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Bolsa FAPESP de treinamento técnico em ciência da informação

Bolsa FAPESP de treinamento técnico em ciência da informação

Bolsista dará apoio à implantação de plataformas baseadas em software livre para permitir o uso de repositórios digitais na Unifesp (imagem: Pixabay)

 

Agência FAPESP – Uma vaga de treinamento técnico nível três (TT-3) com bolsa da FAPESP está disponível para o projeto “A universidade do futuro e o futuro da universidade: uma estratégia para o NIT no contexto da inovação tecnológica a partir das parcerias e da interdisciplinaridade”, vinculado ao Programa de Apoio à Propriedade Intelectual (PAPI) e coordenado pelo professor Luiz Eugênio Araújo de Moraes Mello, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O prazo de inscrição termina no dia 15 de outubro de 2019.

O bolsista dará apoio às atividades de implantação de plataformas baseadas em software livre para viabilizar o uso de repositórios digitais na Unifesp, garantindo a preservação do seu acervo.

Os repositórios digitais são bases de dados on-line que reúnem de maneira organizada a produção científica de uma instituição, armazenando arquivos de diversos formatos.

Serão objetivos do bolsista: atuação nas plataformas DSpace, Dataverse, OJS e LOCKSS, garantindo à segurança de acesso, espaço de armazenamento e escalabilidade; uso de ambientes baseados em máquinas virtuais em ambientes GNU/Linux; automatização de tarefas e rotinas com scripts; e processos de atualização com versionamento e apoio documental.

O candidato deve ter graduação completa. É desejável conhecimento nos sistemas operacionais GNU/Linux, em protocolos de rede e em noções de programação e linguagens de Script (Bash, PHP).

A inscrição pode ser feita pelo e-mail alexsandro.carvalho@unifesp.br. Mais informações sobre a vaga: www.fapesp.br/oportunidades/3212.

A Bolsa de TT-3 tem valor de R$ 1.228,40 mensais. É direcionada a graduados do nível superior, sem reprovações no histórico escolar e sem vínculo empregatício. A dedicação deverá ser de 16 a 40 horas semanais às atividades de apoio ao projeto de pesquisa. O tempo de bolsa TT-3 será descontado no caso de o interessado vir a usufruir de Bolsa de Mestrado ou Doutorado Direto.

Mais informações sobre as bolsas de Treinamento Técnico da FAPESP: www.fapesp.br/bolsas/tt.

Outras vagas de bolsas, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades, em www.fapesp.br/oportunidades.
Disponível em: http://agencia.fapesp.br/bolsa-fapesp-de-treinamento-tecnico-em-ciencia-da-informacao/31637/. Acesso em: 9 out. 2019.

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A expansão das bibliotecas digitais e virtuais

Rosaly Favero Krzyzanowski, coordenadora da BV-FAPESP, em palestra durante o evento (foto: Leandro Negro / Ag.FAPESP)

25 de agosto de 2015

Elton Alisson | Agência FAPESP – O número de bibliotecas digitais e virtuais tem aumentado nos últimos anos. Uma das razões é o surgimento de programas gratuitos, como o DSpace, o Greenstone e o Fedora, que facilitam a construção desses repositórios de informações na internet.

“Por conta disso, diversas instituições, tanto do setor público como privado, estão criando bibliotecas digitais em diferentes áreas, tais como educação, cultura e ciência”, disse Murilo Bastos Cunha, professor do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília (UnB), durante palestra em evento comemorativo dos dez anos da Biblioteca Virtual (BV) da FAPESP, realizado no dia 21 de agosto de 2015 na FAPESP.

As bibliotecas digitais começaram a ter maior desenvolvimento a partir de 1996, quando iniciou a fase comercial da internet no país. Nesse período, bibliotecas tradicionais, que até então estavam muito focadas na preservação de seus acervos e na provisão de acesso físico de publicações impressas, passaram a desenvolver sistemas de catálogo automatizado, de acesso público.

“Esses sistemas de catálogo automatizado possibilitaram que os acervos das bibliotecas, que até então estavam confinados em um espaço físico restrito, pudessem ser conhecidos por um número muito maior de pessoas em nível nacional e internacional”, disse Cunha.

Uma das vantagens das bibliotecas digitais, na avaliação do pesquisador, é que elas possibilitam aos usuários não só ter acesso, como trabalhar diretamente com as versões eletrônicas de documentos completos, de qualquer lugar e a qualquer tempo. Além disso, permitem maior agilidade no intercâmbio de informações com outras bases de dados.

“Mediante metadados e protocolos de intercâmbio de informação, as bibliotecas digitais podem compartilhar facilmente dados contidos em seus registros e melhorar sua operabilidade”, disse Cunha.

Desde 2009, a BV-FAPESP tem adotado uma série de medidas para aumentar a interoperabilidade com sistemas internos e externos à Fundação. Uma das medidas foi a importação de dados referenciais de artigos científicos resultantes de auxílios e bolsas concedidas pela FAPESP, publicados em periódicos científicos indexados nas bases de dados da Web of Science e do SciELO, além de teses e dissertações provenientes de bibliotecas digitais das três universidades públicas estaduais paulistas: a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Além disso, foram desenvolvidos diversos recursos para aumentar a funcionalidade da biblioteca virtual, como perfis dos pesquisadores que têm ou tiveram projetos de pesquisa apoiados pela FAPESP.

A página reúne links para o currículo Lattes, My Citation e ResearchID do pesquisador, quando disponível, além de palavras-chave representando suas linhas de pesquisa e suas publicações científicas apoiadas pela Fundação, desde que citado o agradecimento à FAPESP e o número do processo no artigo científico publicado.

“A BV-FAPESP, inicialmente mais preocupada com a indexação da literatura científica, passou a ser nos últimos anos um sistema de informação referencial de acesso público sobre os auxílios e bolsas concedidos pela FAPESP, incluindo as referências dos resultados das pesquisas realizadas”, disse Rosaly Favero Krzyzanowski, coordenadora da BV, em palestra durante o evento.

“Com a implantação dessa série de melhorias, pudemos observar que, a partir de 2009, houve um aumento de 896% em relação a 2008 no número de visitas à BV-FAPESP, que vem crescendo paulatinamente e hoje atinge a marca de mais de 4 milhões de acessos anuais”, detalhou.

A BV-FAPESP conta atualmente com 200 mil registros de Auxílios à Pesquisa, Bolsas no País e Bolsas no Exterior concedidos pela FAPESP, mais de 58 mil registros de publicações científicas resultantes desse apoio e 18 mil registros de publicações acadêmicas (teses e dissertações), desde 1992.

Os cerca de 40 mil registros relativos ao período 1962-1991 já foram digitalizados e estão sendo padronizados para integrar o acervo da BV-FAPESP a partir do final do ano.

A BV-FAPESP, como explica Krzyzanowski, tem informações referenciais e links para textos completos de artigos científicos publicados em revistas eletrônicas, ou indexados em repositórios de produção intelectual, diferentemente de bibliotecas digitais ou de repositórios, que contêm textos completos.

Referência importante

“A BV-FAPESP dá uma valiosa contribuição para ampliar o acesso ao conhecimento científico e tecnológico produzido em São Paulo, tanto em nível nacional como internacional, por meio da divulgação das pesquisas financiadas pela FAPESP e, além disso, para preservar e disseminar a memória da Fundação”, disse Celso Lafer, presidente da FAPESP, na abertura do evento.

O diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, destacou que, além de auxiliar a comunicar para o contribuinte paulista e para o mundo as atividades da Fundação, usando as ferramentas de internet, a BV-FAPESP também é um instrumento importantíssimo para o próprio trabalho da instituição.

“A BV-FAPESP é muito utilizada pela diretoria científica e pelos assessores das coordenações de área da FAPESP para analisar os projetos que requerem apoio da Fundação”, afirmou.

“Ao analisar um projeto, é possível saber por meio da BV-FAPESP se o proponente já teve outros projetos apoiados, por exemplo”, disse Brito Cruz.

Também participaram do evento o diretor administrativo da FAPESP, Joaquim José de Camargo Engler, e Carlos Vogt, ex-presidente da Fundação e atual presidente da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp).

Disponível em: <http://agencia.fapesp.br/a_expansao_das_bibliotecas_digitais_e_virtuais/21753/>. Acesso em: 26 ago. 2015.

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FAPESP e Thomson Reuters anunciam acordo para integração de bases de informação científica

27/07/2012

Agência FAPESP – A FAPESP e a divisão de propriedade intelectual e ciência da Thomson Reuters anunciaram, no dia 25 de julho, um acordo para integrar a base de dados do Programa Scientific Electronic Library Online (SciELO) à Web of Knowledge, a mais abrangente base internacional de informações científicas.

A associação ampliará a visibilidade e o acesso à produção científica do Brasil e de outros países da América Latina, Caribe, África do Sul, Espanha, Portugal, permitindo a pesquisadores científicos analisar o conteúdo regional no contexto da produção científica internacional.

“Apoiada pela FAPESP desde 1998, a base SciELO é uma das primeiras iniciativas a oferecer acesso aberto à literatura científica. O acordo com a Web of Knowledge abre novos horizontes para a missão da SciELO de aumentar a visibilidade da ciência feita na América Latina, Espanha e Portugal”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

“É nossa missão superar as barreiras de distribuição e divulgação que os periódicos científicos de países em desenvolvimento enfrentam, aumentando a acessibilidade à informação científica gerada localmente”, disse Abel Packer, coordenador da SciELO.

“Dar maior destaque à pesquisa feita na América Latina e em outras áreas em desenvolvimento por meio da Web of Knowledge significa que a contribuição de nossos pesquisadores será uma parte mais visível do discurso científico global”, completou.

Atualmente, a SciELO publica cerca de 40 mil novos artigos a cada ano, de mais de 900 periódicos científicos de acesso aberto da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, México, Portugal, África do Sul, Espanha e Venezuela. A hospedagem dos dados desta base no portal Web of Knowledge é parte de um processo de expansão do conhecimento que destaca a produção científica, pesquisadores e centros de pesquisa regionais.

“A parceria com a SciELO não apenas irá aumentar o alcance da pesquisa científica de países em desenvolvimento, mas também trará uma nova profundidade a nossos próprios dados. Pesquisadores de todo o mundo terão novos insights a partir do impacto das pesquisas que emanam destas regiões”, disse Keith MacGregor, vice-presidente executivo da Thomson Reuters.

Mantida pela Thomson Reuters, empresa provedora de informações com sede em Nova York, a Web of Knowledge oferece acesso às maiores bases de citações de artigos internacionais, abrangendo um período de mais de 100 anos de pesquisa em mais de 24 mil dos periódicos de maior impacto no mundo, assim como a milhares de anais de conferências acadêmicas e livros acadêmicos.

A SciELO é um programa da FAPESP para a publicação de periódicos científicos de acesso aberto na internet. Especialmente concebido para atender às necessidades da comunidade científica nos países em desenvolvimento, particularmente na América Latina e os países do Caribe, o modelo da SciELO compreende controle de qualidade e instrumentos para medir a frequência de uso e o impacto dos periódicos que publica.

A base foi lançada em 1998 pela FAPESP em cooperação técnica com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme/OPAS/OMS). Desde 2002, o projeto também é apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Desde seu lançamento, o modelo de publicação SciELO foi progressivamente adotado por instituições de pesquisa nacionais de países ibero-americanos e da África do Sul que compõem a Rede SciELO.

Mais informações: www.scielo.org

Disponível em: <http://agencia.fapesp.br/15943>. Acesso em: 28 jul. 2012

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Periódicos brasileiros em discussão

Foto por Eduardo Graziosi Silva

O II Seminário de Avaliação do Desempenho dos Periódicos Brasileiros no JCR 2010 aconteceu no último dia 16/9, na FAPESP, em São Paulo.

O evento começou com as boas-vindas do Presidente da Fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz, o qual apresentou alguns dados sobre a ciência brasileira em geral, referente ao período de 1900 a 2010. Números a parte, destaco os seguintes pontos de sua fala:
– os números dizem pouco, pois é preciso olhar para o conteúdo do que a ciência brasileira publica;
– deve-se observar como a “contagem” é feita, ou seja, como são gerados os indicadores científicos, e o que acontece na ciência;
– a comparação do Brasil com a China e do Brasil com a Espanha deve levar em conta não somente aspectos científicos, pois enquanto que no primeiro caso a diferença se deve também a fatores populacionais, no segundo deve-se a inserção de mais revistas, de ambos os países, nas bases de dados, ou seja, ciência é mais do que dados científicos: há que se considerar dados sociais, econômicos, políticos. Toda comparação, portanto, exige cuidado.

A primeira apresentação, “Os periódicos brasileiros na comunicação da pesquisa nacional”, foi feita por Abel L. Packer, Coordenador Operacional do Projeto SciELO. Foram apresentados alguns dados e também feitas algumas considerações sobre a questão. O SciELO tem apresentado um crescimento estável de 5% nos últimos anos. Outra informação curiosa é que não há consenso sobre qual é o núcleo de periódicos brasileiros, pois do total existente, 90 deles estão indexados no SciELO, Web of Science e Scopus. Também achei interessante a referência ao fenômeno das citações domésticas, ou seja, autores brasileiros citam autores brasileiros, contribuindo para o aumento do fator de impacto dos periódicos nacionais. Além disso, o acesso à ciência brasileira é privilegiado, pois praticamente 100% dos periódicos nacionais estão em acesso aberto, que ao lado da dispersão editorial e da internacionalização pró-ativa contribuem para maior visibilidade da ciência feita no Brasil.

A segunda apresentação, cujo título é “O dilema dos periódicos brasileiros”, foi proferida por Rogério Meneghini, Coordenador Científico do Projeto SciELO. Inicialmente foi apresentado o ciclo da produção científica, constituído pelos seguintes elementos: cientista, infraestrutura, projetos, desenvolvimento de projetos, resultados, discussão informal com os pares e publicação (nacional e internacional). Foi muito bem lembrado que, no que tange às publicações científicas, há uma guerra comercinal nos países desenvolvidos, enquanto que os nos emergentes há uma necessidade de dar vazão à produção científica que não encontra espaço em periódicos internacionais, bem como mostrar assuntos de interesse local. Diante dos indicadores apresentados dos países BRICS, constata-se que o Brasil encontra-se em boas posições e que os os publishers internacionais tem sido crescente no fator de impacto dos BRICS.

Já a terceira apresentação, “Las revistas españolas”, foi proferida por Félix Moya, CSIC/SCImago Research Group. Sob seu ponto de vista, os indicadores da Scopus e da Web of Science permitem apenas tirar conclusões gerais sobre os países e há dificuldade para revistas de países emergentes se inserirem no cenário internacional. Também no que diz respeito à batalha comercial de periódicos, Félix apontou que as grandes editoras as vezes incluem periódicos de países emergentes e outras que não correspondem aos padrões exigidos para indexação apenas para aumentar a competição com os concorrentes, exigindo especial atenção do pesquisador na escolha de periódicos para publicar seus trabalhos, por exemplo.

No caso espanhol, também foi levantado que houve uma entrada massiva dos periódicos na Scopus e na Web of Science devido a compra dos mesmos pelas grandes editoras. Diante disso, foi colocada a questão: se foram comprados, quais são os periódicos autenticamente espanhóis? Como fica a ciência espanhola? Interessante questão! Em relação ao Brasil, foi apresentado que há muitas publicações sem colaborações, sendo que seria interessante sua existência, principalmente com instituições internacionais de maior impacto que uma determinada instituição brasileira, de modo a contribuir na internacionalização da ciência brasileira e aumento de sua reputação.

Após o intervalo, ocorreu o Painel de Editores, sendo que cada um deles apresentou iniciativas que contribuíram para o aumento da visibilidade dos seus respectivos periódicos. Como cada um apresentou dados quantitativos referentes aos seus periódicos, o que relato abaixo são falas que me chamaram mais a atenção e que considero pertinentes para refletir.

“As certezas e incertezas do Fator de Impacto. Como o periódico Clinics se move nos meandros das citações” foi a palestra proferida por Maurício Rocha e Silvia, Editor da Clinics. De sua fala, destaco os seguintes pontos:

1. Há uma “síndrome da baixa auto-estima dos países de língua latina”, isto é, há poucas auto-citações (controvérsias sobre isso a parte…) dos trabalhos de pesquisadores latino-americanos, que muitas vezes consideram os trabalhos dos países desenvolvidos de qualidade superior. Maurício apontou que ao eliminar as auto-citações dos rankings dos EUA e da China, por exemplo, os mesmos sofrem considerável redução.

2. Há muitas revistas em áreas que não precisam de tantas, sendo que sua fusão poderia levar a uma força que iria permitir a captação de mais recursos, agilizaria o tempo de resposta aos autores e outros benefícios.

3. “Publicar em revistas internacionais garante status, mas não citações.” (retirado de um slide do palestrante)

A segunda palestra, “A internacionalização da Scientia Agricola rumo à corrente principal”, foi proferida por Luís Reynaldo Ferracciú Alleoni, Editor da Scientia Agricola. Atualmente considerada a melhor revista da área de Ciências Agrárias do Brasil, Luís Reynaldo apontou que antes de ocupar essa posição os prováveis motivos que levavam o periódico a ter baixo fator de impacto eram o português; a entrada de muitas revistas a pouco tempo na base de dados; e o perfil de publicação da maioria dos pesquisadores.

Também foi discutida a questão da auto-citação, que no tanto no caso brasileiro como internacional afeta o perfil das melhores revistas. Em relação aos periódicos de Ciências Agrárias, no Brasil o índice é de 0,47 considerando a auto-citação e 0,30 sem auto-citação, enquanto que no mundo esse índice é 2,47 com auto-citação e 2,08 sem auto-citação.

Algumas ações que foram tomadas pelos editores para elevar o fator de impacto da Scientia Agricola foram a publicação em inglês desde 2003 e a amplicação de editores e revisores do exterior, o que acarretou no aumento do número de autores estrangeiros assim como no aumento das citações de autores estrangeiros.

Em seguida, foi apresentada a palestra “As fortalezas das Memórias que sustentam o seu impacto”, por Claude Pirmez, Editora Associada das Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. Trata-se do periódico Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, que publica 8 números por ano e cujo escopo são as áreas de Medicina Tropical e Parasitologia, desde 1980, pois antes disso o escopo contemplava outros assuntos. Algumas ações tomadas para aumentar a visibilidade desse periódicos podem ser conferidos na cronologia abaixo:

1980: reativação do periódico (pois foi publicado com certa irregularidade desde seu lançamento no início do século XX)
1984: auxílio do CNPq e inclusão de editores científico e administrativo
1985: inclusão de editores associados
1989: indexação no ISI, mudança de layout e publicação preferencialmente em inglês
1993: profissionalização da equipes e inclusão no SciELO
1997: publicação on-line

Os seguintes fatores foram destacados por Claude no que se refere ao aumento do fator de impacto do periódico: quadro de editores associados; acesso aberto (para autor e leitor); disponibilidade web de todos os números; fator ‘CAPES’; e reviews. A manutenção desse indicador foi conseguida com a publicação quase ininterrupta do periódico desde 1909; investimento em equipe especializada; investimento na tradução para o inglês.

A próxima apresentação, “Por onde anda o impacto dos periódicos das ciências humanas?”, foi proferida por Charles Pessanha, Editor da Dados – Revista de Ciências Sociais. Foi apontado que o perfil de publicação da área de Ciências Humanas é diferente das demais áreas anteriormente apresentadas, sobretudo por conter muitas publicações
em vários idiomas, ser heterogênea e sofrer forte concorrência do livros. Especificamente no que tange ao JCR, foi esclaredico que as Ciências Humanas foram incluídas há pouco tempo na base de dados, sendo que nessa área o periódico Dados é o que apresenta esse indicador há mais tempo.

Por fim, Luiz Carlos Dias, Editor do Journal of the Brazilian Chemical Society, proferiu a palestra “Os avanços e desafios da Sociedade Brasileira de Química na profissionalização da editoração e publicação científica no Brasil”. Apontou que a Sociedade Brasileira de Química possui vários periódicos em sua área, voltado desde o Ensino Médio até publicações científicas.

Um dado curioso é que a Revista Virtual de Química (salvo engano meu), adota a prática de incluir editores com mais tempo de casa com editores “mirins”, isto é, jovens doutores em Química avaliam os artigos recebidos juntamente com os editores do periódico. Vale ressaltar que essa prática também foi mencionada por Charles Pessanha, que afirmou ter tido bons resultados com a mesma.

Outro dado até então não comentado foram as causas de rejeição de artigos, sendo as mais comuns a recusa pelo editor, o fato do artigo não pertencer ao escopo da revista, plágio, o fato do artigo não seguir as normas do periódico e a baixa qualidade. A taxa média de rejeição de artigos apresentada pelos editores varia entre 60% e 70%. Além disso, Luiz Carlos também lembrou que o Qualis deve ser utilizado apenas para avaliação na Capes e lancçou uma questão para a FAPESP e o SciELO: Como colocar o número DOI assim que o artigo é publicado? Atualmente, o DOI é incluído após a publicação do mesmo. Também achei curioso o fato que o custo anual de publicação da revista, ressaltando que se trata da área de Química, gira em torno de R$440 000 por ano!

A terceira parte do evento ocorreu com comentários, sugestões e exposições de outros editores sobre as apresentações supracitadas. Esse momento foi iniciado por Denise Ruschel Bandeira, Editora da Psicologia: Reflexão e Crítica, que fez as seguinte colocações:

1. As áreas do conhecimento humano são diferentes e tem olhares diferentes, e tal fato deve ser levado em consideração no momento de avaliação.

2. A questão da origem do financiamento foi pouco discutida.

3. Uma alternativa seria cobrar por artigo publicado enquanto a revista não for comprada por uma editora que possa fortalecê-la, com todos os benefícios e malefícios que isso possa acarretar.

4. A publicação em inglês coloca-se como um desafio e apresenta altos custos.

Já Edgar Dutra Zanotto, Ex- Editor do Materials Research, fez as seguintes considerações:

1. O tema “cite half life” foi pouco citado.

2. Há outros indicadores além do fator de impacto, que foi extensamente analisado a apresentado.

3. As áreas são distintas e isso deve ser considerado no momento de avaliação.

4. Os autores querem tempo e qualidade.

5. É necessário dar feedback aos revisores porque sem eles as revistas não funcionam; o mesmo vale para os autores, pois em última instância são “clientes” da revista.

Em seguida, foi a vez de Emilson França de Queiroz, Editor da Pesquisa Agropecuária Brasileira:

1. A busca pela qualidade é grandiosa, mas exige grande esforço e leva muito tempo.

2. A qualidade tornou-se um ponto central com a globalização.

3. A profissionalização do editor pode ocorrer de duas maneiras: pela prática profissional ou ser desenvolvido pelo SciELO, Capes ou outras agências de pesquisa.

4. Emilson sugeriu a criação de um programa específico, em nível nacional, para a melhoria da qualidade dos periódicos, sua avaliação conjunta, além da promocão de trocas e experiências (aprendizado por meio de visitas nacionais e internacionais).

Fernando Luís Cônsoli, Editor do Neotropical Entomology, fez as seguintes considerações:

1. Periódicos de qualidade possuem artigos de qualidade.

2. Os padrões de avaliação devem ser claros: somente o fator de impacto? E os demais indicadores?

3. Internacionalização dos editores e revisores.

4. “Avaliador sobrecarregado não faz avaliação bem feita.” (Palavras do próprio Fernando)

5. A maioria das revistas são de sociedades ou pós-graduação e, por isso, há casos em que os autores dessas sociedades ou programas se veem no direito “exclusivo” de publicar nesses veículos, sendo que devem ampliar o leque de revistas para publicarem, o que por vezes acaba gerando situações desconfortáveis para os editores.

6. A profissionalização é um problema sério para sociedades que não possuem aportes financeiros consideráveis.

7. Há que se fazer uma discussão filosófica das revistas nacionais para promover trabalhos de qualidade.

Por fim, Lewis Joel Greene, Editor do Brazilian Journal of Medical and Biological Research, fez suas considerações:

1. A auto citação é um problema.

2. No que se refere à linguagem, especificamente em relação ao dilema de publicar ou não em inglês, depende de onde o periódico quer chegar.

O evento foi encerrado com um debate entre os comentaristas e o público, e desse momento destaco a fala de Félix Moya, que considera que há muitos editores preocupados com o marketing científico, isto é, com a promoção de seus respectivos periódicos, deixando em segundo plano colaborações e melhorias para elevar a qualidade dos mesmos. Tal situação é decorrente, sobretudo, da disputa comercial entre os periódicos.

Como se vê, a ciência brasileira está em um bom momento, mas pelos apontamentos relatados percebe-se que ainda há muito ser feito. Mais do que estádios e toda a infraestrutura para receber a Copa e as Olimpíadas, o Brasil precisa aproveitar sua situação favorável para ser um verdadeiro campeão.

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FAPESP e Condephaat assinaram um convênio para a promoção da pesquisa científica

Especiais

Critérios para o patrimônio

23/12/2010

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – A FAPESP e o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo (SEC), assinaram na terça-feira (21/12) um convênio para a promoção da pesquisa científica e tecnológica com a finalidade de gerar conhecimento metodológico e subsidiar ações de preservação do patrimônio cultural do Estado.

O acordo foi assinado na sede da SEC, em São Paulo, pelo secretário da Cultura, Andrea Matarazzo, e pelo presidente da FAPESP, Celso Lafer. O convênio prevê o aporte de R$ 3 milhões, compartilhados igualmente entre a FAPESP e o Condephaat. Os valores serão desembolsados em três parcelas anuais de R$ 1 milhão. Cada projeto selecionado em chamadas poderá receber até R$ 300 mil.

A FAPESP ficará encarregada de elaborar as chamadas de propostas de pesquisa que convocarão pesquisadores de instituições de ensino superior e de pesquisa no Estado de São Paulo para a apresentação de projetos nas linhas de pesquisa de interesse da Fundação e do Condephaat.

De acordo com Lafer, o convênio estimulará a realização de estudos que contribuirão para o estabelecimento de políticas públicas de conservação do patrimônio cultural paulista.

“O convênio trará insumos adicionais para o estabelecimento de políticas públicas. Ampliar o conhecimento sobre diversas áreas e fundamentar políticas públicas com esse conhecimento tem sido uma linha de ação prioritária para a FAPESP. A Fundação contribuirá com a aplicação de seus critérios rigorosos na seleção dos projetos de pesquisa, que fornecerão um adicional de legitimidade às decisões do Condephaat”, disse.

Para Matarazzo, o avanço do conhecimento em diversas áreas ligadas à preservação do patrimônio cultural proporcionará ao Condephaat a adoção de critérios e metodologias mais eficazes, agilizando as decisões do órgão.

“Trazer conhecimento para o estabelecimento dos critérios utilizados para identificar o patrimônio a ser preservado é uma maneira de tornar a ação do Condephaat mais profissional. Hoje, por falta desses critérios objetivos, as decisões ainda ficam paradas por longos anos, criando dificuldades para o setor da construção. Incentivar estudos nessa área é uma iniciativa que tornará o Condephaat mais ágil”, afirmou.

A presidente do Condephaat, Rovena Negreiros, explicou que não é possível estabelecer uma verdadeira política pública de preservação do patrimônio cultural sem conhecimento científico e metodológico sistematizado do universo patrimonial.

“Sem critérios e metodologias adequados, não se consegue fazer políticas públicas satisfatórias. As políticas públicas elaboradas sem essa fundamentação se tornam muito frágeis e vulneráveis a todo tipo de interesse. Queremos deixar para trás o viés de casuísmo presente nos processos de tombamento. Por isso, é importante definir critérios objetivos e metodologias científicas para orientar políticas públicas de inventário e preservação do patrimônio”, disse Rovena à Agência FAPESP.

Segundo ela, o convênio responde à necessidades do Condephaat de aprimorar seus critérios de atuação. O órgão procura, desde sua fundação em 1968, estabelecer metodologias para seleção de patrimônios representativos do estado.

“No entanto, essas iniciativas foram atropeladas por uma demanda cada vez maior de atendimento público, com solicitações de todo tipo”, disse Rovena. Essa demanda, apontou, foi atendida com muita qualidade, mas absorveu as ações do Condephaat, impedindo que o órgão atualizasse seus procedimentos.

No decorrer dos anos, segundo ela, o Condephaat produziu muito conhecimento com base em sua experiência, mas pautado pelo imediatismo de estudos pontuais e critérios fluidos e conduzidos por opções técnicas pontuais.

“Essa lacuna foi se ampliando e hoje vemos a necessidade de definir procedimentos científicos e sistematizados para atuação no setor. A importância desse convênio está na perspectiva de termos insumos científicos e tecnológicos que permitam estabelecer uma política de preservação e de inventário do patrimônio histórico e cultural do estado de São Paulo. Trata-se de algo inédito, sem paralelo no Brasil”, destacou.

O convênio estabelece, a princípio, que serão apoiados projetos de pesquisa que envolvam temas como “Patrimônio Rural”, “Patrimônio Industrial”, “Patrimônio de Entretenimento”, “Patrimônio Ferroviário”, “Patrimônio Institucional”, “Patrimônio Educacional”, “Patrimônio de Assistência e Saúde”, “Patrimônio Residencial”, “Patrimônio Natural” e “Patrimônio Imaterial”, entre outros.

Mais informações sobre o convênio: www.fapesp.br/acordos/condephaat

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