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O futuro das bibliotecas: desafios e estratégias

O artigo The Future of Libraries: Chalenges and Strategies traz interessantes reflexões sobre o cenário bibliotecário atual, como a relação das bibliotecas com a comunidade atendida, financiamentos, mercado, expertise, MOOCs e outras questões.

O artigo surpreende, principalmente, no reconhecimento de que os bibliotecários não são os principais atores do seu negócio, a informação (pelo menos não são reconhecidos como os mais importantes). Essa constatação serve de consolo, já que são muitas as discussões brasileiras em torno valorização e do futuro do bibliotecário.

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Bibliotecas de Hoje e do Futuro: como entender e vivenciar a atual revolução Informacional

Webinar Elsevier

Bibliotecas de Hoje e do Futuro: como entender e vivenciar a atual revolução Informacional

com Profa. MSc. Suely de Brito Clemente Soares

Conteúdo

A internet foi a revolução que provocou mudanças radicais no sistema informacional vertical vigente há séculos, especialmente após a globalização do uso cotidiano da web por pessoas comuns. A web abriu o mundo para as pessoas. A informação não é mais distribuída somente de forma verticalizada, controlada. Estamos vivenciando a horizontalização da informação a partir das mídias sociais, de movimentos como acesso aberto à informação científica, entre outros.

O sistema informacional horizontal está se tornando híbrido com o vertical. Nesse contexto, a Profa. MSc. Suely de Brito Clemente Soares aborda as seguintes questões:

  • Quais são as principais características desta revolução informacional?
  • Como ela afeta as bibliotecas de hoje? Seus serviços e produtos?
  • Até que ponto estamos preparados para a biblioteca do futuro?
  • Quais são as tendências da biblioteca do futuro?
Palestrante

Profa. MSc. Suely de Brito Clemente Soares é sócia proprietária da Content Mind Capacitação Profissional; é Mestre em Educação, Ciência e Tecnologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP; tem Especialização em Administração de Bibliotecas Universitárias pela UnB; é graduada em Biblioteconomia pela PUCCAMP; Profa. das disciplinas Bibliotecas Digitais e Cultura Digital no MBA Gestão de Unidades de Informação da UNICEP, São Carlos, SP; é docente em cursos presenciais e à distância nos temas de sua especialidade; é bibliotecária aposentada da UNESP, campus de Rio Claro, SP.

Tem atuação na área de Ciência da Informação, com ênfase em Biblioteconomia, principalmente nos temas: capacitação profissional de bibliotecários, comunidades virtuais de aprendizagem colaborativa, EaD, MOOCs, bibliotecas e repositórios digitais, publicação de periódicos eletrônicos em OJS/SEER, de eventos em OCS/SOAC, arquivos abertos, tecnologias de informação e comunicação, bases de dados on-line, normalização documentária, revisão de originais, redação acadêmica para a web 2.0 e redes sociais.

Disponível em: <http://elsevier.tracto.net.br/>. Acesso em: 6 set. 2014.

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E agora?: O futuro para os bibliotecários

Em tempos em que se discute o futuro das bibliotecas, Steve Coffman, autor do texto So Now What?: The Future for Librarians, tece interessantes considerações sobre o futuro do bibliotecário.

Embora o texto reflita a realidade norte-americana, vale a pena ler algumas das considerações de Coffman:

“Primeiro, poderíamos nos livrar de todos os nossos livros.”

“Segundo, poderíamos nos livrar dos nossos prédios.”

“Terceiro, poderíamos nos livrar de boa parte da nossa equipe.”

“Quarto, poderíamos economizar muito dinheiro.”

“Em suma, acredito que ainda existe oportunidade para os bibliotecários em um mundo pós-impressão. E não vamos ter que desviar muito de nossos papéis tradicionais para encontrá-lo. Agregação, curadoria e referência tornam-se ainda mais importantes em mundo digital, onde milhões de livros e terabytes de outros conteúdos são produzidos todos os anos. No entanto, com todos os conteúdos tornado-se eletrônicos, outros também podem executar a agregação, curadoria e referência, dando-nos alguma competição formidável.  Mas em nenhum serviço atual acrescenta-se a tudo o que você poderia começar a partir de um bibliotecário honesto-a-Deus, que é um especialista no tratamento da informação e completamente dedicado profissionalmente ao interesse do usuários.”

“Agora, nós somos bibliotecários, por Deus. Nossas habilidades, treinamento, conhecimento e experiência são inseparavelmente ligadas aos livros e à literatura. Os serviços que executamos ainda são necessários na era digital, onde tudo está se tornando eletrônico ou ainda vamos operar em um ambiente híbrido Nós (sic) temos muito para oferecer. E não podemos deixar que um pouco de competição fique no nosso caminho.” 

“Mas precisamos tirar vantagem das ferramentas e tecnologias disponíveis para procurarmos caminhos melhores e mais efetivos para conectar as pessoas com os livros e a informação. Se estamos à altura da tarefa, os bibliotecários e a biblioteconomia têm um futuro longo e brilhante. Se não, outros estão prontos agora para assumir o controle por nós.”

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5 ideias brilhantes para bibliotecas do futuro

As bibliotecas públicas estão enfrentando um desafio difícil agora. As pessoas estão lendo menos livros físicos – o básico das bibliotecas – mas ainda contam as bibliotecas para buscar informação. Paul Vogel, presidente de soluções digitais do Serviço Postal dos Estados Unidos (USPS), disse recentemente que a USPS  está no negócio de mensagem, não no negócio de correio. Seguindo essa linha de pensamento, as bibliotecas estão no negócio da informação, e não no negócio dos livros. Os cidadãos tem ido sempre para as bibliotecas em busca de informação e, historicamente, a informação veio dos livros. Mas esse processo está mudando e, para manter-se, as bibliotecas terão de fornecer informações em diferentes formatos e em diferentes plataformas para torná-la acessível aos usuários.

O excerto é a tradução do primeiro parágrafo da notícia 5 Bright Ideas for the Libraries of the Future. Vale a leitura!

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Especialistas falam sobre o futuro das bibliotecas

Ascom FBN – 15/11/2011

Nos dias 24 e 25 de outubro, a Biblioteca Nacional convidou especialistas de várias partes do mundo para discutir o futuro das bibliotecas, com foco especial nas instituições nacionais de cada país. O seminário Biblioteca Nacional + 200 Anos trouxe ao Rio de Janeiro experts e diretores de Bibliotecas Nacionais para apresentarem experiências atuais e discutir perspectivas para o futuro da informação e seu compartilhamento.

Perguntamos para alguns dos convidados qual seria o futuro da “biblioteca” como instituição de preservação de memória e de oferta de conhecimento ao público. Como a biblioteca do futuro vai administrar a informação digital? Ela vai deixar de ser um espaço físico para se transformar em virtual? Veja o que responderam:

Paulo Herkenhoff, crítico de arte
Acho que a era digital é uma era que vai ser determinada pelo leitor e pela leitura, mais que pelo objeto. Estar atento ao leitor me parece uma das chaves para o futuro da biblioteca. Se quisermos permanecer como sociedade, nós precisamos de instituições que sejam capazes de representar simbolicamente nossa diversidade, nossos conflitos, nossas diferenças. Quais são as contradições, quais são os conflitos? Tudo isso deve estar dentro dessa instituição. O futuro da biblioteca poderia ser esse lugar onde uma rede de subjetividades se construa como um processo coletivo. Esse lugar é virtual, mas é um lugar com vontade de ser esse lugar e, por isso, exigirá fineza política para que não seja partidário, mas um projeto de estado.

Maria Inês Cordeiro, subdiretora geral da Biblioteca Nacional de Portugal
Embora caminhemos rapidamente para uma parte do acervo estar disponível na internet, nós não diminuímos o número de leitores. Até temos aumentado o número de consultas localmente. E isso contradiz um pouco aquilo que normalmente as pessoas esperam que é “quanto maior for o acervo digital, menor será a procura física, local, na biblioteca”. Tem sido uma experiência importante para nós verificar que não. Uma coisa não invalida a outra. Penso que isso se deve também à grande variedade do acervo e à dimensão enorme do acervo [da Biblioteca Nacional de Portugal]. Não penso que daqui a 50 anos a biblioteca física vai deixar de existir enquanto tal, procurada pelas pessoas, porque nós continuamos a preservar o patrimônio físico e a sociedade quer que continuem a existir os livros fisicamente. Mesmo que estejam digitalizados, haverá sempre uma procura por razões de investigação.

Marco Streefkerk, diretor da DEN Foundation (Dutch Knowledge Center for Digital Heritage)
Houve uma discussão na Holanda sobre o futuro das bibliotecas e não se chegou a uma resposta. Há muitas opiniões sobre como será esse futuro e acho importante que a biblioteca discuta, mas que abra essa discussão para a sociedade. O que é esperado da Biblioteca? Que serviços especiais ela deve oferecer? Ainda acho que as pessoas gostam de estar juntas. Aprender é uma atividade social, não é algo que se pode fazer apenas em casa, na frente do computador.

John K. Tsebe, diretor da Biblioteca Nacional da África do Sul
Os livros estarão sempre aí, por isso devemos preservar o livro de papel. Ao mesmo tempo, devemos garantir a digitalização e o acesso a conteúdo virtual – talvez no sistema de computação em nuvens. É preciso que esse conteúdo seja acessado da forma mais universal possível. Minha visão é que a Biblioteca Nacional como um objeto físico, como uma construção, sempre existirá, porque se você olhar para qualquer país do mundo, a Biblioteca Nacional sempre será a maior biblioteca daquele país, em termos de espaço físico. É o lugar onde as pessoas podem ir, interagir, compartilhar ideias. O formato digital é importante, mas não vai substituir o livro físico. Acredito que devemos promover um equilíbrio entre as obras impressas e as virtuais – as que são digitalizadas ou as que já nascem digitais.

Roberto Aguirre Bello, chefe de coleções digitais da Biblioteca Nacional do Chile
As Bibliotecas Nacionais, como espaço físico, vão continuar existindo, sem dúvida. Muitas pessoas vão sempre preferir consultar os livros impressos, mas as bibliotecas virtuais oferecem algumas soluções, sobretudo para aqueles que desejam consultar obras de lugares remotos e a qualquer momento do dia. No Chile, a recepção aos objetos digitalizados tem sido muito boa e estamos fazendo todos os esforços para, cada vez mais, chegar a diferentes segmentos da comunidade com nossos serviços.

Aquiles Brayner, curador da coleção digital da British Library e consultor da Biblioteca Nacional do Brasil
A biblioteca física vai virar um espaço simbólico e o simbólico vai virar quase o real, que é o virtual. A biblioteca vai ter que oferecer serviços para acesso a conteúdos digitais, disso não se tem nenhuma dúvida, e os objetos que a biblioteca retém em seu acervo vão ficar quase como um instrumento de museu, não exatamente nesse sentido, porque ele ainda vai ser manipulado. Mas com a cópia digital, a biblioteca vai ter que trabalhar cada vez mais na prestação de serviços do que propriamente na formação de acervos.

Disponível em: <http://www.blogdogaleno.com.br/texto_ler.php?id=10934>. Acesso em: 13 dez. 2011.

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Congresso Internacional SIBiUSP 30 anos: O Futuro do Conhecimento Universal (IV)

A quarta e última mesa-redonda do evento, cujo tema foi “O futuro das bibliotecas digitais” e coordenada pela Diretora do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP, Sueli Mara Soares Pinto Ferreira, apontou o estado atual de iniciativas nacionais e internacionais, assim como tendências para os próximos anos.

A primeira apresentação, intitulada “Techno-change in libraryland: current trends, extrapolated futures”, foi proferida por David Palmer, da Scholarly Communications Team Leader, The University of Hong Kong. O palestrante iniciou sua fala baseando-se no relatório Education at a Glance, da OECD, colocando que no Brasil as pessoas com curso superior podem ganhar até 2,5 vezes mais e que a demanda crescerá. Apresentou, em seguida, outro relatório, também da OECD: Measuring innovations, ressaltando os aspectos da publicação de artigos científicos e da co-autoria.

Outro relatório, desta vez da OCLC, cujo título é Research Libraries, Risk and Systemic Change, aponta, dentre outras informações, a relação de profissões irmãs da Biblioteconomia, como o Jornalismo, e que a tecnologia não irá suplantar as bibliotecas, pois permitirá que se possa fazer mais com menos. Palmer também expôs que em 2010 foram vendidos mais e-books que livros impressos, destacando que muitas coisas estão indo para a “nuvem”, não apenas conteúdo.

Outra tendência apresentada foi a compra de recursos eletrônicos e a desintermediação da informação, conforme o Ithaka Faculty Survey Findings de 2009, além do PDA (Patron Driven Acquistions), open access e o bibliotecário passando da aquisição para a desintermediação. Segundo o palestrante, em Hong Kong há pouco espaço, cujo valor é alto e, diante disso, deve ser feito um uso criativo do espaço para estudo nas bibliotecas. No caso da Academic Hong Kong Library Link, por exemplo, os usuários podem fazer o pedido de material online e a entrega pode ser realizada via correio, o que demonstra o processo de desintermediação do bibliotecário, bastante reforçado durante sua fala. O Joint University Research Archive, por sua vez, irá permitir a guarda de documentos não-duplicados a partir de 2013 com recuperação robótica.

Outra tendência exposta foi “repositórios linkados”, como Portico, LOCKSS, CLOCKSS, o que levantou a questão se cada país deveria ter seu próprio repositório, e cada biblioteca, ou sistema de biblioteca, deveria ter o seu. Mas me pergunto: como fica a questão da globalização nesse contexto? E o nacionalismo, que parece ter voltado com força em alguns países, sobretudo por meio das redes sociais, que “teoricamente” são “apátridas”?

O relatório “Take our pulse: the OCLC Research Survey of Special Collections and Archives”, de Jackie M. Dooley, da OCLC, aponta que a duplicação irá acabar com o mundo online (o que, a meu ver, parece justamente o contrário, mas há que se ler o relatório para verificar) e destaca as coleções especiais, como da Bibliothèque nationale de France e da Library of Congress, que possuem interface de usuário razoáveis e serão utilizadas junto com os OPACs). No futuro, Palmer aponta que será necessário um local físico para as coleções especiais, poucos bibliotecários, altamente descentralizado e que o prédio será mais um espaço de estudo e coleções especiais. Também apresentou a opinião de David Lewis de embutir bibliotecas em empresas, com destaque para seu papel na promoção do ensino e aprendizagem. Mas o que fazer? O próprio palestrante responde: E-Science (colaboração global), E-Research (colaboração e compartilhamento de conhecimentos acadêmicos) e E-Science Librarianship (repositórios digitais). Nesse contexto, umas das Library E-Science Rules é a defesa do engajamento do campus nessas ações.

O Research Grants Council, órgão que financia as pesquisas em Hong Kong, irá apoiar o repositório. Nesse contexto, tem-se a transferência, tradução e intercâmbio do conhecimento, compartilhado entre agências, a saber: RCUK, CIHR, DEFF, DFG e JISC. Como exemplo, foi citado o repositório da The University of Hong Kong. Acredita-se que haverá maior demanda pela procura de especialistas, fontes de bibliometria, rankngs e revisão pelos pares. Além disso, o repositório deve servir como fonte de dados, sendo que na Austrália as bibliotecas já usadas para esse fim. Segundo J. Mac Coll, as biblioteca devem atuar em todos os ambientes de pesquisa, oferencedo expertise em bibliometria. Por fim, Palmer encerrou com o relatório A Slice of Research Life, da OCLC, que aponta que os pesquisadores não sabem o que as bibliotecas fazem e podem oferecer, portanto, elas devem trazê-los para si.

A segunda palestra foi proferida por Mandy Stewart, da British Library. Intitulada “The future of libraries – a view from a National Library”, Mandy iniciou sua fala apresentando a British Library, cujo objetivo é ajudar as pessoas com conhecimento para melhorar suas vidas. Trata-se da biblioteca nacional do Reino Unido, iniciada efetivamente em 1º/7/1773, embora já existissem coleções e os departamento de livros impressos, fundado em 1753 e que abrangia livros, periódicos, jornais, dentre outros materiais, o que contribuiu para um crescimento rápido.

Atualmente oferece recursos de ensino em seu site, possui o maior serviço de entrega de documentos do mundo, além de contar com uma sala do tesouro contendo peças do acervo. Esse é composto por mais de 150 milhões de itens individuais, sendo que são adicionados aproximadamente 3000 itens por ano; ainda há em torno de 60 milhões de patentes, 50 milhões de páginas impressas, jornais (que estão tentando microfilmas com vistas à preservação), mapas, selos, manuscritos com mais de 3000 anos e áudio.  Sua proposta é avançar no conhecimento do mundo, ao passo que sua visão é ajudar na pesquisa, proporcionar o auxílio de funcionários especialistas para visitas e possuir um papel importante na economia para manter fundos e seu lugar na sociedade. Sua missão é preservar a memória nacional, auxiliar na pesquisa e desempenhar um papel dinâmico que ajude a pensar no futuro.

A visão de futuro da British Library (2010) é: o que fazer até 2020 para manter a posição de líder. Assim, alguns pontos foram destacados: pesquisadores vão querer pesquisar online; ser importante na busca, descoberta e entrega de informação; oferecer conteúdo digital ao lado do impresso; parcerias e capacitação de funcionários para atividades comerciais – como o projeto de um catálogo com todos os programas da BBC, que permitirá a pesquisa por conteúdo -; metadados – uma busca bem sucedida exige bons metadados, padronização e links para outros ambientes, pessoas, buscas cruzadas, possibilidade de usar metadados de outros para diminuir os custos de catalogação; consultoria – coleta de ideias com funcionários e pesquisadores para detectar suas visões sobre a biblioteca; tecnologia – muitos modos de acessar e a dificuldade de saber como será o acesso no futuro, por isso, deve-se procurar um modelo de negócios ágil e de baixo custo para escolher a tecnologia correta.

Mandy destacou que nos últimos dois anos, as bibliotecas sofreram com o corte de orçamento, inclusive muitas fecharam, mas uma foi construída em Londres com café, livros, CDs, teatro e wi-fi, demonstrando uma nova forma de manter as bibliotecas funcionando. Por fim, concluiu que as bibliotecas nacionais são guardiãs da memória nacional e devem acompanhar a tecnologia para se manter no mundo digital, ou nas palavras da própria Mandy (que particularmente muito me impactaram e acredito que hoje deveria ser o lema de toda e qualquer biblioteca que queira continuar existindo): Não queremos ser o museu do livro.

Encerrando a mesa, Pedro Puntoni, da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP, proferiu a palestra “Brasiliana USP, plataforma corisco, rede memorial: perspectivas para as bibliotecas no futuro”. Puntoni iniciou sua fala declarando que José Mindlin falava que o futuro, se é daqui 10, 20 anos pode-se imaginar como será, mas e daqui 2000 anos? Assim, o tempo atual é de achatamento com aceleração e nos retira dessa relação com o passado. Nesse contexto, as biblioteca amarram o homem com vestígios do passado, fundamentais para a preservação. Não são naturais, mas construídos pela cultura: depende de gestos, ações e projetos para o futuro. O futuro que nos constitui é agora.

A Biblioteca Guita e José Mindlin teve início em 1999 com a doação da Brasiliana para a USP. Em 1985, porém, Rubens Borba de Moraes, José Mindlin e Guita Mindlin criaram uma associação para juntar suas bibliotecas e tornarem-nas públicas, mas posteriormente Moraes doou sua biblioteca para Mindlin. Em 2002, Iestman, então diretor do IEB-USP e Mindlin começam a desenhar o projeto e, em 2004, a resolução 5172 criou, efetivamente, a coleção na USP. Em 2006, ocorreu a assinatura da carta e, em 2007, teve início a construção do prédio. Aqui vale observar que enquanto as duas apresentações anteriores mostraram um futuro digital, a Brasiliana mostrou um futuro impresso para o acervo físico. Assim, penso que o futuro talvez seja híbrido durante um longo tempo.

Na sequência, Puntoni expôs que o prédio da Brasiliana contempla o IEB, café e livraria. Além disso, apresentou o projeto Biblioteca Digital Brasiliana, que teve auxílio financeiro da FAPESP e foi baseado em seis princípios com o uso de padrões abertos. Desse modo, em 16/6/09 foi lançada a versão 1.0 da Brasiliana Digital, que utilizou Drupal e DSpace customizável, com a possibilidade de buscas simples e avançada, além de arquivos grandes. A versão 1.1 teve seu lançamento em 25/1/10, desta vez com arquivos menores e, em 13/10/10, teve lançamento a versão 2.0 com a Plataforma Corisco, que é parte do DSpace e foi difundida para outras instituições que querem divulgar conteúdos online, inclusive para criar uma rede nacional para aperfeiçoa-la. Nessa versão, a biblioteca apresentou um novo tema, um servidor de imagens Djatoka (desenvolvido pela University of Califórnia e sugerido pela Library of Congress), visualizador de conteúdo e busca facetada por Sorl. Contou com alguns patrocinadores, como Petrobrás, Suzano e Minc, dentre outros.

Além dessas ações, o palestrante destacou a criação da Rede Memorial, a rede nacional das instituições comprometidas com políticas de digitalização dos acervos memoriais do Brasil, além da Carta de Recife, assinada em 14/9/11, que é um documento assinado por 31 instituições com base em seis princípios, a saber:

1. Compromisso com acesso aberto (público e gratuito)
2. Compromisso com o compartilhamento das informações e da tecnologia
3. Compromisso com a acessibilidade
4. Padrões de captura e de tratamento de imagens
5. Padrões de metadados e de arquitetura da informação dos repositórios digitais
6. Padrões e normas de preservação digital

O projeto piloto foi feito com arquivos estaduais para a digitalização da Brasiliana, coleção que possui livros impressos e digitais impulsionado pelas tecnologias. Finalizando, Puntoni encerrou sua falando colocando que as futuras gerações possam usufruir dos bens culturais de hoje, apesar da destruição do planeta e, desse modo, devemos ser bons ancestrais.

O evento como um todo foi um grande passo para que nós, bibliotecários, reafirmemos nosso papel de bons ancestrais, como foram nossos antepassados profissionais, além de nos esclarecer como devemos agir daqui para a frente.

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