número do bogie que em breve se tornará a biblioteca especial do Coimbatore.

16.500 e crescendo

A escola coletou 16.500 livros para a biblioteca do Coimbatore através de inscrições para a corrida.

De clássicos como Charles Dickens através de escritores infantis como Enid Blyton e autores contemporâneos como Rick Riordon e Veronica Roth, todos os tipos de livros apareceram. Alguns doaram livros para crianças por autores indianos de editoras independentes.

“Eu dei 38 dos meus livros mais preciosos para a biblioteca, pois queria crianças e outros se beneficiarem da minha coleção”, diz Karuna Guruprasad, um dos pais.

A escola até marcou um dia para “depósito de livros”,e pode-se ver garotos empurrando carrinhos e voluntários estavam estacionados em todos os lugares. As pessoas vieram com malas, caixas e carregavam os carrinhos com livros.

A cada mil livros era foi anunciado com grande farra pela equipe de torcedores.

Quão reconfortante saber que os livros importam para as pessoas, pelo menos, neste canto do mundo!


Não importava mesmo a corrida, disse uma criança. Foto: thehindu.comDisponível em: <http://www.vozdocliente.com.br/noticiario/ler.php/17120027/>. Acesso em: 19 dez. 2017.

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Escolas particulares adotam os livros digitais

TOQUE AIunos do ensino médio da Escola Internacional de Alphaville usando seus tablets. A aula de química ficou mais interessante (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)TOQUE AIunos do ensino médio da Escola Internacional de Alphaville usando seus tablets. A aula de química ficou mais interessante (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)

A agitação dos alunos é a mesma de todo início de aula, em qualquer escola e em qualquer turma de garotas e garotos com seus 15 anos. Embalados pelo calor de uma tarde de fevereiro, falam alto e dão risadas. Como sempre, o professor gasta preciosos minutos da aula para acalmar o grupo, usando frases que soam familiares. “Vamos sentando, pessoal”, “Por favor, a aula vai começar”, “Gente, vamos lá, silêncio”. Aos poucos, o volume da conversa diminui, eles se sentam, tiram o material das mochilas. É quando chega aquele momento em que se espera ouvir outra frase-padrão: “Peguem seus livros e abram na página tal”. Em vez disso, Adalberto Castro, que ensina química para o ensino médio, pede a seus alunos que abram seus tablets. “Baixem os aplicativos Chemical e PSE”, diz. “Vamos usá-los nesta e na próxima aula.” A partir daí, as coisas começam a parecer um pouco diferentes do que numa aula tradicional sobre moléculas.

>> As principais opções de e-reader no mercado
Castro trabalha na Escola Internacional de Alphaville, em São Paulo, uma das poucas escolas particulares do país que adotaram livros didáticos digitais acessíveis por tablets. A chegada das obras de editoras como Ática, Scipione, FTD e Moderna aos colégios é o primeiro movimento significativo, desde o início da febre dos tablets na escola, em direção a uma mudança concreta no ensino. Há cerca de um ano, os aparelhos serviam mais como marketing que como material didático. Passada a euforia da novidade, agora as escolas começam a experimentar, de maneira mais planejada, seu uso em sala de aula. O conteúdo do currículo escolar acessível pelo tablet ajuda a descobrir o que se ganha colocando aparelhos caros, frágeis e fascinantes na mão de professores e alunos.
Em janeiro, o Ministério da Educação – comprador de cerca de 80% dos livros didáticos – anunciou que abrirá licitação para livros didáticos digitais. Eles serão adotados nas escolas públicas de ensino médio em 2015. Dois meses antes, o governo distribuiu tablets para os professores das mesmas escolas, em treinamento para usá-los.

a mensagem 771 livro digital (Foto: reprodução/Revista ÉPOCA)

Há diferentes modelos de livro didático digital. O mais simples é apenas uma cópia do livro impresso em capítulos, que pode ser acessada por qualquer computador. Esse modelo existe há algum tempo. Há uma versão um pouco mais sofisticada, que se limita a incluir no livro de papel, ao longo dos capítulos, endereços eletrônicos. Esses endereços são acessados pelos alunos num portal de conteúdo didático, desenvolvido pela editora, que armazena complementos eletrônicos ao livro impresso. O que chega agora nas escolas é algo distinto. São coleções inteiras de livros de diferentes disciplinas, feitas para usar no tablet. Esse livro virtual reúne textos dos livros de papel e recursos multimídia. Sem sair do livro ou do tablet, alunos e professores podem ver vídeos, tocar músicas, entrar em galerias de fotos, baixar aplicativos, consultar gráficos animados e a internet. O professor tem seu próprio tablet, de onde pode acessar o aparelho dos alunos para fazer intervenções, como grifar trechos de um texto.

>> Livros digitais ajudam a revigorar bibliotecas públicas 
A combinação entre conteúdo didático digital e as peripécias de que um tablet é capaz se conectado à internet é uma isca para escolas, professores e alunos. Algumas vantagens surgem de cara. A primeira é atrair a atenção dos alunos para o conteúdo. Engajar o aluno na aula é um dos maiores desafios dos professores. Eles lançam mão do tablet para se aproximar dos alunos, e os alunos, do que será ensinado na aula. “O envolvimento da turma numa aula com tablet é visivelmente maior”, afirma Silvana de Franco Rodrigues, diretora pedagógica do Colégio Piaget, de São Paulo. “A vantagem de ter um aluno motivado é que há mais chance de ele se interessar pelo assunto da aula”, afirma Cristiano Mattos, pesquisador do ensino de ciências da Universidade de São Paulo (USP).

Os professores afirmam que conseguem aproveitar melhor os 50 minutos da aula. Sandra Hoefling Petracco, professora de português e literatura do Piaget, costuma incrementar suas aulas com trechos de filmes, músicas e outros recursos multimídia. É um alívio para ela não ter mais de se virar com televisão, DVD, projetor, computador, pen drives. Sandra começou a usar o tablet com conteúdo didático digital neste ano, com seus alunos do ensino médio. “Perdia um tempão colocando todos esses aparelhos para funcionar”, diz. “O conteúdo da aula no tablet me dá todos os recursos com um toque. Com isso, tenho mais tempo para circular pela classe e interagir com os alunos.”

>> Obras de autores consagrados são sucesso no formato digital
Apesar do tom de euforia, os educadores ainda têm dúvidas sobre como usar o livro digital. Mesmo as escolas que planejam adotar tablets há pelo menos dois anos estão cautelosas. “Estamos numa fase inicial, avaliando como e quando usar”, diz Cristiana Mattos Assumpção, coordenadora de tecnologia educacional do Colégio Bandeirantes, de São Paulo. Lá, apenas algumas disciplinas do ensino médio do colégio usam o livro didático digital. Os tablets são testados com um grupo pequeno de alunos. Na Escola Internacional, todos os alunos do ensino médio usam um aparelho, que levam de casa (quem não tinha teve de comprar), mas não em todas as disciplinas. Para os menores, a opção foi fornecer os tablets usados em algumas aulas. Eles circulam pelas classes num carrinho que serve ao mesmo tempo de armário e carregador de bateria. Em ambos os casos, os alunos são os responsáveis pela segurança dos aparelhos.
Dentro da sala de aula, os professores têm liberdade para montar suas aulas. O professor Adalberto Castro usa exclusivamente o tablet em todas as aulas. Sandra, do Piaget, usa em aulas esporádicas – e, mesmo assim, com material impresso. Nenhuma das escolas abandonou o livro impresso – nem pensam que algum dia isso acontecerá. “A opção é dos professores”, afirma Francisco Mendes, coordenador de tecnologia educacional da Escola Internacional. Doutor em educação e professor há 25 anos, ele é o responsável por orquestrar as experiências de sala de aula. “Assisto às aulas com tablets, do fundo da sala, para observar o que faz sentido para o aprendizado do aluno e apontar o que pode ser melhorado”, diz.

A nova história do velho livro (Foto: reprodução/Revista ÉPOCA)

O potencial dos livros didáticos digitais ainda está longe da atual realidade das salas de aula. Eles poderão ser mais eficientes se associados a sistemas de monitoramento e avaliação de desempenho. Esses sistemas conseguem medir como o aluno usa o material para estudar em casa. Fazem estatísticas para avaliar o grau de acerto, o tempo usado em cada lição ou estudo e outros indicadores que mostram se um aluno está com dificuldades ou se uma turma inteira está ficando para trás. Isso dá tempo à escola ou ao professor para intervir. Também permite que o professor adapte o ensino a alunos com ritmo e estilo diferentes. Alguns entenderão a reprodução celular com um gráfico, outros com um vídeo, outros ainda gostarão de um texto. Outra vantagem dos sistemas de ensino digital é que os trabalhos, feitos on-line, ficam para sempre acessíveis ao aluno. Ninguém precisa guardar pilhas de cadernos velhos no alto do armário.
A consulta, com funções de busca por assunto ou palavra-chave, é melhor para relembrar alguma lição aprendida em anos passados. Esses sistemas já existem no mercado brasileiro. Falta fazer a integração com o conteúdo didático.
Se todas essas vantagens dos livros didáticos digitais melhorarão o ensino é o que realmente importa. Como garantir que o encantamento dos alunos pelo tablet no início do ano vire nota boa no final? Essa discussão não começou com o livro didático digital. Nem com os tablets. Antes, havia o laptop. Antes deles, os laboratórios de informática. Estudiosos do uso de tecnologia na educação afirmam que a migração dos livros didáticos para o meio digital é uma excelente oportunidade para turbinar o aprendizado. Mas há medidas cruciais para que essa oportunidade se concretize. “O conteúdo dos livros é apenas uma parte do processo de aprendizado”, afirma Cesar Nunes, consultor internacional de tecnologia e educação.
A outra é o professor, que nunca teve papel tão essencial quanto agora. “Virei uma estudiosa de aplicativos”, diz Sandra, do Piaget, professora há quase 40 anos. Antes de optar pelo conteúdo didático digital (no caso do Piaget, do Uno Internacional, uma empresa da editora Santillana), os professores do Piaget formaram uma espécie de clube do aplicativo. Cada um pesquisava e testava aqueles que poderiam ser usados em sala de aula. O resultado foi um banco de aplicativos, usados em combinação com o conteúdo curricular. Para fazer isso, os professores precisam de treinamento. “Tanto os que estão dando aulas agora quanto os que ainda não se formaram”, afirma Sérgio Amaral, coordenador do Laboratório de Inovação Tecnológica Aplicada na Educação, da Universidade de Campinas (Unicamp). Ele defende ainda que a única forma de fazer uma avaliação confiável do benefício dos tablets é usar métricas para avaliar o impacto no aprendizado.
Fora da escola, as editoras ainda têm muito trabalho a fazer. Há uma queixa geral entre educadores sobre o conteúdo digital oferecido. “Ainda precisa melhorar – e isso é urgente”, afirma Amaral. As editoras foram surpreendidas pela demanda das escolas particulares por versões para tablet. “Foi como um tsunami”, diz Fernando Moraes Fonseca Jr., gerente de inovação e novas mídias da editora FTD. Forçadas a mudar sua linha de produção e o perfil de seus funcionários (agora pesquisadores e educadores dividem suas mesas com programadores e desenvolvedores de softwares), elas ainda tentam se adequar. “O modelo de negócios ainda está indefinido”, afirma Sérgio Quadros, presidente da Associação das Editoras de Livros Didáticos e presidente da Santillana. A maioria das grandes editoras nem sequer vende o livro digital separado do impresso. O aluno compra o livro de papel e ganha um login e senha para acessar o digital.
O Brasil está no mesmo passo que outros países, que também tentam encontrar o melhor caminho para o uso dos livros didáticos digitais em tablets. A Coreia do Sul, com um dos sistemas de ensino mais eficientes e conectados do mundo, acaba de voltar atrás na decisão de substituir totalmente o livro impresso por tablets. Esse era o plano do governo, que começou a conversar com as editoras em 2009. Agora, as aulas serão com tablets e livros de papel. A justificativa foi a preocupação com o excesso de uso de aparelhos como smartphones, tocadores de música e tablets pelos jovens. Obrigar a usar mais um dentro da escola, avaliou o governo coreano, poderia ser mais prejudicial que benéfico. Os coreanos também não adotarão os aparelhos na alfabetização. Nos Estados Unidos, o governo anunciou no final do ano passado que todos os livros didáticos nas escolas públicas serão digitais.

SEM FRONTEIRAS Biblioteca da Faculdade de Direito da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Seu acervo digitalizado está acessível a qualquer leitor do planeta (Foto: Kim Karpeles/Alamy)SEM FRONTEIRAS Biblioteca da Faculdade de Direito da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Seu acervo digitalizado está acessível a qualquer leitor do planeta (Foto: Kim Karpeles/Alamy)

Assim como no ensino básico, o uso de livros digitais por alunos e professores nas universidades ainda é incipiente. E sua popularização é inevitável. Em geral, a exigência de leitura nos cursos de graduação é alta, e as bibliotecas não dão conta da demanda. Faltam espaços físicos e investimento em infraestrutura. A alternativa são as bibliotecas virtuais, com acervos de e-books em seu formato mais simples, apenas para leitura. “Incluir um vídeo ou uma animação para explicar determinado conceito é mais caro e mais complexo, mas é um caminho que pretendemos seguir”, afirma Rodrigo Madeira, gerente de novos negócios do Grupo A, uma editora de livros técnicos.
A oferta de obras inteiras digitalizadas ou de capítulos para consulta também representa uma economia para os estudantes e ajuda a evitar cópias ilegais, um dos principais desafios das editoras de livros voltados para cursos superiores. O grupo Estácio, presente em 20 Estados, distribui tablets com material didático para alunos de alguns de seus cursos. Pagou pelos direitos autorais de 100 milhões de páginas. Em média, cada disciplina requer a leitura de 150 páginas por semestre. Para evitar que os materiais sejam pirateados, os tablets pedem uma senha para o aluno de 30 em 30 dias, e os conteúdos têm ainda uma trava impedindo cópias.
As bibliotecas digitais das universidades seguem modelos diferentes. Em abril, será inaugurada a Biblioteca Pública Digital Americana. Ela oferecerá, gratuitamente, o acervo em domínio público de diversas bibliotecas acadêmicas do país. O projeto é coordenado pela Universidade Harvard. No Brasil, ao menos duas plataformas, formadas por grupos de editoras, já oferecem e-books em diversas faculdades. Elas pagam uma assinatura mensal para que seus alunos consultem livros científicos, técnicos e profissionais. Os estudantes são livres para ler a mesma obra quantas vezes quiserem, além de realçar partes do texto e fazer anotações, que ficam registradas numa conta individual.
O Projeto Minha Biblioteca, das editoras Saraiva, Grupo A, Atlas e Grupo Gen, armazena 3.400 e-books numa nuvem, um serviço para guardar dados on-line, que pode ser acessado por computador, tablet ou smartphone. O site existe há um ano e é usado por cerca de 20 instituições. A Biblioteca Virtual Universitária das editoras Pearson, Manole, Contexto, IBPEX, Papirus, Casa do Psicólogo, Ática, Scipione, Martins Fontes, Companhia das Letras, Educs, Rideel e Jaypee Brothers funciona desde 2005. Ela oferece cerca de 2 mil títulos para 130 faculdades. Há ainda o modelo da USP, que optou por um sistema próprio, com 300 mil e-books à disposição de seus alunos e, em parte, das comunidades da Unicamp e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Tanto na universidade quanto na escola, os livros digitais estão chegando. O desafio agora é usá-los para melhorar o ensino.

Disponível em: <http://revistaepoca.globo.com//vida/noticia/2013/03/escolas-particulares-adotam-os-livros-digitais.html>. Acesso em: 19 mar. 2013.

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Livros levam mais longe

Estudo internacional analisa a relação entre leitura e escolaridade em 27 países. O resultado indica: quanto mais livros houver em uma casa, mais anos de escolaridade tenderá a ter a criança que nela crescer.

Por: Larissa Rangel

Publicado em 20/07/2010 | Atualizado em 21/07/2010

Livros levam mais longe Segundo o estudo mundial, crianças que crescem com 500 ou mais livros em casa têm em média sete anos de escolaridade a mais do que as criadas longe das bibliotecas (foto: flickr.com/Ozyman – CC NC-SA 2.0).

Crianças que crescem rodeadas por livros podem ter até três anos a mais de escolaridade, independentemente da formação ou ocupação de seus pais. Esse foi o resultado apontado pelo maior estudo já feito sobre a relação entre os livros no ambiente doméstico e a educação escolar.

O artigo, publicado na revista Research in Social Stratification and Mobility, mostra que pessoas que cresceram em casas com até 500 livros têm 33% a mais de chance de concluir o ensino fundamental e 19% de se graduar numa universidade. Para chegar a esses números, pesquisadores americanos ouviram mais de 70 mil pessoas em países como China, Rússia, França, Portugal, Chile e África do Sul.

“Fazer as famílias lerem mais pode trazer recompensas substanciais para a educação mundial”

Liderados por Mariah Evans, da Universidade de Nevada, eles defendem que o atual modelo de educação busca uma cultura erudita, baseada no estímulo à leitura. “Uma das conclusões mais importantes é que fazer as famílias lerem mais pode trazer recompensas substanciais para a educação mundial”, diz a socióloga à CH On-line.

A partir da pesquisa, eles defendem que políticas de estado sejam desenvolvidas para incentivar a educação.

A proposta é que se meça a quantidade de livros em cada casa de família e, de acordo com o resultado, o governo providencie mais exemplares para onde houver poucos. No trabalho, a socióloga argumenta que tal medida seria eficaz até mesmo para o desenvolvimento educacional e econômico de algumas comunidades rurais.

Leitura em casa
‘Aproximadamente quantos livros existiam na sua casa quando você tinha 14 anos?’ A pergunta foi feita às 70 mil pessoas que participaram da pesquisa (foto: John Martin – CC NC-SA 2.0).

Cada livro conta

Para observar os diferentes hábitos pelo mundo, o estudo ouviu pessoas em 27 países. Naqueles onde as diferenças entre classes sociais e a segregação eram muito fortes, como África do Sul e China, os pesquisadores separaram os dados de acordo com os grupos, analisando separadamente as diferentes camadas de cada sociedade.

“Aproximadamente quantos livros existiam na sua casa quando você tinha 14 anos?” Essa era a pergunta feita a cada entrevistado. Os que cresceram sem nenhum livro por perto atingiram, em média, sete anos de estudo. 

Os que cresceram sem nenhum livro por perto atingiram, em média, sete anos de estudo

Aqueles com mais ou menos 12 livros em casa completaram onze anos de escolaridade – indicando que mesmo uma quantidade pequena de títulos já faz diferença. Já os que vieram de famílias letradas, com cerca de 500 livros nas estantes, registraram uma média de 14 anos de estudo, tempo padrão de um estudante universitário nos Estados Unidos.

O estudo mostrou ainda que, do ponto de vista do impacto sobre a escolaridade dos filhos, a diferença entre uma família sem livros e outra com 500 livros é praticamente a mesma que ocorre entre famílias de pais pouco letrados (com até três anos de estudo) e de pais com diploma universitário.

Ou seja, o bônus de escolaridade de uma criança criada por pais com o terceiro grau completo é o mesmo de outra que cresceu rodeada de livros – cujos pais podem ser mais escolarizados ou não. Apenas 3% daqueles que não cresceram com livros conseguem entrar na universidade, enquanto 13% dos que têm essa cultura em casa atingem o terceiro grau.

Em países marcados por um sistemas de repressão, como China e a África do Sul do apartheid, verificou-se que o costume de leitura era maior. Os autores sugerem uma razão para tal: o livro poderia ser visto como uma alternativa à repressão que os indivíduos sofriam.

Leitura em casa
Piso para a leitura: pesquisadores defendem que governos ajam para garantir um mínimo de livros em casas de famílias (foto: Yoshiyasu Nishikawa – CC BY-NC-ND 2.0).

De geração para geração

Além de proporcionar mais conhecimento, uma grande biblioteca em casa indica que os integrantes da família podem ter ligação mais forte e maior capacidade para discussões intelectuais.

Filhos levarão o hábito para suas casas e será formado um ciclo baseado numa cultura letrada

Uma cultura mais formal e erudita, caracterizada pela presença de livros, é capaz também de aumentar o interesse dos filhos pela educação em longo prazo. Sucessivamente, esses filhos levarão esse hábito para suas casas e será formado um ciclo baseado numa cultura letrada.

Os responsáveis pelo estudo garantem que uma vida cheia de livros fornece habilidades essenciais ao desempenho escolar e profissional das crianças: vocabulário, informação, imaginação, familiaridade com a boa escrita e raciocínio lógico.

Quanto aos avanços tecnológicos e ao surgimento de livros virtuais, Mariah Evans responde que o importante é o conteúdo, e não o formato. “Só poderemos saber ao certo quando a geração da internet crescer, mas o importante é facilitar o acesso aos livros”, defende a socióloga.


Larissa Rangel

Ciência Hoje On-line

Disponível em: <http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2010/07/livros-levam-mais-longe>. Acesso em: 21 jul. 2010.

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