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SNBU 2016 – 19/10/16

No quarto dia do SNBU 2016, no qual o evento foi encerrado e os dias seguintes foram dedicados apenas para visitas técnicas, ocorreu a conferência “Projetando o Futuro Tecnológico das Bibliotecas Universitárias”, proferida por Christopher Timothy Holly, da EBSCO.

Holly iniciou sua fala sobre o Cultural Community Solutions (CCS), um consórcio norte-americano de bibliotecas, apresentando a missão que é promover o acesso a recursos compartilhados e tecnologia de serviços para bibliotecas com custo-benefício como um centro de aprendizagem  colaborativo para desvendar o futuro. Além disso, expôs que o plano estratégico do consórcio é o foco no usuário e a correção dos registros bibliográficos para novos padrões.

O conferencista comentou, também, as decisões tecnológicas refletem os valores da biblioteca, e que as necessidades variam entre as bibliotecas. Sobre a consolidação da automação de bibliotecas nos Estados Unidos, Holly comentou que isso ocorreu por meio de muitos movimentos de fusões e aquisições, o que diminuiu as opções disponíveis no mercado. A filosofia do CCS vai justamente na contramão desse movimento, pois pretende dialogar de forma mais ampla para ajudar a mudança.

Em relação a inovação, o conferencista apontou que novos modelos de negócios como Airbnb, Amazon e Netflix, pois surgiram mudanças no mercado e na competitividade. A situação é a mesma no contexto bibliotecário, por isso, as plataformas surgem como ambientes de código aberto, acessíveis em múltiplos níveis e que operam de forma não lucrativa. Assim, por meio da comunidade, modernidade e modularidade, consegue promover inovações como o diálogo de diferentes comunidades, implantar serviços em nuvem e linked data e expandir em plataformas módulos de sistemas de bibliotecas, tais como catalogação, aquisição, dentre outros.

Nesse contexto, Holly apresentou o FOLIO, que é uma plataforma para desenvolver tecnologias para bibliotecas. Tem como características, dentre outras ser extensível, com serviços de descoberta e open link URL, além de contar com novos aplicativos, tais como linked open data e room booking. Dentre seus objetivos, estão: criar uma comunidade, alavanar a fonte aberta, melhorar produtos e trazer mais opções de plataformas para bibliotecas. Assim, FOLIO permite a participação de bibliotecas e fornecedores, aumentando a concorrência e diminuindo custos.

Na sequência, foi apresentada a conferência “Criação e Povoamento de Repositório Institucional: estratégias de consolidação”, por Ricardo Otelo dos Santos Saraiva Cruz, da Universidade do Minho e, no período da tarde, foi apresentado o relato do evento pelo professor Oswaldo Francisco de Almeida Júnior, da Unesp de Marília (SP), com um balanço geral positivo, tanto em número de participantes (por volta de 600), como pela quantidade de trabalhos aprovados e demais atividades do evento, apesar de problemas pontuais com ausências nas apresentações de trabalhos e atrasos, o que não invalida os ganhos pela participação no evento em si, sobretudo no que se refere ao estabelecimento de fortalecimento da rede de contato entre profissionais.

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SNBU 2016 – Dia 17/10/16

No segundo dia do SNBU 2016, cujo eixo temático foi “Gestão sustentável”, acompanhei a conferência “Gestão da Biblioteca Universitária frente às Demandas do Contexto Contemporâneo”, proferida por Pedro Miguel Estácio dos Santos, diretor da biblioteca de Letras da Universidade de Lisboa.

Diferentemente do Brasil, as bibliotecas universitárias portuguesas funcionam autonomamente, e não vinculadas a um sistema central. A Faculdade de Letras possui, atualmente, cerca de 3000 alunos e 250 docentes e investigadores, além de 90 não docentes. Sua biblioteca realiza por volta de 60000 empréstimos por ano, promoveu 50 eventos culturais em 2015 e possui um orçamento médio de 100000 euros por ano. A equipe da biblioteca é composta por 1 dirigente (bibliotecário), 7 bibliotecários, 6 assistentes de biblioteca, 1 técnico superior (área cultural), 2 assistentes administrativos e bolsistas e voluntários, cujo número é variável.

Apresentado esse contexto, Santos esclareceu que embora a Universidade de Lisboa  seja pública, ela adota o modelo de gestão empresarial, mas adaptado para o setor público, por isso, o orçamento varia em função da produtividade da biblioteca. Nesse contexto, o bibliotecário deve convencer o gestor da universidade que a biblioteca não seja vista como despesa financeira porque seu retorno não pode ser medido monetariamente. Diante disso, Santos apresentou três desafios que nortearam sua fala: capacitar gestores, capacitar e motivar equipes e capacitar os usuários.

No que diz respeito à capacitação de gestores, o palestrante comentou que as mudanças atuais envolvem, dentre outros aspectos, fatores políticos, sociais (aumento da pobreza) e tecnológicas (novas plataformas de comunicação e novas ferramentas para organização e representação da informação, por exemplo). Além disso, destacou: a avaliação dos impactos no cumprimento da missão das bibliotecas universitárias; a contração orçamental (também vivida pelas bibliotecas universitárias portuguesas na atualidade); comunicar, implementar e gerir a mudança; posicionar-se conforme a visão da universidade e dos usuários; avaliar e comunicar resultados (publicação de indicadores estatísticos de desempenho); competências (segundo a Library Leadership & Management Association – LLAMA, algumas são: comunicação, gestão da mudança, constituição e desenvolvimento de equipes, cooperação e inteligência emocional); e aptidões (conforme propostas pela European Council of Information Association em 2004, por exemplo, relacionamento e organização. Algumas das ideias a reter desse desafio são, dentre outras: ser gestor de uma biblioteca universitária é um full time job, assim como a gestão da bibliotecas universitária requer gestores profissionais, bem como um modelo de gestão.

Nos desafio dois e três, respectivamente, capacitar equipes e capacitar usuários, Santos não se aprofundou nos tópicos, pois apresentou esses tópicos de forma diluída em outros momentos. No que diz respeito à capacitação de equipes, destaquei a identificação das áreas de atuação dos membros e suas competências, anteriormente citadas, das quais ressalto a aplicação do direito da informação, além da mobilidade funcional, que é a adequação do perfil à função. Em relação ao terceiro desafio, basicamente o palestrante apresentou algumas recomendações para bibliotecas universitárias portuguesas propostas pelo GT-BES/BAD, como editoração, repositórios, criação de serviços de apoio à gestão de dados científicos e parcerias, além de indicadores, como a aquisição de livros por ano, empatia no atendimento e resposta adequada ou não.

A palestra seguinte, proferida por Adelaida Ferrer Torrens, tratou do “Centro de Recursos para a Aprendizagem e Pesquisa (CRAI)” na Universidade de Barcelona, que atualmente possui 27 bibliotecas e 240 pessoas trabalhando nelas. Inicialmente, Ferrer Torrens destacou algumas ideias importantes que foram discutidas ao longo de sua fala: a biblioteca é o coração da universidade; o ritmo com que ocorrem mudanças; a principal missão da biblioteca é facilitar o acesso à informação; para oferecer serviços e produtos é importante colaborar e cooperar; criar sinergias; o bibliotecário deve ter um perfil integrado, isto é, integrar grupos de pesquisa, departamento e outros setores da universidade; trabalhar com processos padronizados. Nesse contexto, a palestrante explicou que o impacto da biblioteca universitária ocorre, entre outras situações, na valoração dos rankings universitários, na promoção da ALFIN (Alfabetização Informacional), contribuindo para o sucesso acadêmico dos usuários, e na melhora da qualidade da docência.

No que se refere à questão da mudança de uma biblioteca reativa para uma no modelo CRAI, ela ocorre em alguns aspectos, tais como: a projeção da docência e da investigação no meio social como difusoras do conhecimento; imersão em um undo mundo digital; o aluno enquanto ator central do processo formativo; o professor como facilitador; a extensão do processo educativo ao longo da vida; transmissão de valores e saber à sociedade; e a ascensão de tecnologias (Moodle, MOOCs, open access, software livre, dentre outras). Em relação ao perfil dos usuários do século XXI, a palestrante apontou que atualmente são mais analíticos e exigentes, além de solicitarem serviços em todos os lugares, ou como também são conhecidos, 24/7. Enfim, a biblioteca como CRAI envolve equipe (bibliotecários, informáticos, especialistas em recursos audiovisuais) e serviços (capacitação pedagógica, empréstimos de outros materiais além dos bibliográficos, direitos autorais, propriedade intelectual, serviços para pessoas com deficiência, MOOCs e salas para docência) e, assim, contribui para a missão da universidade e a formação docente.

Na sequência, a Prof. Marta Lígia Pomim Valentim (UNESP) apresentou a palestra “A Perspectiva da Gestão Inovadora da Biblioteca Universitária”. No início, Valentim discorreu sobre indicadores do Índice Global de Inovação 2016 com ênfase naqueles voltados para educação, como instituições, capital humano e pesquisas, infraestrutura, saídas criativas (ativos intangíveis, bens e serviços criativos, criatividade online). O indicador capital humano e pesquisas foi destacada como importante para as bibliotecas universitárias, haja vista que apresenta dados como gasto por aluno, matrículas no nível superior, pesquisadores em tempo integral, dentre outros). A palestrante também apresentou autores que trabalham com o tema, como Ada Scupola e Ronald Jantz, além de um evento internacional relacionado, o 2nd International Conference on Leadership and Innovative Management in Academic Libraries in the Age of New Technology.

Como características de uma biblioteca universitárias inovadora, Valentim apontou vários itens, a saber: a necessidade de discutir sobre os direitos autorais e copyleft, haja vista que o tema está sendo debatido em nível internacional atualmente, em especial as limitações e exceções para bibliotecas e arquivos; a bibliotecas universitária movimenta o mercado e é seu refém, porém, essa posição diminui à medida que são criados repositórios institucionais; produção de conteúdo (a biblioteca deve torná-lo disponível); o estabelecimento de uma política institucional de preservação digital; democratização do conhecimento; implantação do RDA (novos conteúdos e suportes); adoção da web semântica, folksonomias e taxonomias; uso de biometria; adoção do RFID; uso de OPACs e repositórios institucionais; capacitação de usuários por meio de ferramentas de ensino à distância; tecnologias de digitalização; tecnologias 3D para obras raras (atualmente em uso na Biblioteca Estadual da Baviera, na Alemanha); desenvolvimento da competência em informação; tecnologias assistivas; LIBRAS; e definição de planejamento (estratégico, tático e operacional).

No período da tarde, além de visitar a feira de produtos, assisti os seguintes trabalhos:

Segurança, gerenciamento e automação de bibliotecas: vantagens e críticas aos recursos de autodevolução de materiais bibliográficos
Nivaldo Calixto Ribeiro, Márcio Barbosa de Assis e Taciele Jamila Mori

O trabalho foi apresentado por Nivaldo, que relatou a experiência da Universidade Federal de Lavras (UFLA) no uso da tecnologia RFID para autodevolução. Basicamente, ele apresentou as vantagens dessa tecnologia, como liberação de funcionários para outra atividades, monitoramento da quantidade de itens devolvidos, mobilidade e autonomia do usuário, e desvantagens, como danos causados pela queda do livro, custo elevado (por volta de R$515 000 para o equipamento completo: antenas, leitores de RFID, software, desenvolvimento de aplicativo, sistema de comunicação, dentre outros itens).

Foi interessante o comentário do Nivaldo que além da mudança provocada pela tecnologia, ela também motivou maior atenção à obra no momento da devolução antes do encaminhamento para as estantes. Como muitas obras estavam sendo danificadas dependendo da forma como caíam na esteira da autodevolução, agora o estado de conservação das obras é avaliado por funcionários caso precisem de reparo.

O uso de indicadores de desempenho da ISO 11620 para avaliar bibliotecas universitária
Elaine Cristina Tomás Pimenta e Thalmo de Paiva Coelho Junior

Confesso que desconhecia (ou não lembrava) da norma ISO 11620, que propõe indicadores para avaliação de bibliotecas. É muito aplicada nos Estados Unidos, mas no Brasil Elaine localizou apenas três trabalhos sobre o assunto. A última versão da norma é de 2014 e possui 52 indicadores. O formato padrão dos indicadores possui os seguintes elementos: nome, objetivo, âmbito, definição do indicador, método, interpretação, fonte e indicador relacionado.

Dessa forma, percebe-se que o nível de detalhamento possibilitado pelos indicadores contribui para ajudar no diagnóstico da biblioteca, na determinação da alocação de recursos, no apontamento de pontos fortes e fracos, além de medir o uso do serviços e detectar baixa produtividade e, assim, descobrir como combatê-la.

O desenvolvimento de competências em informação em ambientes virtuais de aprendizagem: uma proposta experimental
Daniel Cerqueira Silva

Infelizmente quando entrei no Salão Rio Negro para assistir este trabalho, a apresentação já estava avançada, mas foi possível acompanhar parte do relato do Daniel sobre a proposta apresentada.

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SNBU 2016 – Dia 16/10/16

O XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), neste 2016 sediado em Manaus (AM), teve início na noite de 16/10/2016 com um breve atraso que, infelizmente, vejo que é de praxe neste e outros eventos bibliotecários e não-bibliotecários: o início, programado para 20h00, na verdade ocorreu por volta de 20h20.

Depois de uma extensa apresentação do Madrigal da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a mesa com as autoridades foi reunida e cada membro fez seu discurso. Embora o repertório do Madrigal tenha sido muito bem elaborado, passando de poesias de Fernando Pessoa a Mário Quintana até músicas dos Beatles, foi muito longo para o que se propõe para uma abertura de evento. O fato é que as autoridades foram chamadas para discursarem perto das 21h00, horário em que, na realidade, era para ter início a conferência magna “Advocacy no ambiente da universidade”, proferida por Courtney Louise Young (Universidade Penn State Greater Allegheny-EUA) a qual infelizmente não acompanhei dado o adiantado da hora, haja vista que a palestra deve ter tido início por volta de 22h20. Infelizmente porque, conforme comentários pelas redes sociais, a palestra foi muito boa.

Parafraseando o ministro Ricardo Lewandowski do Supremo Tribunal Federal, “por economia informacional” (e temporal, claro) considero que seja importante rever para as próximas edições do evento o tempo de fala das autoridades, tanto em respeito ao público como (e principalmente, ao meu ver) em respeito ao conferencista, que geralmente é estrangeiro.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

XIX SNBU

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

O Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) realizará, em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e com o Instituto Federal do Amazonas (IFAM), no período de 15 a 21 de outubro de 2016, o XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias – SNBU no Centro de Convenções do Tropical Hotel, em Manaus.

O SNBU é o maior e mais importante evento brasileiro no âmbito de bibliotecas universitárias, porquanto se tornou o principal fórum nacional de discussão, atualização e aperfeiçoamento nesta área específica de atuação. Neste evento participarão destacadas personalidades no campo da Ciência da Informação, convidados de outros países e corpo docente, discentes e técnicos de todas as universidades do país e do exterior para debater o tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.

Discutir a sustentabilidade de uma organização se configura como uma temática relevante para gestores e colaboradores, especialmente quando se trata de uma biblioteca inserida no contexto das instituições que atuam na área da educação, como as universidades, as quais possuem uma legislação que regulamenta e ampara o seu fazer como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), Plano Nacional de Educação (PNE), Parâmetro Curriculares Nacionais (PCN), Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPC), todas estas fundamentais para sua existência e funcionamento.

No contexto da biblioteca universitária, tais questões estão relacionadas à capacidade de executar atividades para consolidar e incrementar o projeto de formação humana assumido pela instituição de ensino superior onde ela está inserida, considerando tanto a sua organização interna, quanto sua inserção no ambiente externo. De fato, os processos e recursos agenciados pela biblioteca universitária e a relevância da sua ação para a sociedade deverão ser basilares para a sua sustentabilidade, o que poderá ser mensurado pela sua contribuição para o cumprimento da missão da instituição de ensino superior.

Por isso parece-nos oportuno promover reflexões sobre as práticas de sustentabilidade, a partir da visão defendida pela Organização das Nações Unidas (ONU), a respeito do tema que envolve a vertente econômica, ambiental, social, político-institucional e cultural das bibliotecas universitárias com o olhar atencioso para o contexto da organização universitária como um todo e seus reflexos sobre a configuração de suas estruturas administrativas, na organização e oferta dos serviços aos seus usuários. Trata-se, portanto, de um tema universal e contemporâneo, presente no cotidiano de todas as organizações, pois é impossível dissociar qualquer atividade, com ou sem fins lucrativos, desse conceito.

Reconhecendo a importância da participação em um evento de tamanha expressão, convidamos a todos os bibliotecários do país a, junto conosco, construírem as reflexões propostas.

Dra. Célia Regina Simonetti Barbalho

Presidente do XIX SNBU

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