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ONU lança biblioteca digital com 900 mil documentos à disposição do público

Plataforma será o ponto de acesso global à informação das Nações Unidas, incluindo material histórico e registros contemporâneos. Biblioteca foi desenvolvida por meio de tecnologia de código aberto pela Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN).

Uma das salas da Biblioteca Dag Hammarskjöld, na sede da ONU em Nova Iorque. Foto: ONU

Uma das salas da Biblioteca Dag Hammarskjöld, na sede da ONU em Nova Iorque. Foto: ONU

A ONU lançou no mês de maio um repositório que conta atualmente com cerca de 900 mil registros. Segundo a organização, a plataforma será o ponto de acesso global à informação das Nações Unidas, incluindo material histórico e registros contemporâneos.

A iniciativa é uma parceria entre a Biblioteca Dag Hammarskjöld das Nações Unidas e a Biblioteca do Escritório das Nações Unidas em Genebra. A plataforma fornece acesso a materiais produzidos pela organização em formato digital e sem custo algum, e faz parte de um esforço de promover a transparência, o livre acesso à informação e a preservação do acervo documental da ONU.

A biblioteca foi desenvolvida por meio de tecnologia de código aberto pela Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN) e engloba métricas de administração e de código aberto.

O sistema incorpora conteúdo apresentado em diversos bancos de dados autônomos, como o Sistema de Informação Bibliográfica da ONU (UNBISNET) e o Sistema de Documentos Oficiais das Nações Unidas. No total, são quase 900 mil registros, número que aumenta diariamente.

Entre os documentos disponíveis estão documentos oficiais da ONU e publicações de acesso público, discursos e dados de votações nos diferentes órgãos da organização, mapas, resoluções, atas de reuniões e uma diversa coleção de documentos institucionais.

A plataforma está disponível nos seis idiomas oficiais da organização, além de alguns outros não oficiais, em certos casos.

Para utilizar a Biblioteca Digital da ONU, os usuários devem acessar a página e fazer a busca utilizando os diferentes filtros, como tipo de documento ou órgão, agência ou organismo do Sistema ONU. O conteúdo também está disponível para download.

Acesse o repositório em https://digitallibrary.un.org.

Disponível em: <https://nacoesunidas.org/onu-lanca-biblioteca-digital-com-900-mil-documentos-a-disposicao-do-publico/>. Acesso em: 16 jul. 2017.

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Relato do webinar da IFLA LAC “Las bibliotecas y la implementación de la Agenda 2030 para el dessarollo sostenible”

A Seção de América Latina e Caribe da IFLA realizou no dia 2/2/17 o webinar Las bibliotecas y la implementación de la Agenda 2030 para el dessarollo sostenible, que contou com a participação das facilitadoras Sueli Ferreira (IFLA LAC Chair), Loida García-Febo (IFLA ALP Chair), Ana María Talavera (Colégio de Bibliotecólogos del Perú) e María Violeta Bertolini (IFLA Advocacy Communications Officer).

Inicialmente Loida apresentou, de maneira bem  sucinta, a campanha de advocacy da IFLA e como a Federação tem conseguido participar das reuniões na ONU sobre a Agenda 2030 e conseguido incluir o acesso à informação como um dos objetivos da Agenda, pois é a primeira vez que isso ocorre. Em relação às metas do programa, Loida citou exemplos de bibliotecas que já estão realizando ações para alcançá-las, como a Uganda, que está trabalhando a questão de igualdade de gênero, a Moldávia, onde as bibliotecas participam com a sociedade civil na elaboração de um plano nacional que as agregue como apoiadores do acesso à informação, o no Reino Unido, que vem trabalhando com o tema de comunidades e cidades sustentáveis.

As bibliotecas que desejam mais informações sobre a Agenda podem consultar o Toolkit Las bibliotecas y la implementación de la Agenda 2030 de la ONU e Acceso y oportunidades para todos: Cómo contribuyen las bibliotecas a la Agenda 2030 de las Naciones Unidas.

Em seguida, María Violeta fez sua apresentação sobre o Programa Internacional de Promoción y Defensa (Advocacy), destacando que as bibliotecas devem ser elementos chaves para os programas de governo. Esse programa possui quatro fases: oficinas regionais, ações de seguimento, chamada para apresentação de propostas e revisão global. Ressaltou, também que o programa já ocorreu na África, Ásia e Oceania, América Latina e Caribe e Europa.

Por fim, Ana María discorreu de modo geral sobre a Agenda 2030 e como seus objetivos ajudam as bibliotecas a promover ações para problemas locais, como violência, desemprego e narcotráfico. Outras iniciativas apresentadas foram a capacitação oferecida pelas bibliotecas para mulheres conseguirem emprego, um centro de documentação ambiental que promove ações de preservação e conservação e a publicação de uma política nacional do livro, leitura e escrita envolvendo todos os atores dessa área.

Essa foi mais uma oportunidade oferecida pela IFLA para levar ao conhecimento de todos como as bibliotecas podem colaborar para o alcance dos objetivos da Agenda 2030 da ONU. Em breve, será realizado um seminário internacional no Chile (“Libraries, advocacy and promotion activities and implementation of Agenda 2030”) e a LAC 2017 Midterm Meeting.

Para quem não pode assistir, o webinar estará disponível no canal do YouTube da IFLA LAC.

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O impacto do acesso à informação e às bibliotecas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Contribuição de Neide Alves Dias de Sordi – Innova Gestão

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A Confederação de Repositórios de Acesso Aberto (COAR), a Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) e a Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) criaram a Comunidade de Prática (CoP) – [sdgs-impact-access-information-societies]. Neste mês de setembro (de 7 a 18), tais associações promoverão o e.Forum – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: o impacto do acesso à informação em nossas sociedades[i], que representa oportunidade a instituições e indivíduos de ampliarem seus conhecimentos sobre a “Declaração de Lyon” e sobre como centros de informação e bibliotecas podem promover o acesso à informação como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU[ii].

O e.Forum oferecerá webcasts com especialistas para estimular o diálogo e a discussão em torno de três questões principais: 1. Como o acesso à informação pode contribuir para o desenvolvimento sustentável? 2. Como bibliotecas e centros de informação podem promover a adoção do acesso à informação como parte da agenda pós-2015, em especial os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)? 3. O que podemos fazer coletivamente visando à sensibilização para o acesso aberto e acesso à informação, no contexto da discussão sobre os ODS?[iii]

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são um conjunto de objetivos, metas e indicadores universais que os estados membros das Nações Unidas (ONU) utilizarão ​​para enquadrar as suas políticas ao longo dos próximos 15 anos. Eles são considerados elementos-chave no desenvolvimento internacional futuro. Se os ODS forem aprovados durante a reunião de cúpula da ONU, a realizar-se entre 25 e 27 de setembro de 2015, serão aplicáveis a partir de janeiro de 2016 e irão substituir formalmente os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM)[iv].

Os ODM são oito objetivos de desenvolvimento internacional, estabelecidos pela ONU após a Cúpula do Milênio, em 2000. Na ocasião, os Estados Membros se comprometeram com o alcance desses objetivos, até 2015. Assim sendo, é necessário um novo processo para a aprovação dos objetivos de desenvolvimento 2015 – 2030. Esse novo processo teve início no Rio de Janeiro, em 2012, quando 192 Estados membros da ONU concordaram em estabelecer metas de desenvolvimento sustentável, orientadas para a ação, concisas e de fácil comunicação, em número limitado, de natureza global e universalmente aplicável a todos os países, considerando-se as diferentes realidades nacionais, capacidades e níveis de desenvolvimento e o respeito às políticas e prioridades nacionais.

A participação da IFLA e a COAR incluem as bibliotecas e seus repositórios, engajados em garantir que o acesso à informação seja preponderante na construção da Agenda de Desenvolvimento das Nações Unidas pós-2015.

Nesse sentido, no congresso mundial da IFLA, em Lyon, em maio de 2014, foi elaborada a Declaração de Lyon, com vistas a influenciar positivamente o conteúdo da agenda de desenvolvimento pós-2015 das Nações Unidas. A Declaração afirma que o acesso à informação apoia o desenvolvimento, capacitando o indivíduo para:

  • Exercer os seus direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais;
  • Ser economicamente ativo, produtivo e inovador;
  • Aprender e aplicar novas habilidades;
  • Enriquecer a identidade cultural;
  • Participar ativamente na sociedade civil, quanto à tomada de decisão;
  • Adotar soluções da comunidade para os desafios do desenvolvimento;
  • Assegurar a responsabilização, a transparência, a boa governação, e o empoderamento; e
  • Mensurar o progresso dos compromissos públicos e privados no desenvolvimento sustentável.

A Declaração solicita aos Estados-membros da Organização que firmem um compromisso internacional através da agenda de desenvolvimento pós-2015, de forma a garantir que todos tenham acesso à informação e sejam capazes de entender, usar e compartilhar essas informações, a fim de promover o desenvolvimento sustentável e as sociedades democráticas.

Em 2 de Agosto de 2015, após mais de três anos intensas negociações e envolvimento de muitas instituições, os estados-membros das Nações Unidas concordaram com uma versão final da agenda do desenvolvimento pós-2015, agora conhecida como Agenda 2030.

A nova Agenda 2030 é um quadro de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (DPSs) com um total de 179 alvos que medem o desenvolvimento econômico, ambiental e social. Eles traçam um plano para todos os países participarem ativamente, em busca de um mundo melhor para seu povo e para o planeta.

Graças ao esforço da IFLA e de outras organizações, o acesso à informação, a alfabetização universal, a salvaguarda do património cultural e natural, bem como o acesso às tecnologias da comunicação foram fortemente representados.

Espera-se que, com a aprovação da Agenda 2030, sejam ampliadas as possibilidades de todos terem acesso à informação. Assim sendo, é desejável que as instituições nacionais que congregam bibliotecários e outros profissionais da informação também incluam a questão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em sua pauta de atuação.

[i]  http://www.ifla.org/node/9706

[ii] http://www.lyondeclaration.org/

[iii] www.coar-repositories.org/news-media/sustainable-development-goals-the-impact-of-access-to-information-on-our-societies-e-forum-7-18-september-2015/

[iv] http://www.un.org/disabilities/documents/reports/SG_Synthesis_Report_Road_to_Dignity_by_2030.pdf

– See more at: http://www.innovagestao.com.br/2015/09/o-impacto-do-acesso-a-informacao-e-as-bibliotecas-nos-objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel-ods/#sthash.cXdLZwlg.dpuf

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Agenda 2030 da ONU e as bibliotecas

No início de agosto, a Organização das Nações Unidas chegou a um consenso sobre a Agenda 2030 — documento que se propõe a nortear os trabalhos da organização em relação à economia, ao ambiente e ao desenvolvimento social para os próximos 15 anos. Além dos países membros, diversas outras organizações da sociedade civil auxiliaram por mais de dois anos na criação e revisão do texto, incluindo a Federação Internacional de Associações de Bibliotecários e Bibliotecas (IFLA).

Não é um plano fácil. E não vai ser só a assinatura do documento que causará as mudanças propostas, como veremos mais abaixo.

Nele, são listados 17 objetivos gerais, e, sob cada um deles, diversos objetivos específicos. É bom frisar que a Agenda tem mais função política do que normativa, e servirá de embasamento para as autoridades nacionais implementarem mudanças num movimento global de melhoria social — cada um com as suas necessidades e prioridades locais.

Também é interessante notar algumas palavras-chave que são repetidas no preâmbulo do texto: extinção da fome, da pobreza, necessidade de paz, consumo e produção sustentáveis, promoção e defesa da igualdade entre gêneros e empoderamento de mulheres e meninas. E as bibliotecas? E os bibliotecários? O que têm com isso?

Segundo a IFLA, em nota oficial, bibliotecas podem servir de apoio para diversos aspectos dos objetivos do documento, pois são instituições públicas chave e têm um papel vital no desenvolvimento de toda a sociedade.

O lançamento oficial da Agenda 2030 ocorrerá em setembro em Nova Iorque e a Federação já se comprometeu a esmiuçar os objetivos que podem ser auxiliados pelas bibliotecas. Colocando o carro na frente dos bois por um momento, li o documento e listei o que eu percebo como atividades que deveriam ocorrer em bibliotecas, especialmente as públicas. Vejamos:

# Objetivo 4, sobre educação e aprendizado contínuo: há menção a melhorar o acesso à informação para crianças, inclusive as com deficiência, indígenas e em vulnerabilidade (objetivo específico 4.5); aumentar a literacia em adultos (objetivo específico 4.6) e melhorar e criar mais ambientes adequados para a educação (inclusive bibliotecas, imagino eu) (objetivo específico 4.a);

# Objetivo 5, sobre políticas para mulheres e meninas: promover o empoderamento feminino através do uso de tecnologias de informação e comunicação (5.b);

# Objetivo 9, sobre infraestrutura, e # Objetivo 11, sobre cidades: aumentar o acesso à internet (9.c) e melhorar a proteção e salvaguarda do patrimônio cultural e natural (11.4);

# Objetivo 10, sobre reduzir a desigualdade: apenas promover a igualdade (social, econômica e política), independentemente de idade, sexo (e gênero, imagino eu), deficiência, raça, etnia, origem, religião, status social ou outro tipo de status (10.2);

# Objetivo 13, aquecimento global: educação e informação sobre mudança climática e para sua redução (13.3);

# Objetivo 16, acesso à justiça: “Garantir o acesso público à informação e proteger liberdades fundamentais em acordo com legislação nacional e acordos internacionais.” (16.10) (no original: “Ensure public access to information and protect fundamental freedoms, in accordance with national legislation and international agreements”). Trago este objetivo específico em texto original, pois ele parece ser o ponto-focal do trabalho pela IFLA, e é mencionado especificamente no seu comunicado oficial.

Ainda, na Agenda 2030 também há menção à criação de uma Força-tarefa para Ciência, Tecnologia e Inovação com a intenção o de garantir o acesso à informação, conhecimento e melhores práticas através de mecanismos de transferência de informação e tecnologia.

Alguns comentários e/ou provocações são necessários.

O primeiro é o seguinte: apesar de haver objetivos sobre educação (sempre genéricos, pois o documento deseja ser o mais abrangente para que cada nação tenha como desenvolver suas prioridades), a IFLA optou por apresentar um objetivo relacionado ao acesso à justiça. Por quê? Por que bibliotecas devem se envolver com acesso à justiça, especificamente, de acordo com a Federação, no que se refere ao acesso à informação?

Também, como se pode ver, todos os objetivos que eu listei — ainda falta a avaliação e pormenorização a ser apresentada pela IFLA — tratam de educação de usuários: literacia, empoderamento através de TICs, educação sobre  os direitos humanos e o ambiente… estamos preparados pra isso? Temos capacidade para isso? Que espécie de atividades uma biblioteca pública pode desenvolver nestes sentidos?

Enfim, o conteúdo do documento é obviamente progressista. Contudo, uma vez que as medidas deverão ser implementadas pelos governos, o primeiro passo não deveria ser fazer a faxina em casa e eleger pessoas (“representantes”, no final das contas) que demonstrem interesses por estas medidas? Do contrário, sim, as recomendações morrem no papel. Depois, é fazer lobby e advocacia para que as medidas sejam implementadas de fato. Simples, apenas!

Disponível em: <http://tci.fernandop.info/?p=649>. Acesso em: 16 ago. 2015.

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