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Após cortes de Bolsonaro, biblioteca do Banco Central será fechada

Autarquia federal sofreu contingenciamento de 20% do orçamento previsto para 2019 e precisa rever despesas

Ana Karolline Rodrigues/Metrópoles
ANA KAROLLINE RODRIGUES/METRÓPOLES
Biblioteca do Banco Central do Brasil (BC), instalada na sede da autarquia em Brasília, iniciará um processo de fechamento a partir de 9 de setembro. A decisão tomada pela instituição federal foi justificada pela contenção de gastos orçamentários. Ao Metrópoles, o órgão informou que sofreu contingenciamento de 20% no orçamento previsto para 2019.
Desde maio deste ano, segundo o BC, diversas despesas vêm sendo cortadas para adequação dos gastos ao novo limite orçamentário. A partir do próximo mês, a tesourada afetará os serviços terceirizados que mantêm a biblioteca.
Aprovada em 15 de janeiro deste ano, a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2019 destinou ao BC R$ 3,56 bilhões. Desse valor, R$ 3,13 bilhões foram para despesas de pessoal e encargos sociais; R$ 360,2 milhões, para despesas correntes; e R$ 70,2 milhões, para despesas de investimento. Além disso, o BC recebeu para o pagamento de precatórios R$ 30,6 milhões, que serão realizados pelos tribunais responsáveis. As informações constam no Boletim de Execução Orçamentária 2019 da instituição.

De acordo com o banco, a autarquia gasta R$ 384 mil por ano com a biblioteca. Esse valor equivale, portanto, a 0,01% do orçamento inicial do BC destinado pela LOA em janeiro deste ano. A despesa se refere, primordialmente, ao contrato de administração de todo o acervo bibliográfico do Banco Central com a empresa especializada na manutenção do espaço e com a presença de cinco auxiliares e de um bacharel em biblioteconomia, conforme exige a legislação em vigor.

 

Servidores e usuários reclamam

A Biblioteca do Banco Central iniciou seu funcionamento em 1959, no Rio de Janeiro, e foi instalada em Brasília no ano de 1972. Desde essa época, o ambiente oferece grande acervo bibliográfico, tanto aos servidores do órgão quanto a prestadores de serviço, estagiários, pesquisadores e estudantes.

Em 2013, também devido a um contingenciamento, o local foi fechado para o público externo, mas reaberto nove meses depois. Desta vez, o ambiente será totalmente interditado.

Formada em direito, Fernanda Ribeiro Ávila, 41, estuda para concurso há três anos. Desde então, é frequentadora assídua do espaço e diz estar “muito triste” com a decisão. “As instalações são excelentes, superconfortáveis. O acervo é grande, muito atualizado. Agora querem fechar, e a justificativa é que estão fazendo uma contenção de gastos, e a biblioteca não seria um serviço essencial”, disse.

Ao Metrópoles, uma servidora do banco que pediu para não ser identificada relatou que esta é a terceira vez que o órgão fechará a biblioteca local. “A primeira vez foi em 2013, mas ela continuou funcionando internamente. Depois, em 2017, tentaram de novo, mas conseguimos reverter a situação, após saírem algumas reportagens. Desta vez, falaram que vão fechar por causa de cortes orçamentários”, disse.

Ainda no início deste mês, ela e outros trabalhadores do órgão receberam a informação do fechamento do espaço. Agora, a servidora diz estar “batalhando para que isso não aconteça”.

Josias Carlos Dias Júnior, 17 anos, é filho de uma servidora do órgão e frequenta a biblioteca há quatro anos. Estudante do terceiro ano do ensino médio, ele é contra o fechamento do ambiente. “Enquanto minha mãe trabalha, eu estudo. Acho melhor que o ambiente escolar, que é muito barulhento”, comentou.

Para o rapaz, o ambiente tranquilo da biblioteca é favorável à aprendizagem. “Aqui é muito bom de estudar. Já fiz vários amigos aqui e estudávamos juntos. Também tem uma sala para descanso. Acho que é essencial, sim, ter uma biblioteca: um local onde a gente pode aprender e estudar com tranquilidade”, disse.

ANA KAROLLINE RODRIGUES/METRÓPOLES

Disponível em: https://www.metropoles.com/distrito-federal/apos-cortes-de-bolsonaro-biblioteca-do-banco-central-sera-fechada. Acesso em: 20 ago. 2018.

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Moradores de bairro tentam resgatar biblioteca centenária em Londres

06/12/201108h00

DA FRANCE PRESSE, EM LONDRES 

Como centenas de bibliotecas municipais sacrificadas pelo plano de austeridade britânico, a de Kensal Rise também fechou suas portas. Mas a resistência se organiza e os moradores desse bairro multiétnico de Londres não perdem a esperança de vê-la renascer.

No exterior do grande prédio vitoriano de tijolos, agora proibido ao público, na esquina de duas ruas povoadas de pequenas casas e de algumas lojas comerciais, uma biblioteca alternativa aparece. Livros trazidos pelos moradores estão à disposição das pessoas que passam por ali, podendo até pegá-los emprestado.

  Ben Stansall/France Presse  
Biblioteca centenária Kensel Rise, cuja fundação ocorreu em 1900 pelo escritor Mark Twain, fechou as portas por verbas
Biblioteca centenária Kensel Rise, cuja fundação ocorreu em 1900 pelo escritor Mark Twain, fechou as portas

“Salvem nossa biblioteca”; “deixem-nos administrá-la”, proclamam cartazes colados em suas paredes.

Inaugurada pelo escritor americano Mark Twain, em 1900, Kensal Rise fazia parte das seis “livrarias” de um total de 12 do bairro de Brent (noroeste de Londres) que a prefeitura trabalhista decidiu fechar, há um ano.

Motivos citados: os cortes no orçamento impostos pelo governo e uma frequência considerada insuficiente –uma exigência de economia que ameaça, atualmente, as mais de 400 bibliotecas municipais do país, ou 10% de seu número total, segundo os que se opõem ao fechamento.

Revoltados por uma decisão que penaliza, segundo eles, os mais carentes, os moradores de Kensal Rise se dizem dispostos a reagir.

“Foi um choque, era um lugar de vida no bairro”, comenta Paula Gomez, mãe de família, escandalizada com o fato de uma “prefeitura trabalhista ter uma tal mentalidade”.

“Pessoas veem ler o jornal, usar os computadores, os desempregados os consultam para procurar trabalho, e as crianças encontram ajuda para fazer seus deveres de escola”, enumera ela.

“SALVE NOSSA BIBLIOTECA”

Um blog foi criado, com reuniões se sucedendo, ao lado de cartazes com os dizeres “salve nossa biblioteca”, que florescem nas janelas das casas. Os escritores Zadie Smith e Philip Pullman demonstraram seu apoio –o mesmo aconteceu com os grupos musicais Depeche Mode, Goldfrapp, Pet Shop Boys.

O golpe foi dado em outubro: a Justiça considerou legal o fechamento de seis bibliotecas. E a decisão foi tomada de imediato.

Os moradores entraram com um apelo. Em Kensal Rise, organizaram-se, para impedir a Prefeitura de isolar o prédio: durante alguns dias, os voluntários se revezaram dia e noite em frente, até a Prefeitura anunciar que desistira de intervir, antes do final do procedimento judiciário.

Na corte de apelação, defensores das bibliotecas disseram que os fechamentos acarretavam uma discriminação indireta, em detrimento das pessoas de origem asiática, maioria estatística, que as utilizam.

Reprovaram também a prefeitura por não ter feito caso de suas propostas alternativas de retomar as bibliotecas, dizendo-se prontos a administrá-las eles próprios.

A prefeitura respondeu que se comprometia a modernizá-las, estando uma nova em construção, para ser inaugurada no começo de 2013.

Enquanto esperam o veredicto dos tribunais, decisões recentes da justiça dão esperança aos moradores. A Suprema Corte de Londres considerou ilegais, em meados de novembro, as decisões das prefeituras de Somerset e de Gloucestershire (leste da Inglaterra) de retirar seus financiamentos a cerca de um terço de suas bibliotecas.

Ante as campanhas intensas de mobilização, foi aberto um inquérito parlamentar para examinar a legalidade ou não desses fechamentos e suas repercussões nas populações locais.

Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/turismo/1017063-moradores-de-bairro-tentam-resgatar-biblioteca-centenaria-em-londres.shtml>. Acesso em: 6 dez. 2011.

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